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Durante as férias, aumentam os relatos de violência doméstica. Mas e se o próximo ano pudesse ser diferente? | Francisca Ryan
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Frances Ryan
Taqui está um episódio clássico de Natal de EastEnders em que a querida personagem Little Mo é abusada por seu marido, Trevor. Depois de visitar as irmãs na manhã de Natal, Mo chega atrasada para o jantar. Quando ela retorna, Trevor agarra a esposa pelos cabelos e empurra o rosto dela no prato de espera. Molho escorrendo pela pele, Mo é empurrada para fora da cadeira e forçada a comer peru do chão.
Foi um enredo angustiante, mas ainda mais porque o espectador sabia que não era apenas ficção: existem inúmeros Little Mos da vida real por aí, presos em casa com medo e dor em uma época do ano que deveria trazer alegria e paz.
Mais de 20 anos após a exibição do episódio, parece que a Grã-Bretanha fez pouco progresso. Todo mês de janeiro, as manchetes relatam um aumento da violência doméstica no Natalao lado dos guias de desintoxicação do telefone e dicas para perder peso. A Women’s Aid diz que normalmente vê um Aumento de 15% nos casos imediatamente após o período festivo, embora esta seja considerada uma subestimação significativa.
As instituições de caridade contra a violência doméstica relatam frequentemente mais chamadas para as suas linhas de apoio no novo ano, com a Leeds Women’s Aid a observar recentemente que espera um Aumento de 50% nos contatos em janeiro em comparação com dezembro. Enquanto isso, o Serviço de Procuradoria da Coroa e forças policiais emitiu avisos no mês passado para que os abusadores “esperassem uma batida na porta neste Natal” em antecipação ao aumento dos incidentes durante as férias.
As razões para este aumento estão bem estabelecidas: as pressões financeiras, mais tempo passado sozinho com a família e o maior consumo de álcool normalmente aumentam o risco de violência e coerção, enquanto o facto de muitos serviços – desde médicos de clínica geral a locais de trabalho e escolas – estarem fechados ou funcionarem de forma reduzida horas significa que as vítimas estão muitas vezes mais isoladas do que o habitual e podem ter dificuldade em obter ajuda.
E, no entanto, a ironia é que o aumento da violência esperado durante o período festivo pode, na verdade, minimizar a crise mais ampla. Como Refuge me disse na semana passada: “O Natal está muitas vezes ligado à violência doméstica… Na realidade, a violência doméstica acontece durante todo o ano, mas é gravemente subnotificada nos meios de comunicação social noutras alturas do ano”.
Vale a pena sublinhar a dimensão disto. Estima-se que quase 2 milhões de adultos em Inglaterra e no País de Gales sejam vítimas de violência doméstica todos os anos, com crimes violentos contra as mulheres aumentando na última década. Só em 2024, o Guardião contou 80 mulheres cuja morte levou à acusação de um homem. A desolação disto não é simplesmente o facto de muitas mulheres terem tido as suas vidas ceifadas no ano passado, mas também o facto de 2025 não ser diferente. De acordo com o Censo de Feminicídionão houve nenhum declínio tangível no feminicídio desde que começou a registar dados em 2009: uma mulher foi morta por um homem, em média, uma vez a cada três dias durante um período de 10 anos. Diz-se que outras três mulheres morrer por suicídio todas as semanas após sofrer abusos. Quer o sol brilhe ou a neve caia, a violência masculina é uma constante: uma espécie de zumbido de baixo nível para a nossa sociedade de que, se houvesse justiça, seria uma sirene.
Além disso, a ideia de que problemas com álcool ou dinheiro causam abuso transfere a responsabilidade dos perpetradores, ao mesmo tempo que minimiza os factores estruturais complexos que levam à misoginia e à violência de género. Assim como o facto da violência doméstica frequentemente picos durante o Euro ou o Campeonato do Mundo não deveria levar a um debate sobre futebol, o facto de as mulheres serem espancadas e violadas no Natal não significa que a conversa que precisamos de ter seja sobre o stress das férias. A ressaca de ano novo não causa abuso – homens violentos e uma cultura que os desculpa e normaliza, sim.
Mudar isto será – nas palavras da Ministra da Salvaguarda, Jess Phillips – um tarefa “hercúlea”mas pelo menos está sendo tentado. Nas próximas semanas, o governo divulgará mais detalhes de sua estratégia para reduzir pela metade a violência contra mulheres e meninas (VAWG) numa década – uma promessa que o partido fez pela primeira vez no seu manifesto no verão passado.
Fazer uma redução na violência contra as mulheres – e muito menos alcançar um objectivo tão ambicioso como reduzi-la para metade – exigirá o tipo de esforço coordenado pelo qual Whitehall não é propriamente famoso: desde o combate às atitudes que levam à violência masculina, até ao ensino de jovens homens em escola; dar aos sobreviventes acesso a habitação segura, serviços de saúde mental e segurança social, incluindo financiando os refúgios que tiveram os seus orçamentos cortados na última década; para abordar o pendências judiciais que estão a levar as vítimas de violação a desistir de julgamentos há muito adiados.
