ACRE
Dados e identidade: o Santo Graal da sociedade contemporânea – 04/03/2025 – Políticas e Justiça
PUBLICADO
1 ano atrásem
Desde o início do uso da internet mais transacional, no final dos anos 1990, se busca estabelecer um padrão único e universal de identidade digital forte no mundo, tanto para aumentar a confiança entre partes que se relacionam através de telas e interfaces, como para combater a prática de crimes.
Com o advento da inteligência artificial e da propagação de deepfakes (réplicas sintéticas de imagens ou sons humanos) essa busca se intensificou ainda mais. Contudo, na corrida pelo Santo Graal da sociedade contemporânea, os fins não podem justificar os meios.
Recentemente, a viralização do projeto Worldcoin, da Tools for Humanity, que pretende, por meio do registro da íris, criar uma prova única de autenticidade humana, acendeu um debate global, levantando críticas e preocupações.
No Brasil, onde já foram coletados milhares de dados em troca de recompensa financeira, a empresa é alvo de investigação pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que pede esclarecimentos sobre o tratamento dos dados biométricos capturados, ou seja, da íris, a partir da qual é gerado um identificador único.
Se de um lado a contraprestação em criptomoedas, o equivalente a cerca de R$ 700, não é vedada, é importante destacar que, por outro, a livre escolha do titular pode ser comprometida, principalmente em um país onde 27,4% da população vive abaixo da linha da pobreza e sete milhões de pessoas encontram-se desocupadas.
Apesar da preocupação com a contaminação do consentimento, o pano de fundo dessa discussão é o direito de propriedade sobre os dados.
Nesse sentido, o entendimento global se bifurca, dependendo do país e da cultura. Alguns, como os europeus e próprio Brasil, seguem uma corrente mais conservadora, em que o Estado intervém na proteção, coibindo excessos que possam colocar a vida ou a saúde de indivíduos em risco.
Do outro lado, há uma corrente mais neoliberal, observada em países como Estados Unidos, em que se estimula a autonomia da vontade e a liberdade de contrato entre as partes. Lógica que faz sentido, uma vez que titulares, sob o signo da Web2, já cedem seus dados, muitas vezes como moeda de troca para uso de serviços “ditos” gratuitos.
É claro que, ainda que a captura e a oferta econômica não sejam proibidas, as empresas engajadas nesta metodologia de coleta de dados biométricos, como a Tools for Humanity, precisam seguir as legislações de proteção e segurança em vigor ao redor do mundo. Afinal, todo cuidado e responsabilidade são necessários em se tratando de dados sensíveis. Por isso, é indispensável que o ganho econômico não distorça o consentimento e que indivíduos tenham pleno conhecimento sobre a finalidade da coleta de seus dados.
Dito isto, ficam duas provocações. A primeira, referente à propriedade dos dados, inequivocamente do titular, e os limites do Estado com relação à escolha individual, desde que, importante frisar, não seja maculada.
A segunda, é que o caso da Tools for Humanity não seja o primeiro e nem o único. Todas as entidades que fazem capturas biométricas, entre dispositivos, aplicativos e serviços, devem estar igualmente sujeitas às regras de proteção de dados e cibersegurança, demonstrando cumprimento legislativo, prestando contas às autoridades pertinentes e apresentando relatórios de impacto, salvaguardas e garantias.
Com isso, se esclarece que estamos, sim, na corrida do século por um padrão de verificação de identidade digital humana forte e universal, mas não em um vale-tudo.
O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço “Políticas e Justiça” da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Patricia Peck foi “Human” de Rag’n’Bone Man.
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Relacionado
VOCÊ PODE GOSTAR
ACRE
Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
1 semana atrásem
12 de março de 2026A Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia (Proint) da Ufac e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Acre (Sebrae-AC) realizam o Startup Day-2026, em 21 de março, das 8h às 12h, no espaço Sebrae-Lab, Centro de Convivência do campus-sede. O evento é dedicado à inovação e ao empreendedorismo, oferecendo oportunidades para transformar projetos em negócios de impacto real. As inscrições são gratuitas e estão abertas por meio online.
O Startup Day-2026 visa fortalecer o ecossistema, promover a troca de experiências, produzir e compartilhar conhecimento, gerar inovação e fomentar novos negócios. A programação conta com show de acolhimento e encerramento, apresentações, painel e palestra, além de atividades paralelas: carreta game do Hospital de Amor de Rio Branco, participação de startups de game em tempo real, oficina para crianças, exposição de grafiteiros e de projetos de pesquisadores da Ufac.
