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A estratégia de Biden ‘Netanyahu primeiro, EUA depois’ foi um desastre total | Opiniões
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2 anos atrásem
“Se não houvesse Israel, os Estados Unidos da América teriam de inventar um Israel para proteger os seus interesses na região.” Estas foram as palavras do então senador Joe Biden ao defender o apoio dos EUA a Israel durante um debate no Congresso sobre a venda de armas no Médio Oriente em 1986.
Ele claramente não via a possibilidade de um conflito de interesses entre Israel e os EUA naquela altura. Ironicamente, 38 anos depois, a sua presidência traria à tona o quanto os interesses regionais dos EUA já não se alinham com o comportamento do governo israelita.
A administração Biden deu ao primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, liberdade para fazer o que quiser, não apenas em Gaza, mas em todo o Médio Oriente. Netanyahu está a fazer tudo o que pode para permanecer no poder em ordem, o que significou prolongar a guerra de Israel em Gaza e expandir a agressão israelita no Líbano, no Iémen e até no Irão.
Isto causou estragos no Médio Oriente e minou directamente os interesses da política externa dos EUA na região.
O interesse estratégico dos EUA
O Médio Oriente tem uma importância estratégica significativa para os EUA. É o lar de vastas reservas de petróleo e gás natural que são essenciais para a economia dos EUA e para a economia global dominada pelos EUA. Qualquer interrupção no fornecimento de petróleo ou gás da região pode ter consequências sem precedentes para a segurança energética global.
É por isso que os EUA têm favorecido a relativa estabilidade política na região, especialmente depois da invasão do Iraque em 2003, e a ocupação do Afeganistão entre 2001 e 2021 demonstrou quão perigoso e dispendioso o aventureirismo militar pode ser na região.
Desde a primeira administração Obama, os EUA têm seguido uma estratégia de segurança nacional que visa reduzir o passivo e estabilizar a região, a fim de retirar e concentrar recursos na China e na Rússia, consideradas ameaças mais prementes. Como parte desta política, Washington tem trabalhado para integrar Israel com os seus vizinhos árabes, estabelecendo um acordo de segurança no Médio Oriente semelhante à NATO e reforçando os laços económicos através de iniciativas como o Corredor Económico Índia-Médio Oriente-Europa.
A Estratégia de Segurança Nacional da administração Biden deu continuidade a esta política, ao anunciar o fim da missão de combate e a retirada das tropas dos EUA no Iraque e a continuação dos esforços para expandir a normalização israelo-árabe.
Mas a saída dos EUA do Médio Oriente foi colocada em pausa indefinidamente, quando Biden prometeu apoio incondicional a Israel na sequência do ataque de 7 de Outubro perpetrado pelo Hamas. Washington foi forçado a aumentar a sua presença militar na região e a gastar mais de US$ 22 bilhões na ajuda militar ao exército israelita e nas suas próprias operações militares de apoio ao mesmo. Este compromisso incondicional para com Israel está a minar a estratégia de longo prazo dos EUA de se concentrarem na Rússia e na China e de atribuirem mais ajuda militar a Taiwan, à Ucrânia, à Coreia do Sul e ao Japão.
Netanyahu primeiro, os EUA em segundo
Há quase 15 meses que os EUA mobilizam as suas capacidades políticas, diplomáticas, económicas e militares para apoiar Israel. Desdobrou navios da marinha, porta-aviões e tropas no Mediterrâneo e no Mar Vermelho e envolveu-se em atividades militares diretas na região para ajudar a proteger Israel.
No cenário internacional, forneceu um apoio sem precedentes ao governo israelita, atacando e retirando financiamento às instituições internacionais, minando a ONU e pressionando os aliados para que não cedessem à indignação pública sobre o genocídio. As autoridades norte-americanas defenderam sem reservas a guerra massiva de Israel em Gaza, que matou pelo menos 45 mil civis, a maioria deles crianças e mulheres, deslocou 1,9 milhões de pessoas na Faixa de Gaza e destruiu infra-estruturas civis, escolas e hospitais.
