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Brasil tenta destravar financiamento climático na G20 – 18/11/2024 – Ambiente
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Giuliana Miranda
Com a missão de alcançar consenso entre quase 200 países sobre uma nova meta global de financiamento do clima, a COP29, Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática em curso em Baku (Azerbaijão), entrou na reta final de negociações com as atenções voltadas para o que está acontecendo a mais de 11,8 mil km de distância, na reunião de cúpula do G20 no Rio de Janeiro.
A primeira semana da conferência climática, iniciada em 11 de novembro, foi marcada pelo impasse em quase tudo relacionado à parte financeira, com direito a retrocessos até em pontos que já haviam sido previamente pactuados.
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Nesse cenário, a reunião das maiores economias do mundo, nesta segunda (18) e terça (19) no Rio, tem aumentado as pressões para o Brasil, anfitrião e atual presidente do G20, destravar as negociações climáticas.
Sede da próxima conferência do clima, o Brasil teria também interesse em resolver em Baku a questão da nova meta de financiamento climático, mais conhecida pela sigla NCQG (novo objetivo coletivo quantificado). Dessa forma, evitaria o acúmulo de negociações delicadas para a COP30, marcada para Belém em 2025.
O peso das negociações climáticas do G20 levou o embaixador André Corrêa do Lago, chefe da delegação brasileira na COP29, e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva a voarem de volta para o Brasil para participar da cúpula. Está previsto o regresso da dupla a Baku logo após o fim da reunião no Rio.
Na tarde desta segunda (18), o presidente da COP29, o azeri Mukhtar Babayev, destacou o peso do encontro de líderes no Rio também para as discussões climáticas em andamento em Baku.
“Eles representam 85% do PIB (Produto Interno Bruto) global e 80% das emissões”, destacou Babayev, referindo-se ao poder e à responsabilidade do G20. A mesma observação nesta semana pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, ao desembarcar no Rio.
“Pedimos que usem a reunião do G20 para enviar um sinal positivo de seu compromisso com o enfrentamento da crise climática. Queremos que forneçam mandatos claros [aos seus negociadores] para avançar na COP29. Não podemos ter sucesso sem eles. O mundo está esperando para ouvi-los”, insistiu Babayev.
Mais dinheiro
No sábado (16), o líder climático das Nações Unidas, Simon Stiell, já havia escrito uma carta em que apelava aos membros do G20 por apoio —e, claro, mais dinheiro— nas negociações climáticas.
Conforme a Convenção-Quadro sobre o Clima, de 1992, e o texto do Acordo de Paris, de 2015, os países desenvolvidos devem financiar as ações de adaptação e mitigação das mudanças climáticas e os projetos de transição energética das nações em desenvolvimento.
Essas decisões refletem o consenso de que as nações mais ricas conseguiram alavancar suas economias com base, em larga medida, a seus históricos mais longos de emissões dos gases-estufa.
Agora, contudo, os países desenvolvidos têm aumentado a pressão para ampliar a base de doadores, incluindo países como a China —atual recordista de emissões, mas considerada economia em desenvolvimento— e o próprio Brasil.
Doação voluntária
Essa posição é rechaçada pelo bloco do G77+China, formado por emergentes e em desenvolvimento, que negociou em conjunto na convenção do clima das Nações Unidas e do qual o Brasil também faz parte.
Segundo reportagem da agência Reuters, diplomatas envolvidos na elaboração do acordo final do G20 afirmaram que o grupo chegou a um consenso sobre a menção às “contribuições voluntárias dos países em desenvolvimento para o financiamento climático, sem classificá-las como obrigações.”
Nos bastidores, integrantes da delegação brasileira minimizaram a menção às contribuições voluntárias por parte dos países em desenvolvimento, interpretada por alguns analistas como um sinal de que a China poderia abrir mais sua carteira no apoio ao financiamento climático.
Uma diplomata relembrou, inclusive, que a possibilidade de contribuições voluntárias por parte de países em desenvolvimento já estava prevista explicitamente no Acordo de Paris.
Recentemente, a China —que não integra o grupo de financiadores obrigatórios, mas cuja economia cresceu substancialmente desde a definição desses critérios, em 1992— vem liberando mais dados sobre a dimensão de suas contribuições voluntárias para a transição climática de outros emergentes.
