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Donald Trump e a grande birra do Canal do Panamá | Opiniões

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Enquanto se prepara para retomar a presidência dos Estados Unidos este mês, Donald Trump começou espontaneamente ameaçador para retomar o Canal do Panamá também.

De acordo com a recente declaração do novo presidente acessos de raiva nas redes sociais, o Panamá está a “roubar” os EUA com taxas “ridículas” para utilizar a hidrovia interoceânica e principal canal para o comércio global. Na opinião de Trump, o comportamento do país centro-americano é especialmente questionável “conhecendo a extraordinária generosidade que foi concedida ao Panamá pelos EUA”.

Trump também alegou infundadamente que as tropas chinesas estão actualmente a operar o canal. Na realidade, é claro, o Canal do Panamá era anteriormente operado por ninguém menos que os Estados Unidos, que construíram o canal no início do século XX e só entregaram o controlo ao Panamá em 1999.

Quanto à “generosidade extraordinária” supostamente estendida ao país pela superpotência local amiga, basta lembrar a chamada “generosidade” dos militares dos EUA.Operação Justa Causa”, lançado em dezembro de 1989, graças ao qual o bairro empobrecido de El Chorrillo, na capital panamenha, Cidade do Panamá, ganhou o apelido de “Pequena Hiroxima”.

Vários milhares de civis foram mortos na demonstração maníaca de poder de fogo, uma prática praticada na próxima guerra dos EUA no Iraque. Por sua vez, o líder panamenho e antigo amigo dos EUA, Manuel Noriega, rendeu-se às forças dos EUA em 3 de janeiro de 1990, depois de a sua estadia na embaixada do Vaticano na Cidade do Panamá ter sido profundamente perturbada por uma lista de reprodução de tortura musical que soava a partir dos tanques dos EUA estacionados no exterior. As músicas selecionadas incluíram “God Bless the USA” de Lee Greenwood e “Wanted Dead or Alive” de Bon Jovi.

Noriega foi levado para Miami para enfrentar tráfico de drogas e outras acusações – sem falar na sua longa história na folha de pagamento da CIA, apesar do pleno conhecimento dos EUA sobre a dita narco-actividade. Entretanto, a sua remoção abriu caminho a um envolvimento muito maior no comércio internacional de drogas por parte da classe dominante do Panamá.

Basta chamar isso de “generosidade extraordinária”.

Quanto aos anteriores ataques de generosidade, os EUA, de 1903 a 1979, presidiram uma colónia de facto chamada Zona do Canal do Panamá, que abrangia uma parte significativa do território panamenho e regia um sistema de segregação racial que persistiu mesmo depois de tais coisas. foram oficialmente abolidos nos próprios EUA. A Zona do Canal também acolheu todos os tipos de bases militares dos EUA e outras instalações, como a notória Escola do Exército dos EUA das Américas, frequentada por muitos ditadores latino-americanos e líderes de esquadrões da morte, bem como pelo próprio Noriega.

Os Estados Unidos concluíram a construção do Canal do Panamá em 1914 – um empreendimento que custou incontáveis ​​milhares de vidas e dependeu fortemente do trabalho de pessoas de pele escura e da servidão de gangues. Num exercício de domínio mundial e não de “generosidade”, a construção do canal começou durante o reinado do presidente dos EUA, Theodore Roosevelt, que estava obcecado com a ideia de que a hidrovia era “o caminho vital – o indispensável – para um destino global para o mundo. Estados Unidos da América”, como observa o historiador David McCullough em seu livro The Path Between the Seas: The Creation of the Panama Canal, 1870-1914.

Quando Roosevelt assumiu a presidência em 1901, o Panamá ainda pertencia à Colômbia, mas as negociações entre o governo colombiano e os EUA sobre o canal proposto não foram nada tranquilas. E pronto: a nova nação do Panamá nasceu assim em 1903, parteira de Roosevelt e mais do que entusiasmada por ceder uma parte do seu território, bem como a soberania nacional, aos EUA.