Os EUA apoiaram Israel no ataque e devastação do Líbano, matando mais de 4.000 pessoas, e na invasão da Síria, ocupando ainda mais território na parte sul do país. Apoiou a provocação israelita contra o Irão: o bombardeamento da embaixada iraniana em Damasco e o assassinato do líder do Hamas, Ismail Haniyeh, em Teerão. Aprovou o bombardeamento israelita ao Iémen, que causou grandes danos às infra-estruturas civis e interrompeu entregas cruciais de ajuda humanitária.
A agressão incontrolável de Israel tem sido impulsionada por Netanyahu, que acredita que prolongar e manter múltiplos conflitos, fazer com que os israelitas se sintam inseguros e manter os seus aliados de extrema-direita satisfeitos irão ajudá-lo a permanecer no poder. Dado que foi acusado de fraude, quebra de confiança e aceitação de subornos, manter a sua posição como primeiro-ministro é a única forma de gozar de imunidade contra processos judiciais. A sua controversa tomada de decisões levou a uma profunda divisão política entre os diferentes intervenientes em Israel, causando uma divisão social sem precedentes.
No entanto, Biden continuou a apoiar Netanyahu, basicamente colocando-o em primeiro lugar – à frente de todas as prioridades políticas dos EUA na região.
Uma região desestabilizada
Tudo isto lançou o Médio Oriente numa turbulência que terá implicações duradouras. A resposta iraniana às provocações israelitas – lançando duas vezes ataques em massa com mísseis contra Israel – foi sem precedentes. Isso levou a região à beira da guerra. E embora, por agora, pareça que Teerão tenha preferido a desescalada, não há garantia de que não ocorrerá outra ronda entre os dois arquiinimigos, mergulhando o Médio Oriente num conflito regional.
Uma tal guerra arrastaria múltiplos intervenientes estatais e não estatais, destruindo a economia dos estados do Golfo e criando um atoleiro político para Washington.
Mesmo que tal cenário seja evitado, a agressão incontrolável de Israel está a motivar os actores regionais a armarem-se. A militarização da região não pode limitar-se às armas convencionais. Já em Maio, Kamal Kharrazi, conselheiro do Líder Supremo, Aiatolá Ali Khamenei, advertiu que “se a existência do Irão for ameaçada, não haverá outra escolha senão mudar a doutrina militar (do Irão)”. Ou seja, a motivação está a aumentar no Irão para adquirir armas nucleares, e o mesmo acontece com apoio público por isso.
Anos de negociações internacionais para garantir que o programa nuclear iraniano permaneça pacífico estão a ser jogados pela janela devido ao apoio dos EUA ao comportamento agressivo de Netanyahu no Médio Oriente. Isto também está a prejudicar os esforços globais para combater a proliferação nuclear, uma vez que outras potências regionais – incluindo a Arábia Saudita e a Turquia – também podem começar a pensar seriamente em armas nucleares.
Entretanto, o abastecimento mundial de petróleo e gás permanece vulnerável. Os Houthis continuam a atacar navios que se dirigem a Israel e aos seus aliados no Mar Vermelho, ameaçando o bom fluxo de recursos energéticos e outros bens. A sua exigência para o fim da guerra em Gaza não foi satisfeita.
Bab al-Mandeb, onde operam os Houthis, juntamente com o Canal de Suez e o Estreito de Ormuz são passagens marítimas importantes através das quais passa quase 40% do abastecimento global de petróleo. Se for permitido a Netanyahu continuar a escalada no Médio Oriente, isso poderá resultar em grandes perturbações nestes três pontos de estrangulamento. As consequências para os EUA e para o resto do mundo seriam desastrosas.
Para além dos riscos de uma guerra regional e de uma crise económica global devido ao aumento dos preços do petróleo, a política de “Netanyahu primeiro” de Biden está a ameaçar a ordem global. Para defender e proteger Israel, a sua administração desafiou decisões de plataformas políticas globais como a Assembleia Geral da ONU, o Conselho de Segurança da ONU e o braço jurídico da ONU – o Tribunal Internacional de Justiça – para parar a guerra em Gaza.
