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‘A Igreja deve falar abertamente’: Bispa Rose Hudson-Wilkin sobre racismo, abuso sexual e requerentes de asilo | Religião
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2 anos atrásem
Harriet Sherwood
Sele está tão longe do estereótipo de um Igreja da Inglaterra bispo como você pode conseguir: negro, feminino, destemido. Ela nasceu e foi criada na pobreza na Jamaica, privada do amor dos pais, espancada e abusada quando jovem, mas a Bispa Rose Hudson-Wilkin irradia calor e alegria ao abrir uma pilha de cartões de Natal no seu escritório na catedral de Canterbury.
O cartão que ela enviou este ano representava uma Maria negra, José e o menino Jesus numa tenda de refugiados numa encosta. É uma mensagem que veio direto do coração dela. Como bispo de Dover, a questão da migração – quer se trate de pessoas que fogem da guerra, da perseguição ou de dificuldades económicas – está sempre no topo da sua bandeja de entrada.
“É de grande importância para mim a forma como tratamos aqueles que são mais vulneráveis”, diz ela. “Isso inclui refugiados, pessoas que procuram asilo. Precisamos perguntar por que as pessoas estão deixando os lugares de onde vêm. Vejo uma obsessão em parar os pequenos barcos e entendo a necessidade de evitar que as pessoas morram na água, claro, mas precisamos perguntar: por que estão saindo de seus locais de origem?”
Com um sorriso, ela acrescenta: “Ninguém em sã consciência deixa um país quente para chegar a uma Europa gelada. Então, algo está acontecendo.”
A própria jornada de Hudson-Wilkin do sol do Caribe ao frio do inverno de Kent é o tema de um novo livro de memórias, A garota de Montego Bayque será publicado no próximo mês. Nele, ela descreve os desafios da sua infância, a sua fé crescente e o seu chamado ao ministério, e o sexismo e o racismo que encontrou.
“Adultos atenciosos nem sempre foram uma realidade na minha vida”, escreve ela, com algum eufemismo. Sua mãe e seu pai estiveram ausentes durante grande parte de sua infância. “Não houve beijos ou abraços; não ‘muito bem’. Hudson-Wilkin era regularmente espancado por transgressões leves.
Ela se sentiu “magoada e abusada… perdida e sozinha”, mas “eu sabia que a mão de Deus estava sobre minha vida e que minha dor não seria em vão”. Sua fé a salvou, ela diz ao Observador. “Em meio a me sentir mal amado e descuidado, a fé tomou conta de mim e me deu uma expressão de vida.”
Aos 14 anos, Hudson-Wilkin sabia que seria padre, mas não sabia como isso aconteceria. Ela havia sido “anglicana de berço”, batizada aos três meses de idade e frequentando a igreja durante toda a infância. Mas as mulheres foram banidas do ministério. Demorou mais duas décadas para que ela fosse finalmente ordenada em 1994, poucas semanas depois de a Igreja da Inglaterra admitir mulheres no clero. “Deus viajou comigo através das trevas da rejeição”, escreve ela.
Hoje, ainda há alguns no C of E que não aceitam a legitimidade das mulheres sacerdotes, com a igreja a providenciar disposições especiais para as acomodar. “Isso dói, mesmo agora”, diz ela. “A mensagem é que você não é exatamente real. É doloroso estar em uma igreja onde existe um tipo particular de teologia que rejeita você estar neste papel”.
Hudson-Wilkin enfrentou um duplo golpe de preconceito e discriminação, ficando repetidamente cara a cara com o racismo numa igreja cuja longa história nesta área inclui benefícios financeiros de o comércio transatlântico de escravos e a rejeição total dos anglicanos negros que vieram para o Reino Unido durante os anos Windrush. “Está mudando, sem dúvida”, diz ela. “Mas não devemos pensar que, porque agora temos alguns bispos negros, está tudo resolvido. O racismo ainda existe. Você tem que perguntar: por que esta instituição não reflete as pessoas com quem acabei de viajar de ônibus?”
Hudson-Wilkin tem sido franca sobre essas questões, o que não a tornou querida por alguns dos elementos mais conservadores do C de E. Mas, embora ela diga que o trabalho principal da igreja é espalhar uma mensagem de compaixão, perdão e paz, ela defende firmemente a necessidade de falar abertamente sobre questões de injustiça e desigualdade.
“Absolutamente a igreja deve ter uma voz política. Jesus teve compaixão e interveio em favor das pessoas; portanto, a igreja também deve falar abertamente sobre questões políticas que têm impacto nas pessoas comuns”, diz ela. Reconhecendo que nem todos concordam com as intervenções do C de E, acrescenta com um largo sorriso: “Não me importo de ser criticada. Não ficaremos quietos e eu não ficarei quieto.”
Numa rápida ilustração disto, ela lança um discurso curto e espontâneo sobre a guerra em Gaza. “O que o Hamas fez (em 7 de outubro de 2023) foi bárbaro, não nos enganemos quanto a isso. Mas não entendo porque é que Israel continuou a destruir vidas humanas durante mais de um ano. A guerra nunca resolveu nada, apenas criou mais dor. E quando os jovens veem as suas casas e famílias destruídas diante dos seus olhos, penso, meu Deus, que estamos a criar um mundo inseguro e o ciclo de violência continuará.
