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A estrela de Hollywood que foi espiã na Segunda Guerra – 02/01/2025 – Ilustrada

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No podcast History’s Youngest Heroes (“Os Heróis Mais Jovens da História”, em tradução livre) da BBC, a atriz Nicola Coughlan traz à tona casos extraordinários de rebelião, risco e o poder radical da juventude —contando histórias de jovens que mudaram o mundo.

O mais recente episódio fala sobre Audrey Hepburn, que se tornou um ícone do cinema e da moda nas décadas de 1950 e 1960. Ela foi indicada a cinco categorias do Oscar e ganhou o prêmio de melhor atriz em 1953 por sua atuação em “A Princesa e o Plebeu”.

No entanto, quando adolescente durante a Segunda Guerra Mundial, ela interpretou um papel muito diferente, em apresentações secretas de balé para arrecadar dinheiro para a resistência holandesa durante a ocupação nazista.


Audrey Hepburn nasceu em Bruxelas em 1929, filha de uma baronesa holandesa, Ella van Heemstra, e de um empresário britânico-austríaco, Joseph Hepburn-Ruston.

Em Londres, seus pais se fascinaram com as ideias de Oswald Mosley, líder da violenta União Britânica de Fascistas (BUF), um grupo antissemita. Van Heemstra escreveu um artigo para a revista da BUF sobre o que ela via como as glórias da Alemanha nazista.

O pai, Hepburn-Ruston, abandonou a família quando a jovem Audrey tinha seis anos. Mais tarde, ele seria preso por associação com fascistas estrangeiros e passaria a guerra em prisões britânicas.

“Mesmo quando menina, ela era extrovertida, ria, brincava, atuava”, Luca Dotti, o filho mais novo da atriz, conta a Robert Matzen, autor de “Dutch Girl”, livro que narra a vida de Hepburn durante a Segunda Guerra Mundial, em entrevista para o podcast da BBC.

“A mãe de Audrey decidiu que a Inglaterra em geral e Kent, em particular, não eram o lugar ideal para Audrey por causa da ameaça iminente de que os alemães invadiriam a França e lançariam uma invasão à Inglaterra”, diz Matzen.

Van Heemstra tirou sua filha do internato britânico onde ela estudava. Elas se mudaram para uma propriedade da família na Holanda, e Audrey se matriculou em uma escola de dança, com um nome que soava mais holandês, Adriaantje van Heemstra (ela mais tarde mudou seu sobrenome para Hepburn quando começou a atuar). Sua mãe ainda admirava Adolf Hitler e acreditava que ele nunca invadiria “seu” país.

“Mudar-se para a Holanda não era mudar de casa. Ela não falava holandês. Ela teve que ir para uma escola holandesa sem entender uma única palavra, com crianças que zombavam dela”, diz Dotti sobre a experiência de sua mãe na Holanda.

Hitler invadiu e ocupou a Holanda em maio de 1940.

“A Frente Oriental era uma fornalha que exigia muitos recursos. Os alemães precisavam de comida e roupas para as tropas, e tudo isso foi tirado dos holandeses e de outros países ocupados”, diz Matzen sobre a situação.

O tio de Hepburn, o conde Otto van Limburg Stirum, tomou uma posição contrária aos nazistas. Em 1942, um grupo de resistência tentou explodir um trem alemão perto de Roterdã. Embora van Limburg Stirum não estivesse envolvido, ele foi preso por ser uma figura antinazista proeminente.

Agentes nazistas o levaram para uma floresta com outras quatro pessoas. Todos foram executados a tiros e seus corpos foram jogados em covas sem identificação.

Hepburn amava seu tio como um pai e ficou arrasada com seu assassinato.

“Isso virou um incidente nacional, um ponto de incitação para o povo holandês”, diz Matzen.

Embora sua família fosse privilegiada, os nazistas desviaram comida e recursos da Holanda, e a família Van Heemstra passou fome.

Quando Hepburn fez 15 anos, ela foi ordenada a se juntar ao Nazi Kulturkammer, o sindicato dos artistas, ou desistir de dançar em público. Ela escolheu desistir de se apresentar.

“Através da dança, ela podia sonhar, ela podia voar, ela podia esquecer. Era a maneira como ela escapava da realidade”, diz Dotti sobre a paixão de sua mãe.


Hepburn dançava em uma casa com persianas fechadas e apenas uma vela, para que não fosse descoberta. Um piano tocava muito suavemente enquanto ela se apresentava —mas não podia haver aplausos. No final do show, dinheiro era coletado para a resistência.

