NOSSAS REDES

ACRE

Amante de Getúlio, socialite Aimée de Heeren tem biografia – 11/11/2024 – Poder

PUBLICADO

em

Naief Haddad

“Terminado o expediente, saí à tardinha para um encontro longamente desejado. Um homem no declínio da vida sente-se, num acontecimento destes, como banhado por um raio de sol”, escreveu Getúlio Vargas em seu diário em 29 de abril de 1937.

Àquela altura, o líder gaúcho comandava o país havia quase sete anos. E o “encontro longamente desejado” era com a paranaense Aimée Sotto Maior de Sá, esposa de Luís Simões Filho, nada menos que o chefe de gabinete de Getúlio.

O caso extraconjugal, que se estendeu pelo ano de 1937 e pelos primeiros meses de 1938, foi mantido em segredo por mais de meio século. Só se tornou amplamente conhecido com a publicação dos diários de Getúlio, em 1995.

Quem era Aimée? O que fazia antes de conhecer o presidente? Como foi sua vida depois do caso amoroso?

Essas e outras perguntas são respondidas pelo jornalista Delmo Moreira na biografia “A Bem-Amada”, título que faz alusão ao modo como Getúlio passou a se referir a ela no diário quando o romance ganhou impulso.

Com base nas anotações do diário, foram 38 encontros íntimos do político cinquentão com a moça que tinha acabado de chegar à casa dos 30 anos. É, no mínimo, curioso acompanhar os registros melosos de Getúlio, da “mais bela flor da festa” à “luz balsâmica e compensadora dos meus dias atribulados”.

Não há exagero dele ao falar em “dias atribulados”, pelo contrário. Ao longo do namoro, houve ao menos dois episódios decisivos para a história do Brasil na primeira metade do século 20.

Em novembro de 1937, Getúlio apresentou uma nova Constituição, passando a governar como um ditador. Era o início do Estado Novo. Em maio de 1938, os integralistas, colocados na ilegalidade pelo governo, tentaram dar um golpe, mas foram barrados pelas forças federais.

Como Getúlio e Aimée não eram exatamente discretos nos seus encontros no Rio de Janeiro e em Poços de Caldas, logo Darcy Vargas, a primeira-dama, e Simões Filho tomaram conhecimento do caso, deixando a situação insustentável. Separada, Aimée partiu para Paris, onde morava sua irmã, Vera, e começou uma vida em meio à aristocracia europeia e norte-americana.

É no período pós-guerra que essa alta sociedade tem sua “era do ouro, com fartura e exuberância”, diz Moreira, jornalista com passagens pelo jornal O Estado de S. Paulo e pela TV Globo, entre outras Redações, e autor de “Catorze Camelos para o Ceará”.

Em Palm Beach, na Flórida, Aimée conheceu seu segundo marido, Rodman de Heeren, um dos herdeiros da Wanamaker, uma das maiores lojas de departamento dos EUA. Era agora Aimée de Heeren, que se dividia em quatro casas: duas nos EUA, Nova York e Palm Beach, e outras duas na França, Paris e Biarritz.

Com o tempo, Aimée e Rodman passaram a conviver como amigos, cultivando seus namoros fora do casamento. “Esse não é um arranjo incomum na elite. Eles não queriam dividir o patrimônio”, afirma o biógrafo.

Um desses romances se deu com Assis Chateaubriand, magnata da imprensa brasileira —a socialite nunca assumiu publicamente o caso com Chatô, mas o autor ouviu fontes que conviveram com ambos e asseguram que aconteceu.

Segundo Moreira, Aimée foi a maior socialite brasileira do século 20, um termo que implica “centralidade” e “poder convocatório” em seus círculos sociais. Houve outras mulheres de grande projeção nesse sentido, como Isabel de Orleans e Bragança e Elisinha Moreira Salles, mas o biógrafo faz o desempate considerando que nenhuma viveu no “topo do topo do topo”, próxima, por exemplo, da nobreza inglesa.

Ele também leva em conta a longevidade. Aimée morreu com quase cem anos, parte expressiva desse tempo junto às famílias mais abastadas e influentes dos EUA e da Europa. Além de tudo isso, “nenhuma foi tão festeira quanto ela”.

Quando morreu, em 2006, ela foi lembrada pelo New York Times como “a última das grandes damas”.

“Quis pegar alguém que estava no rodapé da história, que pouca gente conhece, e lembrar essa vida de modo que os leitores se perguntassem: ‘Como é que eu não sabia disso?’”, diz Moreira. A julgar pelos episódios surpreendentes da trajetória de Aimée retratados no livro, ele conseguiu o que buscava.



Leia Mais: Folha

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

ACRE

Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

A Ufac participou do lançamento do projeto Tecendo Teias na Aprendizagem, realizado na reserva extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira (AC). O evento ocorreu em 28 de março e reuniu representantes do poder público, comunidade acadêmica e moradores da reserva.

Com uma área de aproximadamente 750 mil hectares e cerca de 500 famílias, a Resex é território de preservação ambiental e de produção de saberes tradicionais. O projeto visa fortalecer a educação e promover a troca de conhecimentos entre universidade e comunidade.

