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Deficiência é nota de rodapé em entrevista de Marcelo Rubens Paiva – 20/01/2025 – Haja Vista
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Filipe Oliveira
É raro eu conhecer alguém e ter uma primeira conversa com começo, meio e fim sem que minha deficiência visual entre em pauta.
Basta sair de casa e entrar em um Uber ou começar um papo com alguém na rua que ofereça ajuda. É muito provável que vão querer saber como perdi a visão, se não tem cura (aliás, cegueira não é doença), como eu faço para sair na rua, trabalhar, fazer exercícios, entre muitas outras atividades.
Acredito que isso não aconteça com carecas ou cabeludos nem jovens ou velhos, gordos ou magros, brancos ou negros. Também não me parece algo que dependa de gênero, cor ou crença religiosa.
Não estou minimizando o preconceito de todo o tipo em relação a quem faz parte de diversos grupos e que essa hostilidade pode levar a violências mais graves do que eu jamais vou sofrer. Mas fazer parte de uma minoria, na maioria das vezes, não implica imediatamente que todo mundo irá se sentir à vontade para perguntar sobre particularidades de sua condição sem qualquer cerimônia.
Talvez o grupo que seja tratado da mesma forma que nós, pessoas com deficiência, seja o de estrangeiros. Se você encontrasse uma pessoa da Eritreia que veio parar no Brasil provavelmente iria perguntar o que ela veio fazer, como é o país dela, quais as condições de vida, como são as famílias, os relacionamentos, o governo. Talvez pessoas com deficiência venham de um pouco mais longe, talvez da Lua ou de Marte, considerando aos interrogatórios que somos submetidos diariamente.
Não é que falar sobre minha história, contar como me inseri em uma sociedade que em muitas vezes coloca barreiras para quem tem limitações sensoriais seja algo que me ofenda. Na verdade, até me orgulha, por eu saber que, pra nós, conquistar nosso espaço não é simples e depende de muitos fatores, sendo que esforço é parte da história.
Além disso, se há um desconhecimento generalizado sobre a vida das pessoas com deficiência, faz-se necessário tratar do tema para mudar a situação. Aliás, é para isso que serve este Haja Vista.
Por outro lado, essa demanda urgente de disseminação de informação sobre inclusão e acessibilidade somada a dificuldade de ocuparmos outros espaços menos abertos para nós e até certa insegurança para entrarmos em novos debates em que nossa vivência para falar sobre o assunto seria mais questionada nos mantêm tratando sobre deficiência a maior parte do tempo.
Com isso, tanto na conversa do dia a dia como também nas redes sociais ou em meios de comunicação tradicionais, falamos mais sobre inclusão e acessibilidade do que sobre relacionamentos, esportes, música, gastronomia, moda, economia, política, história, livros ou filmes.
Por conta desse imperativo para sermos quase monotemáticos, chamou minha atenção na entrevista do escritor Marcelo Rubens Paiva no programa Roda-Viva, da TV Cultura, no dia 23 de dezembro que em uma hora e meia de programa, o tema da deficiência dele tenha surgido em apenas uma pergunta. O entrevistado respondeu que, em sua visão, as condições de vida de quem tem uma deficiência melhoraram muito nos últimos 40 anos.
Muito mais poderia ser dito, e eu até gostaria que ele tratasse de outras mudanças que queremos na sociedade para além da melhora das calçadas, mas logo a deficiência de Marcelo virou nota de rodapé e o escritor estava falando novamente sobre política, história do Brasil e, é claro, “Ainda Estou Aqui”, tanto seu livro como também o filme baseado nele.
Quantas pessoas com deficiência chegam a uma entrevista em sua cadeira de rodas ou com uma bengala ou cão-guia e são tratadas como aptas a responder perguntas sobre assuntos dos mais variados e sua deficiência não se torna o centro das atenções? Mesmo fazendo a ressalva de que Marcelo já narrou em detalhes o acidente que o deixou cadeirante e seu processo de reabilitação em seu livro de estreia “Feliz Ano Velho”, isso há mais de 40 anos, é preciso reconhecer que alcançar a validação que ele obteve é coisa rara para nós, que viemos de galáxias muito distantes.
Que mais talentos com deficiência consigam conquistar seus espaços para falar sobre qualquer coisa, até mesmo inclusão.
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PZ realiza reunião para discutir prevenção de incêndios florestais — Universidade Federal do Acre
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1 de junho de 2026O Parque Zoobotânico (PZ) da Ufac sediou uma reunião estratégica para debater alternativas de prevenção, controle, monitoramento e combate a incêndios florestais nas áreas verdes do campus-sede, projeto Humaitá e Fazenda Experimental Catuaba. O encontro ocorreu na sexta-feira, 29, na sala ambiente do PZ.
A iniciativa foi motivada pela necessidade de ampliar a articulação institucional frente à aproximação do período de estiagem. Nessa época, a combinação de vegetação seca, acúmulo de folhas e galhos e baixa umidade eleva drasticamente a vulnerabilidade desses espaços. Além do viés ambiental, a pauta destacou a relevância acadêmica das áreas para atividades de ensino, pesquisa e extensão de diversos cursos da universidade.
