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Diferenças no cérebro de pessoas viciadas em bets – 19/11/2024 – Equilíbrio e Saúde

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André Biernath

Uma vontade irresistível de arriscar. Uma certeza de que, dessa vez, a sorte vai sorrir. Uma falta de controle sobre gastos. Uma ausência de preocupação sobre as dívidas acumuladas.

Essas são algumas frases que podem descrever o que se passa com uma pessoa com dependência em apostas, como as bets —algo que é descrito nos manuais de medicina como transtorno do jogo.

A Associação Americana de Psiquiatria diz que esse quadro é marcado por “um padrão de apostas repetidas e contínuas, apesar do ato gerar vários problemas na vida do indivíduo”.

A entidade lembra que o problema vai além, e afeta também a família do paciente e toda a sociedade.

Mas o que acontece na cabeça de um indivíduo que é acometido pelo transtorno do jogo? Por que algumas pessoas que fazem apostas desenvolvem esse distúrbio —e outras não? E o que está disponível para ajudar a lidar com esse vício?

A BBC News Brasil ouviu especialistas e detalha a seguir as respostas para essas e outras perguntas relacionadas a essa doença.

Um mergulho no cérebro do apostador compulsivo

O psiquiatra Lucas Spanemberg, pesquisador do Instituto do Cérebro da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), destaca que a dependência em fazer apostas apresenta uma raiz parecida a de outros vícios, como aqueles relacionados às substâncias (álcool, nicotina, cocaína…) e aos comportamentos (como sexo, alimentação, compras etc.).

“A gente tem uma área no cérebro chamada sistema límbico, em que uma série de estruturas interconectadas formam um circuito de recompensa. Elas são responsáveis por trazer uma sensação de gratificação”, detalha o médico, que também é professor da Escola de Medicina da PUC-RS.

Qualquer coisa que nos traga prazer —a atividade sexual, comer um alimento que gostamos muito, estar próximo de pessoas queridas, etc. —provoca a liberação do neurotransmissor dopamina nesse circuito.

“E esse mecanismo é muito importante para a nossa sobrevivência e evolução como indivíduo e espécie”, observa Spanemberg.

O problema é que existem substâncias e comportamentos que despejam uma quantidade muito maior da dopamina neste sistema do cérebro.

“Há certos fatores que entram no circuito de recompensa e pervertem toda essa experiência”, aponta o psiquiatra.

“Vamos supor que, numa situação prazerosa normal, a dopamina é liberada numa intensidade 10. Quando estamos diante de um elemento aditivo, essa intensidade sobe para 100″, compara ele.

De acordo com o psiquiatra, essa diferença “inaugura um parâmetro diferente de satisfação química no cérebro”, que “distorce a cognição” e “traz uma sensação de que é necessário repetir esse comportamento”.

“Aos poucos, a pessoa deixa de fazer coisas que seriam gratificantes e trariam uma escala de satisfação química normal para o cérebro, para algo que é aditivo e traz muito mais dopamina para esse circuito”, pontua Spanemberg.

Área do cérebro responsável por resolução de problemas tem atividade reduzida

O médico Vinícius Andrade, da Comissão de Adicções da Associação Brasileira de Psiquiatria, lembra que outras regiões do cérebro além do sistema límbico estão envolvidas no transtorno do jogo.

“Podemos citar áreas do córtex pré-frontal, que fica perto da testa, e é responsável pela tomada de decisões e resolução de problemas”, diz o especialista, que também é médico assistente do Ambulatório de Transtornos de Impulso da Universidade de São Paulo (USP).

“Em estudos que avaliam indivíduos com transtorno do jogo, foi observada também uma redução na conectividade de áreas como o córtex medial orbitofrontal, o striatum e o córtex cingulado anterior”, detalha ele.

Alguns trabalhos também citam alterações na amígdala, que está relacionada com a regulação do estresse.

Na prática, todas essas diferenças dificultam a tomada de decisões razoáveis ou conscientes —como, por exemplo, gastar ou não muito dinheiro em apostas que envolvem um alto grau de incerteza sobre eventuais ganhos futuros.

