NOSSAS REDES

ACRE

Boulos imita Marçal ao acusar sem prova e aceno a motoboys – 22/10/2024 – Poder

PUBLICADO

em

Carlos Petrocilo, Isabella Menon

Com paletó na cor azul, camisa branca e sem gravata, Guilherme Boulos (PSOL) usa microfone de lapela e discursa, com a voz calma, rodeado de uma plateia compenetrada. O cenário escolhido pelo psolista para transmitir a sua primeira propaganda eleitoral na TV, após o primeiro turno, é igual ao que o autointitulado ex-coach Pablo Marçal (PRTB) costuma aparecer em suas palestras.

“As pessoas que votaram no Marçal, na sua maioria, estavam indignadas, revoltadas com o jeito que a política é feita hoje em São Paulo“, diz o candidato a prefeito pelo PSOL, na propaganda.

Desafiado a conquistar o eleitor do candidato do PRTB para superar a vantagem de Ricardo Nunes (MDB), Boulos buscou estratégias de Marçal no segundo turno na tentativa de virar a eleição.

No primeiro turno, o emedebista obteve 29,48% dos votos válidos, e o psolista, 29,07%. Já Marçal deixou a disputa com 28,14% —uma diferença de apenas 57 mil votos para o segundo colocado.

No dia seguinte à apuração das urnas, a equipe de marketing definiu como tática prospectar os eleitores de Marçal, sobretudo aqueles espalhados pelas regiões periféricas de São Paulo, para entrevistá-los e coletar quais as suas aspirações. Baseado nessas pesquisas, o psolista recalculou a rota.

Entre os grupos que mais demandam esforços de Boulos, estão os autônomos, empreendedores nas periferias “como a boleira e a manicure”, motoristas de aplicativos, taxistas e motoboys.

Boulos mirou nesses segmentos inclusive quando leu a Carta ao Povo de São Paulo e tem direcionado parte de suas propostas.

Por exemplo, o psolista se comprometeu a isentar os motoristas de aplicativos, como Uber e 99, do rodízio de carros. Com relação aos motoboys, ele anunciou a construção de, pelo menos, 96 pontos de apoio para que possam usar o banheiro, fazer suas refeições e carregar o aparelho celular.

“A maneira como esse segmento aderiu à candidatura acendeu um alerta”, afirmou Boulos na sabatina realizada pela GloboNews, nesta terça-feira (22).

Na mesma entrevista, ele fez uma autocrítica de como a esquerda deixou de se comunicar com essa faixa da população. “A extrema direita soube passar uma mensagem mais sedutora, mas hipócrita, porque não está preocupada com essas pessoas.”

Tão logo deixou a GloboNews na tarde desta terça, Boulos seguiu para uma conversa com a diretoria do Sindicato dos Taxistas Autônomos de São Paulo.

“Nós vamos buscar o voto de todos esses eleitores, e não só com esses compromissos em relação a empreendedores, a taxistas, a trabalhadores de aplicativo, mas também com o diálogo da importância que São Paulo vai ter no próximo domingo de tomar uma decisão para os próximos quatro anos. E que seja pela mudança”, disse Boulos, ao deixar o sindicato.

Paralelo às propostas, o candidato do PSOL tem anunciado que divulgará denúncias graves relacionadas à gestão Nunes, uma tática bastante utilizada por Marçal enquanto ainda remava no primeiro turno.

Boulos havia afirmado que anunciaria nesta segunda algo nunca visto antes em uma campanha. No entanto, no mesmo dia, prometeu que a divulgação seria feita em seus programas de televisão.

Na propaganda que vai ao ar na noite desta terça, o psolista trouxe fatos já noticiados pela imprensa, sem novos indícios ou provas, sobre a relação de Nunes com envolvidos na chamada máfia das creches. “Decidi usar, ao longo desta semana, para apresentar parte destas denúncias.”

Candidato a prefeito em 2020 e deputado federal desde 2023, Boulos tenta passar a imagem de que, nesta campanha, é o candidato disposto a lutar contra o sistema político.

“O meu adversário não é o Ricardo Nunes, que é um fantoche. Eu enfrento, hoje, um projeto de um grupo político de direita e extrema direita ancorado em interesses econômicos, representado pelo governador Tarcísio [de Freitas]”, disse Boulos em sabatina da Folha e do UOL.

Em outro movimento calculado, o candidato adotou um tom mais agressivo e, diariamente, se refere ao atual prefeito como “fraco” e “covarde” seja nas entrevistas ou em debates.

Assim como Marçal colocou apelidos nos adversários, que viralizaram entre os eleitores, como “Boules”, “Bananinha” e “PT Kids”, o candidato do PSOL se apoia, agora, na linguagem da internet e memes para criticar Nunes.

Em debates e entrevistas, o candidato chamou o prefeito de “tio Paulo do Tarcísio” —ele se referia a um caso que viralizou nas redes sociais em abril, quando uma mulher foi presa no Rio de Janeiro, acusada de tentar dar um golpe ao levar o corpo do tio a uma agência bancária.

Também já disse que Nunes tem o carisma de um “guarda noturno” e ironizou o candidato citando o casal Nardoni, condenados pelo assassinato da menina Isabella Nardoni em 2008, ao falar de segurança pública em São Paulo.

“Ricardo Nunes falando de corrupção parece o casal Nardoni falando em cuidar dos filhos. É o mesmo nível.”

No primeiro turno, o psolista já tinha usado comparações com criminosos populares. No debate promovido pela Globo, ele afirmou que Pablo Marçal era um “lobo na pele de cordeiro” e o “Marçal acusar alguém de extremista é igual a Suzane von Richthofen acusar alguém de assassinato”.

