NOSSAS REDES

ACRE

‘Deixado à mercê dos jihadistas’: a junta do Níger não consegue conter o aumento da violência | Desenvolvimento global

PUBLICADO

em

Pius Adeleye in Niamey

Óm 12 de Dezembro, Hadjara Zibo e as suas três filhas pequenas fugiram da sua casa em Libiri para as colinas enquanto jihadistas armados atacavam a sua aldeia na região de Tillabéri, no Níger, perto da fronteira com Burkina Faso e Mali.

“Se nos alcançassem, poderiam violar-nos e matar-nos”, diz Zibo, 39 anos, descrevendo como escaparam entre tiros e chamas.

O assalto à aldeia deixou 21 mortos, casas queimadas e bens valiosos saqueados. Menos de 48 horas depois, outras 18 pessoas foram mortas, desta vez em Kokorou, outro assentamento em Tillabéri.

A junta nigerina tem lutado para conter a onda crescente de ataques jihadistas na área da tríplice fronteira, 18 meses depois de ter tomado o poder.

Em 2021, os mesmos militantes islâmicos mataram o marido de Zibo na sua quinta, deixando-a sozinha com a dificuldade financeira de criar sozinha os três filhos.

“Eles matam homens na frente das mulheres”, diz ela, acrescentando que muitas mulheres foram então forçadas a tornarem-se esposas de jihadistas ou escravas sexuais. A sua irmã foi raptada por supostos jihadistas em Junho passado.

“Acho que o fim está próximo”, diz ela. “As mulheres enfrentam horror e humilhação e, sem a ajuda da junta, ficamos à mercê dos jihadistas.”

Imagem de um vídeo que mostra o ataque de jihadistas em Libiri, na região de Tillabéri, no Níger, no início deste mês, que deixou 21 civis mortos. Fotografia: Apostila

Antes de os militares do Níger tomarem o poder em Julho de 2023, as narrativas pró-Rússia no país atribuíam a insegurança às alianças ocidentais sob o presidente deposto, Mohamed Bazoumapesar do Níger ter superado os seus vizinhos alinhados com Moscovo, o Mali e o Burkina Faso, no combate aos jihadistas.

O novo governo militar, liderado pelo Gen Abdourahamane Tchiani, inclinou-se para o sentimento antiocidental, alegando que poderia enfrentar melhor as ameaças extremistas.

No entanto, a violência jihadista aumentou nos 18 meses desde o golpe, com cerca de 1.599 mortes relatadas – mais do dobro dos 770 registados sob o regime democrático, de acordo com o monitor de violência civil Acled.

Estado Islâmico – Província do Saheluma afiliada do grupo anteriormente conhecido como EI, assumiu a responsabilidade pelos recentes ataques a civis e postos militares avançados em Tillabéri, uma região onde atuam grupos ligados ao EI e à Al Qaeda.

As mulheres e as raparigas são especialmente vulneráveis, enfrentando a violação e a escravatura num contexto de escalada da violência e de diminuição da ajuda e atenção internacionais.

A incapacidade da junta para combater as operações jihadistas, juntamente com a expulsão dos meios de comunicação ocidentais, obscureceu a situação das mulheres, segundo um analista sénior do Níger na capital, Niamey. As proibições dos meios de comunicação social e as expulsões de jornalistas permitiram que a propaganda florescesse, reivindicando sucesso militar contra os insurgentes e encobrindo ataques.

Gen Abdourahamane Tchiani, líder da junta do Níger, anunciando o golpe de Estado na emissora nacional Télé Sahel, em 28 de julho de 2023. Fotografia: AFP/Getty

“Com a contínua censura e expulsão dos meios de comunicação social, o conflito no Níger tornar-se-á em breve uma guerra esquecida e mais mulheres e crianças sofrerão pela incompetência da junta”, disse o analista.

Mais de uma dúzia de mulheres deslocadas em Tillabéri contaram ao Guardian como os extremistas exploram o sistema patriarcal existente. O assassinato deliberado de familiares do sexo masculino e daqueles que resistem é uma tática para reforçar o controlo sobre as mulheres, deixando-as vulneráveis ​​a uma maior subjugação sob o domínio jihadista, dizem.

“Em Setembro passado, quando o nosso assentamento foi invadido, um agressor perguntou por que a minha filha de 15 anos não era casada”, diz Mariama, 41 anos, viúva em Tillabéri. “Então o outro agressor tirou a roupa dela e a estuprou.”

