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A visão do The Guardian sobre o vencedor do prêmio Booker: uma perspectiva totalmente nova | Editorial
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2 anos atrásem
Editorial
“TOlhar para a Terra do espaço é um pouco como uma criança olhando para um espelho e percebendo pela primeira vez que a pessoa no espelho é ela mesma. O que fazemos à Terra fazemos a nós mesmos”, o romancista e vencedor do prêmio Booker deste ano, Samanta Harveydisse nela discurso de aceitação semana passada.
Orbitalo romance vencedor, dá-nos a vista do espaço. Situado na Estação Espacial Internacional (ISS), registra um dia a partir da perspectiva de seis astronautas. Um dia no espaço significa 16 amanheceres e 16 entardeceres. Em vez dos asteróides e alienígenas da ficção científica, aqui está a rotina mundana de tarefas, refeições e sono. As histórias de fundo dos personagens são vislumbradas tão brevemente quanto estrelas passageiras. A única propulsão narrativa é um tufão que ameaça as Filipinas. A natureza substitui o drama humano como foco do romance. É tudo uma questão de perspectiva.
Vencedor do Booker do ano passado, Canção do Profeta de Paul Lynchimaginou a Irlanda como um estado fascista. Assim como o Orbital, foi necessário um ambiente claustrofóbico como palco para grandes ideias. Mas enquanto Lynch nos deu um close-up distópico, Orbital oferece uma visão espacial idealizada do mundo. É uma carta de amor ao nosso planeta ferido, abrangendo a dor, a injustiça, os mistérios do universo e a urgência da crise climática. Mas, ao contrário dos cenários apocalípticos da maior parte da ficção climática, Orbital oferece visões caleidoscópicas da beleza da Terra: “um globo giratório indivisível que não conhece possibilidade de separação”.
Isto pode parecer um retrato retocado da humanidade: não importa a sujeira na calçada, a vista do céu é divina! Em comparação com James de Percival Everettuma releitura de Huckleberry Finn do ponto de vista do escravo Jim, ou Lago da Criação de Rachel Kushnersobre um grupo de ecoativistas na zona rural da França, Orbital não era o romance mais abertamente político da lista. Mas não é surpresa que também seja finalista do Prêmio Orwell de ficção política. Apesar de todas as descrições líricas da magnificência terrena, há lembretes ameaçadores “da mão da política e das escolhas humanas” em tudo abaixo.
A mensagem do romance é de unidade e paz: na ISS, os seis astronautas bebem a urina reciclada uns dos outros; sonham os mesmos sonhos e pegam as lágrimas uns dos outros (líquidos não podem ficar soltos na cápsula). Através das janelas, a única fronteira feita pelo homem visível à noite é uma série de luzes entre o Paquistão e a Índia. Do espaço “não há muro ou barreira: não há tribos, não há guerra ou corrupção ou não há motivo específico para medo”.
Os sentimentos de admiração, conexão e proteção dos personagens em relação à Terra foram relatados por astronautas desde Yuri Gagarin em 1961, no que veio a ser conhecido como o “efeito de visão geral”. Ed Dwightque este ano, aos 90 anos, se tornou a pessoa mais velha a ir ao espaço, sugerido: “Todo político com influência internacional deveria ser forçado a dar três órbitas ao redor da Terra antes de assumir o cargo. Isso mudaria toda essa luta no terreno aqui.”
À medida que a era do vaivém espacial é substituída pela ascensão do turismo espacial comercial, a Orbital marca o fim de um período de cooperação internacional. Por enquanto, o efeito de visão geral permanece ilusório, com exceção dos bilionários tech bros. Mas a ficção pode nos dar essa perspectiva. Num momento de crise geopolítica e de cimeira Cop29 em cursoé difícil lembrar de um vencedor do Booker que tenha refletido o momento histórico de forma tão nítida. Devemos nos olhar no espelho.
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Licenciatura Indígena realiza defesa de TCCs em aldeias no Juruá — Universidade Federal do Acre
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5 dias atrásem
23 de outubro de 2026O curso de Licenciatura Indígena, do campus Floresta da Ufac, realizou o 1º Seminário Acadêmico de Apresentação de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs). O evento possibilitou a defesa de 16 trabalhos nas aldeias Barão, da terra indígena Puyanawa, em Mâncio Lima (AC), e Morada Nova, na terra indígena Katukina/Kaxinawá, em Feijó (AC). As atividades ocorreram entre 25 de setembro e 2 de outubro, envolvendo estudantes, professores, egressos do curso, pós-graduandos e as comunidades locais.
