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Caso Marielle: condenação dos assassinos deve ser um marco – 03/11/2024 – Bianca Santana

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“Hoje é o início de uma nova era. Hoje é o início do fim da impunidade. Marielle deixou um legado pra gente, que é um legado de coragem, de força, de luta”, disse Ana Paula Oliveira, fundadora do movimento Mães de Manguinhos, na noite de 31 de outubro de 2024, no centro do Rio de Janeiro, ao final do julgamento dos assassinos de Marielle Franco e Anderson Gomes.

O filho de Ana Paula, Jonatha, foi assassinado, aos 19 anos de idade, em 2014, por agentes de uma UPP (Unidade de Política Pacificadora).

Naquele mesmo ano, Marielle defendera seu mestrado na Universidade Federal Fluminense: “UPP – a redução da favela a três letras: uma análise da política de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro”.

No capítulo chamado Violações e Homicídios, ela trata dos altos índices de letalidade violenta a que estavam expostos policiais e civis em áreas de UPP:

“As causas dessas mortes são as mais diversas, mas sempre com a utilização de armas de fogo e correlacionadas à presença das forças militares. São jovens, negros/pardos e moradores de favela. São características que reforçam as pesquisas estatísticas, mas, sobretudo, de jovens com histórias interrompidas, nomes e sobrenomes.”

Dentre os nomes de civis assassinados listados por Marielle está o de Jonatha de Oliveira Lima, de Manguinhos, o filho de Ana Paula.

No ato de 31 de outubro, ao lado de Ana Paula estava Bruna, mãe de Marcos Vinícius, assassinado no Complexo da Maré por um PM aos 14 anos de idade, de uniforme escolar, a caminho da aula, em julho de 2018. Quatro meses depois de Marielle ter sido ela mesma assassinada pelos ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio Queiroz.

A motivação do assassinato de Marielle teria sido o incômodo da milícia com a liderança da vereadora na zona oeste do Rio, organizando com moradores a resistência ao loteamento ilegal de terrenos no bairro do Tanque.

Disputa agrária e ambiental, mas também do protagonismo político exercido por uma mulher negra bissexual de esquerda. Homens treinados pelo Estado brasileiro, contratados pelo crime organizado, para tirar uma pedra do caminho, nos termos de Ronnie Lessa.

Durante os dois dias de júri, lembrei da delação premiada de Élcio Queiroz, de julho de 2023. Ao narrar que Lessa chegou a cogitar disparar em Marielle na frente da Casa das Pretas, onde ela havia participado de um debate naquele 14 de março, Queiroz explicitou: “(…) as pessoas ali que frequentavam eram muito parecidas”.

Um dos assassinos confessos, condenado a 59 anos de prisão, multa, pensão ao filho de Anderson até os 24 anos de idade e indenização por danos morais, verbalizou a dimensão coletiva expressa no corpo e na luta de Marielle, sentida por cada uma de nós.

A dor da saudade, da perda por morte violenta, da violência brutal, de não ter mais Marielle na vida pública é irreparável. Mas a condenação de Lessa a 78 anos de prisão, multa, pensão e indenização, além da condenação de Queiroz, é importante.

Sete homens de pele clara e meia-idade, que compuseram o júri popular, decidiram, em nome do povo brasileiro, que os assassinos confessos de Marielle e Anderson não se beneficiariam da impunidade.

As mães de vítimas da violência do Estado, que abraçavam dona Marinete, mãe de Marielle, decretaram que uma nova era foi inaugurada a partir deste julgamento.