Pequim afirma já ter desembolsado mais de US$ 24,5 bilhões (R$ 137,8 bilhões), desde 2016, em verbas para apoiar questões climáticas em países em desenvolvimento.
A atual meta de contribuição financeira dos países ricos, acordada para o período de 2020 a 2025, prevê US$ 100 bilhões (R$ 574,6 bi) anuais em recursos para as nações mais pobres. Embora um relatório da OCDE afirme que esse valor foi alcançado nos últimos dois anos, diversos levantamentos e países, incluindo o Brasil, consideram que essa cifra jamais foi entregue aos países em desenvolvimento.
Além de ter disponibilizado menos dinheiro, os países mais ricos também fizeram a maior parte da transferência de recursos por meio de empréstimos —e não de doações públicas—, o que contribuiu para o endividamento das nações em desenvolvimento.
Nas negociações da nova meta de financiamento em Baku, os países em desenvolvimento querem um aumento expressivo das contribuições, que deveriam passar de US$ 1 trilhão para fazer face às despesas crescentes relacionadas às questões climáticas.
As nações mais ricas, porém, pressionam pela metade desse valor, querem ampliar a base de doadores e ainda incluir no cálculo os repasses da iniciativa privada, que não é permitido atualmente.
Percalços
Depois de uma sequência de percalços diplomáticos, incluindo a demora na definição da agenda no primeiro dia da conferência, a COP29 foi palco de atrito entre a França e o Azerbaijão, que levou a ministra do Meio Ambiente francesa, Agnès Pannier-Runacher, a cancelar sua ida a Baku. A rusga deveu-se a declarações do presidente azeri, Ilham Aliyev, sobre “crimes coloniais” da França em seus territórios ultramarinos.
Passado esses primeiros desastres, a liderança azeri da COP29 convocou o Brasil e o Reino Unido a auxiliarem nas discussões da NCQG. Nas negociações climáticas, é comum que as presidências, na reta final das negociações políticas, convoquem cofacilitadores para auxiliar na interlocução com os diversos blocos de países.
Comumente, são designados dois representantes, um dos países ricos e outro do grupo em desenvolvimento. Os azeris foram mais longe e convocaram o Brasil, sede da próxima COP, e o Reino Unido que, em 2021, foi anfitrião da última conferência do clima em um país desenvolvido, em Glasgow.
A embaixadora Liliam Chagas, diretora do departamento de clima do Ministério das Relações Exteriores, afirmou que o Brasil pretende trabalhar para sair da COP29 com um resultado abrangente. “O objetivo é um pacote completo de decisões. O novo objetivo de financiamento, a finalização do artigo 6 [do Acordo de Paris, sobre quem deve doar os recursos], os indicadores para as metas de adaptação, a transição justa, a mitigação, mecanismos de tecnologia e o diálogo sobre o balanço global.”
A cinco dias do fim da conferência, com vários desses temas enfrentando resistência, negociadores de outros países não têm compartilhado esse entusiasmo. Nos corredores da COP29, delegados e membros da sociedade civil dão sinais de desânimo quanto às perspectivas do encontro.
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Ufac recebe visita da RFB para apresentação do projeto NAF — Universidade Federal do Acre
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26 de março de 2026A Ufac recebeu, nesta quarta-feira, 25, no gabinete da Reitoria, representantes da Receita Federal do Brasil (RFB) para a apresentação do projeto Núcleo de Apoio Contábil e Fiscal (NAF). A reunião contou com a participação da Coordenação do curso de Ciências Contábeis e teve como foco a proposta de implantação do núcleo na universidade.
O reitor em exercício e pró-reitor de Planejamento, Alexandre Hid, destacou a importância da iniciativa para os estudantes e sua relação com a curricularização da extensão. Segundo ele, a proposta representa uma oportunidade para os alunos e pode fortalecer ações extensionistas da universidade.
A analista tributária da RFB e representante de Cidadania Fiscal, Marta Furtado, explicou que o NAF é um projeto nacional voltado à qualificação de acadêmicos do curso de Ciências Contábeis, com foco em normas tributárias, legislação e obrigações acessórias. Segundo ela, o núcleo é direcionado ao atendimento de contribuintes de baixa renda e microempreendedores, além de aproximar os estudantes da prática profissional.