Que grupos de mulheres e abrigos estão alertando a aumento do seguro nacional dos empregadores colocará a missão governamental da VCMR “em perigo”, além das preocupações de que agressores domésticos foram libertados da prisão mais cedo devido à sobrelotação, mostra claramente como – nos interesses concorrentes da governação – as boas intenções por si só não são suficientes.
Seria fácil ler tudo isso e descartar a ideia de que a violência doméstica possa algum dia ser resolvida. Existem algumas podridões que penetram tão profundamente no tecido da sociedade que começam a parecer inevitáveis, principalmente numa era de crise social e económica. A Grã-Bretanha em 2025 dificilmente será um país com condições para ter esperança. O clima político actual é definido por uma espécie de cinismo melancólico, em que uma população que viveu décadas de abandono e declínio se sente resignada aos limites do governo, e por uma desconfiança geral da classe política. Quando conseguir uma consulta no dentista parece uma quimera, as promessas dos políticos de mudanças sociais em grande escala podem facilmente parecer absurdas ou, pior, como palavras vazias.
É realista dizer que a epidemia de violência doméstica pode ser combatida em 10 anos? Não sei. Mas talvez seja suficiente tentar. Há algum sofrimento que é tão profundo, tão aceito, que é um ato radical acreditar que algum dia poderemos nos livrar dele. A ideia de que é apenas “uma daquelas coisas” que as mulheres são rotineiramente espancadas e intimidadas nas nossas próprias casas é uma boa forma de garantir que o horror continue a acontecer. Imagine acordar no dia de Ano Novo de 2035 e ver uma manchete que diz que metade das mulheres foram abusadas durante as férias do que há uma década. À medida que os dias sombrios se arrastam para mais um ano, esse é um grão de esperança que vale a pena agarrar.
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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
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2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
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Consu aprova comissão para destinar cotas a pessoas transgênero — Universidade Federal do Acre
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1 de outubro de 2026O Conselho Universitário (Consu) da Ufac aprovou a criação de uma comissão para elaborar a proposta de cotas de acesso à graduação para pessoas transgênero, que é uma pauta da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe), recentemente criada com o objetivo de expandir políticas de inclusão na universidade. A aprovação ocorreu nessa quarta-feira, 30, na 5ª Reunião Ordinária do Consu, realizada no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, campus-sede.
A Ufac já possui regulamentação que garante o acesso por cotas à comunidade transgênero na pós-graduação desde 2023. A proposta aprovada pelo Consu busca ampliar esse direito para a graduação, assegurando não apenas a entrada, mas também o acompanhamento para permanência de estudantes até a conclusão dos cursos.
A comissão terá prazo de 90 dias para realizar os estudos e apresentar a minuta final do projeto. O grupo terá formação intersetorial, reunindo representantes das três categorias acadêmicas: docentes, técnico-administrativos e discentes, além de representantes de entidades e movimentos sociais da sociedade civil voltados aos direitos da população transgênero no Acre.
“Reafirmamos nosso compromisso ao instituir a comissão que vai deliberar sobre as cotas trans”, disser o reitor Josimar Ferreira. “Trata-se de uma ação demandada pela sociedade para incluir populações historicamente invisibilizadas, garantindo que as ações afirmativas façam parte da história do nosso conselho.”
Segundo a pró-reitora de Ações Afirmativas e Equidade, Letícia Mamed, a política visa transformar a realidade de um dos grupos mais marginalizados socialmente. “Precisamos atentar para a garantia de acesso, permanência e dignidade para que essa comunidade possa construir seus projetos de vida com mais oportunidades”, comentou. “No Brasil, cerca de 30 universidades já adotam políticas semelhantes, e a Ufac dá um passo essencial para consolidar essa transformação.”
Integrante do Consu, a professora Raquel Ishii ressaltou que a comissão foi criada para ir além da gestão superior da universidade. “Considero essa aprovação uma grande vitória para a sociedade civil e para a universidade. A comissão amplia o debate da pós-graduação para a graduação. Trata-se de um grupo bem amplo, constituído não só pela gestão, mas com convites abertos ao Diretório Central dos Estudantes e a movimentos sociais externos à universidade.”
(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)
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A Diretoria Geral do Campus Floresta (DG-Camp), por meio do Setor de Assistência Estudantil (SAE-CZS), comunica a suspensão do Restaurante Universitário nesta segunda-feira, 28, para o Campus Floresta, em decorrência do ponto facultativo decretado pela Reitoria por meio da Portaria n.º 3.914, de 24/09/2026, em virtude da celebração do Aniversário do município de Cruzeiro do Sul (AC).
Contamos com a compreensão de toda a comunidade acadêmica.
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