Os TCCs defendidos nas aldeias são de autoria de discentes que ingressaram na Ufac em 2023 e deverão colar grau no início de 2027. Os temas das pesquisas contemplaram variados aspectos da vida indígena, abrangendo história, biografia, mitologia, organização política, território, medicina tradicional, grafismos, gênero, terminologias linguísticas, educação especial, atividade cinegética e rituais tradicionais.
A viabilização das defesas nas aldeias ocorreu pela primeira vez em 18 anos de existência da graduação e está de acordo com a pedagogia da alternância, pela qual parte da carga horária do curso é realizada nas comunidades indígenas dos alunos, por meio de pesquisa e extensão. Os recursos para realização do evento foram provenientes de projeto de extensão com o mesmo nome do seminário.
As bancas de avaliação foram compostas por docentes do curso, egressos de outras turmas da Licenciatura Indígena e egressos indígenas de outros cursos da Ufac, inclusive da pós-graduação. Também compuseram algumas bancas pessoas reconhecidas por suas comunidades com “notório saber”, expediente previsto no regulamento de TCC do curso. Além de familiares dos estudantes e moradores das aldeias, indígenas de outras etnias estiverem presentes no seminário.

Organização
A atividade no município de Mâncio Lima, que é vizinho ao campus Floresta, em Cruzeiro do Sul (AC), ocorreu num só dia, em 25 de setembro, com a defesa de dois TCCs. Já para o evento em Feijó foi necessário um deslocamento de ônibus, com duração de quase seis horas, em 30 de setembro, até o porto da cidade. E, à noite, uma embarcação levou cerca de 20 pessoas até a aldeia Morada Nova, onde houve uma recepção musical para o grupo. Na manhã do dia seguinte começaram as defesas, que prosseguiram até 2 de outubro.

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Herbário da Ufac participa do 76º Congresso Nacional de Botânica — Universidade Federal do Acre
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6 dias atrásem
22 de outubro de 2026A servidora Júlia Gomes da Silva, curadora do Herbário da Ufac, vinculado ao Parque Zoobotânico (PZ), representou a instituição no 76º Congresso Nacional de Botânica e 15º Encontro de Botânicos do Centro-Oeste, eventos ocorridos de 11 a 16 de outubro, em Campo Grande. Ela participou de mesa-redonda com apresentação das coleções dos herbários da região Norte.
Na ocasião, os curadores discutiram avanços, desafios estruturais e o futuro das coleções científicas do país. Durante sua exposição, Júlia conduziu o público por uma linha do tempo que remonta a 22 de outubro de 1979, data da primeira coleta registrada no campus-sede da Ufac: uma ‘Vismia’ (gênero científico de planta) coletada por L. Coêlho. Em razão desse registro, o herbário da Ufac comemora 47 anos nesta quinta-feira, 22.
Júlia destacou perspectivas importantes para o cenário científico acreano. Entre os projetos de destaque estão investimentos viabilizados via Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), incluindo a projeção de um novo prédio de cerca de 600 metros quadrados e a aquisição de armários compactadores modernos para garantir a preservação do acervo em longo prazo.
Também representaram a Ufac estudantes do campus Floresta, em Cruzeiro do Sul (AC), e a professora Simone Reis. A universidade enviou 11 resumos, dos quais oito foram apresentados. O evento possibilitou a troca de experiência com botânicos do país e conversas sobre parcerias de trabalho, incluindo a realização de expedições para grupos de plantas pouco estudados no Acre.
Herbário
O Herbário da Ufac tem uma equipe técnica composta por Júlia Gomes da Silva, Izailene Saar e colaboradores, como a ex-curadora e atual vice-reitora Almecina Balbino, o técnico Davi Borges e estagiários. O acervo abriga preciosidades da flora amazônica e sul-americana, registrando a superação de gargalos históricos de digitalização e integrando atualmente plataformas globais de dados de biodiversidade, como o SpeciesLink e o Global Biodiversity Information Facility.
Entre os marcos recentes destacados está o avanço na informatização de milhares de registros e a aposta em inovações, como a participação na Rede de Herbários Espectrais da Amazônia, que utiliza a espectroscopia no infravermelho próximo (tecnologia NIR portátil) para otimizar a identificação de espécies diante da escassez de taxonomistas na região.
A informatização completa do acervo ainda está em processo e figura como um dos principais objetivos da equipe, que agradeceu à direção do PZ e à Ufac pelo apoio contínuo aos servidores e à coleção, além de exaltar o esforço coletivo dos bolsistas, voluntários e parceiros que documentam, protegem e estudam a flora e funga brasileira.
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