Temos, então, um cenário danoso por diversos caminhos: por um lado, há um enorme despejo de dopamina nos sistemas de recompensa, algo que é literalmente viciante; por outro, ocorre uma “bagunça” nos circuitos neuronais que deveriam tomar decisões racionais e ponderadas (como não gastar o dinheiro do aluguel ou das contas em apostas, por exemplo).

Mas será que esses efeitos são os mesmos diante de todas as modalidades de jogos —da aposta feita numa casa lotérica ao cassino e o joguinho instalado no celular?

Segundo os especialistas, a questão aqui está relacionada à disponibilidade.

Enquanto no caso da loteria é preciso se deslocar até um outro local, os aplicativos de aposta estão “grudados” na pessoa o tempo todo, já que o smartphone virou um apetrecho essencial.

“Antigamente, a pessoa tinha que ir até um local para poder jogar. Agora, ela é bombardeada o tempo todo com possibilidades de ganho e recompensa. Isso muda tanto o tempo de exposição quanto a intensidade com que isso acontece”, avalia Andrade.

“Além disso, sabemos que essas empresas de tecnologia coletam dados do usuário, o que aprimora as ferramentas para ampliar cada vez mais o estímulo e prender a atenção”, complementa ele.

Por que algumas pessoas desenvolvem o transtorno do jogo —e outras não?

Uma revisão de artigos publicada em 2019 na revista Nature Reviews e assinada por especialistas da Universidade Yale, nos EUA, e outras instituições americanas, canadenses e australianas, calcula que o transtorno do jogo afeta entre 0,4 e 0,6% da população.

O número varia consideravelmente de acordo com o local em que levantamentos do tipo são feitos. Em Hong Kong, essa porcentagem fica em 1,8%, enquanto na Austrália pode chegar a 2%.

Em linhas gerais, os especialistas e a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) concordam que o distúrbio afeta ao redor de uma a cada 100 pessoas.

Mas e dentro do universo de indivíduos que fazem apostas com regularidade? Há uma tendência de o transtorno do jogo ser mais frequente neste grupo?

A resposta é sim. O médico Hermano Tavares, coordenador do Ambulatório do Jogo Patológico e do Programa de Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, lembra de um trabalho feito há uma década, que mostrou que 12 a 15% dos brasileiros apostam regularmente.

Na visão dele, esse número deve ter aumentado recentemente, com a liberação das bets e a maior disponibilidade desses serviços em aplicativos de celular.

“Das pessoas que jogam regularmente, em torno de 15% desenvolvem dificuldades com o jogo”, calcula Tavares.

“Ou seja, de sete pessoas que gostam de fazer uma fezinha de vez em quando, uma desenvolve esse tipo de problema”, detalha o especialista.

O psiquiatra destaca que essa é uma taxa média, pois o nível de adição pode variar de acordo com o tipo de jogo.

“Um jogo como o do tigrinho ou do aviãozinho é mais aliciante, então essa porcentagem tende a ser maior. Já uma aposta de loteria é algo mais protegido, porque o indivíduo faz a aposta e demora uma semana para ter acesso ao resultado”, compara ele.

Por trás do desenvolvimento do transtorno do jogo, há uma predisposição genética —embora não tenham sido identificados genes específicos por trás do problema —e também uma série de fatores ambientais.

Além da modalidade de jogo e o tipo de aposta, questões como idade e a presença de outras doenças psiquiátricas podem influenciar por aqui.

“Uma exposição mais precoce, antes dos 18 anos, quando o sujeito ainda não possui um freio inibitório bem desenvolvido no cérebro, é um importante fator de vulnerabilidade”, destaca Spanemberg.

“Pessoas que já têm um outro transtorno, como uma depressão, por exemplo, também apresentam maior risco de desenvolver dependência”, acrescenta ele.

O especialista pondera que todos esses elementos —genética, idade, doenças psiquiátricas, entre outros —não determinam se alguém vai necessariamente ter um problema relacionado ao jogo.

Mas eles aumentam a probabilidade de “desenvolver um comportamento pernicioso, danoso e patológico”, segundo o psiquiatra.

