NOSSAS REDES

ACRE

diante de atrasos salariais, selecionadores preferem pedir demissão

PUBLICADO

em

O técnico turco do Quênia, Engin Firat, durante uma partida de qualificação para a Copa das Nações Africanas (CAN) de 2025 entre a Namíbia e sua seleção em Soweto, África do Sul, em 10 de setembro de 2024.

Engin Firat estava cansado de esperar pelo seu salário e promessas quebradas do seu empregador. No dia 10 de dezembro, o treinador turco do Quénia, no cargo há três anos, decidiu sair, depois de ter esperado em vão durante um ano que os seus 15 mil euros de emolumentos mensais fossem transferidos para a sua conta. Todos os seus técnicos, confrontados com a mesma situação, também decidiram demitir-se, podendo a federação queniana, caso seja processada perante a FIFA, pagar ao treinador os 180 mil euros que lhe deve.

O caso não está isolado em África. “Em Setembro, foi organizado um seminário para treinadores em Abidjan. E conversando entre nós, percebemos que era, infelizmente, um problema muito difundido”explica o suíço Raoul Savoy, então estacionado na República Centro-Africana. Demitido em outubro, apelou à FIFA para cobrar 120 mil euros em atraso, o equivalente a um ano de salário. Ele não foi o único a levar o assunto a tribunal nos últimos meses.

O seleccionador marroquino da Somália, Rachid Loustèque, fez o mesmo em Novembro, depois de mais de seis meses sem pagamento. Isaac Ngata, sem salário desde a sua nomeação em Novembro de 2023 à frente dos Diabos Vermelhos do Congo, estaria prestes a imitá-lo se a sua situação não se alterasse, como confidenciou ao África Mundial. A Fifa especifica que um técnico que não receba seu salário há dois meses pode deixar o cargo e assinar por outro clube ou outra seleção.

Outros ganharam recentemente os seus casos perante o organismo internacional. O francês Patrice Neveu espera desde junho os 522 mil euros que o Gabão lhe deve, depois de ter constatado o caráter abusivo do seu despedimento no final de 2023. Burkina Faso terá de pagar ao seu compatriota Hubert Velud, despedido em 30 de abril, o dívidas não pagas dos últimos cinco meses (15.000 euros por mês), bem como bónus e indemnizações.

“Falta um documento ou assinatura”

“Entre o momento em que a sentença é proferida e o pagamento da quantia pode passar muito tempo, enquanto a FIFA diz que o devedor tem quarenta e cinco dias para pagar. Na minha situação, o Estado diz que cabe à federação pagar e a federação diz o contrário”explica Patrice Neveu, cujo advogado escreveu à FIFA para que suspendesse o Gabão, tal como fez com o Zimbabué, privado da qualificação para o Mundial de 2018 devido a uma dívida de mais de 3,7 milhões de euros com o seu ex-técnico brasileiro Valinhos .

A lista de técnicos que acumulam salários em atraso ainda é longa. Estão neste caso os franceses Sébastien Desabre (República Democrática do Congo) e Nicolas Dupuis (Sudão do Sul), o franco-comoriano Amir Abdou na Mauritânia, o burquinense Brama Traoré, enquanto Kaba Diawara (Guiné) e Eric Chelle (Mali) sofreram o mesma situação antes do seu despedimento.

“O problema, que não é específico de África, pode dizer respeito tanto a uma federação pequena como a uma federação maior. Na Nigéria, o português Victor Peseiro esperou dezanove meses pelo seu dinheiro e, perante a CAN na Costa do Marfim, recebeu dezassete meses, mas menos os chamados impostos equivalentes a 35% do seu salário.explica o agente Tarek Oueslati, contratado por vários técnicos que trabalham ou já trabalharam no continente. Até um treinador como Aliou Cissé, no Senegal, embora campeão africano em 2022, sofreu seis meses de atraso em 2023.

Contudo, nem todas as federações africanas estão preocupadas. Na África do Sul, Argélia, Costa do Marfim e Marrocos, os autocarros são pagos em dia. O belga Marc Brys, nos Camarões, viu as coisas voltarem rapidamente à ordem após um atraso atribuído à burocracia administrativa. As federações menos abastadas, como as das Comores, do Sudão ou da Gâmbia, geralmente respeitam os prazos.

