NOSSAS REDES

ACRE

‘É viável’: o financiamento climático não sobrecarregará os países ricos, dizem economistas | Cop29

PUBLICADO

em

Fiona Harvey in Baku

Subindo dinheiro necessário para enfrentar a crise climática não precisa de ser um fardo para os orçamentos governamentais sobrecarregados, afirmaram economistas de renome.

Os montantes necessários – aproximadamente 1 bilião de dólares por ano até 2030 – são alcançáveis ​​sem perturbações para a economia global e ajudariam a gerar um crescimento económico mais verde para o futuro.

Amar Bhattacharya, membro sénior da Brookings Institution e professor visitante da London School of Economics, que é secretário executivo do grupo independente de peritos de alto nível (IHLEG) da ONU sobre financiamento climático, disse: “É viável? A resposta é absolutamente sim. É politicamente desafiador? A resposta também é sim. Mas acredito que isso pode ser feito.”

Sem esse investimento, o mundo enfrenta um futuro de danos económicos, inflação desenfreada e a reversão dos ganhos obtidos nas últimas décadas para tirar os países pobres da miséria, alertou a ONU.

Simon Stiell, chefe do clima da ONU, afirmou: “Quando as nações não conseguem tornar as suas ligações nas cadeias de abastecimento globais à prova de alterações climáticas, todas as nações numa economia global interligada pagam o preço. E quero dizer que paga literalmente o preço, sob a forma de uma inflação mais elevada, especialmente nos preços dos alimentos, à medida que secas violentas, incêndios florestais e inundações devastam a produção de alimentos.”

Os governos de quase 200 países estão a debater-se sobre a forma de canalizar os fundos necessários para ajudar as nações pobres a reduzir as suas emissões de gases com efeito de estufa e a lidar com os impactos das condições meteorológicas extremas. Mas a cimeira de duas semanas da Cop29, na capital do Azerbaijão, Baku, que está prevista para terminar esta sexta-feira, foi em impasse por vários dias uma vez que os países ricos se recusaram até agora a dizer exactamente com quanto estão dispostos a contribuir para as somas necessárias.

Uma investigação bem estabelecida sugere que até 2030 serão necessários cerca de 1 bilião de dólares por ano em financiamento climático para o mundo pobre para cumprir o objectivo central do Acordo de Paris, de limitar o aquecimento global a 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais. Este custo aumentará para cerca de 1,3 biliões de dólares por ano até 2035, de acordo com uma actualização recente publicada pelo IHLEG, composto pelos principais economistas globais.

Contudo, nem tudo isto precisa vir dos governos dos países ricos. Cerca de metade deverá provir do setor privado, que pode financiar projetos como a construção de parques solares e eólicos em países em desenvolvimento, de acordo com o IHLEG. Cerca de um quarto do bilião de dólares deverá provir de bancos multilaterais de desenvolvimento, como o Banco Mundial, que são, em última análise, financiados pelo mundo rico. Cerca de 80 a 100 mil milhões de dólares deverão provir directamente dos países ricos sob a forma de ajuda – aproximadamente o dobro da quantidade actual. O restante poderia provir principalmente de novas fontes de financiamento, como impostos sobre combustíveis fósseis, passageiros frequentes ou transporte marítimo.

As somas parecem grandes, admitiu Nicholas Stern, economista e co-presidente do IHLEG, mas não o são quando colocadas no contexto da economia global, da qual 1 bilião de dólares representa apenas cerca de 1% ao ano. De acordo com a Agência Internacional de Energia, o mundo já gasta mais de 3 biliões de dólares por ano em energia, dos quais dois terços são em energias renováveis ​​e formas limpas de energia. Os activos globais de pensões somam aproximadamente 56 biliões de dólares.

Os países em desenvolvimento também já gastam muitas centenas de milhares de milhões nas suas próprias infra-estruturas verdes, para tornar as suas sociedades e economias mais resilientes aos impactos da crise climática e para resgatar comunidades quando ocorre uma catástrofe.

