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Carnaval e religião: respeito, mas não pratico – 04/03/2025 – Claudio Manoel
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Escrever esta coluna traz, semanalmente, as mesmas questões —qual é o assunto da semana? Me detenho a isso, ou aproveito para escapar, em fuga desabalada, do factual?
No quesito “não se fala de outra coisa”, temos, obviamente, o Carnaval, a premiação do Oscar no meio do Carnaval e o Carnaval feito em cima da baixa popularidade desse nosso conhecido de tantos carnavais, aquele que disse ter virado uma ideia, mas que, atualmente e aparentemente, não faz ideia do que fazer.
Como escrevo antes da entrega das estatuetas, para tratar do assunto Oscar teria que recorrer à estratégia que adotávamos no Casseta & Planeta, durante as coberturas de Copa do Mundo —uma “opção vitória” e uma “opção derrota”.
No caso da primeira: “É a vitória do Brasil, minha gente! A nossa Fernandinha trouxe o caneco! O país do futebol, agora é o país do cinema! É a pátria de claquete na mão!”. Entra vinheta: Brasil-il-il e, na trilha, o “Tema da Vitória”, para relembrar os tempos de outras conquistas.
Em rede nacional, Lulinha saúda a vitória brasileira. Promete criar vários projetos sociais, como o “Meu Cinema, Minha Vida” e o “Oscar Família”, mas todo mundo, mais animado ainda com o grande feito, já voltou ao Carnaval e ninguém dá bola.
No caso da “opção derrota”, o locutor, apresentador, comentarista, mandará o solene e previsível: “Perdemos, sim. Mas o importante é que estávamos lá! As próprias nomeações já são um prêmio! Só temos do que nos orgulhar”.
E é verdade. É isso aí. Mas o que realmente interessa é a “programação normal e o melhor do Carnaval”. Voltamos a transmitir, diretamente do Sambódromo, aquele que é conhecido como “o maior espetáculo do mundo… da contravenção”.
Fora de rede nacional, Seu Luís fica quieto e reza para que Dona Janja também fique.
Já, se for para falar do Carnaval propriamente dito, suas musas, hits, rainhas, destaques, blocos, bloquinhos e blocões, não sou nem de longe (literalmente, porque há muito mantenho uma distância segura dos festejos) o mais indicado.
Apesar do meu passado de folião (do qual me orgulho de ter vivido e de ser passado) mantenho com o entrudo momesco a mesma relação que tenho com as religiões: respeito, mas não pratico.
Acompanhar o desfile das escolas de samba, ou ficar espremido em uma multidão, curtindo aquele axé junto com cheiro de suor e urina, me soa tão prazeroso, a essa altura do campeonato, quanto assistir à uma maratona de filmes iranianos fazendo tratamento de canal.
Quanto ao “outro assunto da semana”, os baixos índices de popularidade de Lula 3.0, confesso que isso é algo que, nessa confusão toda, até me tranquiliza. Morro de medo de governo popular. Governo para mim, quanto mais sem graça (e barato), melhor. Me incomoda muito menos, ainda mais em nossas latitudes e com nossa história, um governo que não faz nada do que o que quer fazer tudo.
Para mim, governo bom é governo quieto. A inoperância como menor custo, a inação como diminuição do prejuízo.
O resto é só Carnaval.
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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre
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20 horas atrásem
15 de maio de 2026O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.
Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).
O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.
Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.
Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.
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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.
Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.
Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.
O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.
“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.
A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.
“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.
Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.
A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.
Fhagner Soares – Estagiário
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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026Um estudo publicado na revista Acta Amazonica identificou a presença do parasita Echinococcus vogeli em pacas (Cuniculus paca) abatidas e consumidas por comunidades tradicionais da Amazônia Ocidental. O agente é responsável pela equinococose policística humana, zoonose considerada emergente na região.
A pesquisa foi desenvolvida entre 2022 e 2023 nos municípios de Sena Madureira e Rio Branco, no Acre, sob coordenação do professor Francisco Glauco de Araújo Santos, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), integrando a dissertação de mestrado de Liliane de Souza Anadão, do Programa de Pós-Graduação em Sanidade e Produção Animal Sustentável na Amazônia (PPGSPASA).
O estudo entrevistou 78 famílias e analisou 23 fígados de pacas abatidas para consumo. Em 48% das amostras foram identificados cistos hidáticos causados pelo parasita. A pesquisa também apontou que a maioria dos cães das comunidades participa das caçadas e consome vísceras cruas dos animais.
Segundo os pesquisadores, o principal risco de transmissão ocorre quando cães infectados eliminam ovos do parasita no ambiente, contaminando solo, água e alimentos.
“O principal risco está associado ao descarte inadequado das vísceras e ao contato com ambientes contaminados pelas fezes de cães infectados”, destacou o professor Francisco Glauco.
O estudo reforça a necessidade de ações de vigilância e educação em saúde nas comunidades rurais, principalmente relacionadas ao manejo de cães e ao descarte adequado das vísceras dos animais abatidos.
Para o pesquisador Leandro Siqueira, doutor em Medicina Tropical pela Fiocruz e coautor do estudo, a pesquisa amplia o conhecimento sobre a transmissão da doença na Amazônia e pode contribuir para futuras ações de prevenção e diagnóstico na região.
Fhagner Soares – Estagiário
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