NOSSAS REDES

MUNDO

‘Dinheiro não é um fim’, diz Jorge Gerdau em autobiografia – 13/12/2024 – Mercado

PUBLICADO

em

O empresário Jorge Gerdau Johannpeter, 87, que ajudou a colocar um negócio da família entre as maiores produtoras de aço do mundo, surfou muito na vida. Surfou de verdade, desde jovem. Até os 70 e poucos anos ainda pegava uma onda.

O simbolismo desse esporte é tal para sua formação pessoal que a sua primeira prancha, de cor amarela, está na capa de sua autobiografia, “A Busca — os aprendizados de uma jornada de inquietações e realizações”, que já está à venda.

“Não é fácil surfar porque você precisa lidar com aquele momento decisivo”, explicou durante conversa com a reportagem da Folha sobre o que o moveu a escrever.

“Você rema, entra mais ou menos no ritmo da onda e tem de saber a hora de parar de remar para entrar a posição certa e ficar de pé.” Sim. Essa explicação é o que parece: uma analogia que também explica a proposta do livro.

Inúmeras páginas trazem uma certa poesia nas entrelinhas. Mesmo sendo as memórias de um dos mais bem-sucedidos empresários do Brasil, não foram organizadas para, objetivamente, dar lições de como comandar negócios. Gerdau reconhece que até tentou fugir desse mote, e optou por uma reflexão que fosse mais abrangente: como se tonar um ser humano mais apto —considerando que muito mais deriva disso, inclusive o eventual sucesso empresarial.

Na entrevista, voltou a um trecho do texto que usa o surfe para resumir o ponto de vista que deseja apresentar aos leitores. “O surfe é o diálogo com o mar. Isso não é genial? O diálogo é o centro de tudo.”

O trecho completo, na página 71, diz: “O mar fala. O surfista responde e propõe, depois. Por um lado, o mar tem certa regularidade nos seus movimentos. Por outro, cada onda é diferente. São lições e vivências totalmente aplicáveis na vida. No fundo, o que define o sucesso na escolha da onda em que se deve investir é a sensibilidade que nasce desse diálogo constante.”

As páginas também trazem reflexões mais críticas, que só alguém com um olhar sobre o tempo consegue pinçar e discutir. Faz o leitor lembrar que não foi apenas a indústria que perdeu espaço na economia nacional, o empresário também perdeu interlocução com a cena brasileira.

“Acompanhei lideranças históricas, com Olavo Setúbal, Luís Villares, Antônio Ermírio”, recordou durante a entrevista.

“Eu era dez, 15 anos mais moço, mas tive a oportunidade de conviver com eles. Realmente, eles tinham um papel de liderança extrema muito importante, que de certo modo hoje não existe.”

Chama a atenção que ele não escreve sobre o convívio com autoridades, apesar de ter acompanhado gerações de poderosos. O trecho do texto em que trata de política vem mais como alerta e lamento.

“A radicalização do ambiente político e o exercício personalista do poder impõem certo constrangimento aos empresários. Teoricamente, é bom para a democracia e para os governos que os empreendedores se posicionem publicamente sobre questões eleitorais e ideológicas, quando os grandes temas do país estão em jogo”, escreveu no capítulo que discute governo e sociedade.

“Aqui no Brasil, os empresários, entre os quais me incluo, têm de trabalhar com cuidado, evitando posições mais fortes, mesmo que elas sejam para o bem do país, por temor de represálias. Não existe ainda maturidade para aceitar as posições conflitantes ou divergentes. Perde a política, perde a economia, perde o Brasil, perdemos todos.”

O livro tem uma frase que retrata bem essa nova dinâmica: “os acionistas não pagam seus executivos para que entrem em polêmicas que possam gerar riscos para a empresa”.

No entanto, o pilar da obra —não por acaso abordado no capítulo “O Centro de Tudo”— é lembrar o leitor que o lucro, por mais importante que seja, não existe meramente para acumular dinheiro.

“O aperfeiçoamento do sistema financeiro mundial, com a existência de milhares de empresas, instituições e estruturas, nos leva a uma distorção. Passamos a acreditar que o dinheiro é um fim. Não é. Dinheiro sempre foi e sempre deverá ser um meio para o desenvolvimento econômico e social”, escreve.

“É lógico que maximizar resultados é importante e deve ser sempre um objetivo das pessoas e das organizações, respeitados os padrões éticos e legais. Mas se tudo isso não servir para que as pessoas, as empresas, os governos, as instituições e as comunidades em geral se desenvolvam de uma forma abrangente, de nada serve todo esse aparato.”

