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Elo russo com Coreia do Norte é ilegal, diz sul-coreano – 17/11/2024 – Mundo
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O presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk Yeol, afirma em entrevista à Folha que o envio de tropas norte-coreanas para combater na Ucrânia representa uma ameaça à segurança da Europa e de seu próprio país.
Ele diz ainda que o pacto de segurança assinado entre Moscou e Pyongyang é ilegal. O acordo, acrescenta, representa um desafio direto à paz mundial.
Yoon Suk Yeol vê potencial para crescimento das relações comerciais entre Brasil e Coreia do Sul e afirma que o fenômeno da chamada K-Cultura (cultura sul-coreana) revitaliza a economia de seu país.
A entrevista foi concedida por escrito, por ocasião da visita do líder da Coreia do Sul ao Rio de Janeiro para a cúpula do G20.
Quais as repercussões do envio de tropas da Coreia do Norte para combater na Ucrânia?
O envio de tropas norte-coreanas para a Rússia representará uma ameaça direta e substancial não só para a segurança da Europa como também para a nossa própria segurança. Acima de tudo, existe a possibilidade de que as tecnologias que a Coreia do Norte deseja ou até tecnologias essenciais relacionadas a armas nucleares e ao míssil balístico intercontinental sejam transferidas da Rússia em troca do envio de tropas.
Portanto, o governo da República da Coreia está analisando de forma abrangente os possíveis cenários e preparando medidas de respostas graduais, de acordo com a tendência de ameaças à nossa segurança.
O que a assinatura de um pacto de segurança entre Moscou e Pyongyang significa para a Coreia do Sul e, de forma mais abrangente, para a segurança da Ásia?
A recente e estreita relação entre a Coreia do Norte e a Rússia não é apenas ilegal como também um desafio direto à ordem da paz mundial. Especialmente, o tratado estabelecido entre os dois países inclui a promessa de cooperação militar, violando frontalmente as resoluções do Conselho de Segurança da ONU.
Em troca desse estreitamento com a Rússia, a Coreia do Norte planeja aprimorar a sua tecnologia militar. Tendo a Rússia como suas “costas quentes”, certamente aumentará a intensidade de suas provocações, ameaçando não apenas a segurança na península da Coreia, mas também em toda a Ásia.
A República da Coreia irá trabalhar em estreita colaboração com aliados para garantir que medidas fortes e efetivas de sanção sejam aplicadas contra a cooperação militar entre a Rússia e a Coreia do Norte.
A tentativa de aproximação no passado de Donald Trump com Kim Jong-un, ditador da Coreia do Norte, preocupa seu governo em um novo mandato do republicano?
Não pretendo prever a direção das políticas do próximo governo dos EUA nem fazer comentários com base em circunstâncias hipotéticas.
O que posso dizer claramente é que a aliança entre a República da Coreia e os Estados Unidos é uma aliança muito especial que continuou a evoluir ao longo dos últimos 70 anos, aumentando a amplitude e a profundidade da cooperação sempre que enfrentamos várias mudanças na situação internacional.
A Coreia do Sul e os Estados Unidos continuarão a coordenar estreitamente as suas políticas em relação à Coreia do Norte, ao mesmo tempo que perseguem o objetivo da desnuclearização de Pyongyang e do estabelecimento firme da paz na península coreana.
Diferentes países tentam se equilibrar diante da crescente competição entre EUA e China. Como a Coreia do Sul se posiciona nessa realidade?
Estados Unidos e China são, para a Coreia, parceiros muito importantes de cooperação. Então, considero não ser um caso de se optar por um ou outro país. A aliança entre a Coreia e os EUA é uma aliança estratégica global abrangente, que compartilha valores, interesses e visão global, podendo afirmar que é o eixo central de nossa diplomacia.
A China, por sua vez, é um vizinho de longa data e o nosso maior parceiro comercial, com quem temos desenvolvido uma parceria de cooperação estratégica.
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Nesse contexto, mantemos a aliança com os Estados Unidos como o eixo central da nossa diplomacia e estamos empenhados em continuar o diálogo e o desenvolvimento da nossa relação com a China de forma a contribuir para a paz e a prosperidade na região do Indo-Pacífico e na comunidade internacional.
Esperamos que a relação entre os EUA e a China evolua direcionada para contribuir para a paz e a prosperidade da comunidade internacional. Nesse processo, seguiremos em estreita cooperação com os dois países.
As negociações entre Coreia do Sul e Mercosul estão paralisadas. O que precisa ser feito para relançar as tratativas?
O Mercosul possui uma estrutura econômica com aspectos de complementaridade em relação à Coreia e, nesse sentido, o acordo comercial Coreia-Mercosul, se concluído, contribuirá para o aumento das exportações e investimentos bilaterais e a diversificação da cadeia de suprimentos, entre outros aspectos.