Pelo menos 90 soldados teriam sido mortos num recente ataque jihadista à cidade de Chatoumane, de acordo com relatos de testemunhas oculares e informações de inteligência. A junta nigeriana e a mídia apoiada pela Rússia afirmaram que apenas 10 homens foram perdidos.

Especialistas argumentam que o foco da Rússia no Níger e no Sahel apoia juntas militares para proteger regimes clientes e não há interesse em combater o extremismo ou apoiar civis.

Os líderes da junta anunciam a Aliança dos Estados do Sahel em Niamey, em julho. A partir da esquerda, Assimi Goita do Mali, Tchiani do Níger e Ibrahim Traoré do Burkina Faso. Fotografia: M Hamidou/Reuters

Joseph Siegel, diretor de pesquisa do Departamento de Defesa dos EUA África O Centro de Estudos Estratégicos chama esta dinâmica de “o grande paradoxo” das parcerias entre as juntas do Sahel e a Rússia.

No entanto, o Níger comprometeu-se a reforçar a cooperação com as juntas militares no Burkina Faso e no Mali, formando um novo pacto de segurança, a Aliança dos Estados do Sahel. As três nações também planejam retirar-se formalmente da união económica e política regional da África OcidentalEcowas.

Nathaniel Powell, investigador da Oxford Analytica, uma consultora de risco global, afirma: “Embora a estratégia de Bazoum tenha enfraquecido o recrutamento jihadista em Tillabéri ao oferecer vias de desmobilização, não envolveu negociações com líderes jihadistas, que tinham pouco interesse em tais conversações.

“Mas a junta do Níger centra-se em soluções militares para as ameaças jihadistas, rejeitando os esforços diplomáticos”, afirma Powell, que acredita que a estratégia da junta aumentou o número de vítimas civis.

Em 2023, quase 42% dos 26 milhões de habitantes do Níger viviam na pobreza, com 4,4 milhões com necessidade imediata de ajuda humanitária. O país ficou em quarto lugar entre 193 países no último relatório da ONU Índice de Desenvolvimento Humano. A ajuda externa representa quase 40% do seu orçamento, mas o golpe levou ao corte da ajuda internacional.

A pressão económica resultante das sanções e dos cortes na ajuda afectou fortemente as mulheres deslocadas no Níger, que enfrentam insegurança alimentar, bem como medo de ataques e violência sexual.

A escassez de cuidados de saúde, especialmente nos serviços maternos e reprodutivos, piorou, sendo restringida pela junta e inacessível em áreas controladas pelos jihadistas.

Mulheres vendendo legumes num mercado em Niamey. Quase um quinto da população necessita de ajuda alimentar. Fotografia: AFP/Getty

Fatimatu Zahra, 21 anos, de Tillaberi, que perdeu parentes num ataque jihadista no ano passado, luta com o alto custo e a escassez de suprimentos menstruais. Incapaz de comprar absorventes, ela usa tecidos velhos ou folhas.

“Não sinto vergonha”, diz Zahra. “Muitas mulheres em situações semelhantes fazem o mesmo.”

O governo militar do Níger não respondeu aos pedidos de comentários.



Leia Mais: The Guardian

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

ACRE

Em caravana, ministro da Educação, Camilo Santana, visita a Ufac — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Em caravana, ministro da Educação, Camilo Santana, visita a Ufac — Universidade Federal do Acre

A Ufac recebeu, nesta quarta-feira, 25, na Reitoria, campus-sede, a visita do ministro da Educação, Camilo Santana, no âmbito da caravana Aqui Tem MEC, iniciativa do Ministério da Educação voltada ao acompanhamento de ações e investimentos nas instituições federais de ensino.

Durante a agenda, o ministro destacou que a caravana tem percorrido instituições federais em diferentes Estados para conhecer a realidade de cada campus, dialogar com gestores e a comunidade acadêmica, além de acompanhar as demandas da educação pública federal.

Ao tratar dos investimentos relacionados à Ufac, a reitora Guida Aquino destacou a obra do campus Fronteira, em Brasileia, que conta com R$ 40 milhões em recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A estrutura terá seis cursos, com salas de aula, laboratórios, restaurante universitário e biblioteca.

