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IA: ‘entrevista’ com vencedora do Nobel morta expõe riscos – 05/11/2024 – Tec

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Andrew Higgins

Quando uma estação de rádio polonesa financiada pelo Estado cancelou um programa semanal com entrevistas com diretores de teatro e escritores, o apresentador do programa saiu em silêncio, resignado às realidades da indústria de mídia de corte de custos e mudanças de gostos que se afastam da cultura erudita.

Mas sua resignação se transformou em fúria no final de outubro, depois que sua antiga empregadora, a Off Radio Krakow, transmitiu o que chamou de “entrevista única” com um ícone da cultura polonesa, Wislawa Szymborska, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 1996.

O apresentador demitido, Lukasz Zaleski, disse que teria convidado Szymborska para seu programa matinal, mas nunca o fez por uma razão simples: ela morreu em 2012.

A estação usou IA (inteligência artificial) para gerar a recente entrevista —um exemplo dramático e, para muitos, ultrajante de tecnologia substituindo humanos, até mesmo os mortos.

Zaleski admitiu que a versão gerada por computador da voz distintiva da poeta era convincente. “Foi muito, muito boa”, disse ele, mas “eu fui ao funeral dela, então sei com certeza que ela está morta.”

A ressurreição tecnológica da poeta falecida foi parte de um experimento inovador da Off Radio Krakow, um braço do sistema de radiodifusão pública da Polônia na cidade de Cracóvia. O objetivo era testar se a IA poderia reviver uma estação local moribunda que tinha “quase zero” ouvintes, segundo o chefe da rádio pública em Cracóvia.

A estação também planejava entrevistas do além com outras pessoas falecidas, incluindo Jozef Pilsudski, líder da Polônia quando o país recuperou sua independência em 1918.

O valor da novidade —e uma tempestade de indignação pública— ajudou a aumentar a audiência da Off Radio Krakow, que, segundo o chefe da Rádio Cracóvia, saiu da noite para o dia de apenas um punhado de pessoas para 8 mil ouvintes após a introdução de três apresentadores da Geração Z gerados por IA —Emilia, 20, Jakub, 22, e Alex, 23, cada um com uma fotografia e biografia geradas por computador.

Menos bem-vinda do que o aumento da audiência, no entanto, foi uma enxurrada de abusos direcionados ao sistema de radiodifusão pública acusando-a de “sacrificar humanos” no altar da tecnologia.

“Fui transformado em um monstro que mata empregos e quer substituir pessoas reais por avatares”, disse Mariusz Marcin Pulit, editor-chefe da Rádio Cracóvia e de estações de nicho operando sob seu guarda-chuva, como a Off Radio Krakow.

Ele insistiu que nunca foi sua intenção substituir pessoas por máquinas, e que seu único objetivo era reviver a Off Radio Krakow, torná-la mais atraente para ouvintes mais jovens e estimular o debate sobre IA enquanto o parlamento da Polônia discute nova legislação para regular seu uso.

A tecnologia usada para gerar a falsa entrevista com Szymborska e outros programas, acrescentou, tem sido amplamente utilizada: ChatGPT da Open AI, software de síntese de voz desenvolvido pela ElevenLabs e os programas de geração de imagens da Leonardo.Ai.

Mas as garantias de Pulit não acalmaram a raiva pública —e o alarde de que os humanos estão sendo retirados do roteiro.

Entre os indignados com o experimento de Pulit estava Jaroslaw Juszkiewicz, jornalista de rádio cuja voz foi usada por mais de uma década para guiar motoristas usando a versão polonesa do Google Maps. Sua substituição por uma voz metálica gerada por computador em 2020 gerou fúria nas redes sociais, levando o Google a restaurá-lo, pelo menos por um tempo.

Ele anunciou na semana passada que havia sido retirado novamente, lamentando que a IA estava “varrendo o mundo do trabalho de voz humana como um rolo compressor gigante.” Juszkiewicz continuou: “E eu posso, com minha própria voz humana, dizer, provavelmente pela última vez: ‘Sorria lindamente e siga para o sul.’”

Em um post no Facebook, ele disse que o uso de IA para falsificar uma entrevista com a falecida vencedora do Prêmio Nobel o deixou sem palavras. “Se isso não é uma violação da ética jornalística, não sei o que é.”

Cansado de ser acusado de querer tornar os humanos redundantes, Pulit recentemente encerrou seu experimento de IA.

“Somos pioneiros, e o destino dos pioneiros pode ser difícil”, disse ele em uma mensagem recente aos membros da equipe anunciando uma interrupção abrupta dos apresentadores de IA e sua substituição por música criada e executada por humanos.

Entre os apresentadores de IA removidos da Off Radio Krakow estava Alex Szulc, uma pessoa inexistente que havia sido apresentada como uma progressista não-binária “cheia de compromisso social.”

Uma biografia no site da estação foi posteriormente reescrita para excluir qualquer menção à orientação sexual do apresentador depois que ativistas LGBTQIA+ reclamaram furiosamente que precisavam de uma pessoa real para falar por eles, não uma gerada por computador.

Também saiu Emilia Nowak, a “especialista em cultura pop” gerada por computador da estação, que conduziu a “entrevista” com a poeta falecida. A estação primeiro anunciou a conversa como se fosse uma entrevista real, mas depois esclareceu que havia sido fabricada por uma máquina.

Michal Rusinek, chefe de uma fundação que administra o espólio literário da falecida vencedora do Prêmio Nobel, disse que havia dado permissão à Off Radio Krakow para usar a voz de Szymborska para o segmento porque a poeta “tinha senso de humor e acharia engraçado.”

Mas ele disse que a entrevista “foi horrível” e colocou palavras na boca da poeta que ela nunca teria usado, fazendo-a soar “insípida”, “ingênua” e de “nenhum interesse”. Mas isso, acrescentou, foi encorajador porque “mostra que a IA ainda não funciona” tão bem quanto os humanos.

“Se a entrevista tivesse sido realmente boa”, acrescentou ele, “seria aterrorizante.”

Felix Simon, autor de um relatório publicado em fevereiro sobre o efeito da IA no jornalismo, disse que o experimento polonês não alterou sua visão de que a tecnologia “ajuda os trabalhadores de notícias em vez de substituí-los.”

Por enquanto, afirmou que “ainda há razão para acreditar que não trará a grande eliminação de empregos que algumas pessoas temem.”

Para muitos na Polônia que criticam a flerte da Off Radio Krakow com a IA, o uso de apresentadores gerados por computador pela estação, embora agora suspenso, destacou um perigo grave e imediato.



Leia Mais: Folha

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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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