No entanto, após a sétima rodada de negociação, em 2021, as discussões entre as partes foram suspensas. É necessário que a negociação oficial seja retomada o mais brevemente possível.
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Qual o espaço para aumentar a relação comercial entre Brasil e Coreia do Sul?
O Brasil é o maior parceiro comercial da Coreia do Sul na América Latina. O volume de comércio entre os dois países ultrapassou pela primeira vez US$ 10 bilhões (R$ 58 bi) em 2021, e continua a superar esse valor a cada ano.
Considerando que os dois países estão entre as dez maiores economias do mundo, posso dizer que há ainda um potencial muito grande de cooperação econômica. O Brasil, como um dos maiores detentores de recursos naturais mundiais, e a Coreia, como um país forte em indústria manufatureira.
Os dois países possuem estruturas complementares de comércio, tornando-se, entre si, os melhores parceiros para responder juntos à reorganização da cadeia de suprimento global.
A Coreia do Sul é frequentemente lembrada no Brasil como um caso de transformação econômica de sucesso por meio da educação. Como esse processo ocorreu?
A República da Coreia tem promovido de forma consistente investimentos em todo o país na formação de talentos e alcançou o desenvolvimento econômico com base nos profissionais qualificados cultivados através desses investimentos e das inovações tecnológicas.
Com o início da introdução do ensino fundamental obrigatório na década de 1950, as oportunidades educacionais tornaram-se universais. Mesmo durante a Guerra da Coreia, construíamos escolas provisórias montadas em tendas nas áreas de evacuação e fazíamos o nosso melhor para garantir que as crianças pudessem receber educação.
Mais tarde, nas décadas de 1960 e 1970, a expansão das políticas de ensino profissionalizante e de apoio à especialização universitária possibilitou a capacitação de mão de obra técnica industrial, que se tornou a base para um rápido crescimento econômico.
Além disso, desde a década de 1980, a expansão do ensino superior, a garantia da diversidade na educação, o aperfeiçoamento intelectual e o aumento do investimento na pesquisa e desenvolvimento resultaram na formação de um grande número de profissionais altamente qualificados, revitalizando a nossa economia.
Em resposta a novos desafios da atualidade, como as rápidas mudanças na estrutura demográfica devido à baixa taxa de natalidade e ao envelhecimento da população, bem como a 4ª Revolução Industrial e a revolução da inteligência artificial, o governo está estabelecendo um sistema de “cuidados públicos”, em que o Estado se responsabiliza em educar e cuidar de crianças pequenas. E ainda, com o uso da inovação, ampliamos a educação personalizada sob demanda.
Como os recentes fenômenos culturais coreanos têm moldado a imagem internacional do país?
Guerra e divisão eram a primeira imagem que se tinha sobre a Coreia no passado. Mas agora pode-se dizer que a primeira imagem são grupos K-pop como o BTS, ou novelas como o Sweet Home, como também o jogador de futebol Son Heung-min, já muito reconhecido pelos fãs do futebol brasileiros.
Acredito que o fenômeno cultural conhecido como Hallyu, ou “onda coreana”, está difundindo os valores da liberdade e de um futuro ousado com os quais a Coreia sonha.
A indústria criativa está revitalizando a economia coreana ao ponto de que quando as exportações do setor K-Cultura aumentam em US$ 100 milhões, há um reflexo nas exportações de bens de consumo relacionados, como moda e alimentos, que também aumentam em US$ 180 milhões. A indústria cultural está fomentando a economia da Coreia com um dinamismo que está liderando tendências e uma globalização que visa à universalidade.
Raio-X | Yoon Suk-yeol, 63
Eleito em março de 2022 com uma plataforma conservadora, é formado em direito e ficou conhecido no país por sua atuação como promotor de Justiça. Ele liderou a equipe de investigação dos crimes que levaram ao afastamento do cargo da ex-presidente Park Geun-hye.
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Fórum de reitores debate desafios para ensino superior público — Universidade Federal do Acre
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1 de julho de 2026A reitora Guida Aquino participou do 1º Fórum de Reitoras e Reitores da América Latina e do Caribe, realizado na segunda-feira, 29, e terça-feira, 30, em Foz do Iguaçu (PR), reunindo dirigentes de 89 instituições brasileiras, entre universidades e institutos federais, além de 67 representantes de 17 países latino-americanos e caribenhos, para debater os desafios e as perspectivas da educação superior pública, da cooperação internacional e da integração regional.
