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A guerra do Sudão passou a representar o pior da humanidade | União Africana

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No Sudão, 20 meses de conflito armado entre as Forças Paramilitares de Apoio Rápido (RSF) e o exército sudanês (SAF) mataram pelo menos 20 mil pessoas e deixaram cerca de 25 milhões – metade da população do país – sofrendo de fome severa e em situação de necessidade urgente. de ajuda humanitária. Entretanto, 14 milhões de sudaneses foram deslocados, com cerca de 3,1 milhões a procurar refúgio fora do país, principalmente no Chade, no Sudão do Sul, no Uganda e no Egipto.

Como acontece frequentemente, as crianças estão a suportar o peso desta guerra brutal.

De acordo com a organização médica Médicos Sem Fronteiras, conhecida pelas iniciais francesas MSF, aproximadamente um em cada seis dos pacientes tratados no Hospital Universitário Bashair, no sul de Cartum, por ferimentos relacionados à guerra, como ferimentos por arma de fogo, estilhaços e explosões, entre janeiro e setembro de 2024 tinham 15 anos ou menos.

A equipe médica revelou que tratou recentemente um bebê de 18 meses, Riyad, que foi atingido por uma bala perdida enquanto dormia na casa de sua família. Eles disseram que conseguiram estabilizá-lo, mas não conseguiram retirar a bala de seu peito. No meio do conflito em curso e do acesso limitado a cuidados médicos, o futuro de Riade, tal como de milhares de outras crianças feridas de guerra, traumatizadas e órfãs em todo o país, permanece incerto.

A violência sexual também é frequente no conflito do Sudão. As forças comandadas tanto pela RSF como pelas SAF cometeram violações e outros actos de violência sexual e de género, revelou a Missão Internacional Independente de Apuração de Factos da ONU para o Sudão no seu relatório publicado em Outubro. O relatório acusou ambos os lados de usarem a violação como arma de guerra, mas disse que a RSF estava por detrás da “grande maioria” dos casos documentados e era responsável pela “violência sexual em grande escala”, incluindo “estupros coletivos e rapto e detenção de vítimas em condições que equivalem à escravidão sexual”.

No meio do conflito contínuo, os sobreviventes de violação e de outras violências sexuais lutam para ter acesso a tratamento médico, medicamentos essenciais e serviços de apoio psicológico.

Muitos ficam feridos, traumatizados e desabrigados.

Com crimes de guerra e outras atrocidades cometidas diariamente contra homens, mulheres e até crianças com impunidade, o conflito do Sudão passou a representar o pior da humanidade.

Enquanto o povo do Sudão se prepara para começar mais um ano com fome, ferido e assustado, a comunidade internacional, e especialmente as organizações africanas alegadamente empenhadas em garantir a paz e a estabilidade na região, têm a responsabilidade de tomar medidas significativas – incluindo a intervenção directa.

Até agora, os esforços para pôr fim ao sofrimento dos sudaneses através da mediação entre as partes em conflito têm sido infrutíferos.

As iniciativas de paz lideradas pela União Africana (UA), pela Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD), pelos Estados Unidos, pelo Egipto e pela Suíça não conseguiram garantir um cessar-fogo sustentável, um acordo de paz abrangente ou protecções significativas para a população civil.

Em Maio de 2023, apenas um mês após o início do conflito, os dois lados em conflito pareciam ter chegado a um acordo fundamental na Arábia Saudita. Assinaram a Declaração de Jeddah de Compromisso para Proteger os Civis do Sudão, concordando em “distinguir sempre entre civis e combatentes e entre objectos civis e alvos militares”. Como parte do acordo, comprometeram-se também a “abster-se de qualquer ataque que possa causar danos incidentais a civis” e a “proteger todas as instalações públicas e privadas, tais como hospitais e instalações de água e electricidade”.

O acordo deveria resultar num cessar-fogo de pelo menos uma semana, mas no final não conseguiu parar as atrocidades contra civis, muito menos os combates implacáveis ​​entre a SAF e a RSF, mesmo durante 48 horas.

