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Dezenas de ilhéus presos enquanto a história sombria continua para Annobón | Guiné Equatorial
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Eromo Egbejule in Abidjan
No início deste ano, os residentes da pequena ilha de Annobón começaram a notar plantas murchas nas suas terras agrícolas e grandes fissuras nas suas casas.
Eles atribuíram os danos a anos de explosões de dinamite ligadas às operações de mineração na ilha, uma província de Guiné Equatorial que fica no Golfo da Guiné, cerca de 350 quilômetros a oeste do Gabão, na costa oeste da África.
Em Julho, 16 pessoas da ilha escreveram às autoridades de Malabo, capital da Guiné Equatorial, manifestando preocupação com a deterioração do ambiente e exigindo o fim da utilização de dinamite.
A resposta veio rapidamente: em poucos dias, os soldados prenderam os signatários da carta e dezenas de activistas simpatizantes da sua causa em ataques. O serviço de celular e o acesso à Internet também foram encerrados.
“As tropas foram de casa em casa para prender os nossos familiares”, disse anonimamente um familiar de um dos detidos, por receio de ser alvo das autoridades. “Eles os levaram para delegacias de polícia em Annobón e depois os colocaram em aviões sem água nem comida para deportá-los para Malabo.”
Três meses depois, apenas cinco dos detidos foram libertados – todos mulheres idosas. Os que ainda se encontram sob custódia foram acusados de rebelião e “exercício abusivo dos direitos fundamentais”.
Onze prisioneiros estão detidos na prisão de Black Beach, em Malabo, uma instalação notória com reputação de negligência sistemática e brutalização dos reclusos. Outras vinte e seis pessoas, incluindo o poeta e figura da oposição Francisco Ballovera Estrada, estão detidas noutra prisão na cidade oriental de Mongomo, disseram duas fontes, e segundo um activista foi-lhes negado o acesso a familiares e aos seus advogados.
“Eles fazem o que querem com a sua vida”, disse um parente de um detido.
Mesmo agora, o fluxo de informações de Annobón ainda é restrito, disse Naro Omo-Osagie, gerente de políticas e defesa para a África da organização sem fins lucrativos Access Now, com sede em Nova York, que fazia parte de uma coalizão de organizações globais de direitos digitais que escreveu uma carta aberta em agosto, instando as autoridades a libertar os detidos.
“As nossas fontes… conseguiram obter recentemente algumas informações da ilha, de algumas pessoas que conseguiram viajar para Malabo de barco nas últimas semanas, mas ainda não conseguem contactar os residentes através do telefone ou da Internet”, disse ela.
Desde que destituiu o presidente fundador – o seu tio – num golpe de Estado em Agosto de 1979, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo tem governado a Guiné Equatorial de forma draconiana. Apesar de ter uma das taxas de PIB per capita mais elevadas de África, a riqueza petrolífera do país quase não chega. O filho de Obiang, o vice-presidente Teodoro Nguema, uma vez foi relatado que ele perdeu uma pasta contendo £ 250.000possui uma variedade de iates, enquanto dois terços dos seus compatriotas vivem na pobreza.
Ativistas de direitos humanos e membros da diáspora equatoguineana dizem que os cerca de 5.000 habitantes de Annobón sofreram uma história recente particularmente sombria de abusos e exploração dos direitos humanos.
Alocada à Espanha durante uma troca de colónias com Portugal no século XVIII, a ilha foi uma das muitas espremidas na Guiné Equatorial continental após a sua independência em 1968. A localização estratégica da área no Golfo da Guiné, rico em petróleo, torna-a importante para o seu país-mãe. reivindicações territoriais da nação.
O território de 17 km2 (6,5 milhas quadradas) é o menor das oito províncias do país e o mais remoto. A cerca de 425 milhas (685 km) de Malabo, Annobón parece mais ligado ao arquipélago duplo de São Tomé e Príncipe, a 145 milhas de distância. O Fa d’Ambô, um crioulo português popular neste último país, também é amplamente falado entre os Anobóneses, embora o espanhol seja a língua oficial na Guiné Equatorial.
A ilha tem apenas uma escola e as comodidades básicas, como electricidade e água potável, são inexistentes ou irregulares. Um aeroporto foi construído em 2013, mas a maioria dos habitantes só pode sair da ilha num ferry semanal ou num cais num navio mensal ou bimestral.
Durante décadas, ondas de descontentamento e gritos de marginalização borbulharam sob a superfície da ilha. Uma epidemia de cólera na década de 1970 eliminou um terço da população. Na década de 1980, descobriu-se que Obiang tinha deu a uma empresa do Reino Unido uma licença despejar ali 10 milhões de tambores de lixo tóxico.
Num país onde se espera um patriotismo de adoração – rádio estatal já se referiu a Obiang como um deus com “todo o poder sobre os homens e as coisas” – uma revolta liderada por jovens em Annobón em Agosto de 1993 foi visto como uma afronta ao presidente e foi brutalmente reprimido.
Em Julho de 2022, dois dos jovens no centro dos protestos, três décadas antes, declararam unilateralmente a independência da ilha sob a égide de Ambô Legadu, um grupo separatista baseado em Espanha que tinham co-fundado. Um deles, Orlando Cartagena Lagar, foi nomeado primeiro-ministro da república separatista.
As detenções arbitrárias aumentaram desde 2022, e muitos na ilha consideram os ataques de julho como parte de um esforço mais amplo para reprimir a dissidência. As autoridades ligam rotineiramente activistas na ilha a Ambô Legadu. “Apelar à secessão não constitui um crime em si”, disse o advogado annobonês de direitos humanos Tutu Alicante, que vive nos EUA. Alicante, que não apoia a secessão, disse que as detenções de activistas violaram a liberdade de expressão.
Lagar disse recentemente que os Anobóneses enfrentavam um desastre ecológico sem precedentes devido ao esforço do regime para extrair minerais mesmo perto de áreas residenciais, o que ele comparou a “um comportamento de extermínio”.
Os Anobóneses foram impedidos de tomar decisões sobre o desenvolvimento da ilha, disse ele, acrescentando: “O sentimento de abandono é total”.
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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
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9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
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8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
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2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
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