POLÍTICA
A ‘prateleira’ de reações do Congresso contra as i…
PUBLICADO
12 meses atrásem
Marcela Mattos
Com mais de 70 deputados e senadores na mira de inquéritos em andamento no Supremo Tribunal Federal, caciques do Centrão e da oposição estão convictos de que há uma emboscada tramada pelo Judiciário e pelo governo Lula para direcionar as operações policiais, controlar a verba que destinam a seus redutos e manter o grupo nas cordas. Em meio à percepção de que a classe política está sob ataque, o incômodo já chegou à cúpula do Congresso – que, em recados velados, avisa que está sendo pressionada a reagir.
Como mostra reportagem de VEJA desta edição, foi apresentado aos presidentes da Câmara e do Senado um pacote de ações a ser gradualmente colocado em prática – o que foi traduzido como uma “prateleira” de reações contra a investida de investigadores e juízes.
A primeira estratégia que vem sendo trabalhada visa dar fim ao secretismo das investigações contra parlamentares. São mais de 80 inquéritos sob sigilo no Supremo envolvendo supostos desvios em emendas, dinheiro público que deputados e senadores encaminham para seus municípios com o objetivo de construir obras, pontes e atender a necessidades locais.
Entre os alvos, é recorrente a reclamação de que nem eles têm acesso às apurações ou conhecem em detalhes os motivos de serem alvos de operações – o que os mantêm em constante suspeição. A ideia seria fazer um questionamento oficial ao STF questionando o nome de todos os parlamentares investigados.
Ministro Flávio Dino entra na mira
Uma das mais recentes investigações sobre as emendas parlamentares foi aberta em dezembro por ordem do ministro Flávio Dino, que criticou a falta de transparência no repasse de 4 bilhões de reais e mandou a Polícia Federal apurar possíveis casos de corrupção.
Outras ações, mais antigas, foram comandadas enquanto Dino era ministro da Justiça, quando, até o ano passado, tinha o controle da PF em suas mãos. Por essa dupla atuação, deputados e senadores colocam a isenção do ministro em xeque e cobram uma reação oficial do Congresso para afastá-lo da relatoria das investigações.
O caminho para isso, conforme o que vem sendo estudado, seria uma ação da advocacia da Câmara ou do Senado apontando a necessidade de impedimento do juiz. Não é, porém, uma tarefa simples. A decisão de tirar Dino do caso teria de partir da Presidência do Supremo e é considerada remotíssima por integrantes do tribunal.
Ação e reação
Há, ainda, medidas mais drásticas. Congressistas ameaçam dobrar a aposta caso a sangria não seja controlada e instaurar procedimentos internos para apurar eventuais abusos e desvios cometidos por parte de quem os investiga.
Um dos caminhos seria abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para depurar se há o uso da máquina estatal contra adversários políticos. O colegiado poderia vasculhar os bastidores das operações e se debruçar, por exemplo, se há preferência em ações que envolvam oposicionistas em detrimento de apurações contra governistas e ainda sobre os métodos praticados pelos agentes para a obtenção de provas.
A CPI também miraria a atuação do STF, a quem cabe determinar as operações e conduzir os inquéritos sigilosos. Mesmo que nenhuma investigação concreta seja levada adiante, se criado, um colegiado como esse tem potencial de tumultuar os trabalhos do Congresso num momento em que o governo Lula enfrenta os seus piores índices de popularidade e depende dos parlamentares para aprovar medidas que agradam o eleitorado, como a isenção do imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais.
Outra possibilidade na mesa seria usar a Polícia Legislativa, órgão que também tem competência investigativa, para instaurar um inquérito para apurar a legalidade das ações da PF – o mesmo objeto de uma das CPIs em estudo, mas com a diferença de que ações como quebras de sigilo e diligências se dariam longe dos holofotes e sob o conhecimento apenas da cúpula do Congresso.
Relacionado
Matheus Leitão
Relâmpago: Digital Completo a partir R$ 5,99
“Estou muito envergonhado! Isto é uma indignidade inexplicável!” (Ciro Gomes, ex-ministro da Fazenda, usando as redes sociais para reclamar da troca de Carlos Lupi por Wolney Queiroz, seu desafeto no PDT, no comando do Ministério da Previdência Social)
Digital Completo
Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
Apenas 5,99/mês
DIA DAS MÃES
Revista em Casa + Digital Completo
Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 9)
A partir de 35,90/mês
*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
Pagamento único anual de R$71,88, equivalente a R$ 5,99/mês.
PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Relacionado
Felipe Barbosa
Relâmpago: Digital Completo a partir R$ 5,99
Digital Completo
Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
Apenas 5,99/mês
DIA DAS MÃES
Revista em Casa + Digital Completo
Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 9)
A partir de 35,90/mês
*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
Pagamento único anual de R$71,88, equivalente a R$ 5,99/mês.
PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Relacionado
POLÍTICA
A articulação para mudar quem define o teto de jur…
PUBLICADO
10 meses atrásem
5 de maio de 2025Nicholas Shores
O Ministério da Fazenda e os principais bancos do país trabalham em uma articulação para transferir a definição do teto de juros das linhas de consignado para o Conselho Monetário Nacional (CMN).
A ideia é que o poder de decisão sobre o custo desse tipo de crédito fique com um órgão vocacionado para a análise da conjuntura econômica.
Compõem o CMN os titulares dos ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento e da presidência do Banco Central – que, atualmente, são Fernando Haddad, Simone Tebet e Gabriel Galípolo.
A oportunidade enxergada pelos defensores da mudança é a MP 1.292 de 2025, do chamado consignado CLT. O Congresso deve instalar a comissão mista que vai analisar a proposta na próxima quarta-feira.
Uma possibilidade seria aprovar uma emenda ao texto para transferir a função ao CMN.
Hoje, o poder de definir o teto de juros das diferentes linhas de empréstimo consignado está espalhado por alguns ministérios.
Cabe ao Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS), presidido pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, fixar o juro máximo cobrado no consignado para pensionistas e aposentados do INSS.
A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, é quem decide o teto para os empréstimos consignados contraídos por servidores públicos federais.
Na modalidade do consignado para beneficiários do BPC-Loas, a decisão cabe ao ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias.
Já no consignado de adiantamento do saque-aniversário do FGTS, é o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que tem a palavra final sobre o juro máximo.
Atualmente, o teto de juros no consignado para aposentados do INSS é de 1,85% ao mês. No consignado de servidores públicos federais, o limite está fixado em 1,80% ao mês.
Segundo os defensores da transferência da decisão para o CMN, o teto “achatado” de juros faz com que, a partir de uma modelagem de risco de crédito, os bancos priorizem conceder empréstimos nessas linhas para quem ganha mais e tem menos idade – restringindo o acesso a crédito para uma parcela considerável do público-alvo desses consignados.
Ainda de acordo com essa lógica, com os contratos de juros futuros de dois anos beirando os 15% e a regra do Banco Central que proíbe que qualquer empréstimo consignado tenha rentabilidade negativa, a tendência é que o universo de tomadores elegíveis para os quais os bancos estejam dispostos a emprestar fique cada vez menor.


Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48
You must be logged in to post a comment Login