Como John Weeks e Phil Gunson afirmaram no seu livro Panama: Made in the USA, o país foi “esculpido no coração da América Latina para servir os objectivos de uma potência estrangeira”. E até hoje o Panamá carrega as cicatrizes da escultura. Uma importante via pública da Cidade do Panamá ainda leva o nome de Roosevelt, embora a Avenida Quatro de Julho tenha sido renomeada como Avenida dos Mártires em homenagem às vítimas dos distúrbios de bandeiras de janeiro de 1964. Nessa ocasião específica, as forças dos EUA mataram cerca de 21 pessoas depois de estudantes panamenhos terem tentado hastear a sua bandeira ao lado da bandeira dos EUA numa escola secundária da Zona do Canal.

Acontece que Trump tem sua própria conexão com a paisagem da Cidade do Panamá na forma de um condomínio de luxo à beira-mar que anteriormente era denominado Trump Ocean Club International Hotel and Tower e ainda é conhecido localmente como “o trunfo”Apesar da eliminação de seu sobrenome da placa. Em 2017, a NBC informou que a Organização Trump licenciou o seu nome para o edifício de 70 andares, que estava “cheio de ligações com o dinheiro das drogas e o crime organizado internacional”.

Dito isto, não é como se o Panamá fosse uma questão que alguma vez tenha mantido Trump acordado à noite. Pelo contrário, as súbitas ameaças de recuperação do Canal do Panamá estão simplesmente em sintonia com a abordagem “América Primeiro” do presidente eleito para levar a sua base de fãs a um delírio de direitos pomposos – tudo com a ajuda de afrontas alucinadas à “generosidade” dos EUA.

Como se a América já não fosse a “primeira” em termos de causar estragos em todo o mundo. Mas, ei, quando você é a superpotência imperial número um do mundo, você ganha seu bolo e também é a vítima.

McCullough escreve como, em meio às negociações fracassadas sobre o canal em Washington em 1902, o diplomata colombiano Dr. José Vicente Concha fez a seguinte observação a respeito de seus colegas gringos: “O desejo de se fazerem parecer, como nação, mais respeitosos com os direitos dos outros força esses cavalheiros a brincar um pouco com suas presas antes de devorá-las, embora no final das contas eles o façam de uma forma ou de outra.”

E embora Trump dificilmente se dê ao trabalho de fingir respeito, os EUA certamente não perderam o apetite por brincar com as suas presas.

As opiniões expressas neste artigo são do próprio autor e não refletem necessariamente a posição editorial da Al Jazeera.



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Exame Nacional de Acesso ENA/Profmat em 2026 — Universidade Federal do Acre

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A Coordenação Institucional do Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional (PROFMAT/UFAC) divulga a lista de pedidos de matrícula deferidos pela Coordenação, no âmbito do Exame Nacional de Acesso 2026.

LISTA DE PEDIDO DE MATRÍCULA DEFERIDOS

1 ALEXANDRE SANTA CATARINA
2 CARLOS KEVEN DE MORAIS MAIA
3 FELIPE VALENTIM DA SILVA
4 LUCAS NASCIMENTO DA SILVA
5 CARLOS FERREIRA DE ALMEIDA
6 ISRAEL FARAZ DE SOUZA
7 MARCUS WILLIAM MACIEL OLIVEIRA
8 WESLEY BEZERRA
9 SÉRGIO MELO DE SOUZA BATALHA SALES
10 NARCIZO CORREIA DE AMORIM JÚNIOR

Informamos aos candidatos que as aulas terão início a partir do dia 6 de março de 2026, no Bloco dos Mestrados da Universidade Federal do Acre. O horário das aulas será informado oportunamente.

Esclarecemos, ainda, que os pedidos de matrícula serão encaminhados ao Núcleo de Registro e Controle Acadêmico da UFAC, que poderá solicitar documentação complementar.



