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Cem Anos de Solidão: Colombianos celebram série de TV da Netflix sobre o ‘poema nacional’ do país | Gabriel García Márquez

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Luke Harding in Bogotá

CCom sua narrativa geracional de amor, traição e intriga, e um cenário épico de guerra civil e acontecimentos fantásticos, Cem Anos de Solidão foi por muito tempo considerado um romance impossível de adaptar para a tela.

O autor da obra, Gabriel Garcia Márquezchegou a afirmar que o extenso romance havia sido escrito justamente para provar que a palavra escrita tinha um alcance mais vasto que o cinema.

No entanto, contra todas as probabilidades, a Netflix parece ter traduzido com sucesso a obra-prima de Márquez para a televisão, para alívio de muitos colombianos, que protegem ferozmente o falecido escritor – e estão fartos de outras representações do seu país no ecrã.

“Eu estava completamente cético. Este livro significa muito para mim, como você o traduz em uma série? disse Irene Arenas, uma professora de inglês de 34 anos de Bogotá que leu o romance pela primeira vez aos 13 anos. “Mas ele me impressionou com sua beleza. Assisti todos os episódios em dois dias, chorei várias vezes e acabei de comprar o livro de novo.”

O romance conta a história centenária dos fundadores da mítica cidade de Macondo, José Arcadio Buendía e sua esposa, Úrsula, e seus descendentes, em uma narrativa que às vezes tem paralelo com a história da Colômbia, às vezes não.

Dairis Van Grieken como visitação em cem anos de solidão. Fotografia: Juan Cristóbal Cobo/Netflix

Enxames de borboletas amarelas esvoaçam constantemente em torno de um personagem, crianças são concebidas com rabos de porco e o sangue de um filho morto escorre pela aldeia até chegar aos pés de sua mãe.

Mas o que constitui uma boa ficção literária não constitui necessariamente uma boa televisão – a linha do tempo salta constantemente para trás e para a frente, o enredo inclui muito sexo e pouco diálogo, muitas personagens partilham o mesmo nome – e Márquez insistiu que tanto a forma como o conteúdo do romance significavam nunca poderia ser adaptado.

A resposta da Netflix, em colaboração com a família do autor, foi condensar a narrativa centenária em 16 episódios em “uma das produções mais ambiciosas da história latino-americana”.

Além dos desafios técnicos, os produtores também tiveram que enfrentar o legado do próprio Márquez, que paira sobre o seu país natal. Seu rosto adorna a moeda nacional e seu romance é leitura obrigatória para gerações de estudantes colombianos.

Moreno Borja como Melquiades, Janer Abelardo como Arcadio e Diego Vásquez como José Arcadio Buendía em Cem Anos de Solidão. Fotografia: Mauro González/Netflix

“Cem Anos é o poema nacional da Colômbia”, disse o autor Ricardo Silva Romero.

A exploração do romance da história cíclica e sangrenta da Colômbia, por sua vez, moldou a autoimagem da nação.

“É positivo, é romântico, mas é honesto, e foi por isso que chorei”, disse Arenas. “Isso realmente mostra como a Colômbia está nesse estado de eterno retorno, onde continuamos voltando ao mesmo lugar. Como somos apaixonados mas também obsessivos, o que nem sempre é bom. E como há um pouco de fora-da-lei em cada colombiano neste país, apesar de tudo.”

A série também foi um alívio para os colombianos cansados ​​de ver seu país na televisão como um playground violento e sem lei para narcotraficantes.

“Lutamos para não sermos vistos como um país de cartéis de cocaína e drogas”, disse Adrian Lemus, um administrador de empresas que cresceu na costa caribenha do país. “O trabalho de Gabo é um exemplo de resiliência, força e comunidade – virtudes que estão gravadas nos colombianos desde a infância.”

Como Márquez havia solicitado antes de sua morte em 2014, a série foi filmada na Colômbia, em espanhol, com elenco totalmente colombiano.

Para dar vida ao Macondo fictício, a Netflix construiu quatro cenários Macondo diferentes, transportou dezenas de árvores nativas da costa e contratou 150 comunidades para fazer milhares de artefatos artesanais.

A Netflix não divulgará o orçamento da série, mas afirma que ela levou seis anos para ser produzida e é a mais cara da história da América Latina.

“As paisagens da série são idênticas às que vejo todos os dias”, disse Maria Fernanda Cortés, designer industrial de 34 anos que mora em Guachaca, uma pequena cidade na costa caribenha. “As árvores, o calor intenso, os rios verdes cristalinos e os mares azuis. Isso me fez sentir como se morasse em Macondo.”