Na segunda-feira, Boulos também anunciou que iria dormir na casa de eleitores até o dia da votação em iniciativa de “rodar essa cidade, conversando com pessoas”.

Na penúltima semana do primeiro turno, o autodenominado ex-coach prometeu jejum por sete dias, expediente comum nas igrejas, que promovem temporadas de abstinência em nome de uma causa.


GUILHERME BOULOS SEGUE PASSOS DE PABLO MARÇAL

Cenário de coach

No horário eleitoral no segundo turno, Guilherme Boulos expôs propostas para jovens que desejam empreender. No primeiro programa, ele surge de terno, camisa sem gravata e com microfone de lapela rodeado pela plateia, replicando uma estética de palestrante e coach.

Empreendedores da periferia

Boulos tem direcionado promessas de incentivar o empreendedorismo entre os autônomos e pequenos empresários espalhados pelas regiões mais distantes, citando como exemplo boleira, vendedora de salgadinhos e manicures.

Incentivo aos motoboys e motoristas de aplicativo

Na carta intitulada “Ao Povo de São Paulo”, Boulos fez menção ao “jovem que financiou a moto e foi trabalhar” e ao “motorista de aplicativo” se comprometendo em “oferecer oportunidades”.

Discurso contra o sistema

Deputado desde 2023 e antes candidato à Prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos se coloca no segundo turno como o adversário de “um projeto político” da extrema direita articulado pelo governador Tarcísio de Freitas. Marçal, por sua vez, se diz perseguido por um consórcio de comunista no qual incluía de Nunes a Boulos.

Denúncias sem provas

Boulos prometeu no sábado (19), após o debate da TV Record, que faria denúncias graves contra Nunes. Questionado na segunda-feira, ele falou que apresentaria a partir desta terça. No entanto, o psolista trouxe até aqui fatos já noticiados pela imprensa, sem novos indícios ou provas, sobre a relação de Nunes com envolvidos na máfia das creches.

Tom mais agressivo

Boulos passou a se referir diariamente a Nunes como “fraco” e “covarde”. Também disse que o adversário tem o carisma de um guarda noturno.

Linguagem de internet

Semelhante a Marçal que viralizou apelidos como “Boules”, “Bananinha” e “PT Kids”, Boulos se apoia em memes para criticar Nunes. O candidato já chamou o prefeito de “tio Paulo do Tarcísio [de Freitas, do Republicanos]” —uma referência à prisão de uma mulher no Rio de Janeiro acusada de levar o corpo do tio a uma agência bancária para efetuar empréstimo.



Leia Mais: Folha

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

ACRE

Ufac inaugura núcleo de apoio administrativo às coordenações de curso — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Ufac inaugura núcleo de apoio administrativo às coordenações de curso — Universidade Federal do Acre

A Universidade Federal do Acre (Ufac) inaugurou, na manhã desta terça-feira, 13, o Núcleo Integrado de Apoio às Coordenações (NIAC), instalado na Pró-Reitoria de Graduação (Prograd). A iniciativa tem como objetivo oferecer suporte administrativo aos cursos de graduação, neste momento com atendimento prioritário a oito coordenações que estão sem servidores técnico-administrativos. A proposta prevê também o desenvolvimento de outras ações de apoio às coordenações no âmbito do núcleo. A solenidade contou com a participação do reitor Josimar Ferreira, da vice-reitora Almecina Balbino, da pró-reitora de Graduação, Danila Torres, e da pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas substituta, Juliana Queirós.

O reitor destacou a importância da iniciativa para o funcionamento dos cursos e reconheceu a colaboração dos servidores envolvidos. “Quero parabenizar toda a equipe da Prograd, reconhecer o voluntariado dos nossos secretários de curso e o apoio das coordenações”, afirmou Josimar. Segundo ele, o serviço dará suporte especialmente às coordenações que estão sem secretários, mas também poderá atender aos demais coordenadores de curso.

A criação do NIAC é uma iniciativa da Prograd e da Pró-Reitoria de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas (Prodgep), que contou também com a participação inicial do Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca). O espaço foi organizado nas instalações da Prograd para facilitar o acompanhamento das atividades e o apoio aos servidores.

Segundo a pró-reitora Danila Torres, a proposta surgiu da necessidade de atender coordenações que enfrentam dificuldades na execução das atividades administrativas. Algumas delas estão há mais de oito meses sem servidores técnicos, deixando os coordenadores responsáveis também pelas rotinas administrativas. “A gente vai tentar apoiar as coordenações naquilo que elas precisam”, explicou.

O núcleo funciona por meio de uma escala de revezamento de servidores técnico-administrativos de outras coordenações. Atualmente, sete profissionais participam voluntariamente da iniciativa, com autorização das chefias imediatas, dedicando dois dias por semana ao atendimento compartilhado, sem deixar suas atividades nas unidades de origem.

A meta é ampliar a equipe para dez servidores, permitindo a presença de dois profissionais no turno da manhã e dois à tarde. “O serviço deles é padrão, é comum, então não tem um técnico para uma coordenação. Todos trabalham em todas essas oito coordenações”, explicou Danila.

Entre as primeiras demandas do NIAC está o lançamento das ofertas de disciplinas do semestre letivo 2026.2 no sistema acadêmico, considerando o início das solicitações de matrícula pelos estudantes nesta quinta-feira, 15. A medida busca assegurar o andamento dos procedimentos acadêmicos nas coordenações que não dispõem de técnicos para executar essas atividades.

Além do atendimento inicial às oito coordenações, a proposta é ampliar gradualmente a atuação do núcleo para oferecer suporte às demais unidades acadêmicas, incluindo o auxílio a novos coordenadores nas rotinas administrativas dos cursos e o desenvolvimento de outras ações de apoio às coordenações.



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

//www.instagram.com/embed.js



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

MAIS LIDAS