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Linguagem e Identidade — Universidade Federal do Acre

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Linguagem e Identidade — Universidade Federal do Acre

O programa de pós-graduação em Letras: Linguagem e Identidade (PPGLI) da Ufac chega aos 20 anos com um legado consolidado na formação de profissionais da educação na Amazônia. Criado em 2005 e com sua primeira turma de mestrado iniciada em 2006, o PPGLI passou a ofertar curso de doutorado a partir de 2019. Em 2026, o programa contabiliza 330 mestres e doutores titulados, muitos deles com inserção em instituições de ensino e pesquisa na região.

Os dados mais recentes apontam que 41% dos egressos do PPGLI atuam como docentes na própria Ufac e no Instituto Federal do Acre (Ifac), enquanto 39,4% contribuem com a educação básica. Com conceito 5 na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) no quadriênio 2017-2020, o PPGLI figura entre os melhores da região Norte.

“Ao longo dessas duas décadas, o programa de pós-graduação em Linguagem e Identidade destaca-se pela excelência acadêmica e pela forte relevância social”, disse a reitora Guida Aquino. “Sua trajetória tem contribuído de forma decisiva para a produção científica e cultural, especialmente no campo dos estudos sobre linguagens e identidades, fortalecendo o compromisso da Ufac com formação qualificada, pesquisa e transformação social.”

O coordenador do programa, Gerson Albuquerque, destacou que, apesar de recente no contexto da pós-graduação brasileira, o PPGLI promove uma transformação na educação superior da Amazônia acreana. “Nesses 20 anos, o PPGLI foi responsável não apenas pela formação de centenas de profissionais altamente qualificados, mas por inúmeras outras iniciativas e realizações que impactam diretamente a sociedade.”

Entre essas ações, Gerson citou a implementação de uma política linguística pioneira que possibilitou o ingresso e permanência de estudantes indígenas e de outras minorias linguísticas, além do protagonismo de pesquisadores indígenas em projetos voltados ao fortalecimento de suas culturas e línguas. “As ações do PPGLI transcenderam os limites acadêmicos, gerando impactos sociais, culturais e econômicos significativos”, opinou. “O programa contribui para a construção de uma sociedade mais inclusiva e consciente de sua riqueza linguística e cultural.”

Educação básica, pesquisa e projetos

Sobre a inserção dos egressos na educação básica, Gerson considerou que, embora a formação stricto sensu seja voltada prioritariamente ao ensino superior e à pesquisa, o alcance do PPGLI vai além. “Se analisarmos o perfil de nossos mestres e doutores, 72% atuam em instituições de ensino superior, técnico, tecnológico ou na educação básica. Isso atesta a importância do programa para a Amazônia e para a área de linguística e literatura, uma das que mais forma mestres e doutores no país.”

O professor também destacou a trajetória de 15 egressos que hoje se destacam em instituições de ensino, projetos de extensão e pesquisa, tanto no Brasil quanto no exterior. Para ele, esses exemplos ilustram a diversidade de atuações do corpo formado pelo programa, que inclui professores indígenas, pesquisadores em literatura comparada, especialistas em língua brasileira de sinais (Libras), artistas da palavra, autores de livros, lideranças educacionais e docentes em universidades peruanas.

A produção científica do PPGLI também foi ressaltada pelo coordenador, que apontou os avanços no quadriênio 2021-2024 como reflexo de um projeto acadêmico articulado com os desafios amazônicos. “Promovemos ações de ensino, pesquisa e extensão com foco na diversidade étnica, linguística e cultural. Nossas parcerias internacionais ampliam o alcance do programa sem perder o vínculo com as realidades locais, especialmente as regiões de fronteira com Peru e Bolívia.”

Entre os destaques estão as políticas afirmativas, a produção de material didático bilíngue para escolas indígenas, a inserção em redes de pesquisa e eventos científicos, a publicação de livros e dossiês temáticos e a atuação dos docentes e discentes em comunidades ribeirinhas e florestais.