Relacionado
ACRE
A lógica de valor da Thryqenon (TRYQN) é apoiar a evolução da economia verde por meio de sua infraestrutura digital de energia
PUBLICADO
2 semanas atrásem
10 de março de 2026Com a aceleração da transição para uma economia de baixo carbono e a reestruturação do setor elétrico em diversos países, cresce a discussão sobre como a infraestrutura digital pode sustentar, no longo prazo, a evolução da economia verde. Nesse contexto, a plataforma de energia baseada em blockchain Thryqenon (TRYQN) vem ganhando atenção por propor uma estrutura integrada que combina negociação de energia, gestão de carbono e confiabilidade de dados.
A proposta da Thryqenon vai além da simples comercialização de energia renovável. Seu objetivo é construir uma base digital para geração distribuída, redução de emissões e uso colaborativo de energia. À medida que metas de neutralidade de carbono se tornam compromissos regulatórios, critérios como origem comprovada da energia, transparência nos registros e liquidação segura das transações deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos obrigatórios. A plataforma utiliza registro descentralizado em blockchain, correspondência horária de energia limpa e contratos inteligentes para viabilizar uma infraestrutura verificável e auditável.
A economia verde ainda enfrenta obstáculos importantes. Existe descompasso entre o local e o momento de geração da energia renovável e seu consumo final. A apuração de emissões costuma ocorrer de forma anual, dificultando monitoramento em tempo real. Além disso, a baixa rastreabilidade de dados limita a criação de incentivos eficientes no mercado. A Thryqenon busca enfrentar essas lacunas por meio de uma estrutura digital que integra coleta, validação e liquidação de informações energéticas.
Na arquitetura da plataforma, há conexão direta com medidores inteligentes, inversores solares e dispositivos de monitoramento, permitindo registro detalhado da geração e do consumo. Na camada de transações, o sistema possibilita verificação automatizada e liquidação hora a hora de energia e créditos de carbono, garantindo rastreabilidade. Já na integração do ecossistema, empresas, distribuidoras, comercializadoras e consumidores podem interagir por meio de interfaces abertas, promovendo coordenação entre diferentes agentes do setor elétrico.
O potencial de longo prazo da Thryqenon não está apenas no crescimento de usuários ou no volume de negociações, mas em sua capacidade de se posicionar como infraestrutura de suporte à governança energética e ao mercado de carbono. Com o avanço de normas baseadas em dados e reconhecimento internacional de créditos ambientais, plataformas transparentes e auditáveis tendem a ter papel relevante na transição energética e no financiamento sustentável.
Relacionado
ACRE
Bancos vermelhos na Ufac simbolizam luta contra feminicídio — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
2 semanas atrásem
9 de março de 2026A Ufac inaugurou a campanha internacional Banco Vermelho, símbolo de conscientização sobre o feminicídio. A ação integra iniciativas inspiradas na lei n.º 14.942/2024 e contempla a instalação, nos campi da instituição, de três bancos pintados de vermelho, que representa o sangue derramado pelas vítimas. A inauguração ocorreu nesta segunda-feira, 9, no hall da Reitoria.
São dois bancos no campus-sede (um no hall da Reitoria e outro no bloco Jorge Kalume), além de um no campus Floresta, em Cruzeiro do Sul. A reitora Guida Aquino destacou que a instalação dos bancos reforça o papel da universidade na promoção de campanhas e políticas de conscientização sobre a violência contra a mulher. “A violência não se caracteriza apenas em matar, também se caracteriza em gestos, em fala, em atitudes.”
A secretária de Estado da Mulher, Márdhia El-Shawwa, ressaltou a importância de a Ufac incorporar o debate sobre o feminicídio em seus espaços institucionais e defendeu a atuação conjunta entre universidade, governo e sociedade. Segundo ela, a violência contra a mulher não pode ser naturalizada e a conscientização precisa alcançar também a formação de crianças e adolescentes.
A inauguração do Banco Vermelho também ocorre no contexto da aprovação da resolução do Conselho Universitário n.º 266, de 21/01/2026, que institui normas para a efetividade da política de prevenção e combate ao assédio moral, sexual, discriminações e outras violências, principalmente no que se refere a mulheres, população negra, indígena, pessoas com deficiência e LGBTQIAPN+ no âmbito da Ufac em local físico ou virtual relacionado.
No campus Floresta, em Cruzeiro do Sul, a inauguração do Banco Vermelho contou com a participação da coordenadora do Centro de Referência Brasileiro da Mulher, Anequele Monteiro.

Participaram da solenidade, no campus-sede, a pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Filomena Maria Cruz; a pró-reitora de Graduação, Ednaceli Damasceno; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Margarida Carvalho; a coordenadora do projeto de extensão Infância Segura, Alcione Groff; o secretário de Estado de Saúde, Pedro Pascoal; a defensora pública e chefe do Núcleo de Promoção da Defesa dos Direitos Humanos da Mulher, Diversidade Sexual e Gênero da DPE-AC, Clara Rúbia Roque; e o chefe do Centro de Apoio Operacional de Proteção à Mulher do MP-AC, Victor Augusto Silva.
Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48
You must be logged in to post a comment Login