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Cid Gomes está insatisfeito com acúmulo de poder no PT do Ceará

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O senador Cid Gomes (PSB) sinaliza rompimento com o grupo político dominado pelo PT no Ceará e deve deixar a base do governador do estado, Elmano de Freitas (PT). O motivo seria o que o senador considera como acúmulo de poder do partido no estado — a legenda detém governador, prefeito eleito de Fortaleza – Evandro Leitão – e quer ficar também com a presidência da Assembleia Legislativa (Alece).

A informação veio à tona no último final de semana, e a porta-voz foi Lia Gomes (PDT), irmã de Cid e deputada estadual. Em entrevista ao jornal local Diário do Nordeste, a parlamentar afirmou que ele não estava mais se sentindo parte do grupo de Freitas, que é comandado pelo ministro da Educação e ex-governador do Ceará Camilo Santana (PT).

De acordo com Lia, o próprio Cid se encontrou com o governador cearense e disse a ele que estava se sentindo escanteado porque acha que existe uma concentração de decisão nas mãos das pessoas do PT. “O Cid vinha sentindo que não era mais chamado para participar nas decisões sobre as posições políticas do grupo do ministro Camilo e do governador ”, afirmou a deputada estadual ao jornal.

O descontentamento de Cid Gomes com o grupo de Santana, do qual Freitas faz parte, não é de agora. Desde a crise do PDT em 2022, que levou ao racha entre Cid e Ciro e à ida dele ao PSB, uma rusga permaneceu na relação entre Cid e o PT do Ceará, mesmo ele tendo aceitado apoiar a candidatura de Freitas. Nas eleições municipais deste ano, isso ficou ainda mais evidente: ele apoiou a candidatura de Evandro Leitão (PT) à prefeitura de Fortaleza, mas ficou de fora das decisões políticas.

A gota d’água, no entanto, foi o aval que Freitas deu ao nome do deputado Fernando Santana (PT) à presidência da Alece. Ele é irmão da mulher de Camilo Santana. Nem Cid, nem o PSB e nenhum dos outros partidos do grupo teriam sido convidados para debater o tema.

De acordo com um pedetista ouvido pela Gazeta do Povo, que pediu para não ser identificado, o desejo do senador era que o cargo fosse ocupado por algum dos deputados do PDT fiéis a ele, mas que não conseguiram, por questões judiciais, segui-lo ao PSB. “A hegemonia do PT incomoda. Eles já têm o governo, a prefeitura e querem também ficar com a presidência da Assembleia”, resumiu Lia Gomes, também ao Diário do Nordeste. Ela esclareceu, no entanto, que a posição era “pessoal”, e não do partido.

Cid Gomes diz que não há decisão tomada

Depois de todo o “bafafá” causado pela declaração de Lia Gomes, Cid tentou pôr panos quentes e pediu para não atribuírem a ele “palavras dos outros”. O senador participou de reunião do PSB realizada na última terça-feira (19) para tratar do assunto. Na saída, falou brevemente com jornalistas e disse que ainda não há decisão.

“Decisão é decisão e, quando se decide, se comunica. Não há ainda essa comunicação. Acho que qualquer ação na vida deve ser feita de forma sempre ouvindo o coração, colocando a cabeça como o grande regrador da sua fala e das suas decisões. Se está em curso isso, vamos ter paciência, mas tem ritos que têm que ser cumpridos. Não é razoável que a gente comunique uma coisa sem que algumas prévias possam ter acontecido. Como as prévias não aconteceram todas, não pode haver comunicação”, disse ele quando questionado se estava deixando a base aliada do governador do Ceará.

A declaração foi concedida depois do esforço do presidente do PSB no Ceará, Eudoro Santana — pai do ministro da Educação — para que Cid não arrastasse seus aliados para fora da base petista e para fora do partido. O senador ajudou a legenda a subir de oito para 65 prefeituras no estado e a se tornar a maior em quantidade de gestões municipais no Ceará.

