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‘De repente havia um carro cheio de homens’: o dia em que soldados israelenses atacaram um campo de refugiados | Cisjordânia

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Lorenzo Tondo in Balata refugee camp, Nablus, West Bank

Tambulância para em uma rua estreita no campo de refugiados palestinos de Balata, em Nablus, no Cisjordâniaaparentemente não é diferente de um dos muitos veículos de emergência que circulam na área todos os dias. Mas então cinco soldados israelitas armados emergem do veículo, participando num ataque que resulta na morte de dois civis, incluindo uma mulher de 80 anos, num incidente que o exército de Israel admitiu constituir “uma ofensa grave… (e) violação de ordens e procedimentos existentes”.

O Guardian revisou o vídeo capturado por uma câmera de vigilância, falado com testemunhas e um sobrevivente da operação militar, conduzida pelas FDI em 19 de dezembro de 2024, usando um veículo hospitalar com placas palestinas. Foi descrito por grupos de defesa dos direitos humanos como uma “violação flagrante” do direito humanitário internacional, que proíbe a utilização de veículos médicos para realizar ataques militares que resultem em ferimentos ou morte de pessoas.

Durante o ataque, os israelenses feriram gravemente Hussein Jamal Abnu Leil, 25 anos. Devido aos ferimentos sofridos nos ataques militares, Hussein foi submetido a uma cirurgia crítica na qual um rim e um baço foram removidos. Fotografia: Lorenzo Tondo/The Guardian

“Israel já não tenta esconder os seus crimes de guerra e está a agir como se as normas e regras do direito internacional não se aplicassem”, disse o proeminente grupo israelita de direitos humanos B’Tselem, que investigou o incidente.

Hussein Jamal Abnu Leil, 25 anos, mostrando os ferimentos sofridos durante o ataque ao campo de refugiados de Balata, em Nablus, depois de ter sido baleado por soldados israelenses. Fotografia: Lorenzo Tondo/The Guardian

Imagens de segurança de uma loja na estrada Al-Suq mostram soldados israelenses desembarcando de pelo menos dois veículos. Cinco militares descem de uma ambulância enquanto pelo menos outros cinco emergem do que parece ser uma van civil branca. Tiros parecem ser disparados e pedestres correm para salvar suas vidas.

Uma senhora idosa, que conversava à beira da estrada com um vizinho, cai no chão, ferida. Ela tenta levantar a mão em um pedido de ajuda, mas diz-se que em segundos, ela é mortalmente baleada com mais dois tiros de arma de assalto pelos soldados. O nome dela era Halimah Saleh Hassan Abu Leil, 80 anos.

“Eu estava segurando um saco de pão para levar para casa quando Halimah me parou na rua”, disse Rashida Abu Al Reesh, 73 anos, que pode ser visto no vídeo ao lado da vítima. “Ela estava prestes a me convidar para ir à casa dela. De repente, havia um carro cheio de homens que seguravam seus rifles. Eles começaram a atirar. A pobre Halimah caiu instantaneamente e eu corri para me esconder em qualquer lugar até escapar pela rua.”

Uma vista de um edifício em Nablus. Fotografia: Lorenzo Tondo/The Guardian

Ainda não está claro se as forças especiais israelenses, que saíram da ambulância, dispararam um dos últimos tiros que mataram a mulher. Segundo algumas testemunhas, abriram fogo contra civis, ferindo pelo menos seis. Fontes militares sugerem que a operação visava prender ou eliminar seis membros da milícia local Balata ligada aos combatentes da Fatah. No entanto, a missão aparentemente falhou, e nenhum dos alvos foi capturado ou morto. No entanto, dois residentes palestinos, Halimah, e Ahmad Qusai ‘Issa Sarouji, 25 anos, morreram no ataque.

O exército israelita admitiu que “durante a operação em Nablus, um veículo semelhante a uma ambulância foi utilizado para fins operacionais, sem autorização e sem a aprovação dos comandantes relevantes”.

“Foram recebidos relatórios sobre danos a civis durante as trocas de tiros e as circunstâncias do incidente estão sendo examinadas”, disse a IDF no comunicado. “O uso do veículo semelhante a uma ambulância durante a operação foi uma ofensa grave, excedendo a autoridade e uma violação das ordens e procedimentos existentes. O uso de meios civis e médicos para fins militares é proibido e qualquer desvio disso não reflete a conduta das FDI.”