De bailarina a espiã

Na primavera de 1944, Hepburn se ofereceu para ser assistente de um médico —Hendrik Visser ‘t Hooft— que era membro da resistência.

Embora a mãe de Hepburn fosse considerada uma colaboradora dos nazistas, Visser ‘t Hooft precisava desesperadamente de ajuda para sustentar milhares de pessoas que estavam se escondendo dos nazistas. Ele confiou nela o suficiente para contratá-la.

Em 17 de setembro de 1944, Hepburn estava na igreja quando a missa foi interrompida pelo zumbido de motores. A Operação Market Garden, que era um plano das Forças Aliadas para tomar nove pontes sobre o Rio Reno, havia começado —e quando ela correu para fora e olhou para cima, viu milhares de soldados aliados chegando de paraquedas.

Infelizmente, duas divisões nazistas fortemente blindadas se reagruparam na área. Tanques nazistas passaram na frente da casa dos Van Heemstras. Hepburn e sua família se esconderam no porão. A batalha durou nove dias. Quando eles emergiram, receberam a notícia de que os nazistas tinham vencido.

Ela ouviu gritos de um prédio onde os nazistas estavam realizando represálias: torturando e matando membros da resistência holandesa.

Quando os aviadores aliados que se dirigiam para a Alemanha tiveram que fazer um pouso de emergência na Holanda, Visser ‘t Hooft enviou Hepburn para a floresta para encontrar um paraquedista britânico com palavras-código e uma mensagem secreta escondida em sua meia.

Ela marcou o encontro, mas, ao sair da floresta, viu a polícia holandesa se aproximando. Ela se abaixou para colher flores silvestres e, em seguida, as apresentou à polícia. Eles ficaram encantados e não a interrogaram mais. Depois disso, ela frequentemente levava mensagens para a resistência.

“Ela acreditava muito que havia uma luta entre o bem e o mal e que era preciso tomar partido”, diz Dotti.

“Os alemães não levavam as crianças a sério. ‘Só saia do meu caminho, garota’, esse tipo de atitude. Os holandeses eram práticos o suficiente para ver que as crianças, por não serem suspeitas de nada, poderiam ser usadas para transmitir mensagens e realizar tarefas vitais para a resistência, e as crianças adoravam. Era emocionante, era perigoso, e elas se tornavam heroínas da resistência”, acrescenta Matzen.

Em fevereiro de 1945, foi noticiado que 500 holandeses morriam de fome toda semana. Como tantos outros, Hepburn e sua família estavam ficando desesperadamente sem comida. Ela ficou gravemente doente com anemia, icterícia e edema.

Com uma luta violenta novamente acontecendo do lado de fora da porta de sua casa, Hepburn e sua família se esconderam no porão por três semanas.

Finalmente, em 16 de abril de 1945, tudo ficou quieto. Ela sentiu cheiro de tabaco, o que era impossível de se obter na Holanda durante a guerra. Ela subiu as escadas do porão e abriu a porta para ver cinco soldados canadenses fumando cigarros e apontando metralhadoras para ela. Imediatamente, começou a falar com eles em inglês.

Um deles gritou: “Não apenas libertamos uma cidade, como libertamos uma garota inglesa!”

Hepburn contou ao filho que nunca perdoou a mãe por sua inclinação fascista.


Quando a guerra acabou, Audrey ganhou uma bolsa de estudos para o Ballet Rambert em Londres. Embora fosse talentosa, seu corpo foi permanentemente danificado pela desnutrição, e ela não tinha resistência física para se tornar uma bailarina. Em vez disso, voltou-se para a atuação, com pequenos papéis nos teatros do West End de Londres e filmes como “O Mistério da Torre” (“The Lavender Hill Mob”).

Em 1953, ela ganhou seu primeiro papel principal em “A Princesa e o Plebeu”. O filme foi um enorme sucesso de público e crítica. Além do Oscar por esse filme, Hepburn ganharia prêmios Emmy, Grammy e Tony.

Ao longo de sua carreira, continuou trabalhando com caridade, principalmente como embaixadora da boa vontade da Unicef. Ela morreu em 1993.

“Os instintos de Audrey foram afiados pela guerra e por tudo que ela enfrentou, e ela teve tantas experiências que aproveitou tudo para interpretar vários personagens”, diz Matzen.

Este artigo é uma adaptação de um podcast por Alex von Tunzelmann.

No podcast History’s Youngest Heroes, a atriz Nicola Coughlan conta 12 histórias reais de rebelião e do poder radical da juventude. Episódios anteriores destacaram Nelson Mandela, Lady Jane Grey e Terry Fox. A série mostra os contos inspiradores de jovens heróis esquecidos e famosos que demonstraram como os jovens podem mudar a história. Ouça o podcast em inglês aqui.



