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Costa Rica foi de destino turístico a paraíso do tráfico – 17/10/2024 – Mundo

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Maria Abi-Habib

Antes de Christian Puchi sair para o trabalho na floresta tropical, ele se certificou de que seu facão estava preso ao quadril e DE que seus colegas guardas florestais estavam cobertos de repelente de mosquitos. Eles pularam em seu barco e navegaram entre multidões de turistas na água.

Os turistas seguravam binóculos, esperando avistar as famosas tartarugas da Costa Rica. Puchi e seus homens apenas esperavam voltar ilesos.

Eles conseguem lidar com sapos peçonhentos, cobras venenosas e crocodilos. Mas, com poucos funcionários e equipamentos inadequados, eles não são páreo para a ameaça mais perigosa que agora se esconde nos parques nacionais: os violentos cartéis de drogas.

“Costumávamos focar a conservação, encontrar pegadas de onça, ninhos de tartaruga, coisas normais. Agora, áreas protegidas como esta se tornaram depósitos de drogas”, disse Puchi, 49, guarda florestal há mais de 20 anos.

A Costa Rica, frequentemente considerada um dos destinos mais idílicos da região, escapou por muito tempo do flagelo dos cartéis que afeta a região. Seu lema nacional, “vida pura”, atraiu por décadas recém-casados, praticantes de retiros de ioga e entusiastas de observação de pássaros.

Mas agora, as exuberantes florestas que cobrem um quarto da Costa Rica estão sendo infiltradas por cartéis de drogas em busca de novas rotas de tráfico para evitar as autoridades.

A Costa Rica ultrapassou o México para se tornar o principal ponto de transbordo de cocaína destinada aos Estados Unidos, à Europa e a outros lugares em 2020, de acordo com o Departamento de Estado americano. O México voltou ao topo no ano passado, mas a Costa Rica permanece logo atrás.

E, com o aumento do tráfico de drogas, uma onda de violência atingiu o país. Os homicídios na Costa Rica aumentaram 53% de 2020 a 2023, de acordo com dados do governo. O mesmo está acontecendo em países caribenhos próximos, com o aumento das taxas de homicídios como resultado de gangues competindo por mercados de drogas, disse a ONU em 2023.

Na Costa Rica, as escolas estão se tornando cenas de crime, com pais baleados ao deixarem seus filhos. Sacolas plásticas cheias de membros decepados foram descobertas em parques. Um paciente foi recentemente morto a tiros dentro de um hospital por membros de uma gangue rival.

Gangues locais lutam pelo controle de rotas dentro do país, uma competição de ganância e crueldade para se tornarem a força local dos grupos criminosos mexicanos rivais que operam aqui, principalmente os cartéis de Sinaloa e Jalisco Nova Geração.

“Costumava haver um limite aqui, as pessoas não eram mortas indiscriminadamente”, disse Mario Zamora Cordero, ministro da Segurança Pública da Costa Rica, em uma entrevista. “O que estamos testemunhando nunca vimos antes. É a mexicanização da violência, para provocar terror e pânico.”

‘Sem poder para fazer nada’

A operação de tráfico das gangues é bastante direta. O Clã do Golfo, principal cartel de tráfico de drogas da Colômbia, transporta cocaína pelo Pacífico em submarinos rudimentares até as costas cobertas de florestas da Costa Rica, de acordo com autoridades dos EUA e da Costa Rica.

Os traficantes então contam com densos emaranhados de manguezais entrelaçados com canais de rio e florestas tropicais como uma porta de entrada para o país. Cerca de 70% de todas as drogas que entram na Costa Rica entram pela costa do Pacífico, de acordo com a guarda costeira do país.

Grande parte da cocaína é então transportada por terra por grupos locais que trabalham com cartéis mexicanos para um porto na costa leste do país, onde é embalada em exportações de frutas destinadas ao exterior.

A Costa Rica apreendeu 21 toneladas de cocaína no ano passado, embora Zamora tenha dito que centenas de toneladas passam pelo país anualmente sem serem detectadas.

Não é apenas a cocaína que preocupa as autoridades costa-riquenhas. O fentanil também está começando a se infiltrar. Em novembro, o primeiro laboratório de fentanil da Costa Rica foi encontrado e desmantelado pela polícia local em colaboração com a Agência de Combate a Drogas dos EUA (DEA). Muitos dos comprimidos de fentanil confiscados estavam destinados a EUA e Europa, de acordo com um comunicado dos EUA da embaixada em San José, a capital, obtido pelo The New York Times.