Abordando a visita, Guida ressaltou a importância da universidade para o Estado e a missão da educação pública. “A Ufac é a única universidade pública federal de ensino superior do Acre e, por isso, tem papel estratégico na formação e no desenvolvimento regional. A educação é que transforma vidas, transforma o país.”

Outro tema tratado durante a agenda foi a implantação do Hospital Universitário no Acre. Camilo Santana afirmou que o Estado é o único que ainda não conta com essa estrutura e informou que o governo federal dispõe de R$ 50 milhões, por meio do Novo PAC, para viabilizar adequações e a implantação da unidade.

Ele explicou que a prioridade continua sendo a concretização de uma parceria para doação de um hospital, mas afirmou que, se isso não ocorrer, o MEC buscará outra alternativa para garantir a instalação do serviço no Estado. “O importante é que nenhum Estado desse país deixe de ter um hospital universitário”, enfatizou.

Guida reforçou a importância do projeto e disse que o Hospital Universitário já poderia ser celebrado no Acre. Ao defender a iniciativa, contou que a unidade contribuiria para qualificar o atendimento, reduzir filas de tratamento fora de domicílio e atender melhor pacientes do interior, inclusive em casos ligados às doenças tropicais da Amazônia. Em tom crítico, declarou: “O cavalo selado, ele só passa uma vez”, ao se referir à oportunidade de implantação do hospital.

Após coletiva de imprensa, o ministro participou de reunião fechada com pró-reitores, gestores, políticos e parlamentares da bancada federal acreana, entre eles o senador Sérgio Petecão (PSD) e as deputadas Meire Serafim (União) e Socorro Neri (PP).

A comitiva do MEC foi formada pela secretária de Educação Básica, Kátia Schweickardt; pelo secretário de Educação Profissional e Tecnológica, Marcelo Bregagnoli; pelo secretário de Educação Superior, Marcus Vinicius David; e pelo presidente da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, Arthur Chioro.

Laboratório de Paleontologia

Depois de participar de reunião, Camilo Santana visitou o Laboratório de Paleontologia da Ufac. O professor Edson Guilherme, coordenador do espaço, apresentou o acervo científico ao ministro e destacou a importância da estrutura para o avanço das pesquisas no Acre. O laboratório foi reformulado, ampliado e recentemente reinaugurado.

Aberto para visitação de segunda a sexta-feira, em horário de expediente, exceto feriados, o local reúne fósseis originais e réplicas de animais que viveram no período do Mioceno, quando o oeste amazônico era dominado por grandes sistemas de rios e lagos. A entrada é gratuita e a visitação é aberta a estudantes e à comunidade em geral.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

A PROGRAD — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

pro_reitora_graduacao.png

A Pró‑Reitoria de Graduação (Prograd) da Universidade Federal do Acre (Ufac) é o órgão responsável pelo planejamento, coordenação e supervisão das atividades acadêmicas relacionadas ao ensino de graduação. Sua atuação está centrada em fortalecer a formação universitária, promovendo políticas e diretrizes que assegurem a qualidade, a integração pedagógica e o desenvolvimento dos cursos de bacharelado, licenciatura e demais formações presenciais e a distância. A Prograd articula ações com as unidades acadêmicas, órgãos colegiados e a comunidade universitária, garantindo que os currículos e práticas pedagógicas estejam alinhados aos objetivos institucionais.

Entre as principais atribuições da Prograd estão a coordenação da política de ensino, a supervisão de programas de bolsas voltadas à graduação, a análise e encaminhamento de propostas normativas e a participação em iniciativas que promovem a reflexão e o diálogo sobre o ensino superior.

A Prograd é organizada em três diretorias, cada uma com funções específicas e complementares:

Diretoria de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino — responsável por ações estratégicas voltadas ao desenvolvimento de metodologias, à regulação e ao apoio pedagógico dos cursos de graduação.

Diretoria de Apoio à Formação Acadêmica — dedicada a acompanhar e apoiar as atividades acadêmicas dos estudantes, incluindo estágios, mobilidade estudantil e acompanhamento da formação acadêmica.

Diretoria de Apoio à Interiorização e Programas Especiais — voltada à gestão de programas especiais, políticas de interiorização e ações que ampliam o acesso e a permanência dos alunos em diferentes regiões.

A Prograd participa, ainda, de iniciativas que promovem a reflexão e o diálogo sobre o ensino superior, integrando docentes, estudantes e gestores em fóruns, encontros e ações que visam à atualização contínua dos processos formativos e ao atendimento das demandas sociais contemporâneas.

