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Do vermelho ao verde: Síria busca futuro unido em campo após o fim da era Assad | Seleção Síria de Futebol

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John Duerden

Óm 9 de dezembro, a Síria foi sorteada em um grupo de qualificação para a Copa da Ásia de 2027 com Mianmar, Afeganistão e Paquistão. As autoridades presentes na cerimónia em Kuala Lumpur poderiam ter tido longas conversas sobre como as fortunas futebolísticas dos quatro foram prejudicadas e prejudicadas pelos seus respectivos líderes e governos. Desta vez, porém, havia ainda mais coisas para discutir do que o habitual. Horas antes, Bashar al-Assad fugiu de Damasco para Moscoupondo fim a uma ditadura que governou durante mais de 50 anos. Tal como noutros domínios, existe um sentimento de incerteza no futebol, mas também um optimismo de que poderão existir tempos melhores pela frente e de que o desporto poderá, talvez, ajudar a unir uma nação que já passou por tantas coisas.

A guerra civil que começou em 2011 resultou na morte estimada de mais de 500 mil pessoas e no deslocamento de muitas mais. Durante esse período, o futebol ainda funcionava, mas reflectia as divisões na sociedade em geral. “À medida que a nação se fragmentava, o mesmo acontecia com a selecção nacional”, diz Bernd Stange, seleccionador da Síria entre 2018 e 2019. “Havia jogadores que lutavam por determinados grupos com armas nas mãos, e outros que se opunham veementemente ao regime dominante. Infelizmente, como estrangeiro, não consegui focar apenas no futebol e unir o time.”

Agora pode haver uma chance. Horas depois de Assad deixar o país, a Federação Síria de Futebol anunciou nas redes sociais que estava mudando o logotipo da seleção nacional para remover o vermelho de Assad e do antigo partido governante Ba’ath pelo verde favorecido pelos movimentos de independência. Havia uma foto mostrando jogadores sorridentes com as novas camisas. “Nosso novo uniforme da seleção nacional”, escreveu a federação. “A primeira mudança histórica a acontecer na história do desporto sírio, longe do nepotismo, do favoritismo e da corrupção.”

Os jogadores compartilharam a alegria. O meio-campista Ammar Ramadan postou no Instagram: “Meu país, a Síria, está sendo libertado. A resistência à opressão é inevitável. Goste ou não. Bashar é um criminoso de guerra. Ele também levantou e saiu. Covarde. Minha felicidade é pelas pessoas. Meu povo…”

Jogadores da Síria vestindo seu novo uniforme verde de futebol. Fotografia: Síria FA

Stange ainda mantém contato com alguns de seus ex-jogadores. “Estou tão entusiasmado quanto meus amigos sírios e feliz com cada telefonema de Damasco”, diz ele. “Esperamos que o país se desenvolva numa direção onde todos possam viver livremente, em paz e bem. É um país orgulhoso, com uma grande história, e as pessoas estão cansadas da última década e merecem a paz.”

Três anos antes de Stange assumir o cargo na Síria, ele estava no banco oposto quando Cingapura sediou as eliminatórias para a Copa do Mundo de 2015. O jogo ganhou as manchetes depois que o então técnico da Síria, Fajr Ibrahim, e o jogador Osama Omari apareceram vestindo camisetas com fotos de Assad. “Estamos orgulhosos porque o Sr. Bashar é o nosso presidente”, disse Ibrahim. “Muito orgulhoso, porque este homem luta contra todos os grupos terroristas do mundo; ele luta por você também. Ele é o melhor homem do mundo.” Ele acrescentou que o ditador era um grande torcedor de futebol e torcedor do time. Muito mais teria sido feito se a Síria tivesse chegado à Copa do Mundo, mas tivesse sido eliminada nos playoffs.

Stange diz que não sofreu interferência do topo. “Não conheci nenhum político durante o meu tempo como seleccionador nacional.” No entanto, sentiu como se o então presidente da federação, “entusiasmado e excessivamente emotivo”, “interferisse constantemente na minha área de responsabilidade”. Ele lembra que o presidente “insistia em sentar no banco do treinador e era quase impossível de controlar. Eu nunca tinha experimentado algo assim antes na minha carreira de treinador – isso realmente me incomodou.”

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Uma foto de Bashar al-Assad fora de um estádio. Fotografia: Saeed Khan/AFP/Getty Images

Resta saber como a federação conduzirá os seus negócios nesta nova era, mas não há dúvida de que há muito trabalho árduo a ser feito. O jogo nacional está uma bagunça devido aos combates, aos danos aos estádios, à escassez de energia e muito mais. O dinheiro da liga, nunca abundante, acabou. “A qualidade da liga não é boa o suficiente para alcançar algo internacionalmente”, diz Stange. “A formação de treinadores está estagnada há mais de uma década. Os cursos com licença Pro eram impossíveis até agora. No entanto, muitos estão tentando manter o futebol vivo com comprometimento e salários mínimos”.