“A Costa Rica é um alvo principal para cartéis em busca de novos mercados para o fentanil”, dizia a nota, marcada como sensível e enviada a Washington no ano passado. As organizações estão determinadas a “transformar a Costa Rica em um novo centro”.

Rob Alter, diretor do Escritório de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei da Embaixada dos EUA, disse que a Costa Rica permanecia “um parceiro forte e duradouro dos EUA apesar de enfrentar desafios significativos de segurança devido ao tráfico internacional de drogas, como muitos países da região”.

A Costa Rica é o único país da América Latina sem um Exército. Então Zamora, o ministro da Segurança Pública, está pressionando para expandir a força policial nacional, que conta com cerca de 15 mil homens para uma população de 5,2 milhões. (O vizinho Panamá tem uma força de 29 mil para 4,4 milhões de pessoas). Seu ministério finalmente recebeu um aumento de 12% no orçamento em 2024 após cortes nos cinco anos anteriores.

Mas o epicentro dessa guerra às drogas são os parques nacionais, onde preguiças caem das árvores, onças vagam e araras fazem círculos no céu. Os cartéis enfrentam pouca resistência.

Apenas cerca de 300 guardas florestais são responsáveis por patrulhar 1,3 milhão de hectares de floresta protegida. Eles estão equipados com armas mais adequadas para caçar pequenos animais do que para enfrentar as metralhadoras automáticas e granadas lançadas por foguete empunhadas pelos traficantes. E os guardas florestais não têm autoridade para efetuar prisões.

Os desafios que enfrentam são amplos. O centro populacional mais próximo fica a cerca de uma hora de barco. O serviço telefônico é fraco ou inexistente. Em uma visita recente, o único celular da equipe —para o qual as pessoas ligam para relatar atividades suspeitas— foi apoiado em uma pilha de toras, na esperança de captar um sinal.

À noite, os guardas florestais são acordados por aviões e helicópteros voando baixo e pousando ilegalmente na floresta várias vezes por mês. “Não temos poder para fazer nada a respeito”, disse Miguel Aguilar Badilla, que lidera uma equipe que patrulha 31 mil hectares no Parque Nacional Tortuguero.

‘O México já não é o mais importante’

Cerca de 65 km ao sul do parque está o porto de Moín na cidade de Limón. Como o maior porto da Costa Rica, ele ajudou o país a atender a uma demanda crescente por abacaxis e bananas dos Estados Unidos e da Europa —destinos-chave de exportação de cocaína.

Como resultado das possibilidades lucrativas do porto, a violência explodiu em Limón, à medida que gangues locais aliadas aos cartéis mexicanos competem por território. A cidade agora tem as maiores taxas de violência do país. O porto de Moín foi inaugurado em 2019. Apenas um ano depois, a Costa Rica se tornou o maior ponto de transbordo de cocaína do mundo.

Cartéis mexicanos e colombianos agora usam armazéns de frutas em Limón para estocar suas drogas, como fachadas para enviar contêineres de cocaína para o exterior e para lavar seu dinheiro por meio de fazendas agrícolas, disseram autoridades costa-riquenhas.

As frutas podem ser danificadas facilmente, e a verificação para segurança é trabalhosa; portanto, elas devem ser transportadas rapidamente antes de estragarem, colocando pressão nos portos para movimentar os embarques com agilidade.

“O mundo é um quebra-cabeça logístico, e os narcos são especialistas em logística”, disse Zamora. E os traficantes sempre parecem estar um passo à frente.

Autoridades costa-riquenhas descobriram recentemente que os grupos criminosos estavam empregando mergulhadores para soldar cascos subaquáticos nos fundos de navios que poderiam transportar até 1,5 tonelada de cocaína. As autoridades também descobriram que traficantes locais estavam contrabandeando garrafas de refrigerante cheias de cocaína convertida em forma líquida para Europa e Oriente Médio.

Randall Zuñiga, diretor do Departamento de Investigação Judicial, equivalente ao FBI da Costa Rica, disse que a descoberta da cocaína líquida assustou as autoridades, sinalizando a crescente sofisticação dos traficantes do país.

“Os narcos costumavam se concentrar em levar drogas até o México para entrar nos EUA“, disse Zuñiga. “Mas o México não é mais o jogador mais importante, porque a Costa Rica é uma ponte para a Europa, que agora está inundada de cocaína.”