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Nota da Andifes sobre os cortes no orçamento aprovado pelo Congresso Nacional para as Universidades Federais — Universidade Federal do Acre

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publicado:
23/12/2025 07h31,


última modificação:
23/12/2025 07h32

Confira a nota na integra no link: Nota Andifes



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Ufac entrega equipamentos ao Centro de Referência Paralímpico — Universidade Federal do Acre

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Ufac entrega equipamentos ao Centro de Referência Paralímpico — Universidade Federal do Acre

A Ufac, a Associação Paradesportiva Acreana (APA) e a Secretaria Extraordinária de Esporte e Lazer realizaram, nessa quarta-feira, 17, a entrega dos equipamentos de halterofilismo e musculação no Centro de Referência Paralímpico, localizado no bloco de Educação Física, campus-sede. A iniciativa fortalece as ações voltadas ao esporte paraolímpico e amplia as condições de treinamento e preparação dos atletas atendidos pelo centro, contribuindo para o desenvolvimento esportivo e a inclusão de pessoas com deficiência.

Os equipamentos foram adquiridos por meio de emenda parlamentar do deputado estadual Eduardo Ribeiro (PSD), em parceria com o Comitê Paralímpico Brasileiro, com o objetivo de fortalecer a preparação esportiva e garantir melhores condições de treino aos atletas do Centro de Referência Paralímpico da Ufac.

Durante a solenidade, a reitora da Ufac, Guida Aquino, destacou a importância da atuação conjunta entre as instituições. “Sozinho não fazemos nada, mas juntos somos mais fortes. É por isso que esse centro está dando certo.”

A presidente da APA, Rakel Thompson Abud, relembrou a trajetória de construção do projeto. “Estamos dentro da Ufac realizando esse trabalho há muitos anos e hoje vemos esse resultado, que é o Centro de Referência Paralímpico.”

O coordenador do centro e do curso de Educação Física, Jader Bezerra, ressaltou o compromisso das instituições envolvidas. “Este momento é de agradecimento. Tudo o que fizemos é em prol dessa comunidade. Agradeço a todas as instituições envolvidas e reforço que estaremos sempre aqui para receber os atletas com a melhor estrutura possível.”

O atleta paralímpico Mazinho Silva, representando os demais atletas, agradeceu o apoio recebido. “Hoje é um momento de gratidão a todos os envolvidos. Precisamos avançar cada vez mais e somos muito gratos por tudo o que está sendo feito.”

A vice-governadora do Estado do Acre, Mailza Assis da Silva, também destacou o trabalho desenvolvido no centro e o talento dos atletas. “Estou reconhecendo o excelente trabalho de toda a equipe, mas, acima de tudo, o talento de cada um de nossos atletas.”

Já o assessor do deputado estadual Eduardo Ribeiro, Jeferson Barroso, enfatizou a finalidade social da emenda. “O deputado Eduardo fica muito feliz em ver que o recurso está sendo bem gerenciado, garantindo direitos, igualdade e representatividade.”

Também compuseram o dispositivo de honra a pró-reitora de Inovação, Almecina Balbino, e um dos coordenadores do Centro de Referência Paralímpico, Antônio Clodoaldo Melo de Castro.

(Camila Barbosa, estagiária Ascom/Ufac)



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Orquestra de Câmara da Ufac apresenta-se no campus-sede — Universidade Federal do Acre

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Orquestra de Câmara da Ufac apresenta-se no campus-sede — Universidade Federal do Acre

A Orquestra de Câmara da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 17, uma apresentação musical no auditório do E-Amazônia, no campus-sede. Sob a coordenação e regência do professor Romualdo Medeiros, o concerto integrou a programação cultural da instituição e evidenciou a importância da música instrumental na formação artística, cultural e acadêmica da comunidade universitária.

 

A reitora Guida Aquino ressaltou a relevância da iniciativa. “Fico encantada. A cultura e a arte são fundamentais para a nossa universidade.” Durante o evento, o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes, destacou o papel social da arte. “Sem arte, sem cultura e sem música, a sociedade sofre mais. A arte, a cultura e a música são direitos humanos.” 

Também compôs o dispositivo de honra a professora Lya Januária Vasconcelos.

(Camila Barbosa, estagiária Ascom/Ufac)

 



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