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Diva Guimarães fez, na Flip, uma fala que sintetiza questões centrais do Brasil – 16/01/2025 – Djamila Ribeiro
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Em homenagem à professora Diva Guimarães, que nos deixou nesta semana, aos 85 anos, esta coluna traz a transcrição de seu emocionante discurso na Flip em 2017. É uma fala que sintetiza questões centrais do Brasil.
Bom dia. Eu fiquei muito feliz quando você se referiu que a gente está numa plateia de maioria branca. Por que que eu vou dizer isso? E eu fiquei muito feliz quando… Desculpem. Quando você falou da parte da educação. Eu sou duma região do sul do Paraná. Quer dizer, eu vim do interior do Paraná, lá do mato, estudar em Curitiba. Teve ontem a palestra das moças que me tocou profundamente, porque eu sobrevivi e sobrevivo como brasileira, porque tive uma mãe que passou por todo tipo de humilhação para que nós pudéssemos estudar.
Desculpe que estou me estendendo. É a grande oportunidade da minha vida para eu falar. Fui para um colégio interno aos cinco anos. Ia completar cinco. Passavam as freiras —para quem é do interior, do mato, sabe que tinha um negócio da religião chamado “missões”. Eles passavam pelas cidades recolhendo crianças, como se fosse em troca de você ir para essa escola. Mas a gente foi para trabalhar. Trabalhei duro desde os cinco anos. Sou neta de escravos. A gente teve uma libertação que não existe até hoje.
Então, vou ser bem rapidinha. Bem, não vou ser tão rápida assim. Vou contar uma história que marcou a minha vida. Aos seis anos, eu senti a diferença. Porque as freiras contavam a seguinte história: que Jesus, Deus, criou um lago, um rio, e mandou todos tomar banho na água abençoada daquele maldito rio. Aí, as pessoas que são brancas é porque eram trabalhadoras e inteligentes. Elas chegaram ao rio antes, tomaram banho e ficaram brancas.
Nós, negros, somos preguiçosos —e não é verdade, porque este país vive hoje porque meus antepassados deram condições para todos. Então, nós, negros, chegamos no final, quando todos tinham tomado banho e o rio só tinha lama. Então, nós temos a palma da mão clara e a sola dos pés, porque foi só o que conseguimos tocar no rio. Isso a freira explicava a história para contar aos brancos como a gente era preguiçoso. E isso não é verdade, porque senão a gente não teria sobrevivido. E eu sou uma sobrevivente pela educação, pela luta da minha mãe.
Eu era rebelde. Tinha até vontade de matar. Eu falava para minha mãe: ‘Eu não vou para a escola!’. Porque ela tinha que pedir caderno, lápis e lavava roupa dos outros em troca do material escolar. E porque eu tinha que entregar as roupas nas casas para ajudar minha mãe. E ela dizia para mim, num gesto que me lembrei ontem durante a palestra das mães: ‘Olha bem pra mãe. Olhou bem? Se você quiser ser como a mãe, não vá para a escola…”. Eu falava assim: ‘Igual a senhora nunca que eu vou ser!’. Ela falava: ‘Só tem um jeito, vá estudar!’. E eu pegava meu caderninho e ia correndo para a aula, acreditando.
A gente, como negro, não é querer ser vítima. Eu não sou. Sou grata a minha mãe e grata também a algumas exceções, porque quando ela falou do racismo, eu falei para a moça aqui do meu lado ‘ela não está falando de Portugal, ela está falando do Brasil, nos dias de hoje’. E porque também, para eu vencer, para eu conseguir trabalhar em Curitiba —que todo mundo acha que Curitiba é cidade europeia, de intelectuais… De coisa nenhuma! Vá viver em Curitiba como negro e como morador da periferia para vocês tirarem esse encanto de Curitiba. Não é. Na real, não é. E é tida como uma cidade evoluída, porque é uma cidade europeia. Tem as coisas boas em Curitiba, na realidade tem. Mas os cotistas negros e indígenas sofrem muito preconceito dentro de todas as universidades.
Fui uma professora muito defensora dos meus alunos e fui uma pessoa que trabalhou na época da ditadura. Os alunos diziam “ah, professora, porque eu não quero mais, porque isso e aquilo”.
Eu contava minha história —não como miséria, sofredora, mas para mostrar que eles eram capazes. “Você tem dois olhos, dois braços, você pensa. Você quer ser respeitado. Seja melhor que eles, estude! Porque ele vai precisar de você e ele vai respeitar.” Eu era considerada, dentro da minha escola, como uma pessoa subversiva, porque eu passava isso para as crianças. Então é isso que eu tenho que falar, porque minha história é longa. Mas eu, com todo preconceito, com todas as coisas, ainda venci.