Ao final da reunião, Eudoro rebateu qualquer rumor de que Cid deixaria o PSB. “Ele não vai sair do partido. Tem problemas com alguns dos partidos, e sempre terá, porque o poder é assim, a política é muito dinâmica. Estamos pedindo uma reflexão porque não podemos perder no Ceará a contribuição pessoal de um senador da envergadura e qualidade do Cid, que foi governador duas vezes, foi prefeito de uma cidade importante”, disse ao Diário do Nordeste.

Na segunda-feira, Eudoro havia afirmado em entrevista à rádio O Povo CBN que recebeu uma ligação de Gomes logo após a conversa dele com Freitas. “Ele explicou que falou em nome pessoal e não do partido. Eu entendi, prestei minha solidariedade a ele pessoalmente, até porque o partido, para tomar posição, tem que ser coletivo”.

PT concentra decisões e não consulta partidos do grupo

Ainda em entrevista à rádio local, Eudoro confirmou a insatisfação com a escolha de Fernando Santana para a presidência da Assembleia Legislativa do estado, com a ressalva de que a decisão não partiu do ministro da Educação. “Não foi o Camilo que escolheu nem quem indicou. Ele tem até outra visão sobre isso e concorda que isso tem de ser avaliado”, disse então.

“Acho que a presidência (da Alece) é algo que deve ter muita opinião dos próprios deputados. Sei como isso se dá, fui deputado quatro vezes. Lógico que (a opinião) do governador é importante. Se o candidato é do campo do governo, ele tem de estar relacionado, mas a decisão é dos deputados. Acho que muitos outros nomes poderiam ser examinados”, pontuou Eudoro.

“Se a gente quer avançar no Ceará, a gente tem de ter humildade de recuar, avaliar, analisar, tanto de um lado quanto do outro”, acrescentou ele, que avalia também que Cid tem sido deixado de lado pelo PT.

Eudoro Santana citou a campanha de 2024 como exemplo. “Esse problema não é do nome ou da situação, é consequência de problemas que vêm acontecendo desde a candidatura do Evandro (Leitão) a prefeito, tivemos muitos problemas. O Cid foi descartado desde o início e são problemas que vêm sendo discutidos”, afirmou.

O ministro da Educação também se manifestou publicamente e negou rompimento com o político. “Cid é um grande amigo, parceiro de projeto e de luta, e é meu candidato ao Senado em 2026. Não só pela gratidão que tenho a ele, mas pelo o que ele representa pelo Ceará”, disse Camilo Santana.

Petistas evitam falar abertamente sobre o assunto. Aqueles que falam minimizam mal-estar com Cid Gomes. Do outro lado, aliados do senador evocam que a insatisfação dele com o grupo estava “mais do que evidente”.

Um deles, que conversou com a reportagem da Gazeta do Povo, disse em tom irônico que, se ele não souber costurar bem essa ferida, pode perder a preferência na busca pela reeleição ao Senado em 2026. “E quem fica feliz com isso? O Eunício (Oliveira), é claro”, afirmou.

História de Cid Gomes com o PT é antiga

A aliança de Cid Gomes com o PT começou no município de Sobral, em 1996, quando ele era presidente da Alece e foi eleito para a prefeitura da cidade, então pelo PSDB. Em 2006, ele foi alçado a governador do Ceará pelo PSB, e a aliança com o PT permanecia firme. Desde então, trocou de partido algumas vezes, mas permaneceu como um dos principais articuladores políticos do grupo político que comanda o Ceará há mais de duas décadas.

Cid Gomes governou o Ceará entre 2007 e 2014. Na época, Camilo Santana era um dos mais fiéis aliados, tendo ocupado os cargos de secretário de Desenvolvimento Agrário e de Cidades, e foi indicado para a sucessão.

O petista exerceu dois mandatos com alta aprovação dos cearenses e, em 2022, foi eleito com folga para uma cadeira do Senado. Atualmente, está licenciado para ocupar o cargo de ministro no governo Lula (PT).