Cortés disse que, tal como o romance, a série televisiva teve sucesso porque reflectiu a realidade da Colômbia – um país onde a superstição abunda, a guerra sem sentido parece perene e a beleza natural excede a imaginação.

“É algo que só as pessoas daqui entendem porque vivemos em um lugar onde muitas vezes acontecem coisas inexplicáveis ​​que beiram o mágico”, disse ela.



Leia Mais: The Guardian

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Ufac realiza formatura de alunos do CAp pela 1ª vez no campus-sede — Universidade Federal do Acre

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Ufac realiza formatura de alunos do CAp pela 1ª vez no campus-sede — Universidade Federal do Acre

A Ufac realizou a cerimônia de certificação dos estudantes concluintes do ensino médio do Colégio de Aplicação (CAp), referente ao ano letivo de 2025. Pela primeira vez, a solenidade ocorreu no campus-sede, na noite dessa quinta-feira, 29, no Teatro Universitário, e marcou o encerramento de uma etapa da formação educacional de jovens que agora seguem rumo a novos desafios acadêmicos e profissionais.

A entrada da turma Nexus, formada pelos concluintes do 3º ano, foi acompanhada pela reitora Guida Aquino; pelo diretor do CAp, Cleilton França dos Santos; pela vice-diretora e patronesse da turma, Alessandra Lima Peres de Oliveira; pelo paraninfo, Gilberto Francisco Alves de Melo; pelos homenageados: professores Floripes Silva Rebouças e Dionatas Ulises de Oliveira Meneguetti; além da inspetora homenageada Suzana dos Santos Cabral.

Guida destacou a importância do momento para os estudantes, suas famílias e toda a comunidade escolar. Ela parabenizou os formandos pela conquista e reconheceu o papel essencial dos professores, da equipe pedagógica e dos familiares ao longo da caminhada. “Tenho certeza de que esses jovens seguem preparados para os próximos desafios, levando consigo os valores da educação pública, do conhecimento e da cidadania. Que este seja apenas o início de uma trajetória repleta de conquistas. A Ufac continua de portas abertas e aguarda vocês.”

Durante o ato simbólico da colocação do capelo, os concluintes reafirmaram os valores que orientaram sua trajetória escolar. Em nome da turma, a estudante Isabelly Bevilaqua Rodrigues fez o discurso de oradora.

A cerimônia seguiu com a entrega dos diplomas e as homenagens aos professores e profissionais da escola indicados pelos concluintes, encerrando a noite com o registro da foto oficial da turma.

 



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Especialização em Enfermagem Obstétrica tem aula inaugural — Universidade Federal do Acre

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Especialização em Enfermagem Obstétrica tem aula inaugural — Universidade Federal do Acre

O curso de especialização em Enfermagem Obstétrica teve sua aula inaugural nesta terça-feira, 27, na sala Pedro Martinello do Centro de Convenções, campus-sede da Ufac. O curso é promovido pela Universidade Federal de Minas Gerais, com financiamento do Ministério da Saúde, no âmbito da Rede Alyne; a Ufac é um dos 39 polos que sedia essa formação em nível nacional.

A especialização é presencial, com duração de 16 meses e carga horária de 720 horas; tem como objetivo a formação e qualificação de 21 enfermeiros que já atuam no cuidado à saúde da mulher, preparando-os para a atuação como enfermeiros obstetras. A maior parte dos profissionais participantes é oriunda do interior do Estado do Acre, com predominância da regional do Juruá.

“Isso representa um avanço estratégico para o fortalecimento da atenção obstétrica qualificada nas regiões mais afastadas da capital”, disse a coordenadora local do curso, professora Sheley Lima, que também ressaltou a relevância institucional e social da ação, que está alinhada às políticas nacionais de fortalecimento da atenção à saúde da mulher e de redução da morbimortalidade materna.

A aula inaugural foi ministrada pela professora Ruth Silva Lima da Costa, com o tema “Gravidez na Adolescência e Near Miss Neonatal na Região Norte: Dados da Pesquisa Nascer no Brasil 2”. Ela é doutora em Ciências da Saúde pela Fiocruz, enfermeira da Ufac e docente da Uninorte.

 



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Calendário 2026 do Acre: Veja o calendário do Governo e Judiciário que vai ditar o ritmo do ano

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Foto de capa [internet]

Clique aqui para baixar o calendário estadual completo: Decreto 11.809, Calendário 2026 Acre, ed. 14.173-B, de 22.12.2025

Há quem organize a vida por metas, há quem organize por boletos… e existe um grupo que planeja o ano inteiro por uma régua silenciosa, porém poderosa: o calendário oficial. Desde início de janeiro, essa régua ganhou forma no Acre com dois instrumentos que, na prática, definem como o Estado vai pulsar em 2026 — entre atendimentos, plantões, prazos, audiências e aquele respiro estratégico entre uma data e outra.

