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Anjos e demônios do mar: o plâncton poderia desvendar os segredos da biologia humana? | Vida marinha
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2 anos atrásem
Brianna Randall
Óna costa oeste de Groenlândiaum veleiro de alumínio de 17 metros (56 pés) rasteja por um fiorde estreito e rochoso no crepúsculo do Ártico. A equipe de pesquisa a bordo, ainda com os olhos turvos devido à difícil passagem de nove dias pelo Mar de Labrador, baixa redes para coletar plâncton. Esta é a primeira vez que alguém sequencia o DNA das minúsculas criaturas marinhas que vivem aqui.
Observando as redes com palpável entusiasmo está o professor Leonid Moroz, neurocientista do laboratório marinho de Whitney, na Universidade da Flórida. “Era assim que o mundo era quando a vida começou”, diz ele ao amigo Peter Molnar, o líder da expedição com quem foi cofundador da Projeto Atlas do Genoma Oceânico (Ogap).
Moroz aponta para os vales glaciais da Groenlândia. O rápido aquecimento aqui está reproduzindo condições de 600 milhões de anos atrás, quando formas de vida complexas começaram a aparecer. “Estamos navegando através de um tempo biológico profundo neste momento”, diz ele.
A missão de Moroz e Molnar é classificar, observar, sequenciar e mapear 80% das menores criaturas do mar para aprender mais sobre nós mesmos e sobre a saúde do planeta.
O plâncton e os humanos não têm muito em comum à primeira vista. Mas o estudo dos organismos marinhos levou a uma compreensão inovadora sobre os nossos próprios cérebros e corpos. Observar as descargas elétricas das águas-vivas nos ensinou como reiniciar o coração. As lesmas do mar nos mostraram como as memórias se formam. Squid nos ensinou como os sinais se espalham entre diferentes partes do cérebro. Os caranguejos-ferradura demonstraram como funcionam os receptores visuais.
Um aspecto incomum das viagens de pesquisa de Moroz e Molnar é que eles estão desvendando os segredos do plâncton a bordo. barcos à vela em vez de motor–embarcações motorizadas – e eles não estão sozinhos neste esforço.
“Grandes navios oceanográficos podem custar 100 mil dólares (77 mil libras) por dia, o que pode levar rapidamente à falência a sua organização de investigação”, afirma Chris Bowler, oceanógrafo do Centro Nacional de Investigação Científica de França e consultor científico da Tara Ocean Foundation.
Nos últimos dois anos, ele coletou amostras de plâncton para o Missão Microbiomasuma iniciativa de pesquisa para estudar microrganismos no oceano, a bordo de uma escuna de 33 metros. “Trabalhar em um veleiro é 50 vezes mais barato”, diz Bowler.
Essa poupança de custos também permite aos investigadores o luxo do tempo, o que é imperativo para encontrar as semelhanças e padrões genéticos que revelarão respostas sobre a saúde humana. Bowler diz que é importante analisar e observar esses organismos microscópicos interagindo entre si e com o mundo ao seu redor. Isso não pode acontecer num laboratório em terra porque os organismos são demasiado frágeis.
Com baixo teor de carbono, prontamente disponíveis e mais fáceis de manobrar perto da costa, os barcos à vela também “não vibram, então você pode fazer um trabalho realmente preciso a bordo”, diz Molnar, que comandou viagens do Ogap ao longo de mais de 9.000 milhas náuticas.
A razão pela qual a vida marinha microscópica pode nos ensinar sobre o nosso próprio desenvolvimento é a evolução convergente. Isto ocorre quando organismos não relacionados chegam à mesma solução para um problema, como por exemplo a forma como pássaros, besouros, borboletas e morcegos se adaptaram para voar, mas o fizeram em momentos diferentes e de maneiras ligeiramente diferentes. Soluções sobrepostas fornecem blocos de construção comuns para tudo, desde como dobrar uma proteína até como formar um cérebro.
“Cada organismo que vive aqui hoje é um diário de bordo de cada adaptação que o tornou bem-sucedido”, diz Moroz. “O cérebro é uma das estruturas mais complicadas do universo. No entanto, 70% do nosso conhecimento sobre como o cérebro funciona se deve às criaturas marinhas. Sem eles, muitos dos medicamentos atuais simplesmente não existiriam.”
A razão pela qual ele estuda o plâncton é porque o seu “diário de bordo” é o mais longo – alguns organismos marinhos unicelulares existem há mais de 3 mil milhões de anos. Isso significa que eles têm mais truques na manga metafórica do que nós.
“Alguns grupos destas espécies marinhas não envelhecem, nunca desenvolvem cancros e podem regenerar-se totalmente quando danificados. Eles são capazes de realizar muitas tarefas melhor do que nós”, diz Moroz.
Uma maneira de levar a medicina humana para o próximo nível é seguir as dicas desses organismos. Mas primeiro, temos que identificá-los. A elevada missão da Ogap não teria sido possível há 10 anos; os rápidos avanços tecnológicos reduziram o tamanho dos equipamentos, enquanto as comunicações por satélite e a IA reduziram o prazo de análise dos resultados de meses para minutos.
Na Gronelândia, por exemplo, Ogap manteve organismos marinhos vivos durante vários dias no seu barco à vela enquanto sequenciava o seu ADN durante diferentes fases da vida. “Conseguimos observá-los se reproduzirem, se deteriorarem, depois se repararem e até morrerem, tudo isso enquanto gravávamos vídeos de alta resolução”, diz Molnar.
A equipe então carregou os dados via Starlink para universidades onde os cientistas usaram IA para procurar reconhecimento de padrões no DNA dos organismos. “Literalmente em uma hora, teríamos os resultados no veleiro”, diz Molnar. “Esse tipo de trabalho era simplesmente ficção científica há 10 anos.”
Embora a tecnologia seja nova, usar barcos à vela para explorar é um empreendimento humano milenar.
“Há uma longa história de navegação para responder a questões científicas”, diz David Conover, proprietário do ArcticEarth, o barco à vela que Ogap utilizou na sua expedição à Gronelândia. Das descobertas antropológicas do Capitão Cook no Pacífico às observações inovadoras de Darwin sobre a seleção natural a bordo do Beagle, os barcos à vela proporcionaram a muitos tipos de pesquisadores o luxo de chegar a partes distantes do mundo para se envolverem profundamente com o ambiente.
“Quanto mais tempo você puder passar no mar, mais aberto você estará à descoberta”, diz Conover.
A chave agora é observar a cornucópia de organismos marinhos desconhecidos antes que desapareçam para sempre. “Quando você terminar seu café amanhã de manhã, entre 20 e 100 espécies terão desaparecido para sempre, incluindo as soluções maravilhosas que a natureza lhes ofereceu, o que representa uma enorme perda para a ciência biomédica”, diz Moroz.
Para continuar documentando as maravilhas das minúsculas criaturas marinhas unicelulares, Ogap seguirá para a Patagônia, no extremo da América do Sul. Eventualmente, o atlas genómico do Ogap será digitalizado e disponibilizado gratuitamente, fornecendo uma base de referência da biodiversidade marinha, bem como informações valiosas para o desenvolvimento de novos medicamentos.
“Cada dia é uma surpresa”, diz Moroz. “Essa é a melhor parte de todas essas viagens – o nível de excitação, de descoberta. É tão rico. É ininterrupto.”
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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
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9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
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8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
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1 semana atrásem
2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
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