‘Temos que nos adaptar’

Durante uma recente operação conjunta combinando guardas florestais da Costa Rica e polícia de fronteira, os oficiais vestiram coletes à prova de balas, coletes salva-vidas por cima. Seus barcos —doados pelos Estados Unidos— cortaram as águas calmas de um canal de rio enquanto vasculhavam os manguezais em busca de qualquer sinal de atividade suspeita.

Enquanto os capitães desligavam os motores para atracar, os oficiais pularam do convés, suas botas afundando rapidamente em um metro de lama espessa. Os homens murcharam na umidade, que os envolveu em um grosso cobertor de calor tropical enquanto patrulhavam a floresta.

É a primeira operação conjunta em que os guardas florestais do país, supervisionados pelo Ministério do Meio Ambiente e Energia, estão trabalhando com a polícia, compartilhando seu conhecimento do terreno complicado.

“É uma relação nascida da necessidade”, disse Franz Tattenbach, ministro do Meio ambiente e Energia, em uma entrevista. “A ameaça mudou, e temos que nos adaptar.”



Leia Mais: Folha

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Alunos da Ufac se apresentam em congresso sobre socioeconomia rural — Universidade Federal do Acre

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Quatro estudantes de graduação da Ufac representaram a instituição no 64º Congresso da Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural (Sober, na sigla em inglês), ocorrido na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, de 19 a 23 de julho, com o tema “Políticas para Natureza, Alimentação e Nutrição em Tempos de Incerteza e Mudanças Climáticas”.

Os trabalhos, desenvolvidos no âmbito dos grupos de pesquisa Estudos em Economia, Finanças, Política e Segurança Alimentar e Nutricional (Elos) e Governança Fundiária, Desenvolvimento Econômico e Políticas Públicas (GPD), contaram com a coautoria e orientação dos professores e coordenadores dos grupos, Graziela Gomes Bezerra, Elyson Ferreira de Souza e Gisele Elaine de Araújo Batista Souza.

Cultivo do cacaueiro

O aluno de Sistemas de Informação, Guilherme Félix Cavalcante, apresentou, na quarta-feira, 22, o trabalho “Cacauicultura na Região Norte: Análise do Desempenho Produtivo, Dinâmica Comercial e Sustentabilidade”. O estudo aborda a cacauicultura e oferece uma análise do desempenho produtivo, da dinâmica comercial e dos aspectos de sustentabilidade, fornecendo dados para o desenvolvimento rural, territorial e regional, além de subsidiar práticas mais sustentáveis para a cadeia produtiva do cacau.

“A participação no evento é um marco significativo em minha formação acadêmica”, disse Guilherme. “Dissemina os resultados da minha pesquisa e fomenta o desenvolvimento de habilidades de comunicação, pensamento crítico e construção de uma rede de contatos profissionais.”

Bananicultura no Acre

A aluna de Ciências Econômicas, Maria Eduarda Souza Diniz, apresentou, na quarta-feira, 22, o trabalho “Desenvolvimento Produtivo e Dinâmica da Bananicultura no Acre: Uma Análise da Produção e dos Mercados (1994-2024)”, o qual analisa a evolução da bananicultura no Acre durante três décadas, contribuindo para o entendimento das transformações produtivas e comerciais desse setor, além de fornecer subsídios para o fomento de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento rural, territorial e regional.

“O congresso proporciona um ambiente de aprendizado e troca de experiências com outros pesquisadores e profissionais da área”, contou Maria Eduarda. “Isso enriquece minha formação e contribui para consolidação da Ufac como um polo de produção científica de excelência.”

Mulheres na gestão

A aluna de Ciências Econômicas, Riely Nilce de Melo Avilar, apresentou, na terça-feira, 21, o trabalho “Mulheres na Gestão de Propriedades Rurais na Amazônia Legal”. A pesquisa trata da atuação feminina no desenvolvimento regional e contribui para o debate sobre agricultura familiar, ruralidades e relações de gênero no meio rural, oferecendo perspectivas para promoção da equidade e do desenvolvimento sustentável na região. Esse estudo teve, ainda, coautoria de Raiza Gabriele Lima dos Santos.

“Apresentar um trabalho num congresso de relevância nacional, como o da Sober, e para uma audiência especializada é fundamental para minha formação profissional e promoção de intercâmbios”, pontuou Riely.