A liga está suspensa devido a eventos externos, não pela primeira vez, nos últimos anos. Caberá à seleção nacional dar o tom, a partir de março Copa Asiática eliminatórias. A grande questão é se/quando os jogos internacionais oficiais poderão acontecer em casa. Pode levar algum tempo. “A Síria não pode ser anfitriã… já se passaram mais de 10 anos”, disse Windsor John, secretário-geral da Confederação Asiática de Futebol, após a realização do sorteio. “Então não podemos ver nenhuma partida sendo realizada lá porque também não tem infraestrutura. Talvez, no futuro… não sabemos. Mas para os jogos do próximo ano, sinto que não há mudança no seu estatuto de equipa que tem de jogar num campo neutro.”

Quando, se houver alguma aparência de estabilidade e normalidade na Síria, Stange tem a certeza de que isso poderá trazer a ascensão de outra potência asiática. “A Síria pode atingir o nível do Irão, do Iraque ou da Austrália”, diz ele. “Ganhar um jogo diante de uma torcida infernal em Aleppo ou Latakia pode ser uma missão impossível para qualquer time asiático.”



Leia Mais: The Guardian

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Professora publica livro sobre sítios naturais sagrados do povo Nukini — Universidade Federal do Acre

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Professora publica livro sobre sítios naturais sagrados do povo Nukini — Universidade Federal do Acre

A professora Renata Duarte de O. Freitas, do curso de Direito do campus Floresta da Ufac, lança o livro “Aldeia Isã Vakevu, do Povo Originário Nukini: Um Sítio Natural Sagrado no Coração do Juruá” (Lumen Juris, 240 p.). O evento ocorre neste sábado, 7, às 19h, no teatro dos Nauas, em Cruzeiro do Sul. Resultado de investigação científica, a obra integra a cosmologia indígena aos marcos regulatórios da justiça ambiental.

A pesquisa é fundamentada na trajetória de resistência do povo Nukini. O livro presta homenagem à memória de Arlete Muniz (Ynesto Kumã), matriarca, parteira e liderança espiritual que preservou os conhecimentos milenares do Povo da Onça frente aos processos de aculturação e violência histórica.

O texto destaca a continuidade desse patrimônio imaterial, transmitido de geração para geração ao seu neto, o líder espiritual Txane Pistyani Nukini (Leonardo Muniz). Atualmente, esse legado sustenta a governança espiritual no Kupixawa Huhu Inesto, onde a aplicação das medicinas da floresta e a proteção territorial dialogam com a escrita acadêmica para materializar a visão de mundo Nukini perante a sociedade global.

Renata Duarte de O. Freitas introduz no cenário jurídico eixos teóricos que propõem um novo paradigma para a conservação ambiental: sítios naturais sagrados, que são locais de identidade cultural e espiritual; direito achado na aldeia, cuja proposta é que o ordenamento jurídico reconheça que a lei também emana da sacralidade desses locais; e direitos bioculturais, que demonstram que a biodiversidade da Serra do Divisor é preservada porque está ligada ao respeito pelos sítios naturais sagrados.

Ao analisar a sobreposição de uma parte do território Nukini com o Parque Nacional da Serra do Divisor, a obra oferece uma solução científica: o reconhecimento de que áreas protegidas pelo Estado devem ser geridas em conjunto com os povos originários, respeitando seus territórios sagrados.

 



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Em caravana, ministro da Educação, Camilo Santana, visita a Ufac — Universidade Federal do Acre

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Em caravana, ministro da Educação, Camilo Santana, visita a Ufac — Universidade Federal do Acre

A Ufac recebeu, nesta quarta-feira, 25, na Reitoria, campus-sede, a visita do ministro da Educação, Camilo Santana, no âmbito da caravana Aqui Tem MEC, iniciativa do Ministério da Educação voltada ao acompanhamento de ações e investimentos nas instituições federais de ensino.

Durante a agenda, o ministro destacou que a caravana tem percorrido instituições federais em diferentes Estados para conhecer a realidade de cada campus, dialogar com gestores e a comunidade acadêmica, além de acompanhar as demandas da educação pública federal.

Ao tratar dos investimentos relacionados à Ufac, a reitora Guida Aquino destacou a obra do campus Fronteira, em Brasileia, que conta com R$ 40 milhões em recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A estrutura terá seis cursos, com salas de aula, laboratórios, restaurante universitário e biblioteca.