Hesitante em entrar em conflito com o Estado

“Saibam que em África, em muitas federações, é o Estado quem paga o salário do treinador e de toda ou parte da sua equipa técnica. E muitas vezes, o dinheiro demora a ser liberado por vários motivos – falta um documento ou uma assinatura, as relações entre a federação e o ministério do esporte são ruins… – mesmo que não pareça intransponível configurar uma transferência automática para alguém que ganhará a mesma quantia todos os meses durante o contrato »continua Tarek Oueslati. Acontece também que o pagamento do salário demora mais tempo depois de um ou dois maus resultados, uma forma deselegante de sancionar um treinador considerado improdutivo.

Mantenha-se informado

Siga-nos no WhatsApp

Receba as notícias africanas essenciais no WhatsApp com o canal “Monde Afrique”

Juntar

O belga-congolês Christian N’Sengi, que foi treinador da RDC entre 2019 e 2021, atacou a federação que o contratou perante a FIFA. “Não recebi meu dinheiro esse tempo todo. Acabei de receber meu salário como diretor técnico nacional (5 700 euros). A FIFA ordenou que a federação me pagasse 144 mil euros, enquanto eu reclamava 545 mil euros correspondentes a salários, bónus em particular”.ele explica.

“Durante quase dois anos trabalhei pelo meu país e há líderes que jogam na fibra patriótica. Dizem que você vai receber e isso não acontece, o que pode te colocar em uma situação precária, caso você tenha crédito ou filhos dependentes”, ele continua.

O ex-técnico dos Leopards acrescenta que estes atrasos nos pagamentos são ainda mais complexos de gerir para os técnicos locais, hesitantes em contactar a FIFA, “porque ele reside lá e se entrar em contato com a FIFA está de certa forma agredindo o Estado, o que pode prejudicar seu futuro profissional. » Estes técnicos locais devem, portanto, contentar-se com os prémios pagos durante os jogos internacionais para satisfazer as suas necessidades e na maioria das vezes abdicar de meses de salário, em vez de entrarem em conflito com o Estado e comprometerem o resto das suas carreiras.

Reutilize este conteúdo



Leia Mais: Le Monde

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

ACRE

Em caravana, ministro da Educação, Camilo Santana, visita a Ufac — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Em caravana, ministro da Educação, Camilo Santana, visita a Ufac — Universidade Federal do Acre

A Ufac recebeu, nesta quarta-feira, 25, na Reitoria, campus-sede, a visita do ministro da Educação, Camilo Santana, no âmbito da caravana Aqui Tem MEC, iniciativa do Ministério da Educação voltada ao acompanhamento de ações e investimentos nas instituições federais de ensino.

Durante a agenda, o ministro destacou que a caravana tem percorrido instituições federais em diferentes Estados para conhecer a realidade de cada campus, dialogar com gestores e a comunidade acadêmica, além de acompanhar as demandas da educação pública federal.

Ao tratar dos investimentos relacionados à Ufac, a reitora Guida Aquino destacou a obra do campus Fronteira, em Brasileia, que conta com R$ 40 milhões em recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A estrutura terá seis cursos, com salas de aula, laboratórios, restaurante universitário e biblioteca.

Abordando a visita, Guida ressaltou a importância da universidade para o Estado e a missão da educação pública. “A Ufac é a única universidade pública federal de ensino superior do Acre e, por isso, tem papel estratégico na formação e no desenvolvimento regional. A educação é que transforma vidas, transforma o país.”

Outro tema tratado durante a agenda foi a implantação do Hospital Universitário no Acre. Camilo Santana afirmou que o Estado é o único que ainda não conta com essa estrutura e informou que o governo federal dispõe de R$ 50 milhões, por meio do Novo PAC, para viabilizar adequações e a implantação da unidade.