O que define o transtorno do jogo

A Associação Americana de Psiquiatria explica que uma pessoa pode ser diagnosticada com o transtorno do jogo quando tem pelo menos quatro sintomas da lista a seguir:

Pensamentos frequentes sobre apostas (como relembrar apostas no passado ou planejar apostas futuras);

Necessidade de apostar, com aumento na quantia gasta para alcançar o mesmo nível de excitação;

Esforços repetidos e frustrados para controlar, diminuir ou parar de apostar;

Inquietação ou irritabilidade ao tentar reduzir ou parar de jogar;

Ver o jogo como uma tentativa de escapar de problemas ou do estresse;

Após perder dinheiro ou algo de valor com apostas, sentir a necessidade de continuar no jogo para “se vingar” —algo também conhecido como “perseguir” as próprias perdas para superá-las;

Após perder dinheiro ou algo de valor com apostas, sentir a necessidade de continuar no jogo para “empatar” —ou seja, recuperar aquilo que perdeu;

Jogar quando sentir algum tipo de angústia;

Mentir para esconder o quanto está envolvido com jogos de azar;

Perder oportunidades importantes relacionadas com a vida pessoal e profissional por causa do jogo;

Contar com a ajuda de outras pessoas para lidar com problemas financeiros causados pelo jogo.

Andrade chama a atenção para a importância do apoio da família e de amigos nesse processo de diagnóstico.

“Quando a gente fala de jogo, algo muito comum é o indivíduo mentir e mascarar as perdas ou a quantidade de vezes que aposta”, observa o médico.

“Ao mesmo tempo, ele tem uma grande vontade de jogar, num comportamento de fissura muito intenso. É como se você estivesse com fome e não pudesse comer”, compara ele.

O psiquiatra aponta que, se o paciente não conta com esse apoio de todos que o cercam, a busca por uma ajuda profissional acontece muito tardiamente.

“E isso gera um enorme prejuízo econômico e familiar”, lamenta Andrade.

Como tratar o transtorno do jogo

Feito o diagnóstico, é possível lançar mão de uma série de medidas para lidar com a dependência.

“A abordagem depende muito das características do paciente”, diz Spanemberg.

“A maioria deles possui algum outro transtorno psiquiátrico associado, como uma depressão, que também precisa de tratamento”, acrescenta ele.

“O jogo muitas vezes é uma estratégia, um subterfúgio para lidar com um sentimento negativo que está relacionado com outro distúrbio”, reforça Spanemberg.

Ao tratar a doença de base (como depressão ou ansiedade, por exemplo), a tendência é aliviar esses sentimentos negativos —e, por consequência, diminuir aos poucos a necessidade de fazer apostas.

Em linhas gerais, o transtorno do jogo pode ser trabalhado na terapia cognitivo-comportamental, um tipo de psicoterapia em que o paciente e o profissional de saúde avaliam e discutem comportamentos e pensamentos, para que eles possam ser modificados com o passar do tempo.

“Também há a entrevista motivacional, uma abordagem usada para entender o estágio de consciência que o indivíduo está em relação à dependência. Ele pode se encontrar numa fase de negação do problema ou contemplar o que está vivendo. Há também aqueles que já estão na etapa de ação, de trabalhar para sair daquela situação”, complementa Spanemberg.

Em alguns casos, os médicos podem também prescrever medicações.

“Sabemos que remédios da classe dos antagonistas opioides podem ajudar a segurar aquele comportamento típico da aposta”, cita Andrade.

O psiquiatra também lembra dos grupos de apoio. “No Brasil, temos os Jogadores Anônimos e o Gaming Addicts, que fazem um trabalho muito bom”, sugere ele.

Transtorno de jogo: a demanda por tratamento vai aumentar?

Diante da popularidade das bets —que, por exemplo, hoje patrocinam a maioria dos clubes de futebol da Série A do Campeonato Brasileiro —, existe um temor em termos de saúde pública sobre o aumento de casos de transtorno do jogo.

Entre os especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, essa preocupação é clara.

“Precisamos discutir não apenas as repercussões sociais do jogo, mas também todas as questões de saúde mental”, concorda Spanemberg.

Tavares lembra que, em meados dos anos 1990, o Brasil viveu a febre dos bingos e das máquinas caça-níquel.

“Em 1996, os casos começaram a chegar lá no Instituto de Psiquiatria da USP. Eu era professor auxiliar e ouvi uma primeira pessoa dizer que gastava todo dinheiro nos bingos, se arrependia, ficava péssimo e depois tentava recuperar”, lembra ele.

