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Como a IA influencia as campanhas eleitorais – DW – 13/10/2024
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Um vídeo mostra um homem loiro de olhos azuis e camisa branca verificando seu boletim de voto. Outra cena do mesmo vídeo mostra um grupo de mulheres veladas andando pela rua. Este vídeo foi publicado na conta X do partido de extrema direita AfD no estado de Brandemburgo, no leste da Alemanha, antes das eleições estaduais. Um vídeo semelhante foi visto cerca de 900.000 vezes.
Esses vídeos tentam apelar às nossas emoções, mostrando um futuro assustador e oferecendo soluções simples. Nenhum conteúdo é real – os vídeos foram criados com a ajuda de inteligência artificial (IA).
Este conteúdo pode ser produzido rapidamente – e é barato e fácil. Em comparação com outros vídeos de IA mais elaborados, é muito fácil perceber que esses vídeos são falsos. Mas se for esse o caso, por que eles foram criados? Verificação de fatos DW investigou esse fenômeno dos chamados softfakes.
Comparado com deepfakes que imitam vozes, gestos e movimentos tão bem que podem ser confundidos com os reais, esses softfakes não tentam esconder que são gerados por computador.
‘Softfakes’ em campanhas eleitorais políticas
Esses softfakes são cada vez mais usados em campanhas eleitorais políticas. O então principal candidato da AfD às eleições europeias, Maximiliano Krahpostou toneladas de imagens de IA em sua conta TikTok.
Os rostos não naturais são uma revelação mortal – nenhuma das pessoas mostradas lá é real.
França também viu partidos políticos criarem imagens de IA antes das eleições presidenciais e da UE com o objetivo de despertar emoções (exemplos aqui, aqui, aqui, aqui,aqui e aqui).
Um estudo que analisou contas de mídia social de todos os partidos franceses durante as campanhas eleitorais descobriu que os partidos de extrema direita eram particularmente propensos a usar tais softfakes. Nem uma única imagem foi rotulada como gerada por IA, embora tenha sido isso que todas as partes concordaram em um acordo. Código de Conduta à frente do Parlamento Europeu eleições.
Eles deveriam “abster-se de produzir, usar ou disseminar conteúdo enganoso”. O conteúdo gerado pela IA é explicitamente mencionado no código de conduta. Ainda assim, partidos como The Patriots, National Rally e Reconquete utilizaram amplamente esse tipo de conteúdo.
Esses tipos de imagens também apareceram antes do Eleições presidenciais dos EUA em 2024. Ex-presidente dos EUA Donald Trump postado uma foto de uma mulher que deveria retratar o vice-presidente dos EUA Kamala Harris dirigindo-se a um grupo de pessoas uniformizadas de estilo comunista – uma estratégia para afirmar que Harris era comunista de coração.
O problema desse tipo de conteúdo vai além da desinformação e da distribuição de notícias falsas. Cria realidades alternativas. Versões artificiais da realidade são retratadas como sendo mais reais do que a própria realidade.
O que influencia nossa percepção?
Mas aceitamos vídeos e imagens claramente gerados por IA de uma realidade alternativa como realidade simplesmente por causa da enorme massa de conteúdo?
Na década de 1970, os cientistas começaram a investigar as reações das pessoas a robôs que pareciam e agiam quase humanos. O Engenheiro de robótica japonês Masahiro Mori cunhou o termo “vale misterioso.” Quanto mais os robôs se parecessem com os humanos, mais assustador seria.
“Na verdade, ficamos mais desconfortáveis porque notamos uma desconexão entre o que pensamos que é e o que está diante de nós”, disse Nicholas David Bowman, editor-chefe do Journal of Media Psychology e professor associado da Newhouse School of Public Communications. na Universidade de Syracuse, disse à DW.
“Isso nos deixa desconfortáveis, porque não conseguimos nos reconciliar. Sentimos essa estranheza porque sabemos que é errado.”
Verificação de fatos: como identificar vídeos de IA de Sora
O que acontece quando as imagens geradas pela IA passam pelo vale misterioso e não as achamos mais assustadoras?
“Assim que passarmos pelo efeito do vale misterioso, nem saberemos disso. Provavelmente não saberemos a diferença”, disse ele.
Mas ainda não chegamos lá. “As pessoas têm essas reações instintivas quando veem um vídeo. Este é o nosso melhor detector para saber se algo é gerado por IA ou é real”, disse ele.
Fica complicado se as pessoas tentarem ignorar esse pressentimento, porque querem acreditar que a falsificação é real, disse ele. “As pessoas podem desligar isso – Não estou tentando detectar porque já concordo com as crenças e isso está alinhado com o que quero ver”, acrescentou Bowman. “Se você é um partidário, de extrema esquerda ou de extrema direita, e vê conteúdo que não é real, você simplesmente não se importa porque concorda com o conteúdo.”
