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Como a desaceleração do desmatamento na Amazônia melhorou a saúde do Brasil – DW – 23/11/2024

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Árvores e florestas são frequentemente descritos como os pulmões da Terra devido ao seu importante papel na remoção de poluentes como o dióxido de carbono do meio ambiente.

Novas pesquisas da Universidade de Bonn, na Alemanha, e da Universidade Federal de Minas Gerais, em Brasil analisou os resultados regionais de saúde após medidas de conservação na Amazônia.

A pesquisa constatou que essas medidas levaram à redução da taxa de hospitalização e mortalidade por problemas de saúde respiratórios na população regional.

O impacto positivo na saúde das pessoas foi creditado à redução dos incêndios florestais. As medidas de conservação reduziram as concentrações de partículas finas no ar – um dos principais vectores dos efeitos adversos do fumo dos incêndios para a saúde.

“A relação entre o surto de incêndio e a fumaça viajando para algum lugar e as pessoas que a inalam e depois contraem problemas de saúde é bastante direta”, disse o principal autor do estudo, Yannic Damm, pesquisador da Universidade de Bonn.

Menos incêndios florestais causaram menos mortes e hospitalizações

Os incêndios florestais na Amazônia são um tema persistente na agenda ambiental da América Latina. 2024 viu o Brasil piores incêndios florestais em 14 anos.

Do outro lado da fronteira com a Bolívia, o desmatamento foi parcialmente responsabilizado incêndios que queimaram um recorde de 10 milhões de hectares (24 milhões de acres).

Os pesquisadores queriam entender qual o impacto desmatamento mudanças nas políticas podem ter sobre os resultados de saúde no Amazônia.

Incêndios devastadores cobrem a América do Sul de fumaça

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Eles calcularam primeiro se os incêndios e a poluição atmosférica diminuíram depois da introdução de políticas em 2007 e 2009 para impedir que os comerciantes comprassem produtos de soja e gado cultivados em terras desmatadas.

O estudo investigou uma zona de 100 quilômetros (60 milhas) ao redor da fronteira do bioma Amazônia entre os estados do Maranhão, Tocantins, Pará, Mato Grosso e Rondônia.

Foi observada uma redução dos incêndios florestais nos anos após a introdução destas políticas. Isso resultou em quedas consideráveis ​​nas concentrações de gases poluentes como monóxido de carbono, dióxido de nitrogênio e enxofre.

Os pesquisadores então compararam as hospitalizações por uma série de doenças associadas à poluição do ar com as hospitalizações após a redução de incêndios e leituras de partículas.

Na região Amazónica, estimaram que a melhoria dos resultados de conservação levou a uma diminuição de cerca de 18.000 hospitalizações e a menos 680 mortes por ano devido a problemas de saúde relacionados com o fumo e o fogo.

Para verificar suas estimativas, os pesquisadores compararam essas ingestões com as de infecções sexualmente transmissíveis (que não deve ser influenciado pelas taxas de incêndio) e descobriu que estas permaneceram estáveis ​​no mesmo período de tempo.

Incêndios e saúde

As florestas tropicais desmatadas podem resultar em condições mais quentes e secas que deixam as regiões mais propensas a incêndios florestais mais quentes e intensos – quer de causas naturais quer humanas.

A fumaça dos incêndios florestais – e a poluição do ar em geral – contém partículas finas, às vezes chamadas de PM2,5, misturadas com um coquetel de gases tóxicos.

PM2,5 são partículas menores que 2,5 micrômetros; isso é menor que uma pequena célula bacteriana. PM10 maiores são 10 – ligeiramente maiores que um glóbulo vermelho.

O seu tamanho é tal que são facilmente absorvidos pela corrente sanguínea através dos pulmões, levando a potenciais problemas de saúde a curto e longo prazo.

A exposição à fumaça pode agravar condições como asma e reduzir a função pulmonar. Os problemas crónicos emergentes da exposição prolongada podem incluir um aumento na taxa de doenças cardíacas e respiratórias.

Foto aérea da queima da floresta amazônica em abril de 2024.
Foto aérea da queima da floresta amazônica em abril de 2024.Imagem: Adriano Machado/REUTERS

Riscos do desmatamento

Embora os incêndios florestais e os resultados para a saúde respiratória sejam mais prováveis ​​em áreas afectadas pela desflorestação, a prática do abate de árvores também pode aumentar a probabilidade de doenças transmissíveis.

Isso ocorre porque o desmatamento reduz o habitat de outras plantas e animais, o que pode colocá-los em contato mais próximo com os humanos.

Isto torna-se problemático quando os animais se tornam reservatórios de doenças causadas por vírus, bactérias ou parasitas.

“Quando você desmata uma área, isso nem sempre está associado a um aumento de doenças infecciosas, mas em muitos casos pode levar à disseminação de patógenos da vida selvagem para as pessoas e seus animais domésticos”, disse Nicole Lynn Gottdenker, ecologista de doenças da Universidade. da Geórgia, nos Estados Unidos.

