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Desigualdade social favorece Alzheimer na América Latina – 12/01/2025 – Equilíbrio e Saúde

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Acácio Moraes

Pesquisadores de diversos países se reuniram para investigar a extensão na qual a desigualdade social pode favorecer o surgimento de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. O resultado do estudo, publicado na revista Nature Aging, mostrou que a disparidade de renda leva a redução do volume do cérebro e corta conexões neuronais.

Em particular, os especialistas notaram que esses efeitos são ainda mais pronunciados na América Latina quando comparados aos Estados Unidos, destacando a vulnerabilidade da saúde dessa população.

Os dados levantados também revelam que a desigualdade de renda, avaliada em termos de Índice de Gini dos países envolvidos, afeta tanto ricos quanto pobres. Segundo os autores, fatores de nível macro, como esse, representam estressores que atuam de forma independente na evolução da saúde cerebral.

Paulo Takada, professor da USP (Universidade de São Paulo) e também coautor do estudo, destaca a importância da condução de pesquisas como essa na região. “Estudos sobre fatores de risco para desenvolvimentos de doenças neurodegenerativas geralmente são focados em pessoas com origem nos países mais desenvolvidos”, diz.

Mais de 2.000 participantes foram incluídos no estudo, abarcando controles saudáveis e pessoas com Alzheimer. Para cada um, os pesquisadores avaliaram o volume cerebral e a conectividade entre diferentes regiões desse órgão, em especial nas regiões temporo-posteriores e cerebelares, que são essenciais para a memória e a função cognitiva.

Em seguida, os dados obtidos foram cruzados com os valores dos Índices de Gini tanto para país quanto para estado. Esse indicador econômico mede a extensão da desigualdade social entre as parcelas mais ricas e pobres de uma região. A pesquisa incluiu os Estados Unidos e países da América Latina, inclusive o Brasil.

Vistos os resultados, os autores do trabalho advogam por uma abordagem multinível que aborde aspectos macro, como a desigualdade socioeconômica, mas também o índice de participação democrática, níveis de poluição, aspectos migratórios, acesso ao lazer, entre outros.

Elisa de Paula Resende, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), diz que os resultados precisam trazer mudanças no delineamento de políticas públicas. “A gente precisa promover maior igualdade para melhorar a saúde do cérebro das pessoas”, afirma. A pesquisadora e professora brasileira é coautora do estudo. O seu grupo de pesquisa coletou dados de cerca de 60 pessoas que foram incluídos no estudo.

A desigualdade social tem diferentes mecanismos de afetar o envelhecimento cerebral. Em primeiro lugar, pessoas que se encontram em ambientes desfavoráveis, com níveis educacionais baixos e déficits nutricionais, possuem menos estímulos cerebrais, o que ocasiona diretamente em menos conectividade e volume cerebral.

Outro efeito é pela falta de tratamento de fatores de risco de demências, como hipertensão, diabetes, colesterol, obesidade e doenças cardiovasculares. Populações economicamente desfavoráveis possuem menos acesso a medicamentos, exames, diagnósticos e acompanhamento profissional.

Evidências dessas relações não faltam. Uma pesquisa de 2023 realizada no Brasil e no México, por exemplo, revelou que uma educação formal de até quatro anos já reduz significativamente o risco de déficit cognitivo e de demência nesses países. O estudo incluiu mais de 20 mil participantes com idades acima de 50 anos.

Já no ano passado, um estudo coordenada por pesquisadores da USP concluiu que mais da metade (54%) dos casos de demência da América Latina poderiam ser evitados com prevenção de fatores de riscos modificáveis. Obesidade, sedentarismo e depressão foram os mais prevalentes em toda a região.

Para o Brasil, em particular, a falta de acesso à educação corresponde a 8% dos casos encontrados de neurodegeneração, assim como a hipertensão. A perda auditiva e a obesidade completam o quadro de principais fatores que poderiam ser evitados através de um programa de atenção à saúde eficaz. Os resultados foram publicados na prestigiada The Lancet Global Health. Essa é a mais ampla pesquisa do gênero já feita.

O projeto Saúde Pública tem apoio da Umane, associação civil que tem como objetivo auxiliar iniciativas voltadas à promoção da saúde



Leia Mais: Folha

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Ufac recebe visita da RFB para apresentação do projeto NAF — Universidade Federal do Acre

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Ufac recebe visita da RFB para apresentação do projeto NAF — Universidade Federal do Acre

A Ufac recebeu, nesta quarta-feira, 25, no gabinete da Reitoria, representantes da Receita Federal do Brasil (RFB) para a apresentação do projeto Núcleo de Apoio Contábil e Fiscal (NAF). A reunião contou com a participação da Coordenação do curso de Ciências Contábeis e teve como foco a proposta de implantação do núcleo na universidade.
O reitor em exercício e pró-reitor de Planejamento, Alexandre Hid, destacou a importância da iniciativa para os estudantes e sua relação com a curricularização da extensão. Segundo ele, a proposta representa uma oportunidade para os alunos e pode fortalecer ações extensionistas da universidade.