O estatuto dos EUA como anfitrião da sede da ONU e suposto garante da ordem jurídica internacional e dos direitos humanos foi exposto como uma falácia. O seu comportamento está a minar a credibilidade do sistema pós-Segunda Guerra Mundial que ajudou a criar e manter e corre o risco de causar o seu colapso.
Em suma, a insistência de Biden no apoio incondicional a Israel tem sido um desastre para a política externa dos EUA. Na sua crença cega numa aliança imutável, o enfermo presidente dos EUA pode muito bem ter desferido o pior golpe nos interesses estratégicos dos EUA no Médio Oriente em anos.
“Não há nenhum pedido de desculpas, nenhum, é o melhor investimento de 3 mil milhões de dólares que fazemos”, disse Biden em 1986, durante o seu discurso. À medida que o seu mandato chega ao fim, o presidente dos EUA poderá fazer bem em reflectir sobre a sua posição sem remorso que custou ao seu próprio povo milhares de milhões de dólares de investimento potencial em serviços sociais e que destruiu uma estratégia de segurança nacional que estava a ser elaborada há anos – ao mesmo tempo que apoiando o genocídio de Netanyahu.
As opiniões expressas neste artigo são do próprio autor e não refletem necessariamente a posição editorial da Al Jazeera.
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Licenciatura Indígena realiza defesa de TCCs em aldeias no Juruá — Universidade Federal do Acre
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3 dias atrásem
23 de outubro de 2026O curso de Licenciatura Indígena, do campus Floresta da Ufac, realizou o 1º Seminário Acadêmico de Apresentação de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs). O evento possibilitou a defesa de 16 trabalhos nas aldeias Barão, da terra indígena Puyanawa, em Mâncio Lima (AC), e Morada Nova, na terra indígena Katukina/Kaxinawá, em Feijó (AC). As atividades ocorreram entre 25 de setembro e 2 de outubro, envolvendo estudantes, professores, egressos do curso, pós-graduandos e as comunidades locais.
Os TCCs defendidos nas aldeias são de autoria de discentes que ingressaram na Ufac em 2023 e deverão colar grau no início de 2027. Os temas das pesquisas contemplaram variados aspectos da vida indígena, abrangendo história, biografia, mitologia, organização política, território, medicina tradicional, grafismos, gênero, terminologias linguísticas, educação especial, atividade cinegética e rituais tradicionais.
A viabilização das defesas nas aldeias ocorreu pela primeira vez em 18 anos de existência da graduação e está de acordo com a pedagogia da alternância, pela qual parte da carga horária do curso é realizada nas comunidades indígenas dos alunos, por meio de pesquisa e extensão. Os recursos para realização do evento foram provenientes de projeto de extensão com o mesmo nome do seminário.
As bancas de avaliação foram compostas por docentes do curso, egressos de outras turmas da Licenciatura Indígena e egressos indígenas de outros cursos da Ufac, inclusive da pós-graduação. Também compuseram algumas bancas pessoas reconhecidas por suas comunidades com “notório saber”, expediente previsto no regulamento de TCC do curso. Além de familiares dos estudantes e moradores das aldeias, indígenas de outras etnias estiverem presentes no seminário.

Organização
A atividade no município de Mâncio Lima, que é vizinho ao campus Floresta, em Cruzeiro do Sul (AC), ocorreu num só dia, em 25 de setembro, com a defesa de dois TCCs. Já para o evento em Feijó foi necessário um deslocamento de ônibus, com duração de quase seis horas, em 30 de setembro, até o porto da cidade. E, à noite, uma embarcação levou cerca de 20 pessoas até a aldeia Morada Nova, onde houve uma recepção musical para o grupo. Na manhã do dia seguinte começaram as defesas, que prosseguiram até 2 de outubro.

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Herbário da Ufac participa do 76º Congresso Nacional de Botânica — Universidade Federal do Acre
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4 dias atrásem
22 de outubro de 2026A servidora Júlia Gomes da Silva, curadora do Herbário da Ufac, vinculado ao Parque Zoobotânico (PZ), representou a instituição no 76º Congresso Nacional de Botânica e 15º Encontro de Botânicos do Centro-Oeste, eventos ocorridos de 11 a 16 de outubro, em Campo Grande. Ela participou de mesa-redonda com apresentação das coleções dos herbários da região Norte.