Quando a remoção de habitat se traduz em mudanças nas comunidades ecológicas, pode ser mais fácil para os animais “reservatórios” entrarem em contacto com os humanos.

Vários estudos descobriram que a transmissão da malária na Amazônia está ligada ao desmatamento. Um estudo descobriu que um aumento de 1% na derrubada mensal de árvores na Amazônia estava associado a um Aumento de 6,3% nos casos de malária.

A perda florestal também pode impactar diretamente os seres humanos e torná-los mais vulneráveis ​​a patógenos.

“Muitas vezes, as pessoas ficam deslocadas e marginalizadas e são muitas vezes as mais atingidas por esses patógenos e pela transmissão de doenças infecciosas”, disse Gottdenker.

Estudos descobriram que políticas destinadas a reduzir o desmatamento e a perda de habitat podem diminuir as chances de eventos de repercussão zoonóticaque incluem o Vírus SARS-CoV-2 (a causa do COVID-19) e MPox.

Editado por: Fred Schwaller

Fontes:

Damm, et al., Benefícios para a saúde da redução do desmatamento na Amazônia brasileira. Ambiente Comunitário da Terra 5693 (2024).https://doi.org/10.1038/s43247-024-01840-7

Arisco et al., Mudança ecológica aumenta o risco de malária na Amazônia brasileira, Proc. Nacional. Acad. Ciência. EUA 121 (44) e2409583121, (2024).https://doi.org/10.1073/pnas.2409583121 (2024)

Salvando os gigantes: florestas antigas protegendo o clima

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Ufac conquista 3º lugar em hackathon internacional promovido por laboratório de Harvard — Universidade Federal do Acre

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Estudantes da Universidade Federal do Acre (Ufac) participaram, nos dias 10 e 11 de abril, do HSIL Hackathon 2026, promovido pelo Health Systems Innovation Lab da Harvard T.H. Chan School of Public Health. A participação da equipe ocorreu no Hub de Inovação do Hospital das Clínicas de São Paulo, o InovaHC, em uma edição realizada simultaneamente em mais de 30 países. O grupo conquistou o 3º lugar geral entre mais de 30 equipes com o projeto Viginutri, solução voltada à prevenção da desnutrição hospitalar.

A equipe foi liderada pela acadêmica de Medicina da Ufac Maria Júlia Bonelli Pedralino e contou com a participação de Guilherme Félix, do curso de Sistemas de Informação, Bruno Eduardo e Wesly, do curso de Medicina. Segundo Maria Júlia, representar o Acre e a Ufac em um evento dessa dimensão foi uma experiência marcante para sua trajetória acadêmica e pessoal. “O Acre tem muito a dizer nos espaços onde o futuro da saúde está sendo construído”, afirmou.

O projeto premiado, Viginutri, foi desenvolvido durante o hackathon em São Paulo e propõe uma solução para auxiliar no enfrentamento da desnutrição hospitalar, problema que pode afetar o prognóstico de pacientes internados e gerar impactos para a gestão hospitalar. A proposta une medicina e nutrição e será aperfeiçoada a partir da premiação recebida pela equipe.

Com a classificação, o grupo garantiu uma aceleração de um ano pela Associação Brasileira de Startups de Saúde, com mentoria especializada e a perspectiva de validar a solução em um hospital real. De acordo com Maria Júlia, a conquista abre a possibilidade de levar uma ideia desenvolvida por estudantes da Ufac para uma etapa de aplicação prática.

A estudante também ressaltou o apoio recebido da Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia da Universidade Federal do Acre (Proint) e da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proex). Segundo ela, a conquista só foi possível porque a universidade acreditou no projeto e ofereceu as condições necessárias para que o grupo representasse a instituição fora do Acre. “Essa conquista não teria sido possível sem o apoio da Proint e Proex”, disse.

A trajetória do grupo teve início em um hackathon realizado anteriormente no Acre, onde surgiu o projeto Sentinelas da Amazônia, experiência que contribuiu para a formação da equipe e para o interesse dos estudantes em iniciativas de inovação.

Como desdobramento da participação no evento, a equipe deve promover, no dia 12 de junho, às 10h30, no Sebrae Lab, no Centro de Convivência, uma roda de conversa sobre a experiência no hackathon, com o objetivo de incentivar outros acadêmicos a buscarem pesquisa, inovação e desenvolvimento de ideias no ambiente universitário.



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Ufac realiza curso de turismo de base comunitária para extrativistas em parceria com MMA e ICMBio — Universidade Federal do Acre

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A Universidade Federal do Acre (Ufac), por meio do Parque Zoobotânico (PZ), realizou, de 12 a 14 de maio de 2026, o Curso Turismo de Base Comunitária em Unidades de Conservação, na sala ambiente do PZ, no campus sede, em Rio Branco. A formação reuniu 14 comunitários da Reserva Extrativista Chico Mendes, Resex Arapixi e Floresta Nacional do Purus, com foco no fortalecimento dos territórios tradicionais, nas referências culturais e na criação de roteiros turísticos de base comunitária.

