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Revisão de Psychedelic Outlaws por Joanna Kempner – um caso convincente para o uso de cogumelos mágicos no alívio da dor | Livros sobre saúde, mente e corpo
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2 anos atrásem
Mark Honigsbaum
ÓDe todos os sintomas com os quais a doença nos apresenta, a dor é notoriamente o mais difícil de quantificar. Experiência somática e psíquica, a dor é camaleônica e teimosamente privada. Como observa Virginia Woolf no seu ensaio On Being Ill, como pode a prosa capturar a natureza “deste monstro, este corpo, este milagre, a sua dor sem cair no misticismo”?
Se a dor é um desafio para um escritor, é ainda mais para um médico. Um paciente que apresenta dor sente tanto desconforto e angústia quanto diz que está? E, se sim, como tratá-los? E se eles forem fingidos ou histéricos e, ao aliviarem seus sintomas, vocês reforçarem sua psicopatologia?
Este é o problema que também enfrenta pacientes que sofrem de enxaquecas e doenças pouco compreendidas, como a endometriose. Mas isso é especialmente verdadeiro no caso de uma condição conhecida como dor de cabeça em salvas (CH). Afectando uma em cada 1.000 pessoas, os CHs ocorrem normalmente em ciclos que duram entre uma semana e um ano e são tão insuportáveis que os doentes são por vezes levados a suicidar-se. Medicamentos como o sumatriptano podem abortar os sintomas dos pacientes em 15 minutos, mas o alívio é sempre temporário e o uso repetido torna os ataques mais graves.
No entanto, há uma substância que os doentes dizem que faz a diferença: cogumelos mágicos. Os membros do Clusterbusters, um grupo de pacientes que promove pesquisas sobre fungos psicoativos, dizem que eles proporcionam alívio imediato e, em alguns casos, remissões prolongadas dos sintomas. Além disso, você não precisa fazer uma viagem completa para aproveitar os benefícios; doses repetidas e baixas de psilocibina – o ingrediente psicoativo dos cogumelos mágicos – são muitas vezes suficientes.
Para convencer os investigadores a levarem a sério as suas afirmações, a Clusterbusters, que tem milhares de apoiantes em todo o mundo, documentou meticulosamente as experiências de pacientes com CH que usaram psilocibina ou LSD para tratar a sua doença e, em 2006, publicou 53 estudos de caso em Neurologia (22 de 26 usuários de psilocibina relataram que o composto abortou os ataques). Desde então, no entanto, o progresso tem sido lento.
Como Joanna Kempner, socióloga da Universidade Rutgers, em Nova Jersey, explica no seu novo e convincente livro, há muitas razões para isso. Uma delas é que há muito poucos doentes com CH para interessar às grandes empresas farmacêuticas, mas demasiados para que a doença seja designada como “doença órfã” – uma doença que afecta uma em cada 1.500 pessoas. Outra é o preconceito. Com demasiada frequência, os doentes são rotulados como pessoas que procuram atenção ou estigmatizados como consumidores de drogas (a psilocibina é classificada juntamente com a heroína e a cocaína como uma droga proibida tanto no Reino Unido como nos EUA).
O resultado, segundo Kempner, é que “a pesquisa psicodélica mais inovadora sobre a dor está acontecendo quase inteiramente no subsolo (através de alianças) forjadas por bandidos e acadêmicos, trabalhando juntos, às vezes em parceria, às vezes em tensão”.
Grande parte da narrativa de Kempner é dedicada à documentação dessas alianças e das negociações entre Clusterbusters e grupos de defesa mais estabelecidos, como a Maps (Associação Multidisciplinar para Estudos Psicodélicos). No processo, nos encontramos Rick Doblino carismático fundador do Maps, e outros evangelistas psicodélicos, incluindo amigos da tecnologia que esperam lucrar com a pesquisa de substâncias como LSD e MDMA para tratar condições comercialmente mais lucrativas, como depressão e transtorno de estresse pós-traumático.
Mas embora estas alianças permitissem que os Clusterbusters tivessem acesso a escolas médicas de prestígio, Kempner mostra como eles estavam condicionados ao financiamento de doadores e rapidamente azedaram quando a associação com os Clusterbusters e cientistas com ligações ao submundo do crime ameaçou pôr em risco a reputação profissional dos investigadores.
No entanto, os personagens mais intrigantes são os próprios sofredores – pessoas como Bob Wold, engenheiro e treinador esportivo de Illinois. Agora com 70 anos, Wold sofreu seu primeiro ataque de CH em 1978. Depois de tentar dezenas de terapias e suportar quatro ataques tão graves que foi hospitalizado, Wold recorreu à Internet em busca de ajuda. Foi lá que conheceu um especialista em TI de Aberdeen, que obteve alívio de suas dores de cabeça tomando LSD. Wold começou a investigar relatos semelhantes usando cogumelos mágicos e logo estava encomendando os fungos via UPS.
Como a maioria dos membros dos Clusterbusters, Wold nunca havia experimentado psicodélicos antes e ficou surpreso ao descobrir que doses baixas e subalucinogênicas aliviavam seus sintomas. “Espere um céu muito azul… e um sorriso no rosto por quatro ou cinco horas”, diz ele.
após a promoção do boletim informativo
Precisamente como a psilocibina interrompe o ciclo de dores de cabeça é uma questão em aberto. As varreduras cerebrais sugerem que pode ajudar a redefinir as vias neurais envolvidas no ciclo da dor. Outra teoria é que tem algo a ver com o anel indol da psilocibina, que tem formato semelhante ao neurotransmissor serotonina (o LSD e a amida do ácido lisérgico, que podem ser derivados das sementes de ipomeia, também possuem anéis indol). A boa notícia para os doentes é que, após uma decisão em 2018 da Food and Drug Administration dos EUA de conceder o estatuto de “terapia inovadora” à psilocibina, os investigadores estão a começar a levar estas alegações a sério. Na verdade, em Abril, a Escola de Medicina de Yale publicou os resultados do primeiro estudo de controle randomizado de psilocibina para alívio da dor. Embora tenha inscrito apenas 10 pacientes com CH, metade daqueles que receberam psilocibina em vez de placebo relataram uma redução nos ataques.
Yale está agora recrutando pacientes para um estudo maior. Curiosamente, os pesquisadores acreditam que o mecanismo pelo qual a psilocibina alivia a dor provavelmente não está relacionado à experiência psicodélica. Em teoria, isso é um bom augúrio para pesquisas futuras porque aumenta a probabilidade de os estudos serem aprovados por conselhos médicos conservadores. No entanto, o problema para os evangelistas psicodélicos é que tais pesquisas tendem a desviar a atenção dos estudos sobre a psilocibina para o tratamento da depressão e dos transtornos de humor, que são muito mais comuns e potencialmente mais lucrativos.
Tudo isto significa que as provações e tribulações dos que sofrem de CH provavelmente continuarão.
Mark Honigsbaum é o autor de O século pandêmico: cem anos de pânico, histeria e arrogância
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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
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9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
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8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
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2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
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