ACRE
As proibições da Apple e do Google na Indonésia frustram os fãs de tecnologia do país | Tecnologia
PUBLICADO
2 anos atrásem
Medan, Indonésia – Winston, um médico que vive e trabalha na capital da província de Sumatra do Norte, é um autoproclamado fã da Apple.
Atualmente orgulhoso proprietário de um iPhone 15, Winson estava ansioso para atualizar para o modelo mais recente, o iPhone 16, lançado em setembro.
Winston, no entanto, desistiu relutantemente da ideia desde que o governo indonésio proibiu as vendas do iPhone 16 e do Google Pixel no final de outubro, citando o fracasso dos gigantes da tecnologia em cumprir a política do país Tingkat Komponen Dalam Negeri, ou TKDN, o que exige que os telefones forneçam pelo menos 40% de suas peças localmente.
“As regulamentações indonésias sobre iPhones me atingiram uma vez, e uma vez foi o suficiente”, disse Winston, que como muitos indonésios tem um nome, à Al Jazeera.
Embora Winston pudesse comprar um iPhone no estrangeiro para levar para casa – uma prática relativamente comum que é legal desde que o telefone não seja revendido – ele já foi prejudicado pelas regulamentações indonésias.
“Comprei o iPhone 11 em Cingapura em 2019 porque era muito mais barato do que na Indonésia, cerca de US$ 250 mais barato, na verdade. Uma passagem de ida e volta para Cingapura naquela época custava apenas US$ 120. Você poderia voar para Cingapura e voltar para a Indonésia no mesmo dia, então era mais econômico”, disse ele.
Winston usou o telefone sem problemas por cerca de um ano, até que o governo indonésio em 2022 emitiu um regulamento determinando que todos os telefones fossem registrados.
Apesar de registrar seu telefone conforme necessário, um dia o dispositivo perdeu repentinamente o sinal e não se reconectou à rede, mesmo com um cartão SIM diferente, disse ele.
“Fui a um revendedor licenciado de produtos Apple em Medan porque pensei que havia um problema com o telefone, mas eles apenas disseram: ‘Não há nada que possamos fazer ou sugerir’”, disse ele.
Sobrecarregado com um iPhone inutilizável, Winston, que não teve problemas com seu iPhone 15 atual, que comprou de um revendedor licenciado, vendeu o dispositivo com prejuízo em uma loja de segunda mão durante uma visita subsequente a Cingapura.
A Indonésia, o quarto país mais populoso, com cerca de 280 milhões de habitantes, é um dos maiores mercados de smartphones do mundo.
O arquipélago abrigava cerca de 190 milhões de usuários de smartphones em 2022, segundo a empresa de pesquisa de mercado Newzoo.
Segundo dados do Ministério da Indústria, o país importou cerca de 22 mil telefones Google Pixel e 9 mil iPhone 16s em 2024, antes de as autoridades anunciarem as proibições.
As remessas de smartphones para a Indonésia foram dominadas por dispositivos fabricados pelas chinesas Xiaomi, Oppo e Vivo, e pela sul-coreana Samsung.
Abdul Soleh, advogado em Medan, disse que o preço proibitivamente caro do iPhone 16 para muitos indonésios pode explicar por que não houve oposição mais veemente à proibição.
“É uma pena, porque os iPhones são muito populares e têm um alto índice de satisfação dos usuários na Indonésia”, disse Soleh à Al Jazeera.
“Seria melhor se o iPhone 16 pudesse ser vendido na Indonésia porque há muitos entusiastas aqui.”
Khairul Mahalli, chefe da Câmara de Comércio do Norte de Sumatra, disse que embora a política TKDN da Indonésia vise apoiar a indústria local, poderá ter consequências indesejadas.
“Como membro da Organização Mundial do Comércio (OMC) com uma indústria comercial que funciona entre países, não há problema em proteger as nossas indústrias, mas também precisamos de ter controlos e equilíbrios em vigor”, disse Mahalli à Al Jazeera.
“Uma das questões para o futuro poderá ser que, se a Indonésia bloquear as vendas de determinados produtos, outros países poderão fazer o mesmo e deixar de aceitar as vendas de produtos indonésios no mercado internacional.”
Mahalli disse que é função do governo encontrar formas de minimizar os danos às indústrias locais que sejam menos drásticas do que as proibições definitivas de produtos estrangeiros.
“Não precisamos de proibir completamente as vendas externas, uma vez que o mercado da Indonésia é suficientemente grande para acomodar produtos estrangeiros devido à sua grande população de mais de 270 milhões de pessoas”, disse ele.
“Precisamos verificar se a produção local consegue acompanhar a demanda do consumidor.”
Rio Priambodo, chefe do departamento jurídico e de reclamações da Organização de Consumidores da Indonésia, sem fins lucrativos, disse que os consumidores deveriam pensar duas vezes antes de comprar o modelo mais recente do iPhone, especialmente através de revendedores ilegais no país.
“A Organização dos Consumidores recomenda que os consumidores não tentem comprar o iPhone 16 de qualquer maneira possível, caso ele tenha sido proibido pelo governo”, disse Priambodo à Al Jazeera.
“Se as compras forem feitas ilegalmente, isso eliminará a dimensão de proteção ao consumidor que todos os clientes deveriam ter.”
Numa tentativa de quebrar o impasse, a Apple prometeu aumentar drasticamente o seu investimento no país em troca do levantamento da proibição.
Em Novembro, a gigante tecnológica sediada na Califórnia ofereceu-se para investir 100 milhões de dólares no país durante dois anos, um aumento de 10 vezes em relação à promessa anterior de investir 10 milhões de dólares na construção de uma fábrica de acessórios e componentes em Bandung, Java Ocidental.

Apesar da oferta, o Ministério da Indústria pareceu impassível.
“Do ponto de vista do governo, é claro que queremos que este investimento seja maior”, disse na altura o porta-voz Febri Hendri Antoni Arif.
Em 25 de Novembro, Jacarta rejeitou formalmente a oferta, com o Ministro da Indústria, Agus Gumiwang Kartasasmita, a afirmar que esta não cumpria os “princípios de justiça” da Indonésia.
Ele disse que a Apple investiu quantias mais significativas em países vizinhos, como a Tailândia e o Vietname, incluindo 15 mil milhões de dólares em instalações de produção neste último.
“Com base na avaliação tecnocrática, o valor do investimento não correspondeu ao valor que consideramos justo”, afirmou.
“Queremos que a Apple volte a fazer negócios aqui, mas precisamos de uma resolução justa.”
Enquanto isso, os fãs da Apple, como Winston, enfrentam a perspectiva de viver sem os modelos mais recentes no futuro próximo.
“Entendo que a proibição é por razões políticas porque a Apple não quer investir na Indonésia e estou ao lado do meu governo. Mas nunca mais comprarei um iPhone no exterior”, afirmou.
Relacionado
VOCÊ PODE GOSTAR
ACRE
Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
23 horas atrásem
9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
Relacionado
ACRE
Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
2 dias atrásem
8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
Relacionado
ACRE
Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
1 semana atrásem
2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48
You must be logged in to post a comment Login