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Brecha na Lei e influência de Conselheiro do TCE mantém Alércio Dias no Comando do Acreprevidência apesar de MP discordar
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Dias após o governador Gladson Cameli (Progressistas) encaminhar mensagem governamental a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa retirando da pauta de votações a indicação do pecuarista Alércio Dias, para homologação de seu nome para o Instituto Acreprevidência, nada parece ter mudado na rotina do órgão que apresenta déficit mensal de R$ 50 milhões aos cofres do Estado.
Mesmo que nomeado interinamente, Alércio continua despachando em seu gabinete no 2º andar da Sede do Acreprevidência com duas garantias: a brecha na Lei e a influência do Conselheiro do Tribunal de Contas, Antônio Malheiro, que para muitos nos bastidores da Casa Azulada, exerce até mais poder que o próprio governador Gladson Cameli.
O ac24horas consultou secretários e pessoas próximas do atual governo que afirmam unanimamente que se for da vontade Gladson, Alércio poderá ficar os próximos 4 anos no comando do Acreprevidência, já que a lei 1.688 de 5 dezembro de 2005, que cria o Acreprevidência, não prevê prazo ou penalidade para que que o indicado do governador ao Instituto seja afastado do cargo por seu nome não ter sido referendado pela Aleac.
Legalmente, somente a exoneração expressa colocaria um fim nesse imbróglio que vem desgastando o governo perante a opinião pública, já que o Ministério Público, por meio da uma recomendação do 1ª Promotoria de Justiça Especializada de Defesa do Patrimônio Público endereçada a Assembleia Legislativa, confirmou que o Dias é condenado por improbidade administrativa e não reúne as condições exigidas pela lei para ocupar o cargo, por ausência de reputação ilibada.
A manobra para retirada do nome de Alércio da pauta da Aleac teria sido pensada no Tribunal de Contas. O conselheiro Antônio Malheiro, amigo pessoal de Alércio, influenciado também pelo grupo dos “cabeças brancas”, teria definido a estratégia para que seu “ungido” ganhasse mais tempo no cargo e até mesmo para quem sabe o nome fosse reapresentado em outras circunstâncias mais na frente ao Poder Legislativo. Segundo apurou ac24horas, Malheiro é grato a Alércio Dias por este ter sido responsável por ter lhe dado chance no mercado de trabalho quando chegou ao Acre na década de 80. Naquele período, Dias era o todo poderoso da Eletroacre no Estado e abriu as portas para o homem que atualmente detêm maior poder de influência no governo de Gladson Cameli.
Apesar das influências políticas, o ac24horas foi informado que nos próximos dias o Ministério Público deve fazer nova recomendação, agora ao governador, pedindo que Alércio seja exonerado. Caso isso não ocorra, uma Ação Civil Pública deverá ser protocolada e um novo processo de desgaste deverá ser iniciado.
Independente da decisão de Gladson exonerar ou não Alércio Dias, nos bastidores, aliados do governador começam a sugerir nomes para substituir o diretor-presidente interino. O MDB já começa a hipotecar apoio ao ex-deputado federal João Correia. Já outro grupo, ligado aos liberais cogitam o nome do empresário Fernando Lage. Outros encontram solução dentro do próprio governo ao indicar Livio Veras. Os mais pragmáticos acham que solução esteja no lado do PT, e sugerem o nome de José de Anchieta, diretor-presidente do Instituto nos governos da Frente Popular.
Desde a semana passada, ac24horas vem consultando a Assessoria do governador Gladson Cameli, em relação a situação de Alércio Dias. No dia em que o governo retirou a análise do nome do pecuarista da pauta da Alec, o Estado informou que a Casa Civil estava buscando um entendimento com o próprio Alércio Dias “para resolver essa questão evitando exposição desnecessária dele e do próprio governo”. O governo havia enfatizado que qualquer decisão definitiva será com base no diálogo, ”afinal se trata de um aliado nosso”, especificou.
Já nesta segunda-feira, 19, consultado novamente, a assessoria disse que não teria novidades sobre o assunto e revelou que caberá ao governador decidir sobre a situação. “Ele ainda não tratou do assunto”.
Nos bastidores, comenta-se que Gladson espera ansiosamente pela recomendação do MP para ter a desculpa para abrir mão de Alércio e evitar qualquer tipo de indisposição com o principal influenciador de seu governo, o Conselheiro Antônio Malheiro.