A influência da IA representa um risco para o nosso ambiente de informação
O uso de deepfakes e softfakes em campanhas eleitorais está aumentando. Isso também é algo que Philip Howard notou. Ele é cofundador e presidente do Painel Internacional sobre o Ambiente da Informação (IPIE), uma organização global independente dedicada a fornecer conhecimento científico sobre ameaças ao nosso cenário informacional.
Por um estudo recente eles alcançaram mais de 400 pesquisadores de mais de 60 países. Mais de dois terços acreditam que vídeos, vozes, imagens e textos gerados por IA tiveram um impacto negativo no ambiente de informação global. Mais de metade acredita que estas tecnologias terão um impacto negativo nos próximos cinco anos.
“Acho que deveríamos ter ultrapassado o ponto da auto-regulação da indústria”, disse Howard à DW.
“Agora, as empresas de IA estão se auditando. Estão avaliando seus próprios trabalhos de casa”, acrescentou.
Mas isso, diz ele, não é suficiente devido à falta de escrutínio independente.
“Se conseguirmos que os reguladores pressionem por auditorias independentes para que investigadores independentes, jornalistas e académicos possam olhar para os bastidores, então penso que podemos mudar a situação”.
Este artigo foi publicado originalmente em alemão.
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Ufac conquista 3º lugar em hackathon internacional promovido por laboratório de Harvard — Universidade Federal do Acre
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22 de maio de 2026Estudantes da Universidade Federal do Acre (Ufac) participaram, nos dias 10 e 11 de abril, do HSIL Hackathon 2026, promovido pelo Health Systems Innovation Lab da Harvard T.H. Chan School of Public Health. A participação da equipe ocorreu no Hub de Inovação do Hospital das Clínicas de São Paulo, o InovaHC, em uma edição realizada simultaneamente em mais de 30 países. O grupo conquistou o 3º lugar geral entre mais de 30 equipes com o projeto Viginutri, solução voltada à prevenção da desnutrição hospitalar.
A equipe foi liderada pela acadêmica de Medicina da Ufac Maria Júlia Bonelli Pedralino e contou com a participação de Guilherme Félix, do curso de Sistemas de Informação, Bruno Eduardo e Wesly, do curso de Medicina. Segundo Maria Júlia, representar o Acre e a Ufac em um evento dessa dimensão foi uma experiência marcante para sua trajetória acadêmica e pessoal. “O Acre tem muito a dizer nos espaços onde o futuro da saúde está sendo construído”, afirmou.
O projeto premiado, Viginutri, foi desenvolvido durante o hackathon em São Paulo e propõe uma solução para auxiliar no enfrentamento da desnutrição hospitalar, problema que pode afetar o prognóstico de pacientes internados e gerar impactos para a gestão hospitalar. A proposta une medicina e nutrição e será aperfeiçoada a partir da premiação recebida pela equipe.
Com a classificação, o grupo garantiu uma aceleração de um ano pela Associação Brasileira de Startups de Saúde, com mentoria especializada e a perspectiva de validar a solução em um hospital real. De acordo com Maria Júlia, a conquista abre a possibilidade de levar uma ideia desenvolvida por estudantes da Ufac para uma etapa de aplicação prática.
A estudante também ressaltou o apoio recebido da Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia da Universidade Federal do Acre (Proint) e da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proex). Segundo ela, a conquista só foi possível porque a universidade acreditou no projeto e ofereceu as condições necessárias para que o grupo representasse a instituição fora do Acre. “Essa conquista não teria sido possível sem o apoio da Proint e Proex”, disse.
A trajetória do grupo teve início em um hackathon realizado anteriormente no Acre, onde surgiu o projeto Sentinelas da Amazônia, experiência que contribuiu para a formação da equipe e para o interesse dos estudantes em iniciativas de inovação.
Como desdobramento da participação no evento, a equipe deve promover, no dia 12 de junho, às 10h30, no Sebrae Lab, no Centro de Convivência, uma roda de conversa sobre a experiência no hackathon, com o objetivo de incentivar outros acadêmicos a buscarem pesquisa, inovação e desenvolvimento de ideias no ambiente universitário.
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Ufac realiza curso de turismo de base comunitária para extrativistas em parceria com MMA e ICMBio — Universidade Federal do Acre
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21 de maio de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac), por meio do Parque Zoobotânico (PZ), realizou, de 12 a 14 de maio de 2026, o Curso Turismo de Base Comunitária em Unidades de Conservação, na sala ambiente do PZ, no campus sede, em Rio Branco. A formação reuniu 14 comunitários da Reserva Extrativista Chico Mendes, Resex Arapixi e Floresta Nacional do Purus, com foco no fortalecimento dos territórios tradicionais, nas referências culturais e na criação de roteiros turísticos de base comunitária.