Desde que esta iniciativa liderada pelos EUA e pela Arábia Saudita falhou há cerca de 19 meses, nenhuma iniciativa de paz chegou perto de pôr fim à carnificina no Sudão. Em Agosto, as conversações convocadas pelos EUA na Suíça para pôr fim à guerra alcançaram alguns progressos no acesso à ajuda, mas mais uma vez não conseguiram garantir um cessar-fogo.

Os esforços para trazer as partes em conflito para a mesa de negociações e os apelos à sua humanidade para que exijam o fim dos ataques a civis não estão claramente a funcionar.

Mais precisa ser feito.

No seu angustiante relatório, baseado em testemunhos no terreno, a missão de averiguação da ONU deixou claro o que o país precisa: uma força internacional de manutenção da paz a ser destacada para proteger os civis.

“Dado o fracasso das partes em conflito em poupar os civis, é imperativo que uma força independente e imparcial com um mandato para proteger os civis seja destacada sem demora”, disse o líder da missão da ONU, Chande Othman, em Setembro.

Lamentavelmente, o governo sudanês rejeitou o apelo, tal como rejeitou o apelo semelhante da IGAD para o envio de uma força regional de manutenção da paz em Julho de 2023. O governo militar em Cartum – que está no poder desde que tomou o poder de uma autoridade de transição liderada por civis num golpe de Outubro de 2021 – enquadra qualquer potencial intervenção externa, incluindo missões de manutenção da paz centradas exclusivamente na protecção da população civil, como uma violação da soberania do país.

Se o governo sudanês fosse capaz de fornecer protecção aos civis, a sua rejeição à intervenção externa seria compreensível. Mas é óbvio – após 20 meses de uma guerra devastadora travada sem respeito pelo direito humanitário internacional – que nenhuma das partes nesta guerra é capaz de, ou está suficientemente preocupada com isso, proporcionar segurança, proteção e dignidade à população civil sitiada do Sudão.

Sem o envio de uma missão regional de manutenção da paz apoiada pela comunidade internacional – uma missão empenhada e claramente encarregada de pôr fim imediato aos ataques implacáveis ​​contra civis – o sofrimento dos civis sudaneses não chegará ao fim num futuro próximo.

Hoje, a comunidade global, e especialmente a UA, enfrenta uma escolha simples: permanecer passiva enquanto o número de mortos no Sudão continua a aumentar, ou tomar medidas significativas e decisivas – mesmo que isso perturbe o governo sudanês – para enfrentar a crise.

O organismo regional perderia qualquer legitimidade se optasse por observar de braços cruzados a perda de vidas inocentes devido à violência sem sentido numa guerra sem fim.

Como tal, é altura de a UA intervir na guerra do Sudão, a fim de proteger os civis.

Isto não violaria a soberania do Estado sudanês – nem constituiria um exagero por parte da União.

De acordo com a Lei 4(h) do Acto Constitutivo da União Africana, que o Sudão aprovou em Julho de 2000, a UA tem o direito de “intervir num Estado-Membro de acordo com uma decisão da Conferência em relação a circunstâncias graves, nomeadamente : crimes de guerra, genocídio e crimes contra a humanidade”.

Dado o número esmagador de violações do direito internacional humanitário e do direito dos direitos humanos documentadas em detalhe pela missão da ONU e outros, a situação no Sudão é, sem dúvida, “grave”. Não há dúvida de que os cidadãos do Sudão obteriam benefícios significativos da protecção física fornecida pelas forças internacionais de manutenção da paz.

Embora o extenso território do Sudão e a natureza generalizada da guerra apresentem desafios significativos para garantir a segurança de milhões de civis, esta tarefa não está fora de alcance. Ao implementar um planeamento eficaz e mobilizar um número adequado de tropas, a UA tem potencial para ter um efeito substancial.

O Sudão constitui um claro teste à capacidade da UA para implementar e defender o seu amplo mandato.

Se quiser concretizar a sua visão de “uma África integrada, próspera e pacífica, impulsionada pelos seus próprios cidadãos e representando uma força dinâmica na arena global”, não pode permitir-se continuar a falhar com o povo sudanês.

As opiniões expressas neste artigo são do próprio autor e não refletem necessariamente a posição editorial da Al Jazeera.



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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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