A analista tributária da RFB e representante de Cidadania Fiscal, Marta Furtado, explicou que o NAF é um projeto nacional voltado à qualificação de acadêmicos do curso de Ciências Contábeis, com foco em normas tributárias, legislação e obrigações acessórias. Segundo ela, o núcleo é direcionado ao atendimento de contribuintes de baixa renda e microempreendedores, além de aproximar os estudantes da prática profissional.

Durante a reunião, foi informada a futura assinatura de acordo de cooperação técnica entre a universidade e a RFB. Pelo modelo apresentado, a Ufac disponibilizará espaço para funcionamento do núcleo, enquanto a receita oferecerá plataforma de treinamento, cursos de capacitação e apoio permanente às atividades desenvolvidas.

Como encaminhamento, a RFB entregou o documento referencial do NAF, com orientações para montagem do espaço e definição dos equipamentos necessários. O processo será enviado para a Assessoria de Cooperação Institucional da Ufac. A expectativa apresentada na reunião é de que o núcleo seja integrado às ações de extensão universitária.

Também participaram da reunião o professor de Ciências Contábeis e vice-coordenador do curso, Cícero Guerra; e o auditor fiscal e delegado da RFB em Rio Branco, Claudenir Franklin da Silveira.



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Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre

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Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre

A Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia (Proint) da Ufac e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Acre (Sebrae-AC) realizam o Startup Day-2026, em 21 de março, das 8h às 12h, no espaço Sebrae-Lab, Centro de Convivência do campus-sede. O evento é dedicado à inovação e ao empreendedorismo, oferecendo oportunidades para transformar projetos em negócios de impacto real. As inscrições são gratuitas e estão abertas por meio online.

O Startup Day-2026 visa fortalecer o ecossistema, promover a troca de experiências, produzir e compartilhar conhecimento, gerar inovação e fomentar novos negócios. A programação conta com show de acolhimento e encerramento, apresentações, painel e palestra, além de atividades paralelas: carreta game do Hospital de Amor de Rio Branco, participação de startups de game em tempo real, oficina para crianças, exposição de grafiteiros e de projetos de pesquisadores da Ufac.

 



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A lógica de valor da Thryqenon (TRYQN) é apoiar a evolução da economia verde por meio de sua infraestrutura digital de energia

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Foto de capa [internet]

Com a aceleração da transição para uma economia de baixo carbono e a reestruturação do setor elétrico em diversos países, cresce a discussão sobre como a infraestrutura digital pode sustentar, no longo prazo, a evolução da economia verde. Nesse contexto, a plataforma de energia baseada em blockchain Thryqenon (TRYQN) vem ganhando atenção por propor uma estrutura integrada que combina negociação de energia, gestão de carbono e confiabilidade de dados.

A proposta da Thryqenon vai além da simples comercialização de energia renovável. Seu objetivo é construir uma base digital para geração distribuída, redução de emissões e uso colaborativo de energia. À medida que metas de neutralidade de carbono se tornam compromissos regulatórios, critérios como origem comprovada da energia, transparência nos registros e liquidação segura das transações deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos obrigatórios. A plataforma utiliza registro descentralizado em blockchain, correspondência horária de energia limpa e contratos inteligentes para viabilizar uma infraestrutura verificável e auditável.

A economia verde ainda enfrenta obstáculos importantes. Existe descompasso entre o local e o momento de geração da energia renovável e seu consumo final. A apuração de emissões costuma ocorrer de forma anual, dificultando monitoramento em tempo real. Além disso, a baixa rastreabilidade de dados limita a criação de incentivos eficientes no mercado. A Thryqenon busca enfrentar essas lacunas por meio de uma estrutura digital que integra coleta, validação e liquidação de informações energéticas.

Na arquitetura da plataforma, há conexão direta com medidores inteligentes, inversores solares e dispositivos de monitoramento, permitindo registro detalhado da geração e do consumo. Na camada de transações, o sistema possibilita verificação automatizada e liquidação hora a hora de energia e créditos de carbono, garantindo rastreabilidade. Já na integração do ecossistema, empresas, distribuidoras, comercializadoras e consumidores podem interagir por meio de interfaces abertas, promovendo coordenação entre diferentes agentes do setor elétrico.

O potencial de longo prazo da Thryqenon não está apenas no crescimento de usuários ou no volume de negociações, mas em sua capacidade de se posicionar como infraestrutura de suporte à governança energética e ao mercado de carbono. Com o avanço de normas baseadas em dados e reconhecimento internacional de créditos ambientais, plataformas transparentes e auditáveis tendem a ter papel relevante na transição energética e no financiamento sustentável.

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