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Curso de Medicina Veterinária da Ufac promove 4ª edição do Universo VET — Universidade Federal do Acre

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Curso de Medicina Veterinária da Ufac promove 4ª edição do Universo VET — Universidade Federal do Acre

As escolas da rede municipal realizam visitas guiadas aos espaços temáticos montados especialmente para o evento. A programação inclui dois planetários, salas ambientadas, mostras de esqueletos de animais, estudos de células, exposição de animais de fazenda, jogos educativos e outras atividades voltadas à popularização da ciência.

A pró-reitora de Inovação e Tecnologia, Almecina Balbino, acompanhou o evento. “O Universo VET evidencia três pilares fundamentais: pesquisa, que é a base do que fazemos; extensão, que leva o conhecimento para além dos muros da Ufac; e inovação, essencial para o avanço das áreas científicas”, afirmou. “Tecnologias como robótica e inteligência artificial mostram como a inovação transforma nossa capacidade de pesquisa e ensino.”

A coordenadora do Universo VET, professora Tamyres Izarelly, destacou o caráter formativo e extensionista da iniciativa. “Estamos na quarta edição e conseguimos atender à comunidade interna e externa, que está bastante engajada no projeto”, afirmou. “Todo o curso de Medicina Veterinária participa, além de colaboradores da Química, Engenharia Elétrica e outras áreas que abraçaram o projeto para complementá-lo.”

Ela também reforçou o compromisso da universidade com a democratização do conhecimento. “Nosso objetivo é proporcionar um dia diferente, com aprendizado, diversão, jogos e experiências que muitos estudantes não têm a oportunidade de vivenciar em sala de aula”, disse. “A extensão é um dos pilares da universidade, e é ela que move nossas ações aqui.”

A programação do Universo VET segue ao longo do dia, com atividades interativas para estudantes e visitantes.

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



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Doutorandos da Ufac elaboram plano de prevenção a incêndios no PZ — Universidade Federal do Acre

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Doutorandos da Ufac elaboram plano de prevenção a incêndios no PZ — Universidade Federal do Acre

Doutorandos do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia Legal (Rede Bionorte) apresentaram, na última quarta-feira, 19, propostas para o primeiro Plano de Prevenção e Ações de Combate a Incêndios voltado ao campus sede e ao Parque Zoobotânico da Universidade Federal do Acre (Ufac). A atividade foi realizada na sala ambiente do PZ, como resultado da disciplina “Fundamentos de Geoinformação e Representação Gráfica para a Análise Ambiental”, ministrada pelo professor Rodrigo Serrano.

A ação marca a primeira iniciativa formalizada voltada à proteção do maior fragmento urbano de floresta em Rio Branco. As propostas foram desenvolvidas com o apoio de servidores do PZ e utilizaram ferramentas como o QGIS, mapas mentais e dados de campo.

Entre os produtos apresentados estão o Mapa de Risco de Fogo, com análise de vegetação, áreas urbanas e tráfego humano, e o Mapa de Rotas e Pontos de Água, com trilhas de evacuação e açudes úteis no combate ao fogo.

Os estudos sugerem a criação de um Plano Permanente com ações como: Parcerias com o Corpo de Bombeiros; Definição de rotas de fuga e acessos de emergência; Manutenção de aceiros e sinalização; Instalação de hidrantes ou reservatórios móveis; Monitoramento por drones; Formação de brigada voluntária e contratação de brigadistas em período de estiagem.

O Parque Zoobotânico abriga 345 espécies florestais e 402 de fauna silvestre. As medidas visam garantir a segurança da área, que integra o patrimônio ambiental da universidade.

“É importante registrar essa iniciativa acadêmica voltada à proteção do Campus Sede e do PZ”, disse Harley Araújo da Silva, coordenador do Parque Zoobotânico. Ele destacou “a sensibilidade do professor Rodrigo Serrano ao propor o desenvolvimento do trabalho em uma área da própria universidade, permitindo que os doutorandos apliquem conhecimentos técnicos de forma concreta e contribuam diretamente para a gestão e segurança” do espaço.