“Resolvi transformar esse e outros relatos no meu objeto de estudo. Em 1998, após terminar meu doutorado, abri o Ambulatório de Jogo, onde fazia longas entrevistas com jogadores compulsivos e oferecia tratamento a eles.”

Com o passar do tempo, o serviço foi formalizado e precisou ser ampliado.

“A depender da época, chegamos a ter entre 5 a 10 profissionais contratados e outros 60 a 70 voluntários no ambulatório. No auge, contamos com cerca de 80 colaboradores”, estima Tavares.

Essa demanda foi reduzida com o fechamento dos bingos, em meados de 2004. Mesmo assim, ela nunca chegou a cessar.

Mais recentemente, de 2018 em diante, com a inundação das bets e outros jogos onlines no Brasil, a procura pelos serviços do ambulatório voltou a subir.

“Com a nossa estrutura atual, conseguimos atender 80 casos novos por ano, além de acompanhar outros 160 pacientes que fazem um seguimento por cerca de dois anos”, informa o psiquiatra.

“Mas diante de um fenômeno como esse que vivemos agora, ficamos com o triplo de pacientes na fila de espera.”

“É claro que esses números não retratam a realidade do Brasil, são apenas gotinhas num oceano muito maior”, avalia o especialista.

Para Tavares, o aumento do acesso às apostas está relacionado a uma demanda na frequência do transtorno do jogo entre a população —e será necessário criar um aparato no Sistema Único de Saúde (SUS) para absorver essa demanda de pacientes.

“O jogo sempre existiu e sempre vai existir. O que varia é a forma como se regulamenta esse setor”, avalia o médico.

“Podemos permitir uma maior ou menor penetração deles na sociedade. Se proibimos tudo, isso diminui a demanda por tratamento, embora sempre exista o mercado ilegal.”

“Agora, caso o jogo seja liberado por uma questão de equilíbrio das contas fiscais e economia, será necessário fazer um investimento equivalente na saúde pública. Isso precisa virar uma política de Estado”, opina ele.

“Se esse investimento não acontecer, o tiro sai pela culatra. A arrecadação com eventuais impostos não será suficiente para tapar o buraco do adoecimento mental e das mazelas financeiras relacionadas ao jogo”, conclui o psiquiatra.



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Ufac retoma Semana Acadêmica de Física após 6 anos, com planetário — Universidade Federal do Acre

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Ufac retoma Semana Acadêmica de Física após 6 anos, com planetário — Universidade Federal do Acre

A Universidade Federal do Acre (Ufac) realiza até esta sexta-feira, 23, a 3ª Semana Acadêmica de Física, no prédio do curso, no campus-sede, em Rio Branco. Iniciado nessa segunda-feira, 19, o evento retoma as atividades presenciais da semana acadêmica após seis anos de interrupção, causada pela pandemia de covid-19 e pela reorganização do calendário universitário.

A programação tem atrações abertas ao público, como oficinas de astronomia, observação do Sol com telescópio e um planetário móvel, instalado no segundo andar do prédio de Física. Há ainda palestras, apresentações de pesquisas de estudantes e minicursos práticos de elaboração de material didático, física experimental, criação de mapas, processamento de dados e sismologia.

Organizada em três eixos temáticos, a semana é voltada aos estudantes da licenciatura e do bacharelado em Física e do curso de Física Aplicada às Ciências da Terra. Os primeiros dias tiveram debates e palestras sobre o ensino de física e a formação docente. Em seguida, a programação trata de física pura, como mecânica quântica, relatividade e física de partículas, e termina com geofísica, astronomia e fenômenos naturais.

Segundo o coordenador do evento e professor do curso de Física, Victor Carreira, a retomada presencial reaproxima o curso da comunidade externa e das escolas de educação básica. Turmas do Instituto Federal do Acre visitaram a semana, e escolas da rede pública foram convidadas.

“A semana acadêmica é muito importante tanto para os nossos alunos quanto para a comunidade em geral de Rio Branco”, disse Carreira. “É uma oportunidade para jovens do ensino médio conhecerem a universidade e vivenciarem a ciência na prática.”