Abordando a visita, Guida ressaltou a importância da universidade para o Estado e a missão da educação pública. “A Ufac é a única universidade pública federal de ensino superior do Acre e, por isso, tem papel estratégico na formação e no desenvolvimento regional. A educação é que transforma vidas, transforma o país.”

Outro tema tratado durante a agenda foi a implantação do Hospital Universitário no Acre. Camilo Santana afirmou que o Estado é o único que ainda não conta com essa estrutura e informou que o governo federal dispõe de R$ 50 milhões, por meio do Novo PAC, para viabilizar adequações e a implantação da unidade.

Ele explicou que a prioridade continua sendo a concretização de uma parceria para doação de um hospital, mas afirmou que, se isso não ocorrer, o MEC buscará outra alternativa para garantir a instalação do serviço no Estado. “O importante é que nenhum Estado desse país deixe de ter um hospital universitário”, enfatizou.

Guida reforçou a importância do projeto e disse que o Hospital Universitário já poderia ser celebrado no Acre. Ao defender a iniciativa, contou que a unidade contribuiria para qualificar o atendimento, reduzir filas de tratamento fora de domicílio e atender melhor pacientes do interior, inclusive em casos ligados às doenças tropicais da Amazônia. Em tom crítico, declarou: “O cavalo selado, ele só passa uma vez”, ao se referir à oportunidade de implantação do hospital.

Após coletiva de imprensa, o ministro participou de reunião fechada com pró-reitores, gestores, políticos e parlamentares da bancada federal acreana, entre eles o senador Sérgio Petecão (PSD) e as deputadas Meire Serafim (União) e Socorro Neri (PP).

A comitiva do MEC foi formada pela secretária de Educação Básica, Kátia Schweickardt; pelo secretário de Educação Profissional e Tecnológica, Marcelo Bregagnoli; pelo secretário de Educação Superior, Marcus Vinicius David; e pelo presidente da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, Arthur Chioro.

Laboratório de Paleontologia

Depois de participar de reunião, Camilo Santana visitou o Laboratório de Paleontologia da Ufac. O professor Edson Guilherme, coordenador do espaço, apresentou o acervo científico ao ministro e destacou a importância da estrutura para o avanço das pesquisas no Acre. O laboratório foi reformulado, ampliado e recentemente reinaugurado.

Aberto para visitação de segunda a sexta-feira, em horário de expediente, exceto feriados, o local reúne fósseis originais e réplicas de animais que viveram no período do Mioceno, quando o oeste amazônico era dominado por grandes sistemas de rios e lagos. A entrada é gratuita e a visitação é aberta a estudantes e à comunidade em geral.

 



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A PROGRAD — Universidade Federal do Acre

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A Pró‑Reitoria de Graduação (Prograd) da Universidade Federal do Acre (Ufac) é o órgão responsável pelo planejamento, coordenação e supervisão das atividades acadêmicas relacionadas ao ensino de graduação. Sua atuação está centrada em fortalecer a formação universitária, promovendo políticas e diretrizes que assegurem a qualidade, a integração pedagógica e o desenvolvimento dos cursos de bacharelado, licenciatura e demais formações presenciais e a distância. A Prograd articula ações com as unidades acadêmicas, órgãos colegiados e a comunidade universitária, garantindo que os currículos e práticas pedagógicas estejam alinhados aos objetivos institucionais.

Entre as principais atribuições da Prograd estão a coordenação da política de ensino, a supervisão de programas de bolsas voltadas à graduação, a análise e encaminhamento de propostas normativas e a participação em iniciativas que promovem a reflexão e o diálogo sobre o ensino superior.

A Prograd é organizada em três diretorias, cada uma com funções específicas e complementares:

Diretoria de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino — responsável por ações estratégicas voltadas ao desenvolvimento de metodologias, à regulação e ao apoio pedagógico dos cursos de graduação.

Diretoria de Apoio à Formação Acadêmica — dedicada a acompanhar e apoiar as atividades acadêmicas dos estudantes, incluindo estágios, mobilidade estudantil e acompanhamento da formação acadêmica.

Diretoria de Apoio à Interiorização e Programas Especiais — voltada à gestão de programas especiais, políticas de interiorização e ações que ampliam o acesso e a permanência dos alunos em diferentes regiões.

A Prograd participa, ainda, de iniciativas que promovem a reflexão e o diálogo sobre o ensino superior, integrando docentes, estudantes e gestores em fóruns, encontros e ações que visam à atualização contínua dos processos formativos e ao atendimento das demandas sociais contemporâneas.

Com compromisso institucional, a Pró‑Reitoria de Graduação contribui para que a UFAC cumpra seu papel educativo, formando profissionais críticos e comprometidos com as realidades local e regional, garantindo um ambiente acadêmico de excelência e responsabilidade social.

Ednacelí Abreu Damasceno
Pró-Reitora de Graduação



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