Leia Mais: Folha

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Ufac realiza formatura de alunos do CAp pela 1ª vez no campus-sede — Universidade Federal do Acre

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Ufac realiza formatura de alunos do CAp pela 1ª vez no campus-sede — Universidade Federal do Acre

A Ufac realizou a cerimônia de certificação dos estudantes concluintes do ensino médio do Colégio de Aplicação (CAp), referente ao ano letivo de 2025. Pela primeira vez, a solenidade ocorreu no campus-sede, na noite dessa quinta-feira, 29, no Teatro Universitário, e marcou o encerramento de uma etapa da formação educacional de jovens que agora seguem rumo a novos desafios acadêmicos e profissionais.

A entrada da turma Nexus, formada pelos concluintes do 3º ano, foi acompanhada pela reitora Guida Aquino; pelo diretor do CAp, Cleilton França dos Santos; pela vice-diretora e patronesse da turma, Alessandra Lima Peres de Oliveira; pelo paraninfo, Gilberto Francisco Alves de Melo; pelos homenageados: professores Floripes Silva Rebouças e Dionatas Ulises de Oliveira Meneguetti; além da inspetora homenageada Suzana dos Santos Cabral.

Guida destacou a importância do momento para os estudantes, suas famílias e toda a comunidade escolar. Ela parabenizou os formandos pela conquista e reconheceu o papel essencial dos professores, da equipe pedagógica e dos familiares ao longo da caminhada. “Tenho certeza de que esses jovens seguem preparados para os próximos desafios, levando consigo os valores da educação pública, do conhecimento e da cidadania. Que este seja apenas o início de uma trajetória repleta de conquistas. A Ufac continua de portas abertas e aguarda vocês.”

Durante o ato simbólico da colocação do capelo, os concluintes reafirmaram os valores que orientaram sua trajetória escolar. Em nome da turma, a estudante Isabelly Bevilaqua Rodrigues fez o discurso de oradora.

A cerimônia seguiu com a entrega dos diplomas e as homenagens aos professores e profissionais da escola indicados pelos concluintes, encerrando a noite com o registro da foto oficial da turma.

 



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Especialização em Enfermagem Obstétrica tem aula inaugural — Universidade Federal do Acre

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Especialização em Enfermagem Obstétrica tem aula inaugural — Universidade Federal do Acre

O curso de especialização em Enfermagem Obstétrica teve sua aula inaugural nesta terça-feira, 27, na sala Pedro Martinello do Centro de Convenções, campus-sede da Ufac. O curso é promovido pela Universidade Federal de Minas Gerais, com financiamento do Ministério da Saúde, no âmbito da Rede Alyne; a Ufac é um dos 39 polos que sedia essa formação em nível nacional.

A especialização é presencial, com duração de 16 meses e carga horária de 720 horas; tem como objetivo a formação e qualificação de 21 enfermeiros que já atuam no cuidado à saúde da mulher, preparando-os para a atuação como enfermeiros obstetras. A maior parte dos profissionais participantes é oriunda do interior do Estado do Acre, com predominância da regional do Juruá.

“Isso representa um avanço estratégico para o fortalecimento da atenção obstétrica qualificada nas regiões mais afastadas da capital”, disse a coordenadora local do curso, professora Sheley Lima, que também ressaltou a relevância institucional e social da ação, que está alinhada às políticas nacionais de fortalecimento da atenção à saúde da mulher e de redução da morbimortalidade materna.

A aula inaugural foi ministrada pela professora Ruth Silva Lima da Costa, com o tema “Gravidez na Adolescência e Near Miss Neonatal na Região Norte: Dados da Pesquisa Nascer no Brasil 2”. Ela é doutora em Ciências da Saúde pela Fiocruz, enfermeira da Ufac e docente da Uninorte.

 



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Calendário 2026 do Acre: Veja o calendário do Governo e Judiciário que vai ditar o ritmo do ano

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Foto de capa [internet]

Clique aqui para baixar o calendário estadual completo: Decreto 11.809, Calendário 2026 Acre, ed. 14.173-B, de 22.12.2025

Há quem organize a vida por metas, há quem organize por boletos… e existe um grupo que planeja o ano inteiro por uma régua silenciosa, porém poderosa: o calendário oficial. Desde início de janeiro, essa régua ganhou forma no Acre com dois instrumentos que, na prática, definem como o Estado vai pulsar em 2026 — entre atendimentos, plantões, prazos, audiências e aquele respiro estratégico entre uma data e outra.