O presidente da reserva, Nenzinho, destacou que a iniciativa contribui para valorizar a educação não apenas no ensino formal, mas também na qualidade da aprendizagem construída a partir das vivências no território. Segundo ele, a proposta reforça o papel da universidade na escuta e no reconhecimento dos saberes locais.

O coordenador do projeto, Rodrigo Perea, sintetizou a relação entre universidade e comunidade. “A floresta ensina, a comunidade ensina, os professores aprendem e a Ufac aprende junto.” 

Também estiveram presentes no lançamento os professores da Ufac, Alexsande Franco, Anderson Mesquita e Tânia Mara; o senador Sérgio Petecão (PSD-AC); o prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz (PP); e o agente do ICMBio, Aécio Santos.
(Fhagner Silva, estagiário Ascom/Ufac)



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre

 Os professores Jhonatan Gomes Gadelha e Shirley Regina de Almeida Batista, do curso de Educação Física da Ufac, realizaram a mostra de dança NT: Sementes de uma Pioneira, em homenagem à professora aposentada Norma Tinoco, reunindo turmas de bacharelado e licenciatura, escolas de dança e artistas independentes. O evento ocorreu na noite de 25 de março, no Teatro Universitário, campus-sede, visando celebrar a trajetória da homenageada pela inserção e legitimação da dança no curso.

Norma recebeu uma placa comemorativa pelos serviços prestados à universidade. Os alunos do curso, André Albuquerque (bacharelado) e Matheus Cavalcante (licenciatura) fizeram a entrega solene. Segundo os organizadores, os anos de dedicação da professora ao curso e seu pioneirismo jamais serão esquecidos.

“A ideia, que ganhou corpo e emoção ao longo de quatro atos, nasceu do coração de quem viveu de perto a influência da homenageada”, disse Jhonatan Gomes Gadelha, que foi aluno de Norma na graduação. Ele contou que a mostra surgiu de uma entrevista feita com ela por ocasião do trabalho dele de conclusão de curso, em 2015. “As falas, os ensinamentos e as memórias compartilhadas por Norma naquele momento foram resgatadas e transformadas em movimento”, lembrou.

Gadelha explicou que as músicas que embalaram as coreografias autorais foram criadas com o auxílio de inteligência artificial. “Um encontro simbólico entre a tradição plantada pela pioneira e as ferramentas do futuro. O resultado foi uma apresentação carregada de bagagem emocional, autenticidade e reverência à história que se contava no palco.”

Mostra em 4 atos

A professora de Educação Física, Franciely Gomes Gonçalves, também ex-aluna de Norma, foi a mestre de cerimônias e guiou o público por uma narrativa que comparava a trajetória da homenageada ao crescimento de uma árvore: “A Pioneira: A Raiz (ato I), “A Transformadora: O Tronco” (ato II), “O Legado: Os Frutos” (ato III) e “Homenagem Final: O reconhecimento” (ato IV).

O ato I trouxe depoimentos em vídeo e ao vivo, além de coreografias como “Homem com H” (com os 2º períodos de bacharelado e licenciatura) e “K Dance”, que homenageou os anos 1970. O ex-bolsista Kelvin Wesley subiu ao palco para saudar a professora. A escola de dança Adorai também marcou presença com as variações de Letícia e Rayelle Bianca, coreografadas por Caline Teodoro, e o carimbó foi apresentado pelo professor Jhon e pela aluna Kethelen.

O ato II contou com o depoimento ao vivo de Jhon Gomes, ex-aluno que seguiu carreira artística e acadêmica, narrando um momento específico que mudou sua trajetória. Ele também apresentou um solo de dança, seguido por coreografias da turma de licenciatura e uma performance de ginástica acrobática do 4º período.

No ato III foi exibido um vídeo em que os atuais alunos do curso de Educação Física refletiram sobre o que a dança significa em suas formações. As apresentações incluíram o Atelier Escola de Dança com “Entre o que Fica e o que Parte” (Ana Fonseca e Elias Daniel), o Estúdio de Artes Balancé com “Estrelas” (coreografia de Lucas Souza) e a Cia. de Dança Jhon Gomes, com outra versão de “Estrelas”. A escola Adorai retornou com “Sarça Ardente”, coreografada por Lívia Teodoro; os alunos do 2º período de bacharelado encerraram o ato.

No ato IV, após o ministério de dança Plenitude apresentar “Raridade”, música de Anderson Freire, a professora Shirley Regina subiu ao palco para oferecer palavras à homenageada. Em seguida, a mestre de cerimônias convidou Norma Tinoco a entrar em cena. Ao som de “Muda Tudo”, os alunos formaram um círculo ao redor da professora, cantando o refrão em coro.

//www.instagram.com/embed.js



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

I FÓRUM ESTADUAL "Autismo, Cultura, Mercado de Trabalho e Políticas Públicas no Acre."

PUBLICADO

em

I FÓRUM ESTADUAL "Autismo, Cultura, Mercado de Trabalho e Políticas Públicas no Acre."

09 e 10 de ABRIL
Local: Teatro Universitário da UFAC
11 de ABRIL
Local: Anfiteatro Garibaldi Brasil UFAC

Mais informações

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

MAIS LIDAS