Milho e inflação

O aluno de Ciências Econômicas, Rogério Gonçalves Bezerra Junior, apresentou, na segunda-feira, 20, o trabalho “Análise da Inflação na Cadeia Produtiva do Milho: Evidências a Partir de Dados de Produção”, com o qual investigou como fatores econômicos afetam a produção do milho e o custo de vida, servindo como base para formuladores de políticas públicas e agentes do mercado.

“Além de projetar a pesquisa desenvolvida na Ufac para um público qualificado, tive a oportunidade de uma experiência inestimável de intercâmbio científico”, comentou Rogério. “Também destaco a discussão de ideias, o recebimento de feedback e a mobilização de contatos.”

 



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Ufac lança Plano de Acessibilidade da Infraestrutura Física (2026-2029) — Universidade Federal do Acre

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Ufac lança seu Plano de Acessibilidade da Infraestrutura Física-interna.jpg

A Ufac lançou seu Plano de Acessibilidade da Infraestrutura Física (2026-2029). A solenidade ocorreu na sexta-feira, 17, no auditório Pedro Martinello, no Centro de Convenções, campus-sede. A iniciativa integra o projeto “Ufac em Ação: Acessibilidade, Inclusão e Segurança” e busca orientar as ações destinadas à construção de uma universidade mais acessível, inclusiva e segura.

A reitora Guida Aquino destacou que a instituição já realizou melhorias de acessibilidade, mas ainda precisa avançar e buscar recursos para executar as ações previstas no plano. “Nós temos que buscar agora investimento para que possamos acolher nossos estudantes; a universidade não existe sem aluno.” Segundo ela, essas iniciativas devem atender também os servidores que necessitam de condições adequadas de acessibilidade.

O coordenador do projeto e prefeito do campus-sede, Artheson Cruz, explicou que o crescimento da infraestrutura física da Ufac ocorreu em diferentes períodos, com edificações construídas de acordo com normas distintas. Essa situação, para ele, resultou na existência de espaços acessíveis que não estão completamente conectados entre si.

“Você entra em um prédio que tem acessibilidade e, quando sai daquele local, já se depara com uma situação de ausência da acessibilidade”, disse e ressaltou que o aumento do número de pessoas com deficiência que ingressam na universidade exige a adequação dos espaços para garantir dignidade, autonomia, permanência e conclusão dos cursos.

O plano estabelece diretrizes para superar progressivamente os desafios de acessibilidade no campus-sede, no campus Floresta e nos núcleos da Ufac no Estado. Para a elaboração do documento, foram realizados levantamento técnico da infraestrutura e escuta qualificada com pessoas surdas, com deficiência visual e autistas.

A representante do Núcleo de Acessibilidade e Inclusão, Rayfa Almeida, destacou que a efetivação das medidas é fundamental para garantir o acesso e a permanência das pessoas com deficiência na universidade. “Esperamos que seja concretizado realmente, que seja efetivo para as pessoas com deficiência conseguirem finalizar seus cursos.”

 



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Parfor da Ufac em Santa Rosa do Purus lança livro de contos — Universidade Federal do Acre

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Parfor da Ufac em Santa Rosa do Purus lança livro de contos-interna.jpg

Estuantes do Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor), da Ufac em Santa Rosa do Purus (AC), no âmbito da disciplina Oficina Pedagógica: Leitura e Escrita na Escola, lançaram o livro “Tecendo Leituras: Contos e Caminhos para o Letramento Literário”. O evento ocorreu no sábado, 18, no município, reunindo professores, gestores, autoridades locais, familiares dos alunos e a representante do Parfor na ocasião, professora Grace Gotelip.

A obra foi organizada pela professora Emilly Ganum Areal e sua reprodução foi viabilizada com o apoio da Pró-Reitoria de Graduação (Prograd), por meio da Diretoria de Apoio à Interiorização e Programas Especiais (Dainpes). Segundo ela e os envolvidos no processo criativo, a iniciativa representa um marco para o Parfor da Ufac por resultar diretamente de uma disciplina do curso de graduação e reunir, pela primeira vez, textos literários de autores de Santa Rosa do Purus.

Além disso, agradeceram à Ufac, por meio da Prograd e da Dainpes, pelo apoio na concretização do projeto, o qual, para eles, deixa um legado no munícipio, incentiva a produção literária regional e reafirma o compromisso da universidade com a interiorização do ensino superior e com o desenvolvimento social através da educação.

 



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