Ele explicou que a prioridade continua sendo a concretização de uma parceria para doação de um hospital, mas afirmou que, se isso não ocorrer, o MEC buscará outra alternativa para garantir a instalação do serviço no Estado. “O importante é que nenhum Estado desse país deixe de ter um hospital universitário”, enfatizou.

Guida reforçou a importância do projeto e disse que o Hospital Universitário já poderia ser celebrado no Acre. Ao defender a iniciativa, contou que a unidade contribuiria para qualificar o atendimento, reduzir filas de tratamento fora de domicílio e atender melhor pacientes do interior, inclusive em casos ligados às doenças tropicais da Amazônia. Em tom crítico, declarou: “O cavalo selado, ele só passa uma vez”, ao se referir à oportunidade de implantação do hospital.

Após coletiva de imprensa, o ministro participou de reunião fechada com pró-reitores, gestores, políticos e parlamentares da bancada federal acreana, entre eles o senador Sérgio Petecão (PSD) e as deputadas Meire Serafim (União) e Socorro Neri (PP).

A comitiva do MEC foi formada pela secretária de Educação Básica, Kátia Schweickardt; pelo secretário de Educação Profissional e Tecnológica, Marcelo Bregagnoli; pelo secretário de Educação Superior, Marcus Vinicius David; e pelo presidente da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, Arthur Chioro.

Laboratório de Paleontologia

Depois de participar de reunião, Camilo Santana visitou o Laboratório de Paleontologia da Ufac. O professor Edson Guilherme, coordenador do espaço, apresentou o acervo científico ao ministro e destacou a importância da estrutura para o avanço das pesquisas no Acre. O laboratório foi reformulado, ampliado e recentemente reinaugurado.

Aberto para visitação de segunda a sexta-feira, em horário de expediente, exceto feriados, o local reúne fósseis originais e réplicas de animais que viveram no período do Mioceno, quando o oeste amazônico era dominado por grandes sistemas de rios e lagos. A entrada é gratuita e a visitação é aberta a estudantes e à comunidade em geral.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

A PROGRAD — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

pro_reitora_graduacao.png

A Pró‑Reitoria de Graduação (Prograd) da Universidade Federal do Acre (Ufac) é o órgão responsável pelo planejamento, coordenação e supervisão das atividades acadêmicas relacionadas ao ensino de graduação. Sua atuação está centrada em fortalecer a formação universitária, promovendo políticas e diretrizes que assegurem a qualidade, a integração pedagógica e o desenvolvimento dos cursos de bacharelado, licenciatura e demais formações presenciais e a distância. A Prograd articula ações com as unidades acadêmicas, órgãos colegiados e a comunidade universitária, garantindo que os currículos e práticas pedagógicas estejam alinhados aos objetivos institucionais.

Entre as principais atribuições da Prograd estão a coordenação da política de ensino, a supervisão de programas de bolsas voltadas à graduação, a análise e encaminhamento de propostas normativas e a participação em iniciativas que promovem a reflexão e o diálogo sobre o ensino superior.

A Prograd é organizada em três diretorias, cada uma com funções específicas e complementares:

Diretoria de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino — responsável por ações estratégicas voltadas ao desenvolvimento de metodologias, à regulação e ao apoio pedagógico dos cursos de graduação.

Diretoria de Apoio à Formação Acadêmica — dedicada a acompanhar e apoiar as atividades acadêmicas dos estudantes, incluindo estágios, mobilidade estudantil e acompanhamento da formação acadêmica.

Diretoria de Apoio à Interiorização e Programas Especiais — voltada à gestão de programas especiais, políticas de interiorização e ações que ampliam o acesso e a permanência dos alunos em diferentes regiões.

A Prograd participa, ainda, de iniciativas que promovem a reflexão e o diálogo sobre o ensino superior, integrando docentes, estudantes e gestores em fóruns, encontros e ações que visam à atualização contínua dos processos formativos e ao atendimento das demandas sociais contemporâneas.

Com compromisso institucional, a Pró‑Reitoria de Graduação contribui para que a UFAC cumpra seu papel educativo, formando profissionais críticos e comprometidos com as realidades local e regional, garantindo um ambiente acadêmico de excelência e responsabilidade social.