De um lado, o Governo do Estado publicou o Decreto nº 11.809, de 22 de dezembro de 2025, fixando feriados e pontos facultativos de 2026 para os órgãos do Poder Executivo, do dia 1º de janeiro ao último dia do ano, com a ressalva de que serviços essenciais não podem parar.

Do outro, o Tribunal de Justiça do Acre respondeu com a sua própria cartografia do tempo: a Portaria nº 6569/2025, que institui o calendário do Poder Judiciário acreano para 2026, preservando o funcionamento em regime de plantão sempre que não houver expediente. O texto aparece no DJe (edição nº 7.925) e também em versão integral, como documento administrativo autônomo.

Clique aqui para baixar o calendário forense completo: DJE – Portaria 6.5692025, edição 7.925, 22.12.2025

O “mapa do descanso” tem regras — e tem exceções

No calendário do Executivo, as datas nacionais aparecem como pilares já conhecidos (como Confraternização Universal, Tiradentes, Dia do Trabalho, Independência, Natal), mas o decreto também reforça a identidade local com feriados estaduais e pontos facultativos típicos do Acre.

Chamam atenção duas engrenagens que costumam passar despercebidas fora da rotina pública:

  1. ponto facultativo não é sinônimo de folga garantida — a chefia pode convocar para expediente normal por necessidade do serviço;
  2. quando o servidor é convocado nesses dias, o decreto prevê dispensa de compensação para quem cumprir horário no ponto facultativo.

No Judiciário, a lógica é parecida no objetivo (manter o Estado funcionando), mas diferente na mecânica. A Portaria do TJAC prevê expressamente que, havendo necessidade, pode haver convocação em regime de plantão, respeitando-se o direito à compensação de horas, conforme regramento administrativo interno.

Quando o município faz aniversário, a Justiça muda o passo

O “calendário do fórum” também conversa com o mapa das cidades. A Portaria prevê que, em feriado municipal por aniversário do município, não haverá expediente normal nas comarcas correspondentes — apenas plantão. E, quando o município declara ponto facultativo local, a regra traz até prazo de comunicação no interior: pelo menos 72 horas de antecedência para informar se haverá adesão.

É o tipo de detalhe que não vira manchete — mas vira realidade para quem depende de balcão, distribuição, atendimento e rotina de cartório.

Um ano que já começa “com cara de planejamento”

Logo na largada, o Executivo lista 1º de janeiro como feriado nacional e já prevê, para 2 de janeiro, ponto facultativo (por decreto específico citado no anexo). Também aparecem o Carnaval e a Quarta-feira de Cinzas como pontos facultativos, desenhando, desde cedo, o recorte de semanas que tendem a ser mais curtas e mais estratégicas.

No Judiciário, a Portaria organiza o mesmo período com olhar forense — e, além de datas comuns ao calendário civil, agrega as rotinas próprias do Poder Judiciário, preservando a prestação jurisdicional via plantões e regras de compensação.

Rio Branco também entra no compasso de 2026

Para além do calendário estadual e do Judiciário, a capital também oficializou seu próprio “mapa do tempo”: o Prefeito de Rio Branco editou o Decreto Municipal nº 3.452, de 30/12/2025, estabelecendo os feriados e pontos facultativos de 2026 para os órgãos e entidades do Poder Executivo Municipal, com referência expressa ao calendário do Estado.

Na prática, a cidade reforça o mesmo recado institucional: serviços essenciais não param, funcionando por escala ou plantão, e os gestores ficam autorizados a convocar servidores em dias de ponto facultativo, sem exigência de compensação para quem cumprir expediente. No anexo, aparecem datas que impactam diretamente a rotina da população, como o Carnaval (16 a 18/02, ponto facultativo), o Dia do Servidor Público (28/10, ponto facultativo) e o Aniversário de Rio Branco (28/12, feriado municipal) — fechando o ano com a véspera de Ano Novo (31/12, ponto facultativo).

Clique aqui para baixar o calendário municipal completo: DOE, edição 3.452, de 30.12.2025 – Calendário Prefeitura de Rio Branco-AC

Por que isso importa 

O calendário oficial é mais do que uma lista de “dias marcados”: ele é o roteiro do funcionamento do Estado. Para o cidadão, significa previsibilidade; para advogados e jurisdicionados, significa atenção ao modo como cada órgão funcionará em datas críticas; para gestores, significa logística e escala; e para o próprio Acre, significa um desenho institucional que equilibra tradição, trabalho e continuidade.

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