“Israel tem o direito de se defender, acredito firmemente nisso. Mas não tem o direito de recusar medicamentos, água e alimentos aos civis. Isso não está certo. E nós, no Ocidente, não falamos com clareza suficiente sobre isso.”
após a promoção do boletim informativo
Voltamo-nos para a crise sísmica que envolveu o C de E nas últimas semanas, enraizada no abuso de crianças e adultos vulneráveis e nas falhas da Igreja nesta área, incluindo encobrimentos, conluio e prioridade à sua própria reputação em detrimento da justiça para as vítimas. Os fracassos da igreja levaram a uma situação sem precedentes renúncia do arcebispo de Canterbury, Justin Welbyno mês passado, e pede que o arcebispo de York, Stephen Cottrell, siga o exemplo.
Hudson-Wilkin tem experiência em primeira mão do impacto do abuso. Em suas memórias, ela revela que foi estuprada e abusada sexualmente desde tenra idade. “Dois namorados dos meus primos mais velhos estiveram envolvidos, mas não ficou por aí: também houve abusos associados à igreja por parte dos chamados homens religiosos. Nunca falei sobre isso antes, provavelmente por uma determinação de não ser definido pelo que aconteceu comigo. Eu não iria me tornar vítima de ninguém.”
O seu abuso é “parte de uma história muito maior que fala de um mundo em que os homens exercem o seu domínio subjugando aqueles considerados o sexo mais fraco”, diz ela. “Minha experiência não foi incomum – não se trata apenas de mim. Muitas meninas e mulheres jovens que conheço foram exploradas de forma semelhante.”
Ela diz: “Meu coração está com todos aqueles afetados por qualquer tipo de abuso”. Mas, acrescenta ela, o C of E está a implementar medidas para melhorar a segurança, lidar com os abusadores e abordar as queixas dos sobreviventes. A grande maioria dessas medidas foi introduzida na última década, enquanto Welby era arcebispo de Canterbury, diz ela.
Ela alerta contra um “efeito de linchamento” nos apelos à destituição de líderes seniores: “Pedir demissões não resolve os problemas. Precisamos de processos adequados para garantir que nunca veremos conluios ou casos de abuso não tratados adequadamente. Tenho confiança nas medidas de salvaguarda que estão em vigor a nível de freguesia, mas também há medo – as pessoas têm medo de não acertar, de serem culpabilizadas. Precisamos impedir um ambiente de linchamento. Está na mídia, nas redes sociais e em partes da igreja onde as chamas estão sendo atiçadas.”
Com quase 64 anos, Hudson-Wilkin ainda tem seis anos antes de atingir a idade de aposentadoria compulsória estabelecida pelo C of E para os bispos. “Eu costumava pensar que voltaria para a Jamaica, mas a vida dos meus filhos e netos está aqui, então é aqui que estarei”, diz ela.
É difícil imaginar o A primeira bispo negra de C de E desistindo de suas batalhas pela justiça e igualdade em favor de uma aposentadoria tranquila. “Carreguei a cruz da rejeição daqueles que não me aceitam durante toda a minha vida”, diz ela. “Mas eu sei que Deus está comigo.”
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23 de outubro de 2026O curso de Licenciatura Indígena, do campus Floresta da Ufac, realizou o 1º Seminário Acadêmico de Apresentação de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs). O evento possibilitou a defesa de 16 trabalhos nas aldeias Barão, da terra indígena Puyanawa, em Mâncio Lima (AC), e Morada Nova, na terra indígena Katukina/Kaxinawá, em Feijó (AC). As atividades ocorreram entre 25 de setembro e 2 de outubro, envolvendo estudantes, professores, egressos do curso, pós-graduandos e as comunidades locais.
Os TCCs defendidos nas aldeias são de autoria de discentes que ingressaram na Ufac em 2023 e deverão colar grau no início de 2027. Os temas das pesquisas contemplaram variados aspectos da vida indígena, abrangendo história, biografia, mitologia, organização política, território, medicina tradicional, grafismos, gênero, terminologias linguísticas, educação especial, atividade cinegética e rituais tradicionais.
A viabilização das defesas nas aldeias ocorreu pela primeira vez em 18 anos de existência da graduação e está de acordo com a pedagogia da alternância, pela qual parte da carga horária do curso é realizada nas comunidades indígenas dos alunos, por meio de pesquisa e extensão. Os recursos para realização do evento foram provenientes de projeto de extensão com o mesmo nome do seminário.
As bancas de avaliação foram compostas por docentes do curso, egressos de outras turmas da Licenciatura Indígena e egressos indígenas de outros cursos da Ufac, inclusive da pós-graduação. Também compuseram algumas bancas pessoas reconhecidas por suas comunidades com “notório saber”, expediente previsto no regulamento de TCC do curso. Além de familiares dos estudantes e moradores das aldeias, indígenas de outras etnias estiverem presentes no seminário.

