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Crítica Morning and Evening de Jon Fosse – o que acontece quando morremos | Ficção

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Chris Power

HComo se deve escrever sobre a morte – não como é vivida por aqueles que apenas a testemunham, mas pelas pessoas que realmente morrem? Muitas tentativas foram feitas, mas alguns favoritos avançam. Em A Morte de Ivan IlitchLeo Tolstoy aterroriza a nós e ao seu magistrado homônimo com o “saco preto” no qual Ivan está sendo empurrado por “uma força invisível e invencível”. Em Tobias Wolff Bala no cérebroum crítico de livros é baleado por um assaltante de banco, desencadeando “uma cadeia crepitante de transporte de íons e neurotransmissão” que traz à tona uma memória aleatória de um jogo de beisebol na infância.

Will Self, em O Livro dos Mortos do Norte de Londres, olha além o momento do esquecimento, sugerindo que quando morrermos nos mudaremos para Crouch End ou Grays Thurrock. Em Imortalidade por Milão Kunderao “outro mundo” é um lugar onde Goethe, passeando, pode esbarrar em Hemingway. Depois que os dois homens passaram algum tempo discutindo os assuntos aparentemente judiciais da vida após a morte, Goethe lembra que está em um romance pós-moderno e comenta: “Você sabe perfeitamente bem que neste momento somos apenas a fantasia frívola de um romancista que nos permite dizer coisas que provavelmente nunca diríamos por conta própria.”

Jon Fosse, que no ano passado recebeu o prêmio Nobel de literaturafez tanto o momento da morte de Ivan Ilitch – “uma bola de luz azul atinge minha testa e explode” (não direi qual livro e personagem essa linha encerra) – e o que se segue. Sua novela Morning and Evening, que foi publicada na Noruega em 2000 e agora aparece pela primeira vez no Reino Unido, traduzida por Damion Searls, empurra e sonda o véu que paira entre este mundo e o próximo, e nos leva a uma tentadora distância além dele.

O tema é Johannes, cujo nascimento testemunhamos na abertura do livro. Na segunda parte, muito mais longa, voltamos a encontrá-lo como um homem velho, um pescador que vive quase sozinho numa comunidade insular. Sua esposa, Erna, está morta, assim como seu melhor amigo e vizinho, Peter. Johannes teve um relacionamento difícil com seu pai, Olai, e parece que os filhos de Johannes também tiveram dificuldades com ele. A única pessoa que ele vê regularmente é Signe, o segundo mais novo dos seus sete filhos.

O dia em que a maior parte do livro se passa é ao mesmo tempo igual e diferente de qualquer outro. Johannes fuma um cigarro, um pouco de pão e queijo, uma xícara de café; como costuma acontecer no trabalho de Fosse, sua prosa simples e altamente repetitiva nos sincroniza, com efeito hipnótico, no ritmo desgastado pelo tempo de um ritual diário. Mas o café não tem sabor e o cigarro não satisfaz como deveria. À medida que o dia passa, continua a oscilar entre a normalidade e a estranheza. As dores familiares de Johannes parecem ter desaparecido, e certos objetos em sua casa começaram a brilhar, “mas a estrada que leva ao cais ainda é o mesmo velho caminho coberto de mato de sempre, e os picos rochosos ao seu redor são os mesmos que sempre, e a urze é a mesma, e em casa esta manhã tudo estava como antes também, ele enrolou um cigarro como sempre e fez café e uma fatia de pão com um pouco de queijo marrom, tudo esta manhã foi como todas as manhãs anteriores” .

É possível, até certo ponto, ler Morning and Evening como o retrato de uma mente fracassada. Johannes duvida de suas faculdades ao ver seu amigo Peter, que deveria estar morto. Fosse extrai algum humor da sua falta de vontade de esclarecer as coisas: “perguntar algo assim a alguém é indecente, pensa Johannes”.

Fosse se converteu ao catolicismo em 2012 e sua obra-prima, Septologiaa sequência de sete romances que publicou entre 2019 e 2021, contém referências frequentes ao padre católico e místico do século XIV Meister Eckhart. Mas mesmo em livros onde as referências são menos explícitas, a sua escrita pode ser vista como possuindo um aspecto numinoso – “realismo místico” é um termo que ele usou para descrevê-la. Achei Manhã e Noite, que fica no final mais sobrenatural de sua obra, menos poderoso do que livros como Melancolia I e II, Aliss no Fogo e Septologia; ainda atraente e gratificante, mas não tão imersivo na forma como se move entre o presente e as camadas acumuladas do passado.

Este é um livro espiritual, mas a jornada de Johannes é misteriosa. A novela nunca é piedosa ou proselitista; a palavra céu não aparece. O mais próximo que Fosse chega do clichê é um halo dourado ocasional. Quando Johannes pergunta a Peter sobre o lugar para onde eles estão indo, seu amigo responde: “Não é bom nem ruim, mas é grande e calmo e vibra um pouco, e é brilhante, se eu tivesse que colocar em palavras, mas as palavras não dizem muito”. Definitivamente não é Crouch End, mas também não são nuvens e querubins. Um lugar além das palavras e, portanto, além do alcance deste livro.

Morning and Evening de Jon Fosse, traduzido por Damion Searls, é publicado pela Fitzcarraldo (£ 9,99). Para apoiar o Guardian e o Observador, encomende o seu exemplar em Guardianbookshop. com. Taxas de entrega podem ser aplicadas.



Leia Mais: The Guardian

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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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