Com compromisso institucional, a Pró‑Reitoria de Graduação contribui para que a UFAC cumpra seu papel educativo, formando profissionais críticos e comprometidos com as realidades local e regional, garantindo um ambiente acadêmico de excelência e responsabilidade social.

Ednacelí Abreu Damasceno
Pró-Reitora de Graduação



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Orientação sobre revalidação e reconhecimento de diplomas — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Orientações para abertura de processo administrativo e procedimentos acerca da revalidação de diploma de graduação e reconhecimento de diplomas de pósgraduação stricto sensu emitidos por instituições estrangeiras, conforme a Resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017.

Abertura do Processo

I – Preenchimento do Formulário Padrão (conforme modelo disponibilizado);

II – Documentos pessoais exigidos:

• Cópia do documento de identidade para brasileiros ou naturalizados, e, se estrangeiro, cópia da identidade e do visto permanente, expedido pela Superintendência da Polícia Federal, ou passaporte com visto permanente, concedido pela autoridade competente;

• Comprovante de residência;

• Comprovante de quitação com o serviço militar, para brasileiros do sexo masculino;

• Comprovante de quitação com o serviço eleitoral, para brasileiros e naturalizados;

III – Documentos acadêmicos exigidos:

• Para revalidação, conforme Art. 10, da resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017.

• Para reconhecimento, conforme Art. 33, da resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017.

IV – Preenchimento do Termo de aceitação, exclusividade e autenticidade, conforme modelo disponibilizado pelo NURCA;

V – Solicitação de abertura de processo no Protocolo Geral da UFAC, direcionado ao NURCA, com a apresentação da documentação exigida nos itens de I a IV;

Submissão da documentação na Plataforma Carolina Bori – Link: http://plataformacarolinabori.mec.gov.br

O interessado deve submeter a documentação no formato .pdf, agrupando diferentes documentos em arquivo único conforme indicado abaixo:

Arquivo 1 em .PDF:

1. Formulário Padrão preenchido (conforme modelo disponibilizado);

2. Documentos pessoais exigidos:

a) Cópia do documento de identidade para brasileiros ou naturalizados, e, se estrangeiro, cópia da identidade e do visto permanente, expedido pela Superintendência da Polícia Federal, ou passaporte com visto permanente, concedido pela autoridade competente;

b) Comprovante de residência;

c) Comprovante de quitação com o serviço militar, para brasileiros do sexo masculino;

d) Comprovante de quitação com o serviço eleitoral, para brasileiros e naturalizados;

Arquivo 2 em PDF:

1. Diploma e Histórico (Itens I e II do Artigo 10 ou Itens II e IV do artigo 33 da Resolução nº 003, de 14 de março de 2017);

Arquivo 3 em PDF:

1. Documentos acadêmicos exigidos excetuando-se os do Arquivo 2:

a) Para revalidação, conforme Art. 10, da resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017.

b) Para reconhecimento, conforme Art. 33, da resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017, excetuando item III (vide Arquivo 5).

Arquivo 4 em PDF:

1.Termo de aceitação, exclusividade e autenticidade, preenchido conforme modelo disponibilizado pelo NURCA; da resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017.

Arquivo 5 em PDF:

a) Para os casos de reconhecimento: Exemplar digital da tese ou dissertação com registro de aprovação da banca examinadora e documentações complementares, conforme item III do Art. 33 da resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017. 

Fluxo do Processo

VI – Recebimento do processo pelo NURCA e encaminhamento para o Centro pertinente, que constituirá Comissão;

VII – Retorno do processo ao NURCA no prazo de 15 dias;

VIII – Sendo favorável o parecer da Comissão, será autorizada a emissão de GRU, bem como, o seu devido pagamento (R$ 1.200,00 – graduação; mestrado – R$ 1.500,00 e doutorado R$ 2.000,00), devendo ser incluída a via original ou cópia autenticada por servidor da UFAC no processo de revalidação.

a) Em caso de parecer negativo, o processo será disponibilizado para consulta, retirada de documentação e/ou ajuste quando for pertinente.

IX – Retorno do processo ao Centro para a Comissão concluir a revalidação no prazo restante dos seis meses.

Formulário Padrão

Termo de Aceitação, Exclusividade e Autenticidade

_________________________________________________________________________________________________________

Links Úteis



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

MAIS LIDAS