De um lado, o Governo do Estado publicou o Decreto nº 11.809, de 22 de dezembro de 2025, fixando feriados e pontos facultativos de 2026 para os órgãos do Poder Executivo, do dia 1º de janeiro ao último dia do ano, com a ressalva de que serviços essenciais não podem parar.

Do outro, o Tribunal de Justiça do Acre respondeu com a sua própria cartografia do tempo: a Portaria nº 6569/2025, que institui o calendário do Poder Judiciário acreano para 2026, preservando o funcionamento em regime de plantão sempre que não houver expediente. O texto aparece no DJe (edição nº 7.925) e também em versão integral, como documento administrativo autônomo.

Clique aqui para baixar o calendário forense completo: DJE – Portaria 6.5692025, edição 7.925, 22.12.2025

O “mapa do descanso” tem regras — e tem exceções

No calendário do Executivo, as datas nacionais aparecem como pilares já conhecidos (como Confraternização Universal, Tiradentes, Dia do Trabalho, Independência, Natal), mas o decreto também reforça a identidade local com feriados estaduais e pontos facultativos típicos do Acre.

Chamam atenção duas engrenagens que costumam passar despercebidas fora da rotina pública:

  1. ponto facultativo não é sinônimo de folga garantida — a chefia pode convocar para expediente normal por necessidade do serviço;
  2. quando o servidor é convocado nesses dias, o decreto prevê dispensa de compensação para quem cumprir horário no ponto facultativo.

No Judiciário, a lógica é parecida no objetivo (manter o Estado funcionando), mas diferente na mecânica. A Portaria do TJAC prevê expressamente que, havendo necessidade, pode haver convocação em regime de plantão, respeitando-se o direito à compensação de horas, conforme regramento administrativo interno.

Quando o município faz aniversário, a Justiça muda o passo

O “calendário do fórum” também conversa com o mapa das cidades. A Portaria prevê que, em feriado municipal por aniversário do município, não haverá expediente normal nas comarcas correspondentes — apenas plantão. E, quando o município declara ponto facultativo local, a regra traz até prazo de comunicação no interior: pelo menos 72 horas de antecedência para informar se haverá adesão.

É o tipo de detalhe que não vira manchete — mas vira realidade para quem depende de balcão, distribuição, atendimento e rotina de cartório.

Um ano que já começa “com cara de planejamento”

Logo na largada, o Executivo lista 1º de janeiro como feriado nacional e já prevê, para 2 de janeiro, ponto facultativo (por decreto específico citado no anexo). Também aparecem o Carnaval e a Quarta-feira de Cinzas como pontos facultativos, desenhando, desde cedo, o recorte de semanas que tendem a ser mais curtas e mais estratégicas.

No Judiciário, a Portaria organiza o mesmo período com olhar forense — e, além de datas comuns ao calendário civil, agrega as rotinas próprias do Poder Judiciário, preservando a prestação jurisdicional via plantões e regras de compensação.

Rio Branco também entra no compasso de 2026

Para além do calendário estadual e do Judiciário, a capital também oficializou seu próprio “mapa do tempo”: o Prefeito de Rio Branco editou o Decreto Municipal nº 3.452, de 30/12/2025, estabelecendo os feriados e pontos facultativos de 2026 para os órgãos e entidades do Poder Executivo Municipal, com referência expressa ao calendário do Estado.

Na prática, a cidade reforça o mesmo recado institucional: serviços essenciais não param, funcionando por escala ou plantão, e os gestores ficam autorizados a convocar servidores em dias de ponto facultativo, sem exigência de compensação para quem cumprir expediente. No anexo, aparecem datas que impactam diretamente a rotina da população, como o Carnaval (16 a 18/02, ponto facultativo), o Dia do Servidor Público (28/10, ponto facultativo) e o Aniversário de Rio Branco (28/12, feriado municipal) — fechando o ano com a véspera de Ano Novo (31/12, ponto facultativo).

Clique aqui para baixar o calendário municipal completo: DOE, edição 3.452, de 30.12.2025 – Calendário Prefeitura de Rio Branco-AC

Por que isso importa 

O calendário oficial é mais do que uma lista de “dias marcados”: ele é o roteiro do funcionamento do Estado. Para o cidadão, significa previsibilidade; para advogados e jurisdicionados, significa atenção ao modo como cada órgão funcionará em datas críticas; para gestores, significa logística e escala; e para o próprio Acre, significa um desenho institucional que equilibra tradição, trabalho e continuidade.

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