Na ocasião, os curadores discutiram avanços, desafios estruturais e o futuro das coleções científicas do país. Durante sua exposição, Júlia conduziu o público por uma linha do tempo que remonta a 22 de outubro de 1979, data da primeira coleta registrada no campus-sede da Ufac: uma ‘Vismia’ (gênero científico de planta) coletada por L. Coêlho. Em razão desse registro, o herbário da Ufac comemora 47 anos nesta quinta-feira, 22.
Júlia destacou perspectivas importantes para o cenário científico acreano. Entre os projetos de destaque estão investimentos viabilizados via Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), incluindo a projeção de um novo prédio de cerca de 600 metros quadrados e a aquisição de armários compactadores modernos para garantir a preservação do acervo em longo prazo.
Também representaram a Ufac estudantes do campus Floresta, em Cruzeiro do Sul (AC), e a professora Simone Reis. A universidade enviou 11 resumos, dos quais oito foram apresentados. O evento possibilitou a troca de experiência com botânicos do país e conversas sobre parcerias de trabalho, incluindo a realização de expedições para grupos de plantas pouco estudados no Acre.
Herbário
O Herbário da Ufac tem uma equipe técnica composta por Júlia Gomes da Silva, Izailene Saar e colaboradores, como a ex-curadora e atual vice-reitora Almecina Balbino, o técnico Davi Borges e estagiários. O acervo abriga preciosidades da flora amazônica e sul-americana, registrando a superação de gargalos históricos de digitalização e integrando atualmente plataformas globais de dados de biodiversidade, como o SpeciesLink e o Global Biodiversity Information Facility.
Entre os marcos recentes destacados está o avanço na informatização de milhares de registros e a aposta em inovações, como a participação na Rede de Herbários Espectrais da Amazônia, que utiliza a espectroscopia no infravermelho próximo (tecnologia NIR portátil) para otimizar a identificação de espécies diante da escassez de taxonomistas na região.
A informatização completa do acervo ainda está em processo e figura como um dos principais objetivos da equipe, que agradeceu à direção do PZ e à Ufac pelo apoio contínuo aos servidores e à coleção, além de exaltar o esforço coletivo dos bolsistas, voluntários e parceiros que documentam, protegem e estudam a flora e funga brasileira.
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Ufac retoma Semana Acadêmica de Física após 6 anos, com planetário — Universidade Federal do Acre
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4 dias atrásem
21 de outubro de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac) realiza até esta sexta-feira, 23, a 3ª Semana Acadêmica de Física, no prédio do curso, no campus-sede, em Rio Branco. Iniciado nessa segunda-feira, 19, o evento retoma as atividades presenciais da semana acadêmica após seis anos de interrupção, causada pela pandemia de covid-19 e pela reorganização do calendário universitário.
A programação tem atrações abertas ao público, como oficinas de astronomia, observação do Sol com telescópio e um planetário móvel, instalado no segundo andar do prédio de Física. Há ainda palestras, apresentações de pesquisas de estudantes e minicursos práticos de elaboração de material didático, física experimental, criação de mapas, processamento de dados e sismologia.
Organizada em três eixos temáticos, a semana é voltada aos estudantes da licenciatura e do bacharelado em Física e do curso de Física Aplicada às Ciências da Terra. Os primeiros dias tiveram debates e palestras sobre o ensino de física e a formação docente. Em seguida, a programação trata de física pura, como mecânica quântica, relatividade e física de partículas, e termina com geofísica, astronomia e fenômenos naturais.
Segundo o coordenador do evento e professor do curso de Física, Victor Carreira, a retomada presencial reaproxima o curso da comunidade externa e das escolas de educação básica. Turmas do Instituto Federal do Acre visitaram a semana, e escolas da rede pública foram convidadas.

“A semana acadêmica é muito importante tanto para os nossos alunos quanto para a comunidade em geral de Rio Branco”, disse Carreira. “É uma oportunidade para jovens do ensino médio conhecerem a universidade e vivenciarem a ciência na prática.”
A cerimônia de encerramento ocorre nesta sexta-feira, 23, à tarde.
(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)
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