Ednacelí Abreu Damasceno
Pró-Reitora de Graduação



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Orientação sobre revalidação e reconhecimento de diplomas — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Orientações para abertura de processo administrativo e procedimentos acerca da revalidação de diploma de graduação e reconhecimento de diplomas de pósgraduação stricto sensu emitidos por instituições estrangeiras, conforme a Resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017.

Abertura do Processo

I – Preenchimento do Formulário Padrão (conforme modelo disponibilizado);

II – Documentos pessoais exigidos:

• Cópia do documento de identidade para brasileiros ou naturalizados, e, se estrangeiro, cópia da identidade e do visto permanente, expedido pela Superintendência da Polícia Federal, ou passaporte com visto permanente, concedido pela autoridade competente;

• Comprovante de residência;

• Comprovante de quitação com o serviço militar, para brasileiros do sexo masculino;

• Comprovante de quitação com o serviço eleitoral, para brasileiros e naturalizados;

III – Documentos acadêmicos exigidos:

• Para revalidação, conforme Art. 10, da resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017.

• Para reconhecimento, conforme Art. 33, da resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017.

IV – Preenchimento do Termo de aceitação, exclusividade e autenticidade, conforme modelo disponibilizado pelo NURCA;

V – Solicitação de abertura de processo no Protocolo Geral da UFAC, direcionado ao NURCA, com a apresentação da documentação exigida nos itens de I a IV;

Submissão da documentação na Plataforma Carolina Bori – Link: http://plataformacarolinabori.mec.gov.br

O interessado deve submeter a documentação no formato .pdf, agrupando diferentes documentos em arquivo único conforme indicado abaixo:

Arquivo 1 em .PDF:

1. Formulário Padrão preenchido (conforme modelo disponibilizado);

2. Documentos pessoais exigidos:

a) Cópia do documento de identidade para brasileiros ou naturalizados, e, se estrangeiro, cópia da identidade e do visto permanente, expedido pela Superintendência da Polícia Federal, ou passaporte com visto permanente, concedido pela autoridade competente;

b) Comprovante de residência;

c) Comprovante de quitação com o serviço militar, para brasileiros do sexo masculino;

d) Comprovante de quitação com o serviço eleitoral, para brasileiros e naturalizados;

Arquivo 2 em PDF:

1. Diploma e Histórico (Itens I e II do Artigo 10 ou Itens II e IV do artigo 33 da Resolução nº 003, de 14 de março de 2017);

Arquivo 3 em PDF:

1. Documentos acadêmicos exigidos excetuando-se os do Arquivo 2:

a) Para revalidação, conforme Art. 10, da resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017.

b) Para reconhecimento, conforme Art. 33, da resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017, excetuando item III (vide Arquivo 5).

Arquivo 4 em PDF:

1.Termo de aceitação, exclusividade e autenticidade, preenchido conforme modelo disponibilizado pelo NURCA; da resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017.

Arquivo 5 em PDF:

a) Para os casos de reconhecimento: Exemplar digital da tese ou dissertação com registro de aprovação da banca examinadora e documentações complementares, conforme item III do Art. 33 da resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017. 

Fluxo do Processo

VI – Recebimento do processo pelo NURCA e encaminhamento para o Centro pertinente, que constituirá Comissão;

VII – Retorno do processo ao NURCA no prazo de 15 dias;

VIII – Sendo favorável o parecer da Comissão, será autorizada a emissão de GRU, bem como, o seu devido pagamento (R$ 1.200,00 – graduação; mestrado – R$ 1.500,00 e doutorado R$ 2.000,00), devendo ser incluída a via original ou cópia autenticada por servidor da UFAC no processo de revalidação.

a) Em caso de parecer negativo, o processo será disponibilizado para consulta, retirada de documentação e/ou ajuste quando for pertinente.

IX – Retorno do processo ao Centro para a Comissão concluir a revalidação no prazo restante dos seis meses.

Formulário Padrão

Termo de Aceitação, Exclusividade e Autenticidade

_________________________________________________________________________________________________________

Links Úteis



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

MAIS LIDAS