Jamila Sarouji, 65 anos, mãe de Ahmad Qusai, morta por um soldado israelense durante o ataque em Nablus. Fotografia: Lorenzo Tondo/The Guardian

Como resultado da investigação, as IDF disseram que “o comandante da Unidade ‘Duvdevan’ foi repreendido pelo comandante do comando central, enquanto uma resposta disciplinar foi emitida ao comandante do pelotão pelo comandante da 98ª divisão. ”

“Este é um incidente específico que não reflete a natureza da unidade ou as suas muitas conquistas ao longo dos anos, e em particular durante a guerra”, acrescentou a IDF.

Segundo amigos e familiares de Ahmad Qusai, ele não era membro da milícia local, mas sim cabeleireiro. Testemunhas afirmam que ele foi morto por um dos atiradores israelenses que subiu ao telhado de um prédio no campo durante a operação.

“Acordamos de manhã com o som de tiros”, disse Jamila Sarouji, 65 anos, mãe de Ahmad Qusai, aos prantos. “Ainda estávamos tomando café da manhã. Sua tia gritava com ele: ‘Cuidado, Qusai! Não olhe para fora! E enquanto ela ainda o alertava, vimos seu sangue fluindo. Tentamos chamar a ambulância, mas em vão”

“Ele tinha apenas 25 anos, disse seu irmão Mohammed, 35. “Ele não tinha nenhuma ligação com nenhum grupo de resistência, era apenas um simples civil. Isto foi um crime. Os soldados israelenses não fazem distinção entre civis e pessoas armadas.”

Rashida Abu Al Reesh, 73 anos, estava ao lado de sua amiga Halimah Saleh Hassan Abu Leil, que morreu durante o ataque israelense. Fotografia: Lorenzo Tondo/The Guardian

Durante o ataque, os israelenses feriram gravemente outro residente, Hussein Jamal Abu Leil, 25 anos, sobrinho de Halimah. Devido aos ferimentos, Hussein foi submetido a uma cirurgia crítica na qual um rim e um baço foram removidos.

“Desci e fiquei na entrada do bairro e assim que parei senti como se tivesse levado um tiro”, diz Hussein. “Rastejei e entrei na loja do nosso vizinho. Entrei e sentei-me e então eles começaram a atirar no vidro de fora. Eu senti que ia morrer. Depois os militares israelitas entraram na loja – um deles tinha uma pistola. Tentei cobrir minha cabeça e ele se aproximou e me deu dois tiros no estômago. Me colocaram dentro do jipe ​​com eles, cobriram meu rosto com um avental de cozinha e tentaram me estrangular. Aí começaram a me bater, e na estrada, quando pedi água, me obrigaram a abrir a boca e cuspiram nela. Então me lembro que fui levado pela ambulância antes de desmaiar e perder a consciência.”

Estrada Al-Suq, uma das principais ruas do campo de refugiados de Balata, onde ocorreu o ataque em 19 de dezembro de 2024. Fotografia: Lorenzo Tondo/The Guardian

Hussein foi levado pelo exército para um hospital em Tel Aviv e dois dias depois recebeu alta e voltou para Nablus, onde passou cerca de 16 dias em um centro de saúde.

Uma testemunha, Mohammed Himmo, 35 anos, disse ao Guardian que os soldados começaram a disparar indiscriminadamente contra os transeuntes.

“Eu estava trabalhando na porta da padaria esfriando o pão até que uma ambulância passou logo atrás de nós”, diz Mohammed. “Ficamos chocados e não conseguimos perceber se aquilo era uma cena de filme ou realidade até que vi a senhora baleada e Hussein baleado. Em poucos segundos, começaram a atirar nas pessoas próximas, sem se importar com as mulheres, as crianças ou qualquer pessoa.”

Michael Sfard, um advogado israelense de direitos humanos e consultor jurídico da B’Tselem, diz que o princípio mais fundamental das leis internacionais de guerra é o princípio da distinção, que exige que os combatentes sempre distingam entre civis e combatentes.

Uma rua em Balata perto do local do ataque. Fotografia: Lorenzo Tondo/The Guardian

“Isso significa, entre outras coisas, uma obrigação por parte dos combatentes de se distinguirem dos civis, diz Sfard. “Uma força militar disfarçada de tripulação médica é uma violação do princípio da distinção e, portanto, uma violação do direito internacional”.

“Em certas circunstâncias, a utilização de um veículo que se pareça com uma ambulância civil por combatentes pode constituir um crime de guerra, como matar ou ferir traiçoeiramente indivíduos pertencentes à nação ou exército hostil”, acrescentou.

A violência na Cisjordânia aumentou em paralelo com a guerra na Gaza. Mais de 14.300 palestinos foram detidos pelo exército israelense na Cisjordânia desde outubro de 2023, segundo dados palestinos. De acordo com o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (Ocha), entre 7 de Outubro de 2023 e 21 de Outubro de 2024, 732 palestinianos foram mortos na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental.



Leia Mais: The Guardian

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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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