Organização
A atividade no município de Mâncio Lima, que é vizinho ao campus Floresta, em Cruzeiro do Sul (AC), ocorreu num só dia, em 25 de setembro, com a defesa de dois TCCs. Já para o evento em Feijó foi necessário um deslocamento de ônibus, com duração de quase seis horas, em 30 de setembro, até o porto da cidade. E, à noite, uma embarcação levou cerca de 20 pessoas até a aldeia Morada Nova, onde houve uma recepção musical para o grupo. Na manhã do dia seguinte começaram as defesas, que prosseguiram até 2 de outubro.

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Herbário da Ufac participa do 76º Congresso Nacional de Botânica — Universidade Federal do Acre
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22 de outubro de 2026A servidora Júlia Gomes da Silva, curadora do Herbário da Ufac, vinculado ao Parque Zoobotânico (PZ), representou a instituição no 76º Congresso Nacional de Botânica e 15º Encontro de Botânicos do Centro-Oeste, eventos ocorridos de 11 a 16 de outubro, em Campo Grande. Ela participou de mesa-redonda com apresentação das coleções dos herbários da região Norte.
Na ocasião, os curadores discutiram avanços, desafios estruturais e o futuro das coleções científicas do país. Durante sua exposição, Júlia conduziu o público por uma linha do tempo que remonta a 22 de outubro de 1979, data da primeira coleta registrada no campus-sede da Ufac: uma ‘Vismia’ (gênero científico de planta) coletada por L. Coêlho. Em razão desse registro, o herbário da Ufac comemora 47 anos nesta quinta-feira, 22.
Júlia destacou perspectivas importantes para o cenário científico acreano. Entre os projetos de destaque estão investimentos viabilizados via Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), incluindo a projeção de um novo prédio de cerca de 600 metros quadrados e a aquisição de armários compactadores modernos para garantir a preservação do acervo em longo prazo.
Também representaram a Ufac estudantes do campus Floresta, em Cruzeiro do Sul (AC), e a professora Simone Reis. A universidade enviou 11 resumos, dos quais oito foram apresentados. O evento possibilitou a troca de experiência com botânicos do país e conversas sobre parcerias de trabalho, incluindo a realização de expedições para grupos de plantas pouco estudados no Acre.
Herbário
O Herbário da Ufac tem uma equipe técnica composta por Júlia Gomes da Silva, Izailene Saar e colaboradores, como a ex-curadora e atual vice-reitora Almecina Balbino, o técnico Davi Borges e estagiários. O acervo abriga preciosidades da flora amazônica e sul-americana, registrando a superação de gargalos históricos de digitalização e integrando atualmente plataformas globais de dados de biodiversidade, como o SpeciesLink e o Global Biodiversity Information Facility.
Entre os marcos recentes destacados está o avanço na informatização de milhares de registros e a aposta em inovações, como a participação na Rede de Herbários Espectrais da Amazônia, que utiliza a espectroscopia no infravermelho próximo (tecnologia NIR portátil) para otimizar a identificação de espécies diante da escassez de taxonomistas na região.
A informatização completa do acervo ainda está em processo e figura como um dos principais objetivos da equipe, que agradeceu à direção do PZ e à Ufac pelo apoio contínuo aos servidores e à coleção, além de exaltar o esforço coletivo dos bolsistas, voluntários e parceiros que documentam, protegem e estudam a flora e funga brasileira.
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Ufac retoma Semana Acadêmica de Física após 6 anos, com planetário — Universidade Federal do Acre
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21 de outubro de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac) realiza até esta sexta-feira, 23, a 3ª Semana Acadêmica de Física, no prédio do curso, no campus-sede, em Rio Branco. Iniciado nessa segunda-feira, 19, o evento retoma as atividades presenciais da semana acadêmica após seis anos de interrupção, causada pela pandemia de covid-19 e pela reorganização do calendário universitário.
A programação tem atrações abertas ao público, como oficinas de astronomia, observação do Sol com telescópio e um planetário móvel, instalado no segundo andar do prédio de Física. Há ainda palestras, apresentações de pesquisas de estudantes e minicursos práticos de elaboração de material didático, física experimental, criação de mapas, processamento de dados e sismologia.
Organizada em três eixos temáticos, a semana é voltada aos estudantes da licenciatura e do bacharelado em Física e do curso de Física Aplicada às Ciências da Terra. Os primeiros dias tiveram debates e palestras sobre o ensino de física e a formação docente. Em seguida, a programação trata de física pura, como mecânica quântica, relatividade e física de partículas, e termina com geofísica, astronomia e fenômenos naturais.
Segundo o coordenador do evento e professor do curso de Física, Victor Carreira, a retomada presencial reaproxima o curso da comunidade externa e das escolas de educação básica. Turmas do Instituto Federal do Acre visitaram a semana, e escolas da rede pública foram convidadas.

“A semana acadêmica é muito importante tanto para os nossos alunos quanto para a comunidade em geral de Rio Branco”, disse Carreira. “É uma oportunidade para jovens do ensino médio conhecerem a universidade e vivenciarem a ciência na prática.”
A cerimônia de encerramento ocorre nesta sexta-feira, 23, à tarde.
(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)
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