A cerimônia de encerramento ocorre nesta sexta-feira, 23, à tarde.

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)

 



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Pavic-Lab da Ufac apresenta seis trabalhos em congresso internacional de computação — Universidade Federal do Acre

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Pavic-Lab da Ufac apresenta seis trabalhos em congresso internacional de computação — Universidade Federal do Acre

Pesquisadores do projeto Pavic-Lab, da Universidade Federal do Acre (Ufac), apresentaram seis trabalhos científicos durante a Conference on Graphics, Patterns and Images (SIBGRAPI 2026), congresso internacional de referência nas áreas de computação gráfica, processamento de imagens e visão computacional, realizado de 29 de setembro a 2 de outubro, em Goiânia (GO). As pesquisas foram desenvolvidas no projeto de pesquisa e desenvolvimento (P&D) Pesquisas Aplicadas em Visão e Inteligência Computacional (Pavic-Lab), uma iniciativa de cooperação técnico-científica entre a Ufac, Motorola, Flextronics e Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária no Acre (Fundape).

Segundo a professora do Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas (CCET), Ana Beatriz Alvarez Mamani, a participação no congresso contribui para divulgar a produção científica desenvolvida no Acre e ampliar o intercâmbio com outras instituições. Ela destacou que a presença da Ufac em eventos científicos também ajuda a reduzir as desigualdades regionais na ciência brasileira, além de possibilitar novas parcerias e o aperfeiçoamento das pesquisas.

A equipe foi composta pela professora Ana Beatriz Alvarez Mamani, pelo pesquisador Quefren Leher, pelos mestrandos do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação (PPGCC) Clécio Silva, Lucas Carvalho, Gustavo Ferreti, Julio Martins e Ian Teixeira, além do graduando em Sistemas de Informação Kauã Galvão de Macedo.

Dos seis trabalhos apresentados, um integrou uma sessão especial do congresso e já foi publicado na revista científica Computers & Graphics. Outros três foram apresentados na programação principal, com previsão de publicação nos anais do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE) e na biblioteca digital da Sociedade Brasileira de Computação (SBC). Os dois trabalhos restantes foram apresentados em workshops, também com previsão de publicação na biblioteca digital da SBC.

As pesquisas estão divididas em duas áreas principais: reconstrução tridimensional e processamento de imagens. Na primeira, Clécio Silva apresentou um método computacional para criar representações digitais mais detalhadas de ambientes internos a partir de imagens. A tecnologia pode ser aplicada em jogos, realidade virtual e aumentada, simulações e projetos da construção civil.

Na área de processamento de imagens, Lucas Carvalho apresentou uma pesquisa para reconstruir imagens de alta faixa dinâmica (HDR) a partir de uma única imagem convencional, buscando recuperar detalhes em regiões claras e escuras. Gustavo Ferreti desenvolveu uma rede neural para combinar imagens com diferentes níveis de exposição e melhorar a qualidade visual dos resultados.

Julio Martins apresentou uma metodologia para reduzir o custo computacional da reconstrução de imagens HDR, preservando a qualidade das imagens produzidas. Ian Teixeira investigou o uso de mecanismos de atenção em modelos de inteligência artificial para recuperar informações em imagens de baixa qualidade. Já Kauã Galvão de Macedo apresentou uma abordagem que combina redes neurais e técnicas de processamento de sinais para melhorar imagens capturadas em ambientes com pouca iluminação.

Os métodos desenvolvidos apresentam potencial de aplicação em sistemas embarcados com recursos computacionais limitados, como dispositivos eletrônicos que integram processamento de imagens, permitindo aprimorar a qualidade visual com menor demanda de processamento.

Para o graduando Kauã Galvão de Macedo, a participação no congresso proporcionou a oportunidade de apresentar os resultados de sua pesquisa e conhecer novas abordagens científicas. “Foi uma ótima experiência, tanto pela oportunidade de apresentar minhas pesquisas desenvolvidas na Ufac quanto pela troca de conhecimentos com pesquisadores de outras instituições”, afirmou.

Segundo Kauã, as discussões realizadas durante o evento possibilitaram o contato com técnicas que poderão contribuir para suas pesquisas e para os projetos desenvolvidos pelo Pavic-Lab, além de abrir oportunidades de colaboração científica.