Os participantes discutiram propostas para fortalecer o controle de acesso, a vigilância e o planejamento preventivo. O histórico de sinistros na instituição, como o incêndio de 2010 ocorrido nas proximidades da Unidade de Tecnologia de Alimentos (Utal), foi lembrado para reforçar a urgência de tratar o tema de forma permanente.
Além disso, foi apresentada uma contextualização institucional do PZ e sua relevância para a Ufac e a sociedade acreana. O professor Rodrigo Perea expôs a pesquisa desenvolvida em 2025 por seu orientando, Moisés Pereira, aluno do doutorado Bionorte da Ufac, sobre risco de incêndio em áreas florestadas do campus-sede.
As discussões foram enriquecidas pelas contribuições do professor Moisés Barbosa de Souza, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), reconhecido por seu conhecimento sobre as áreas florestadas da Ufac, apontando para a necessidade de uma construção coletiva que envolva orientação, resposta rápida e proteção da biodiversidade.
“Esperamos que a organização de alternativas de prevenção, monitoramento e combate ao risco de incêndios florestais nas áreas da Ufac avance significativamente em 2026”, disse o diretor substituto do PZ, Wanderson Gomes. “Diante da previsão de uma estiagem mais severa, é fundamental que a universidade esteja preparada para agir de forma planejada, integrada e preventiva.”
Também participaram da reunião representantes da Prefcam, do CCBN, do CFCH, dos cursos de Geografia e Medicina Veterinária, do doutorado Bionorte, além de servidores e colaboradores ligados à temática ambiental.
Próximos passos
Para dar materialidade às ações propostas, foram definidos os seguintes encaminhamentos práticos:
– 3 de junho às 8h: visita in loco à trilha interna do PZ (trajeto de aproximadamente 3 quilômetros) para mapear pontos críticos, gargalos de acesso e possibilidades de intervenção;
– 12 de junho às 8h30: nova reunião de trabalho com o objetivo de dar continuidade às discussões e avançar na consolidação de medidas integradas.
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Projeto da Ufac integra exposição sobre memória da covid-19 — Universidade Federal do Acre
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28 de maio de 2026O projeto de extensão Relatos de Maternidade, da Ufac, desenvolvido entre setembro e dezembro de 2020, compõe a exposição A Infinita Memória da Pandemia: A História da Covid-19, cuja cerimônia de inauguração ocorreu na terça-feira, 26, no shopping Conjunto Nacional, em Brasília, e que também passará por Fortaleza, Manaus, Porto Alegre e São Paulo.
O projeto foi desenvolvido pelas professoras Ana Letícia de Fiori, do curso de Ciências Sociais e do programa de pós-graduação em Artes Cênicas, e Camila Bylaardt Volker, à época do curso de Letras e atualmente servidora do Ministério das Mulheres. Elas e seis estudantes entrevistaram, por WhatsApp, mais de 50 mulheres e mães, coletando relatos sobre suas experiências de maternidade e vida.
O trabalho abordou, ainda, cuidados, trabalho, família, medos, esperanças e projetos afetados pela pandemia da covid-19 no Acre, originando um e-book (162 p.) lançado pela Editora da Ufac (Edufac) em 2025, disponível para leitura online e download gratuito. Além disso, passou a integrar o Memorial Digital da Pandemia de Covid-19, como coleção.
Nessa quarta-feira, 27, as professoras Ana Letícia e Camila participaram, tratando dos relatos de maternidades, de mesa-redonda com os organizadores dos projetos Fala, Parente (PET Indígena, Unifap), a qual contou com depoimentos de indígenas do Amapá, Pará e Guiana Francesa.
A exposição levará a capitais brasileiras parte das coleções do Memorial da Pandemia de Covid-19, sediado no Rio de Janeiro e desenvolvido pela Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana de Saúde, Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde e Centro de Humanidades Digitais da Unicamp.
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Projeto de extensão seleciona resumos expandidos para publicação — Universidade Federal do Acre
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26 de maio de 2026O projeto de extensão ComunicAÇÃO, da Ufac, realiza processo seletivo para submissão de trabalhos extensionistas, na modalidade de resumo expandido. Os selecionados comporão a Coleção de Cadernos de Extensão “Ufac e Comunidade”. As inscrições estão abertas até 30 de junho, por meio de formulário online.
O trabalho inscrito deve estar contemplado em uma das áreas temáticas: comunicação, cultura, direitos humanos e justiça, educação, meio ambiente, saúde, tecnologia e produção, trabalho. Cada resumo deverá estar vinculado a uma ação de extensão (projeto, curso, evento ou programa) institucionalizada na Ufac.
“O resumo expandido deverá evidenciar, de forma clara e consistente, as experiências adquiridas e/ou vivenciadas junto à comunidade externa ao longo do desenvolvimento da ação de extensão, destacando as interações estabelecidas, os impactos gerados, os aprendizados construídos e as contribuições mútuas decorrentes da execução das atividades”, detalha o item 3.1 do edital.
A seleção consiste em avaliação por uma comissão que indicará 50 trabalhos aptos para publicação na 1ª Edição da Coleção de Cadernos de Extensão, considerando a formatação e os aspectos científicos, além do envolvimento da comunidade externa, dos resultados obtidos e da efetividade da metodologia proposta. O resultado final do processo seletivo está previsto para 21 de agosto.
Para mais informações sobre o certame, leia o edital Proex n.º 9.1/2026.
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