A coordenadora estadual do Projeto Esperançar Chico Mendes, professora e pesquisadora da Ufac/PZ, Andréa Alexandre, destacou que as reservas extrativistas, criadas há mais de três décadas na Amazônia, têm como desafio conciliar o bem-estar das famílias que vivem nas florestas com a conservação dos recursos naturais. Segundo ela, o turismo de base comunitária se apresenta como uma alternativa econômica para que as famílias extrativistas possam cumprir a função das reservas. “O curso de extensão apresenta ferramentas para que essas famílias façam gestão do turismo como um negócio, sem caráter privado, nem por gestão pública, mas com um controle que seja da comunidade”, afirmou.
O curso integra as ações do Projeto Esperançar Chico Mendes, desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente, por meio da Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais, em parceria com a Ufac, Parque Zoobotânico e instituições parceiras. A formação foi ministrada por Ana Carolina Barradas, do ICMBio Brasília; Fádia Rebouças, coordenadora nacional do Projeto Esperançar-SNPCT/MMA; e Leide Aquino, coordenadora regional do Conselho Nacional das Populações Extrativistas.
Durante a formação, os participantes tiveram acesso a ferramentas voltadas à gestão do turismo em seus territórios, com abordagem sobre elaboração de roteiros, recepção de visitantes e valorização da cultura extrativista. A proposta é que a atividade turística seja conduzida pelas próprias comunidades, a partir de suas referências, histórias, modos de vida e relação com a floresta.
A liderança do Grupo Mulheres Guerreiras, da comunidade Montiqueira, no ramal do Katianã, Francisca Nalva Araújo, afirmou que o curso leva conhecimento para a comunidade e abre possibilidades de trabalho coletivo com turismo de base comunitária. Segundo ela, o grupo reúne aproximadamente 50 mulheres, envolvidas em atividades com idosas, jovens e adultos, além de ações de artesanato, crochê e corte-costura. “Agora, aprofundando os conhecimentos para trabalhar com turismo tende a trazer melhorias coletivas”, disse.
A artesã Iranilce Lanes avaliou o projeto como inovador por ser desenvolvido junto às pessoas das próprias comunidades. Para ela, a construção feita a partir do território fortalece a participação dos moradores e amplia as possibilidades de resultado. A jovem Maria Letícia Cruz, moradora da comunidade Sacado, na Resex em Assis Brasil, também destacou a importância da experiência para levar novos aprendizados à sua comunidade.
O curso foi realizado no âmbito do Projeto Esperançar Chico Mendes, que tem a Reserva Extrativista Chico Mendes como referência de museu do território tradicional e busca fortalecer ações voltadas às populações extrativistas, à valorização cultural e à gestão comunitária de alternativas econômicas nas unidades de conservação.
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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre
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19 de maio de 2026O Projeto Legal (Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal) da Ufac realizou, na última sexta-feira, 15, no Centro de Educação Permanente (Cedup) de Brasiléia, o seminário “Agroextrativismo e Cooperativismo no Alto Acre: Desafios e Perspectivas”. A programação reuniu representantes de cooperativas, instituições públicas das esferas federal, estadual e municipal, pesquisadores, produtores rurais da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes e lideranças comunitárias para discutir estratégias e soluções voltadas ao fortalecimento da economia local e da produção sustentável na região.
A iniciativa atua na criação de espaços de diálogo entre o poder público e as organizações comunitárias, com foco no desenvolvimento sustentável e no fortalecimento da agricultura familiar. Ao longo do encontro, os participantes debateram os principais desafios enfrentados pelas famílias e cooperados que atuam nas cadeias do agroextrativismo, com ênfase em eixos fundamentais como acesso a financiamento, logística, assistência técnica, processamento, comercialização, gestão e organização social das cooperativas.
Coordenado pela professora Luci Teston, o seminário foi promovido pela Ufac em parceria com o Sistema OCB/Sescoop-AC. Os organizadores e parceiros destacaram a relevância do cooperativismo como instrumento de transformação social e econômica para o Alto Acre, ressaltando a importância de pactuar soluções concretas que unam a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida das famílias extrativistas à preservação florestal. Ao final, foram definidos encaminhamentos estratégicos para valorizar o potencial produtivo da região por meio da cooperação.
O evento contou com a presença de mais de 30 representantes de diversos segmentos, incluindo o subcoordenador do projeto no Acre, professor Orlando Sabino da Costa; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), Ronald Polanco; o secretário municipal de Agricultura de Brasiléia, Gesiel Moreira Lopes; e o presidente da Coopercentral Cooperacre, José Rodrigues de Araújo.
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