Nascida na década de 1930, Maria Angélica Barretto Pyles foi criada para ter uma vida de liberdade e independência financeira, o que não era muito comum na época.
Maria Angélica sempre esteve ligada à educação e mantinha profundo interesse pelo desenvolvimento de crianças e adolescentes. Em Campinas, cidade que escolheu para viver, fundou uma entidade para formação e inserção de adolescentes em vulnerabilidade social no mercado de trabalho e ajudou a pavimentar o caminho para o futuro de milhares de jovens.
Nasceu em São Paulo, em 27 de novembro de 1933, filha de um delegado e de uma educadora sanitária. Passou parte da infância em Casa Branca, interior de São Paulo, onde se formou no magistério, em 1951.
Quatro anos mais tarde, formou-se em pedagogia na PUC-Campinas e fez pós-graduação em psicologia da criança e do adolescente, além de inúmeras especializações.
Deu aulas nos colégios mais tradicionais e se aposentou na Secretaria de Promoção Social do estado.
Inspirado por um projeto que viu em São Carlos quando trabalhava no Poder Judiciário, ela criou em maio de 1966 o Patrulheirismo em Campinas, uma obra socioeducativa e de iniciação profissional para jovens de 15 a 18 anos. Após o curso básico de formação, os adolescentes são encaminhados para estágio profissionalizante em empresas parceiras.
A ação funcionava no porão do Palácio da Justiça, até que em 1972 a prefeitura doou um terreno para a criação da sede, que foi inaugurada em 1975, mesmo ano em que Maria Angélica criou o Patrulheirismo feminino, formando a primeira turma de mulheres para o mercado de trabalho.
Muitos dos jovens que participaram do projeto foram efetivados nas empresas. O nome da iniciativa depois foi alterado para CAMPC (Círculo dos Amigos do Menor Patrulheiro de Campinas), que continua até hoje.
“Minha mãe era uma mulher muito forte, que nunca deixou de fazer o que devia ser feito, o que era justo, ético, bom, por mais difícil que fosse. Nunca foi uma pessoa que passava a mão na cabeça. Nunca foi boazinha, no sentido de falar as coisas que as pessoas queriam ouvir. Não tratava ninguém como coitadinho”, explica a empresária Karina Angélica Barreto Pyles.
“Ela deixou uma semente enorme, com mais de cem mil menores que passaram pela obra e que se beneficiaram do trabalho dela”, completa.
Ela morreu em 26 de outubro de 2024, em São Paulo, aos 90 anos, em razão de uma angiopatia amiloide cerebral, diagnosticada há quatro anos.
Maria Angélica era viúva e deixou a filha Karina, dois netos e o genro.
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