Na entrevista à Folha, ele deu como exemplo a abordagem nacional sobre o avanço do PIB (Produto Interno Bruto), que considera limitada.

“A gente ouve muitas vezes falarem de crescimento. Que tivemos crescimento de 2% ou de 2,5%. Mas quanto é isso para as pessoas? Ninguém se preocupa em falar do efeito per capita do crescimento”, afirmou.

“A busca pela excelência não pode se restringir a uma visão econômica ou empresarial. Precisa estar na educação, na saúde, na cultura.”

RAIO-X | Jorge Gerdau Johannpeter, 87

Empresário e presidente do conselho superior do Movimento Brasil Competitivo. É bisneto de João Gerdau, fundador da empresa brasileira que herdou seu sobrenome. Jorge Gerdau foi presidente da siderúrgica na quarta geração da família no comando da companhia. Foi considerado pela Revista Época um dos cem brasileiros mais influentes e ficou em primeiro lugar entre os cem líderes de melhor reputação do Brasil, segundo ranking da Exame.



Leia Mais: Folha

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

MUNDO

PM dinamarquês diz ‘Você não pode anexar outro país’ – DW – 04/04/2025

PUBLICADO

em

PM dinamarquês diz 'Você não pode anexar outro país' - DW - 04/04/2025

O primeiro -ministro da Dinamarca Mette Frederiksen descartou firmemente as chamadas repetidas por Presidente Donald Trump e sua administração para os Estados Unidos assumirem o controle de Groenlândia.

“Não se trata apenas da Groenlândia ou Dinamarcaé sobre a ordem mundial que construímos juntos através do Atlântico ao longo de gerações “, disse Mette Frederiksen da Groenlândia na quinta -feira.

Falando em uma conferência de imprensa ladeada pelos primeiros ministros da ilha, ela mudou para o inglês para abordar diretamente o Estados Unidos.

“Você não pode anexar outro país, nem mesmo com uma discussão sobre segurança”, disse ela.

A Groenlândia pertence oficialmente à Dinamarca, mas tem uma regra automática na maior parte de seus assuntos internos, enquanto assuntos externos e defesa são administrados pelo governo na Dinamarca.

Trump quer que o controle da Groenlândia ajude a impedir a ameaça da Rússia e da China no Ártico, além de potencialmente explorar seus vastos recursos naturais.

Por que os EUA e a Europa estão lutando pelo futuro da Groenlândia

Para visualizar este vídeo, ative JavaScript e considere atualizar para um navegador da web que Suporta o vídeo HTML5

O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen disse que era importante para a Dinamarca e a Groenlândia se unirem durante uma situação com tanta pressão externa.

A Dinamarca aumenta os compromissos de segurança

Frederiksen também descreveu os compromissos de segurança da Dinamarca, incluindo novos navios do Ártico, drones de longo alcance e capacidade de satélite.

Ela convidou os EUA a trabalhar “juntos” com a Dinamarca, um aliado da OTAN, para fortalecer a segurança no Ártico.

A viagem de três dias de Frederiksen ao território dinamarquês autônomo ocorre menos de uma semana depois de um Visita controversa do vice -presidente dos EUA JD Vance.

Durante sua parada em uma base militar dos EUA na Groenlândia, Vance acusou a Dinamarca de não fazer um bom trabalho em manter a ilha em segurança e sugeriu que os EUA o protegeriam melhor.

Frederiksen disse na época que a descrição de Vance da Dinamarca “não era justa”.

Dinamarca critica os comentários de Vance sobre a Groenlândia

Para visualizar este vídeo, ative JavaScript e considere atualizar para um navegador da web que Suporta o vídeo HTML5

Editado por: Zac Crellin



Leia Mais: Dw

Continue lendo

MUNDO

Tribunal Constitucional da Coréia do Sul para governar o impeachment de Yoon – DW – 04/04/2025

PUBLICADO

em

Tribunal Constitucional da Coréia do Sul para governar o impeachment de Yoon - DW - 04/04/2025

O Tribunal Constitucional da Coréia do Sul governará na sexta -feira se deve defender o Impeachment de Yoon Suk Yeolmeses após a declaração de direito marcial do presidente conservador, jogou o país no caos.

O Tribunal está agendado se reunirá em uma sessão televisionada nacionalmente marcada para começar às 11h (0200 GMT) para um veredicto decidir se Yoon retorna ao cargo ou foi removido permanentemente.

Pelo menos seis dos oito juízes devem votar a favor para defender o impeachment de Yoon.

Por que o presidente foi preso?

Yoon foi preso e acusado pelos promotores em janeiro em relação à sua decisão de 3 de dezembro de declarar a lei marcial, uma medida que mergulhou o país em turbulência política.