“A integração entre as universidades da América Latina e do Caribe é fundamental para o fortalecimento da educação superior pública, da produção científica e da construção de respostas conjuntas aos desafios sociais, econômicos e ambientais que compartilhamos enquanto região”, disse a reitora.
Durante a programação, foram debatidos temas estratégicos como a democratização do acesso ao ensino superior, a inclusão social, a mobilidade acadêmica, a pesquisa e a inovação, bem como mecanismos para ampliar a cooperação internacional e fortalecer as redes de produção científica e tecnológica entre os países participantes.
O evento contou com a participação do ministro da Educação, Leonardo Barchini, e do secretário de Educação Superior do Ministério da Educação, Marcus David, além de representantes de organismos internacionais e lideranças acadêmicas.
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Fundape tem nova sede inaugurada no campus da Ufac na capital — Universidade Federal do Acre
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26 de junho de 2026A reitora da Ufac, Guida Aquino, participou da solenidade de inauguração da nova sede da Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária no Acre (Fundape), da qual ela é presidente do Conselho Curador. O evento ocorreu nesta sexta-feira, 26, no campus-sede, local em que se localiza o espaço administrativo e operacional da fundação.
Guida destacou a importância da Fundape para a Ufac e para outras instituições da Região Norte. Para ela, a fundação passou por um processo de fortalecimento nos últimos anos. “A Fundape hoje nos faz realizar, na verdade, todas as parcerias de formação de docentes, de ensino, de pesquisa, de extensão, de inovação”, afirmou.
Segundo a reitora, a fundação ampliou sua atuação para além do Acre, atendendo também instituições de Rondônia, Amapá e Roraima. “Olha a grandeza disso. E nós, enquanto Universidade Federal do Acre, temos que nos orgulhar”, pontuou.
O diretor-presidente da Fundape, Ismar Bernardo de Araújo, disse que a inauguração da sede própria representa uma conquista construída com dedicação, trabalho em equipe e visão de futuro. “Hoje não celebramos apenas a abertura de um novo espaço físico; celebramos uma conquista construída com dedicação, trabalho em equipe, visão de futuro e confiança.”

Ismar lembrou que a Fundape foi instituída em 22 de junho de 1998 e completa 28 anos em 2026. Atualmente, a fundação conta com 38 colaboradores, representa quatro universidades federais, três institutos federais e um hospital universitário, estando presente em quatro Estados da região Norte.
Membro fundador da Fundape e pró-reitor de Planejamento da Ufac, Alexandre Hid, relembrou a criação da fundação e os desafios enfrentados ao longo da trajetória institucional. “Hoje a fundação está aí forte e firme para maiores e melhores desafios.”

Também participaram da solenidade a reitora da Unir, Marília Pimentel; o procurador-geral adjunto para Assuntos Administrativos e Institucionais do MP-AC, Carlos Roberto da Silva Maia, representando o procurador-geral Oswaldo Lima Neto; o diretor técnico da Fundape, Camilo Gouveia; o diretor administrativo-financeiro da Fundape, Dionel de Araújo; Gemil Júnior, suplente do senador Alan Rick (Republicanos-AC); a pró-reitora de Inovação, Pesquisa e Pós-Graduação do Ifac, Alana Chocorosqui, representando o reitor Fábio Storch; o ex-reitor da Ufac, Minoru Kinpara; além de dirigentes, coordenadores de projetos, colaboradores e representantes de instituições parceiras.
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Seminário na Ufac tematiza planejamento e governança pública — Universidade Federal do Acre
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23 de junho de 2026O programa de pós-graduação em Planejamento e Governança Pública, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), no âmbito do mestrado interinstitucional para técnico-administrativos da Ufac e do Instituto Federal do Acre (Ifac), realiza o 12º Seminário de Boas Práticas em Planejamento e Governança Pública, de 14 a 16 de julho, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede da Ufac. As inscrições são gratuitas e estão abertas até 16 de julho, por meio online.
O evento será transmitido pelo YouTube e terá como tema “Governança, Políticas Públicas e Desenvolvimento Regional na Amazônia: Desafios Estruturais para o Acre”, propondo um debate sobre questões territoriais, sociais, ambientais, urbanas, institucionais e econômicas que atravessam a realidade amazônica e acreana.
A programação científica será organizada em quatro eixos temáticos: governança urbana, mobilidade e direito à cidade na Amazônia; infraestrutura, saneamento e resiliência em contextos de enchentes e queimadas; governança ambiental, desenvolvimento sustentável e capacidade estatal na Amazônia; e educação e empreendedorismo na Amazônia.
O seminário tem como público-alvo a comunidade universitária e gestores públicos, contando com a participação de autoridades locais, pesquisadores da UTFPR, docentes da Ufac e do Ifac, bem como especialistas convidados de diferentes áreas.
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