Achim Steiner, chefe do programa de desenvolvimento da ONU, afirmou: “Os países em desenvolvimento já investem centenas de milhares de milhões de dólares por ano, a partir das receitas dos seus próprios contribuintes, na acção climática. Não faria mal a ninguém do outro lado da mesa reconhecer isso.”

De acordo com o IHLEG, o custo global de transferir todos os países em desenvolvimento do mundo, excluindo a China, para uma via de baixo carbono seria de 2,4 biliões de dólares, dos quais 1 bilião de dólares descreve apenas o montante necessário de fontes externas – o restante viria de fontes externas. os orçamentos internos existentes dos países.

Alguns grupos da sociedade civil estão preocupados com a inclusão do investimento do sector privado no “novo objectivo colectivo quantificado” (NCQG) – o nome dado ao acordo global sobre o financiamento climático que os países devem acordar em Baku. Há também preocupações entre os países em desenvolvimento de que a dependência do financiamento do sector privado os levará a endividar-se ainda mais.

Lidy Nacpil, coordenadora do Movimento dos Povos Asiáticos sobre a Dívida e o Desenvolvimento, afirmou: “Fornecer financiamento climático através de empréstimos não só contradiz o princípio do reconhecimento da responsabilidade histórica, como é profundamente injusto forçar os países empobrecidos a aprofundarem-se na dívida para resolverem o problema. a emergência climática. Não basta que o montante do financiamento climático seja adequado. Os 5 biliões de dólares por ano devidos ao Sul Global devem ser públicos, não geradores de dívida, novos e adicionais, e entregues sem condicionalidades.”

No entanto, parece improvável que os países desenvolvidos desembolsem tais somas. Economistas contactados pelo Guardian disseram que recrutar o sector privado para construir infra-estruturas verdes – como parques eólicos e solares, veículos eléctricos, transportes de baixo carbono e outras comodidades – fazia sentido, pois estas eram actividades que davam lucro e eram, portanto, capazes de para atrair investimentos.

Muitos países mais pobres têm dificuldade em atrair investimento do sector privado ou são forçados a pagar um preço elevado por isso, porque são considerados de alto risco. Criar um parque solar em África pode custar três vezes mais do que fazê-lo na Europa, embora fosse gerada muito mais energia em África.

Os países desenvolvidos podem desempenhar um papel importante na redução desta percepção e, assim, na redução do custo do capital para os pobres, geralmente com despesas muito pequenas, por exemplo, fornecendo garantias de empréstimos. Medidas como esta também deveriam fazer parte do NCQG, disseram vários economistas ao Guardian, embora possam ser mais difíceis de quantificar do que as definições padrão de ajuda externa.

Os investidores privados também tendem a evitar projetos que ajudem os países a adaptar-se aos impactos da crise climática, como secas, inundações e ondas de calor. Por esta razão, várias figuras influentes acreditam que a parte dos 1 bilião de dólares que provém directamente dos orçamentos dos países desenvolvidos, e de preferência sob a forma de subvenções em vez de empréstimos, deveria ser dedicada maioritariamente ou inteiramente a projectos de adaptação, em vez de esforços de redução de carbono.

Avinash Persaud, antigo conselheiro económico do primeiro-ministro de Barbados, Mia Mottley, que é agora conselheiro especial do presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, afirmou: “Usar fundos públicos para financiar a adaptação é pragmático. Cerca de 300 mil milhões de dólares por ano cobririam a adaptação.”

Patrick Verkooijen, diretor executivo do Centro Global de Adaptação, afirmou: “A adaptação é subfinanciada e direcionar recursos públicos do mundo desenvolvido para isso faria uma grande diferença e faria sentido – melhoraria a estabilidade dos países envolvidos”.



Leia Mais: The Guardian

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

ACRE

Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

//www.instagram.com/embed.js



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

MAIS LIDAS