O Parlamento liderado pela oposição da Coréia do Sul votou posteriormente a impeachment de Yoon em meados de dezembro, levando à sua suspensão do cargo.

Yoon Suk Yeol
Yoon foi preso e acusado pelos promotores em janeiro sobre sua decisão de 3 de dezembro de declarar a lei marcialImagem: Jung Yeon-Je/AFP/Getty Images

Após seu impeachment, o homem de 64 anos resistiu à prisão por duas semanas em seu complexo presidencial no centro de Seul.

Desde então, Yoon defendeu a imposição de curta duração da lei marcial como uma “proclamação de que a nação estava enfrentando uma crise existencial”.

Em março, o Tribunal Distrital Central de Seul cancelou o mandado de prisão de Yoon, citando o momento de sua acusação e “perguntas sobre a legalidade” da investigação e o libertou da prisão.

O que acontece a seguir?

Se impugnado, a Coréia do Sul terá que eleger um novo presidente nos próximos 60 dias.

Yoon também está enfrentando um julgamento criminal paralelo sobre as acusações de insurreição relacionadas à declaração da lei marcial.

Ele é o primeiro presidente sul -coreano a ser julgado em um processo criminal. Espera -se que o caso se arraste além de seu impeachment.

Editado por: Zac Crellin



Leia Mais: Dw

Continue lendo

MUNDO

Trump expurga vários consultores de segurança nacional – Relatórios – DW – 04/04/2025

PUBLICADO

em

Trump expurga vários consultores de segurança nacional - Relatórios - DW - 04/04/2025

Presidente dos EUA Donald Trump demitiu vários funcionários de segurança nacional dos EUA, a emissora CNN e outros meios de comunicação relatados na quinta -feira.

The New York Times relataram que cerca de seis membros da equipe do NSC foram demitidos, enquanto outros foram transferidos, após uma reunião entre Trump e Laura Loomer, ativista de extrema direita.

Entre os vários altos funcionários da NSC que foram demitidos estão David Feith, um diretor sênior que supervisiona a tecnologia e a segurança nacional, e Brian Walsh, um diretor sênior que supervisiona os assuntos de inteligência, informou a Reuters.

As razões para os disparos não estavam claros, mas fontes sem nome disseram à Reuters que disseram que havia problemas com a verificação deles e seus antecedentes.

Ele vem na sequência de um escândalo que se apegou Conselho de Segurança Nacional de Trump (NSC) Na semana passada, quando um jornalista da US Magazine O Atlântico foi acidentalmente adicionado a um bate -papo no aplicativo de sinal em que as autoridades discutiram ataques aéreos contra o Rebeldes houthis no Iêmen.

Trump afasta as preocupações de segurança sobre ‘sinalize’

Para visualizar este vídeo, ative JavaScript e considere atualizar para um navegador da web que Suporta o vídeo HTML5

O que sabemos sobre a reunião?

Diz -se que a reunião de Trump com Loomer durou 30 minutos e incluiu o consultor de segurança nacional Mike Waltz, segundo relatos da mídia.

vice-presidente JD VanceChefe do Estado -Maior Susie Wiles, e Sergio Gor, diretor do escritório de pessoal presidencial, todos terem participado.

Trump confirmou a reunião a repórteres a bordo do Air Force One, chamando Loomer de “um grande patriota” e dizendo que fez recomendações para as pessoas contratarem. Trump não disse se ela havia sugerido que ele demitisse a equipe da NSC.

Quem é Laura Loomer?

Um teórico da conspiração de extrema direita e influenciador, Loomer é conhecido por declarações inflamatórias e, principalmente, por afirmar que os ataques terroristas do 11 de setembro eram um trabalho interno.

Apesar das controvérsias que a cercam, Loomer está perto de Trump. Ela costumava voar em seu avião de campanha durante as eleições de 2024.

Loomer confirmou a reunião nas mídias sociais. Ela disse que apresentou “pesquisa da oposição” a Trump.

“Foi uma honra se encontrar com o presidente Trump e apresentar a ele minhas descobertas de pesquisa”, disse Loomer no X na quinta -feira.

“Continuarei trabalhando duro para apoiar sua agenda, e continuarei reiterando a importância e a necessidade de uma forte verificação, em questão de proteger o presidente dos Estados Unidos da América e nossa segurança nacional”.

Ela acrescentou que “por respeito ao presidente Trump e pela privacidade do Salão Oval, vou recusar a divulgar quaisquer detalhes” sobre a reunião.

Editado por: Zac Crellin



Leia Mais: Dw

Continue lendo

MAIS LIDAS