O mestrando em Ciência da Computação Gustavo de Souza Ferreti também destacou a importância da experiência para sua formação acadêmica. “Tive a oportunidade gratificante de conhecer professores e pesquisadores com ampla trajetória no nosso campo, além de ouvir sobre suas vivências e receber orientações valiosas para aprimorar meu trabalho”, disse.

O Pavic-Lab desenvolve atividades de pesquisa voltadas ao processamento de imagens, ao aprimoramento da qualidade visual e à reconstrução tridimensional de ambientes e objetos. Após a participação no congresso, a equipe dará continuidade às pesquisas científicas, com novos experimentos e avaliações para aperfeiçoar os métodos, reduzir custos computacionais e ampliar as possibilidades de aplicação prática dos resultados.



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Ufac abre 1ª Conferência Internacional Amazônia Nexus — Universidade Federal do Acre

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Ufac abre 1ª Conferência Internacional Amazônia Nexus — Universidade Federal do Acre

A Universidade Federal do Acre (Ufac) iniciou, na manhã desta segunda-feira, 19, a 1ª Conferência Internacional Amazônia Nexus. A solenidade de abertura ocorreu no auditório do e-Amazônia, no campus-sede, em Rio Branco, e reuniu professores, estudantes, participantes externos e palestrantes locais, nacionais e internacionais.

A vice-reitora da Ufac, Almecina Balbino, destacou que o evento busca fortalecer a produção científica regional e estreitar os laços interinstitucionais. Segundo ela, a conferência favorece a criação de uma rede de conexão entre os programas de pós-graduação e viabiliza a internacionalização por meio da cooperação Sul-Sul, permitindo que pesquisadores externos contribuam diretamente para os estudos sobre o território amazônico.

O pró-reitor de Extensão e Cultura, Marco Amaro, ressaltou o papel da extensão universitária na articulação do conhecimento científico com a comunidade. “Não existe integração entre ensino, pesquisa e extensão se a gente tirar as pesquisas da prateleira sem estarmos envolvidos com ações de extensão, que fazem a intermediação entre o conhecimento da universidade e a sociedade”, declarou. Ele também destacou que a rede de contatos estabelecida entre as diferentes áreas fortalece a qualidade acadêmica da instituição.

O coordenador do evento, professor Flávio Roberto Chaves da Silva, expressou satisfação com o início da conferência e destacou a dimensão coletiva da iniciativa. “É com muita alegria, satisfação e gratidão que damos início a este projeto que nasceu do desejo de fortalecer a ciência, a cooperação e a internacionalização da pesquisa na Amazônia. Celebramos a coragem de começar, a força do trabalho coletivo e a realização de um sonho. Que esta seja a primeira de muitas edições, promovendo o conhecimento e contribuindo para o desenvolvimento sustentável da nossa região”, afirmou o docente, agradecendo a parceria dos palestrantes, da comissão organizadora e dos apoiadores.

Durante a abertura, a mesa de debates destacou a importância do encontro para a região. O professor e pesquisador Lin Shau Ming, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), um dos palestrantes do dia, ressaltou que os estudos sobre plantas medicinais e agrobiodiversidade contribuem para o bem-estar das comunidades tradicionais. Segundo ele, o tema está alinhado à proposta central do evento de promover a integração de diferentes saberes e áreas do conhecimento na universidade.

A coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal na Amazônia Ocidental, Cíntia Daudt, destacou o compromisso social da universidade com a produção de conhecimento e o desenvolvimento regional. “É um evento bem importante para a nossa região e para a nossa universidade. Estamos aqui cumprindo o nosso ato de educação. Como dizia Paulo Freire, ‘educar é um ato político’. Nós estamos cumprindo a nossa parte, unindo ensino, pesquisa e extensão em um único evento”, afirmou.

A cerimônia de abertura contou ainda com a participação do pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação, Dionatas Meneguetti; dos coordenadores Fernando da Silva Souza, de Ciência, Inovação e Tecnologia para a Amazônia; Felipe Souza, de Ciência Florestal; Regina Lúcia Ferreira, de Produção Vegetal; e da vice-coordenadora Danúsia Rocha, de Saúde Coletiva.

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



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