Para os próximos anos, o desafio, segundo Gerson, é manter e ampliar essas ações. “Nosso foco está no aprimoramento das estratégias de educação inclusiva e no fortalecimento do impacto social do Programa”, afirmou. Para marcar a data, o PPGLI irá realizar um seminário comemorativo no início de fevereiro de 2026, além de uma série de homenagens e atividades acadêmico-culturais ao longo do ano.

 



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Ufac lança nova versão do SEI com melhorias e interface moderna — Universidade Federal do Acre

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Ufac lança nova versão do SEI com melhorias e interface moderna — Universidade Federal do Acre

A Ufac realizou a solenidade de lançamento da nova versão do Sistema Eletrônico de Informações (SEI), que passa a operar na versão 5.0.3. A atualização oferece interface mais moderna, melhorias de desempenho, maior segurança e avanços significativos na gestão de documentos eletrônicos. O evento ocorreu nesta segunda-feira, 12, no auditório da Pró-Reitoria de Graduação.

A reitora Guida Aquino destacou a importância da modernização para a eficiência institucional. Ela lembrou que a primeira implantação do SEI ocorreu em 2020, antes mesmo do início da pandemia, permitindo à universidade manter suas atividades administrativas durante o período de restrições sanitárias. “Esse sistema coroou um momento importante da nossa história. Agora, com a versão 5.0, damos mais um passo na economia de papel, na praticidade e na sustentabilidade. Não tenho dúvida de que teremos mais celeridade e eficiência no nosso dia a dia.” 

Ela também pontuou que a universidade está entre as primeiras do país a operar com a versão mais atual do sistema e reforçou o compromisso da gestão em concluir o mandato com entregas concretas. “Trabalharei até o último dia para garantir que a Ufac continue avançando. Não fiz da Reitoria trampolim político. Fizemos obras, sim, mas também implementamos políticas. Digitalizamos assentamentos, reorganizamos processos, criamos oportunidades para estudantes e servidores. E tudo isso se comunica diretamente com o que estamos lançando hoje.” 

Guida reforçou que a credibilidade institucional conquistada ao longo dos anos é resultado de um esforço coletivo. “Tudo o que fiz na Reitoria foi com compromisso com esta universidade. E farei até o último dia. Continuamos avançando porque a Ufac merece.”

Mudanças e gestão documental

Responsável técnico pela atualização, o diretor do Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI), Jerbisclei de Souza Silva, explicou que a nova versão exigiu mudanças profundas na infraestrutura de servidores e bancos de dados, devido ao crescimento exponencial de documentos armazenados.

“São milhões de arquivos em PDF e externos que exigem processamento, armazenamento e desempenho. A atualização envolveu um trabalho complexo e minucioso da nossa equipe, que fez tudo com o máximo cuidado para garantir segurança e estabilidade”, explicou. Ele ressaltou ainda que o novo SEI já conta com recursos de inteligência artificial e apresentou melhora perceptível na velocidade de navegação.

O coordenador de Documentos Eletrônicos e gestor do SEI, Márcio Pontes, reforçou que a nova versão transforma o sistema em uma ferramenta de gestão documental mais ampla, com funcionalidades como classificação, eliminação e descrição de documentos conforme tabela de temporalidade. “Passamos a ter um controle mais efetivo sobre o ciclo de vida dos documentos. Isso representa um avanço muito importante para a universidade.” Ele informou ainda que nesta quinta-feira, 15, será realizada uma live, às 10h, no canal UfacTV no YouTube, para apresentar todas as novidades do sistema e tirar dúvidas dos usuários.

A coordenação do SEI passou a funcionar em novo endereço: saiu do pavimento superior e agora está localizada no térreo do prédio do Nurca/Arquivo Central, com acesso facilitado ao público. Os canais de atendimento seguem ativos pelo WhatsApp (68) 99257-9587 e e-mail sei@ufac.br.

Também participaram da solenidade o pró-reitor de Planejamento, Alexandre Hid; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; e a pró-reitora de Inovação e Tecnologia, Almecina Balbino.

 



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