A coordenadora estadual do Projeto Esperançar Chico Mendes, professora e pesquisadora da Ufac/PZ, Andréa Alexandre, destacou que as reservas extrativistas, criadas há mais de três décadas na Amazônia, têm como desafio conciliar o bem-estar das famílias que vivem nas florestas com a conservação dos recursos naturais. Segundo ela, o turismo de base comunitária se apresenta como uma alternativa econômica para que as famílias extrativistas possam cumprir a função das reservas. “O curso de extensão apresenta ferramentas para que essas famílias façam gestão do turismo como um negócio, sem caráter privado, nem por gestão pública, mas com um controle que seja da comunidade”, afirmou.

O curso integra as ações do Projeto Esperançar Chico Mendes, desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente, por meio da Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais, em parceria com a Ufac, Parque Zoobotânico e instituições parceiras. A formação foi ministrada por Ana Carolina Barradas, do ICMBio Brasília; Fádia Rebouças, coordenadora nacional do Projeto Esperançar-SNPCT/MMA; e Leide Aquino, coordenadora regional do Conselho Nacional das Populações Extrativistas.

Durante a formação, os participantes tiveram acesso a ferramentas voltadas à gestão do turismo em seus territórios, com abordagem sobre elaboração de roteiros, recepção de visitantes e valorização da cultura extrativista. A proposta é que a atividade turística seja conduzida pelas próprias comunidades, a partir de suas referências, histórias, modos de vida e relação com a floresta.

A liderança do Grupo Mulheres Guerreiras, da comunidade Montiqueira, no ramal do Katianã, Francisca Nalva Araújo, afirmou que o curso leva conhecimento para a comunidade e abre possibilidades de trabalho coletivo com turismo de base comunitária. Segundo ela, o grupo reúne aproximadamente 50 mulheres, envolvidas em atividades com idosas, jovens e adultos, além de ações de artesanato, crochê e corte-costura. “Agora, aprofundando os conhecimentos para trabalhar com turismo tende a trazer melhorias coletivas”, disse.

A artesã Iranilce Lanes avaliou o projeto como inovador por ser desenvolvido junto às pessoas das próprias comunidades. Para ela, a construção feita a partir do território fortalece a participação dos moradores e amplia as possibilidades de resultado. A jovem Maria Letícia Cruz, moradora da comunidade Sacado, na Resex em Assis Brasil, também destacou a importância da experiência para levar novos aprendizados à sua comunidade.

O curso foi realizado no âmbito do Projeto Esperançar Chico Mendes, que tem a Reserva Extrativista Chico Mendes como referência de museu do território tradicional e busca fortalecer ações voltadas às populações extrativistas, à valorização cultural e à gestão comunitária de alternativas econômicas nas unidades de conservação.



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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

O Projeto Legal (Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal) da Ufac realizou, na última sexta-feira, 15, no Centro de Educação Permanente (Cedup) de Brasiléia, o seminário “Agroextrativismo e Cooperativismo no Alto Acre: Desafios e Perspectivas”. A programação reuniu representantes de cooperativas, instituições públicas das esferas federal, estadual e municipal, pesquisadores, produtores rurais da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes e lideranças comunitárias para discutir estratégias e soluções voltadas ao fortalecimento da economia local e da produção sustentável na região.

A iniciativa atua na criação de espaços de diálogo entre o poder público e as organizações comunitárias, com foco no desenvolvimento sustentável e no fortalecimento da agricultura familiar. Ao longo do encontro, os participantes debateram os principais desafios enfrentados pelas famílias e cooperados que atuam nas cadeias do agroextrativismo, com ênfase em eixos fundamentais como acesso a financiamento, logística, assistência técnica, processamento, comercialização, gestão e organização social das cooperativas.

Coordenado pela professora Luci Teston, o seminário foi promovido pela Ufac em parceria com o Sistema OCB/Sescoop-AC. Os organizadores e parceiros destacaram a relevância do cooperativismo como instrumento de transformação social e econômica para o Alto Acre, ressaltando a importância de pactuar soluções concretas que unam a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida das famílias extrativistas à preservação florestal. Ao final, foram definidos encaminhamentos estratégicos para valorizar o potencial produtivo da região por meio da cooperação.

O evento contou com a presença de mais de 30 representantes de diversos segmentos, incluindo o subcoordenador do projeto no Acre, professor Orlando Sabino da Costa; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), Ronald Polanco; o secretário municipal de Agricultura de Brasiléia, Gesiel Moreira Lopes; e o presidente da Coopercentral Cooperacre, José Rodrigues de Araújo.

 



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