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Efeito das urnas: PT de Lula se une ao PL de Bolso…

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José Casado

Efeito das urnas: o Partido dos Trabalhadores mudou de posição e resolveu se unir à bancada de extrema-direita na Câmara, capitaneada pelo Partido Liberal, para endurecer ainda mais a legislação penal.

Nesta segunda-feira (4/11) ajudou a aprovar uma proposta de urgência na votação do desmonte da legislação penal que instituiu a audiência de custódia de presos, iniciativa que o ministro da Justiça Ricardo Lewandowski costuma classificar como sua principal realização no período em que presidiu o Supremo Tribunal Federal (2014 a 2016).

Audiência de custódia é requisito da legislação internacional sobre direitos humanos. Faz parte do direito processual penal: acusados têm direito a audiência com um juiz que avalia eventuais ilegalidades na prisão – tortura, por exemplo.

A decisão do PT abriu caminho para que o projeto do PL eja aprovado ainda nesta semana. Ele torna obrigatória a decretação de prisão preventiva na audiência de custódia em casos de crimes hediondos, roubo, associação criminosa qualificada e quando comprovada a reincidência criminal.

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A mudança de rumo do PT, comandando partidos satélites, surpreendeu deputados: “É a primeira vez, nesses cinco a seis anos de Câmara dos Deputados que tenho, que vejo o Partido dos Trabalhadores votando para endurecer a legislação penal, processual penal e a Lei de Execuções Penais”, celebrou o relator do projeto, Kim Kataguiri, eleito pelo Novo em São Paulo.

Acrescentou, em tom sarcástico: “Eu acho que o recado dessas eleições municipais foi tão forte de que o discurso da esquerda, de vitimismo em relação ao criminoso, de vitimismo em relação ao bandido, não funcionou, por isso que até o Partido dos Trabalhadores decidiu votar essa matéria. E vejam, acabamos de sair de uma eleição municipal. Quando apresentei e aprovei neste plenário o projeto de lei que previa aumento de pena para furto, roubo e receptação, o PT e o PSol votaram contrariamente.”

O Psol ficou isolado. Henrique Vieira, do Rio, argumentou: “A extrema direita ganha politicamente com o medo, com o pânico e com o sofrimento das pessoas, por conta da insegurança neste País. A atual lógica da segurança pública, que é de responsabilidade prioritária dos governos estaduais, é uma lógica da letalidade, do encarceramento, do tiroteio a qualquer custo.”

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Completou: “Respostas fáceis, respostas burras para problemas complexos não estão resolvendo a vida das pessoas. Quando se trata de segurança pública, um botão é apertado no cérebro do extremista de direita, e tudo se resume a mais punição, mais punição, mais punição, sem que isso demonstre qualquer efeito positivo na vida das pessoas. A audiência de custódia é um mecanismo que não defende bandidagem, é um mecanismo justo e democrático que inclusive pode impedir prisões ilegais ou garantir que a prisão devida seja devidamente feita.”

PT e PL costumam se apresentar em polos diametralmente opostos, à esquerda e à direita, e, com frequência colidem em embates de retórica raivosa. Mas, pela segunda vez em uma semana, demonstraram união de propósitos – somam 160 votos no plenário da Câmara (70 do PT e 90 do PL).

Logo depois das eleições municipais, os partidos de Lula e de Jair Bolsonaro se aliaram na pretensão de eleger o deputado Hugo Mota, do Republicanos da Paraíba, no comando da Casa em fevereiro. Há pelo menos dois outros candidatos na disputa, Elmar Nascimento, do União Brasil, e Antonio Brito, do PSD.

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Essa aliança PT-PT foi patrocinada por Arthur Lira, presidente da Câmara. O acordo prevê para os dois partidos fatias maiores das emendas parlamentares ao Orçamento, cargos na Mesa Diretora e no comando de comissões legislativas. Para o PT, haveria ainda uma vaga vitalícia no Tribunal de Contas da União, com salário-base de 42 mil mensais. A indicação já está em disputa entre a presidente do partido, Gleisi Hoffmann, e o líder na Câmara, Odair Cunha.



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Matheus Leitão

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“Estou muito envergonhado! Isto é uma indignidade inexplicável!” (Ciro Gomes, ex-ministro da Fazenda, usando as redes sociais para reclamar da troca de Carlos Lupi por Wolney Queiroz, seu desafeto no PDT, no comando do Ministério da Previdência Social) 


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Felipe Barbosa

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A articulação para mudar quem define o teto de jur…

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A articulação para mudar quem define o teto de jur...

Nicholas Shores

O Ministério da Fazenda e os principais bancos do país trabalham em uma articulação para transferir a definição do teto de juros das linhas de consignado para o Conselho Monetário Nacional (CMN). 

A ideia é que o poder de decisão sobre o custo desse tipo de crédito fique com um órgão vocacionado para a análise da conjuntura econômica. 

Compõem o CMN os titulares dos ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento e da presidência do Banco Central – que, atualmente, são Fernando Haddad, Simone Tebet e Gabriel Galípolo.

A oportunidade enxergada pelos defensores da mudança é a MP 1.292 de 2025, do chamado consignado CLT. O Congresso deve instalar a comissão mista que vai analisar a proposta na próxima quarta-feira. 

Uma possibilidade seria aprovar uma emenda ao texto para transferir a função ao CMN.

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Hoje, o poder de definir o teto de juros das diferentes linhas de empréstimo consignado está espalhado por alguns ministérios. 

Cabe ao Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS), presidido pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, fixar o juro máximo cobrado no consignado para pensionistas e aposentados do INSS.

A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, é quem decide o teto para os empréstimos consignados contraídos por servidores públicos federais.

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Na modalidade do consignado para beneficiários do BPC-Loas, a decisão cabe ao ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias.

Já no consignado de adiantamento do saque-aniversário do FGTS, é o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que tem a palavra final sobre o juro máximo.

Atualmente, o teto de juros no consignado para aposentados do INSS é de 1,85% ao mês. No consignado de servidores públicos federais, o limite está fixado em 1,80% ao mês.

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Segundo os defensores da transferência da decisão para o CMN, o teto “achatado” de juros faz com que, a partir de uma modelagem de risco de crédito, os bancos priorizem conceder empréstimos nessas linhas para quem ganha mais e tem menos idade – restringindo o acesso a crédito para uma parcela considerável do público-alvo desses consignados.

Ainda de acordo com essa lógica, com os contratos de juros futuros de dois anos beirando os 15% e a regra do Banco Central que proíbe que qualquer empréstimo consignado tenha rentabilidade negativa, a tendência é que o universo de tomadores elegíveis para os quais os bancos estejam dispostos a emprestar fique cada vez menor.



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