Estudo até hoje. Aí as pessoas falam: “Mas por que você estuda? É para a minha cabeça, eu quero raciocinar, eu quero saber o que eu estou lendo, o que está acontecendo com o meu país, o que está acontecendo. Obrigada.
Nós que agradecemos, Diva. Que a senhora descanse em paz!
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Brinquedoteca da Ufac oferece atividades lúdico-pedagógicas — Universidade Federal do Acre
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10 de agosto de 2026A Brinquedoteca da Ufac, inaugurada em 11 de fevereiro de 2016, localizada no Bloco Multidisciplinar, campus-sede, funciona como um Laboratório Pedagógico de Ensino, Pesquisa e Extensão para os cursos de licenciatura da instituição, tendo o jogo e as brincadeiras como elementos centrais do desenvolvimento infantil.
Atendendo crianças de 3 a 10 anos, o espaço contempla as comunidades interna e externa. O horário de funcionamento regular é de segunda a sexta-feira, no turno vespertino, das 13h30 às 17h30. No período matutino, o funcionamento depende da programação, que é divulgada previamente.
Entre as atividades desenvolvidas, estão: desenho e pintura (com tinta, lápis de cor e giz de cera); jogos teatrais e de tabuleiro; dança e confecção de brinquedos; contação de histórias e sessões de cinema com pipoca. Durante os eventos, o uso de smartphones é proibido.
Desde 2025, o espaço conta com o projeto de extensão Brincarte, coordenado pela professora Giane Lucélia Grotti, visando desenvolver, no Laboratório da Brinquedoteca, um ambiente de interação e socialização, estimulando habilidades sociais e culturais por meio de atividades lúdicas, e contribuir para o desenvolvimento integral da criança.
O campus Floresta, em Cruzeiro do Sul, também conta com uma brinquedoteca, inaugurada em 2025 e coordenada pela professora Adma de Oliveira Martins, com funcionamento de manhã e à tarde, atendendo crianças de 4 a 11 anos.
Confira mais informações sobre a Brinquedoteca da Ufac
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Artigo de pesquisadores do Pavic-Lab aborda fidelidade de imagens — Universidade Federal do Acre
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10 de agosto de 2026Pesquisadores do laboratório Pesquisas Aplicadas em Visão e Inteligência Computacional (Pavic-Lab), da Ufac, e do Laboratório Institucional de Pesquisa, Empreendedorismo e Inovação em Sistemas de Controle Automático, Automação e Robótica (Liecar), da Universidade Nacional de San Antonio Abad de Cusco, publicaram, em inglês, artigo na revista “Computers & Graphics” (vol. 139).
O artigo trata do problema da reconstrução de imagens de Alta Faixa Dinâmica (HDR) a partir de uma única imagem de Baixa Faixa Dinâmica (LDR) e propõe o SAFHDR, uma arquitetura baseada em U-Net composta pela DAMU-Net — que incorpora convoluções deformáveis guiadas pelo Bloco de Atenção Otimizado e processamento multiescala eficiente via Bloco de Características Residuais Leve — e pelo Módulo de Agregação de Informações, dedicado a preservar a estrutura global da cena.
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Ufac realiza reunião final da comissão de transição para Reitoria — Universidade Federal do Acre
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10 de agosto de 2026A Ufac realizou a reunião final da comissão de transição entre as gestões. O encontro, que ocorreu nesta segunda-feira, 10, na Reitoria, campus sede, foi marcado pela entrega simbólica das chaves da Reitoria pela reitora Guida Aquino ao reitor eleito para o quadriênio 2026-2030, Josimar Ferreira, e por uma mensagem de boa sorte à nova administração superior. Ele assume oficialmente a Reitoria da Ufac nesta quarta-feira, 12.
Guida desejou êxito ao reitor eleito e à equipe que estará à frente da universidade pelos próximos quatro anos. Como não poderá participar da transmissão de cargo, prevista para o dia 21, a reitora decidiu realizar a entrega simbólica das chaves durante a reunião.
Josimar Ferreira agradeceu e destacou sua trajetória de aprendizado na gestão universitária. Para ele, a continuidade do trabalho desenvolvido pelas diferentes administrações contribui para o fortalecimento institucional da universidade. “A Ufac é maior, nós somos o mesmo projeto”, disse. “A Ufac tem um papel muito forte com a sociedade acreana, de transformar vidas.” Segundo ele, a nova gestão trabalhará para colocar a universidade ainda mais à frente nos próximos quatro anos.
Também participaram da reunião a vice-reitora eleita e presidente da comissão de transição pela gestão atual, Almecina Balbino; o presidente da comissão de transição pela gestão vencedora, Marco Amaro; além de pró-reitores e membros da administração superior.
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