Em nota de esclarecimento encaminhada recentemente a imprensa, Alércio Dias disse, sem nomear quem, que tentam “a qualquer custo e de forma incessante atingir a minha honra e macular a minha dignidade, usando os artifícios da mentira e da difamação. Não conseguirão! Sou um homem de vida limpa, orgulhoso do meu caráter e do meu passado. Por isso recebo tantas manifestações de solidariedade”. O pecuarista reforça, apesar do MP confirmar, que jamais foi condenado por improbidade administrativa ou teve seus direitos políticos cassados.
Ainda em seu comunicado, Dias enfatizou: “Soa estranho, portanto, que a Promotoria de Fiscalização do Patrimônio do Ministério Público espessa manifestação recomendando à ALEAC que meu nome seja vetado para nomeação do cargo de Presidente do Acreprevidência”
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Rede de trabalho franco-brasileira atua em propriedades amazônicas — Universidade Federal do Acre
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6 de março de 2026A Ufac integra uma rede de trabalho técnico-científico formada por pesquisadores do Brasil e da França, desenvolvendo trabalhos nas áreas de pecuária sustentável e produção integrada. Também compõem a rede profissionais das Universidades Federais do Paraná e de Viçosa, além do Instituto Agrícola de Dijon (França).
A rede foi construída a partir do projeto “Agropecuária Tropical e Subtropical e Desenvolvimento Regional: Cooperação entre Brasil e França”, aprovado em chamada nacional da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e do Comitê Francês de Avaliação da Cooperação Universitária com o Brasil. Esse programa iniciou na década de 1970 e, pela primeira vez, uma instituição do Acre teve um projeto aprovado.
Atualmente, alunas do doutorado em Agronomia da Ufac, Natalia Torres e Niqueli Sales, realizam parte do curso no Instituto Agrícola de Dijon, na modalidade doutorado sanduíche. Elas fazem estudos sobre sistemas que integram produção de bovinos, agricultura e a ecofisiologia de espécies forrageiras arbustivas/arbóreas.
Além disso, a equipe do projeto realiza entrevistas com criadores de gado (leite e corte), a fim de produzir informações para proposição de melhorias e multiplicação das experiências de sucesso. Há, ainda, um projeto em parceria com a equipe da Cooperativa Reca para fortalecer a pecuária integrada e sustentável.
Outra ação da rede é a proposta do sistema silvipastoril de alta densidade de plantas, com objetivo de auxiliar agricultores que possuem embargos ambientais na atividade de recomposição de reservas. No momento, a equipe discute um consórcio de plantas que atende à legislação ambiental. Da Ufac, fazem parte da rede os professores Almecina Balbino Ferreira, Vanderley Borges dos Santos, Eduardo Mitke Brandão Reis e Eduardo Pacca Luna Mattar, que trabalham nos cursos de Agronomia, Medicina Veterinária e Engenharia Florestal.
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Professora publica livro sobre sítios naturais sagrados do povo Nukini — Universidade Federal do Acre
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4 de março de 2026A professora Renata Duarte de O. Freitas, do curso de Direito do campus Floresta da Ufac, lança o livro “Aldeia Isã Vakevu, do Povo Originário Nukini: Um Sítio Natural Sagrado no Coração do Juruá” (Lumen Juris, 240 p.). O evento ocorre neste sábado, 7, às 19h, no teatro dos Nauas, em Cruzeiro do Sul. Resultado de investigação científica, a obra integra a cosmologia indígena aos marcos regulatórios da justiça ambiental.
A pesquisa é fundamentada na trajetória de resistência do povo Nukini. O livro presta homenagem à memória de Arlete Muniz (Ynesto Kumã), matriarca, parteira e liderança espiritual que preservou os conhecimentos milenares do Povo da Onça frente aos processos de aculturação e violência histórica.
O texto destaca a continuidade desse patrimônio imaterial, transmitido de geração para geração ao seu neto, o líder espiritual Txane Pistyani Nukini (Leonardo Muniz). Atualmente, esse legado sustenta a governança espiritual no Kupixawa Huhu Inesto, onde a aplicação das medicinas da floresta e a proteção territorial dialogam com a escrita acadêmica para materializar a visão de mundo Nukini perante a sociedade global.