Participaram da atividade os doutorandos Alessandro, Francisco Bezerra, Moisés, Norma, Daniela Silva Tamwing Aguilar, David Pedroza Guimarães, Luana Alencar de Lima, Richarlly da Costa Silva e Rodrigo da Gama de Santana. A equipe contou com apoio dos servidores Nilson Alves Brilhante, Plínio Carlos Mitoso e Francisco Félix Amaral.

 



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Ufac sedia 10ª edição do Seminário de Integração do PGEDA — Universidade Federal do Acre

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Ufac sedia 10ª edição do Seminário de Integração do PGEDA — Universidade Federal do Acre

A Rede Educanorte é composta por universidades da região amazônica que ofertam doutorado em Educação de forma consorciada. A proposta é formar pesquisadores capazes de compreender e enfrentar os desafios educacionais da Amazônia, fortalecendo a pós-graduação na região.

Coordenadora geral da Rede Educanorte, a professora Fátima Matos, da Universidade Federal do Pará (UFPA), destacou que o seminário tem como objetivo avaliar as atividades realizadas no semestre e planejar os próximos passos. “A cada semestre, realizamos o seminário em um dos polos do programa. Aqui em Rio Branco, estamos conhecendo de perto a dinâmica do polo da Ufac, aproximando a gestão da Rede da reitoria local e permitindo que professores, coordenadores e alunos compartilhem experiências”, explicou. Para ela, cada edição contribui para consolidar o programa. “É uma forma de dizer à sociedade que temos um doutorado potente em Educação. Cada visita fortalece os polos e amplia o impacto do programa em nossas cidades e na região Norte.”

Durante a cerimônia, o professor Mark Clark Assen de Carvalho, coordenador do polo Rio Branco, reforçou o papel da Ufac na Rede. “Em 2022, nos credenciamos com sete docentes e passamos a ser um polo. Hoje somos dez professores, sendo dois do Campus Floresta, e temos 27 doutorandos em andamento e mais 13 aprovados no edital de 2025. Isso representa um avanço importante na qualificação de pesquisadores da região”, afirmou.

Mark Clark explicou ainda que o seminário é um espaço estratégico. “Esse encontro é uma prática da Rede, realizado semestralmente, para avaliação das atividades e planejamento do que será desenvolvido no próximo quadriênio. A nossa expectativa é ampliar o conceito na Avaliação Quadrienal da Capes, pois esse modelo de doutorado em rede é único no país e tem impacto relevante na formação docente da região norte”, pontuou.

Representando a reitora Guida Aquino, o diretor de pós-graduação da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg), Lisandro Juno Soares, destacou o compromisso institucional com os programas em rede. “A Ufac tem se esforçado para estruturar tanto seus programas próprios quanto os consorciados. O Educanorte mostra que é possível, mesmo com limitações orçamentárias, fortalecer a pós-graduação, utilizando estratégias como captação de recursos por emendas parlamentares e parcerias com agências de fomento”, disse.

Lisandro também ressaltou os impactos sociais do programa. “Esses doutores e doutoras retornam às suas comunidades, fortalecem redes de ensino e inspiram novas gerações a seguir na pesquisa. É uma formação que também gera impacto social e econômico.”

A coordenadora regional da Rede Educanorte, professora Ney Cristina Monteiro, da Universidade Federal do Pará (UFPA), lembrou o esforço coletivo na criação do programa e reforçou o protagonismo da região norte. “O PGEDA é hoje o maior programa de pós-graduação da UFPA em número de docentes e discentes. Desde 2020, já formamos mais de 100 doutores. É um orgulho fazer parte dessa rede, que nasceu de uma mobilização conjunta das universidades amazônicas e que precisa ser fortalecida com melhores condições de funcionamento”, afirmou.

Participou também da mesa de abertura o vice-reitor da Ufac, Josimar Batista Ferreira.



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