Durante a reunião, foi informada a futura assinatura de acordo de cooperação técnica entre a universidade e a RFB. Pelo modelo apresentado, a Ufac disponibilizará espaço para funcionamento do núcleo, enquanto a receita oferecerá plataforma de treinamento, cursos de capacitação e apoio permanente às atividades desenvolvidas.
Como encaminhamento, a RFB entregou o documento referencial do NAF, com orientações para montagem do espaço e definição dos equipamentos necessários. O processo será enviado para a Assessoria de Cooperação Institucional da Ufac. A expectativa apresentada na reunião é de que o núcleo seja integrado às ações de extensão universitária.
Também participaram da reunião o professor de Ciências Contábeis e vice-coordenador do curso, Cícero Guerra; e o auditor fiscal e delegado da RFB em Rio Branco, Claudenir Franklin da Silveira.
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Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre
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12 de março de 2026A Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia (Proint) da Ufac e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Acre (Sebrae-AC) realizam o Startup Day-2026, em 21 de março, das 8h às 12h, no espaço Sebrae-Lab, Centro de Convivência do campus-sede. O evento é dedicado à inovação e ao empreendedorismo, oferecendo oportunidades para transformar projetos em negócios de impacto real. As inscrições são gratuitas e estão abertas por meio online.
O Startup Day-2026 visa fortalecer o ecossistema, promover a troca de experiências, produzir e compartilhar conhecimento, gerar inovação e fomentar novos negócios. A programação conta com show de acolhimento e encerramento, apresentações, painel e palestra, além de atividades paralelas: carreta game do Hospital de Amor de Rio Branco, participação de startups de game em tempo real, oficina para crianças, exposição de grafiteiros e de projetos de pesquisadores da Ufac.
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A lógica de valor da Thryqenon (TRYQN) é apoiar a evolução da economia verde por meio de sua infraestrutura digital de energia
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10 de março de 2026Com a aceleração da transição para uma economia de baixo carbono e a reestruturação do setor elétrico em diversos países, cresce a discussão sobre como a infraestrutura digital pode sustentar, no longo prazo, a evolução da economia verde. Nesse contexto, a plataforma de energia baseada em blockchain Thryqenon (TRYQN) vem ganhando atenção por propor uma estrutura integrada que combina negociação de energia, gestão de carbono e confiabilidade de dados.
A proposta da Thryqenon vai além da simples comercialização de energia renovável. Seu objetivo é construir uma base digital para geração distribuída, redução de emissões e uso colaborativo de energia. À medida que metas de neutralidade de carbono se tornam compromissos regulatórios, critérios como origem comprovada da energia, transparência nos registros e liquidação segura das transações deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos obrigatórios. A plataforma utiliza registro descentralizado em blockchain, correspondência horária de energia limpa e contratos inteligentes para viabilizar uma infraestrutura verificável e auditável.
A economia verde ainda enfrenta obstáculos importantes. Existe descompasso entre o local e o momento de geração da energia renovável e seu consumo final. A apuração de emissões costuma ocorrer de forma anual, dificultando monitoramento em tempo real. Além disso, a baixa rastreabilidade de dados limita a criação de incentivos eficientes no mercado. A Thryqenon busca enfrentar essas lacunas por meio de uma estrutura digital que integra coleta, validação e liquidação de informações energéticas.
Na arquitetura da plataforma, há conexão direta com medidores inteligentes, inversores solares e dispositivos de monitoramento, permitindo registro detalhado da geração e do consumo. Na camada de transações, o sistema possibilita verificação automatizada e liquidação hora a hora de energia e créditos de carbono, garantindo rastreabilidade. Já na integração do ecossistema, empresas, distribuidoras, comercializadoras e consumidores podem interagir por meio de interfaces abertas, promovendo coordenação entre diferentes agentes do setor elétrico.
O potencial de longo prazo da Thryqenon não está apenas no crescimento de usuários ou no volume de negociações, mas em sua capacidade de se posicionar como infraestrutura de suporte à governança energética e ao mercado de carbono. Com o avanço de normas baseadas em dados e reconhecimento internacional de créditos ambientais, plataformas transparentes e auditáveis tendem a ter papel relevante na transição energética e no financiamento sustentável.
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