Renata Duarte de O. Freitas introduz no cenário jurídico eixos teóricos que propõem um novo paradigma para a conservação ambiental: sítios naturais sagrados, que são locais de identidade cultural e espiritual; direito achado na aldeia, cuja proposta é que o ordenamento jurídico reconheça que a lei também emana da sacralidade desses locais; e direitos bioculturais, que demonstram que a biodiversidade da Serra do Divisor é preservada porque está ligada ao respeito pelos sítios naturais sagrados.
Ao analisar a sobreposição de uma parte do território Nukini com o Parque Nacional da Serra do Divisor, a obra oferece uma solução científica: o reconhecimento de que áreas protegidas pelo Estado devem ser geridas em conjunto com os povos originários, respeitando seus territórios sagrados.
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Em caravana, ministro da Educação, Camilo Santana, visita a Ufac — Universidade Federal do Acre
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25 de fevereiro de 2026A Ufac recebeu, nesta quarta-feira, 25, na Reitoria, campus-sede, a visita do ministro da Educação, Camilo Santana, no âmbito da caravana Aqui Tem MEC, iniciativa do Ministério da Educação voltada ao acompanhamento de ações e investimentos nas instituições federais de ensino.
Durante a agenda, o ministro destacou que a caravana tem percorrido instituições federais em diferentes Estados para conhecer a realidade de cada campus, dialogar com gestores e a comunidade acadêmica, além de acompanhar as demandas da educação pública federal.
Ao tratar dos investimentos relacionados à Ufac, a reitora Guida Aquino destacou a obra do campus Fronteira, em Brasileia, que conta com R$ 40 milhões em recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A estrutura terá seis cursos, com salas de aula, laboratórios, restaurante universitário e biblioteca.
Abordando a visita, Guida ressaltou a importância da universidade para o Estado e a missão da educação pública. “A Ufac é a única universidade pública federal de ensino superior do Acre e, por isso, tem papel estratégico na formação e no desenvolvimento regional. A educação é que transforma vidas, transforma o país.”

Outro tema tratado durante a agenda foi a implantação do Hospital Universitário no Acre. Camilo Santana afirmou que o Estado é o único que ainda não conta com essa estrutura e informou que o governo federal dispõe de R$ 50 milhões, por meio do Novo PAC, para viabilizar adequações e a implantação da unidade.
Ele explicou que a prioridade continua sendo a concretização de uma parceria para doação de um hospital, mas afirmou que, se isso não ocorrer, o MEC buscará outra alternativa para garantir a instalação do serviço no Estado. “O importante é que nenhum Estado desse país deixe de ter um hospital universitário”, enfatizou.

Guida reforçou a importância do projeto e disse que o Hospital Universitário já poderia ser celebrado no Acre. Ao defender a iniciativa, contou que a unidade contribuiria para qualificar o atendimento, reduzir filas de tratamento fora de domicílio e atender melhor pacientes do interior, inclusive em casos ligados às doenças tropicais da Amazônia. Em tom crítico, declarou: “O cavalo selado, ele só passa uma vez”, ao se referir à oportunidade de implantação do hospital.
Após coletiva de imprensa, o ministro participou de reunião fechada com pró-reitores, gestores, políticos e parlamentares da bancada federal acreana, entre eles o senador Sérgio Petecão (PSD) e as deputadas Meire Serafim (União) e Socorro Neri (PP).
A comitiva do MEC foi formada pela secretária de Educação Básica, Kátia Schweickardt; pelo secretário de Educação Profissional e Tecnológica, Marcelo Bregagnoli; pelo secretário de Educação Superior, Marcus Vinicius David; e pelo presidente da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, Arthur Chioro.
Laboratório de Paleontologia
Depois de participar de reunião, Camilo Santana visitou o Laboratório de Paleontologia da Ufac. O professor Edson Guilherme, coordenador do espaço, apresentou o acervo científico ao ministro e destacou a importância da estrutura para o avanço das pesquisas no Acre. O laboratório foi reformulado, ampliado e recentemente reinaugurado.

Aberto para visitação de segunda a sexta-feira, em horário de expediente, exceto feriados, o local reúne fósseis originais e réplicas de animais que viveram no período do Mioceno, quando o oeste amazônico era dominado por grandes sistemas de rios e lagos. A entrada é gratuita e a visitação é aberta a estudantes e à comunidade em geral.
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