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Elon Musk e J.D. Vance podem simbolizar futuro dos EUA – 14/12/2024 – Ross Douthat

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Por trás de todo o furor em torno das nomeações de Donald TrumpMatt Gaetz está fora, Pete Hegseth mais ou menos, o drama de Kash Patel em andamento— as figuras mais importantes na órbita desse governo não mudaram desde o dia da eleição. Além do próprio presidente, o futuro do trumpismo provavelmente ainda será moldado e marcado por dois homens, J.D. Vance e Elon Musk.

Não apenas por causa de seus talentos e realizações e não apenas porque Vance é o herdeiro político aparente e Musk seria um dos homens mais influentes do mundo, mesmo que não tivesse a atenção do presidente eleito. É também porque eles representam, mais claramente do que qualquer outro nomeado, duas visões potentes para uma direita do século 21, e sua interação provavelmente moldará o conservadorismo pelos próximos quatro anos e além.

Musk é o dinamista, o que acredita no crescimento, na inovação e na exploração como os pilares da civilização americana. Seu dinamismo nem sempre foi especialmente ideológico: o magnata da Tesla e da SpaceX já foi um democrata de Barack Obama, feliz em apoiar um governo ativo e, às vezes, perdulário, desde que gastasse livremente em seus projetos. Mas, à medida que Musk avançou para a direita, ele adotou uma postura mais libertária, insistindo no profundo desperdício dos gastos do governo e na tirania do Estado administrativo.

Enquanto isso, Vance é o populista, empenhado em proteger e elevar as partes dos Estados Unidos negligenciadas ou deixadas para trás em uma era de globalização. Juntamente com seu apoio às causas trumpistas de tarifas e restrições à imigração, essa visão de mundo o tornou mais simpático do que a média dos senadores republicanos a certas formas de investimento governamental —de programas de longa data como a Previdência Social a novas ideias sobre política industrial e política familiar.

Apesar desse contraste, as visões de mundo de Musk e Vance se sobrepõem em aspectos importantes. Musk seguiu uma direção populista em relação à imigração, enquanto Vance foi um capitalista de risco e claramente tem uma forte simpatia por partes da visão de mundo dinamista, especialmente sua crítica ao Estado regulador.

Ambos compartilham um interesse clarividente no colapso da taxa de natalidade, uma questão até então marginal que provavelmente dominará as últimas décadas do século 21. E há uma convergência modesta, mas real, entre a visão de mundo tecnológica de Musk e o estilo mais neotradicional de conservadorismo religioso de Vance, com base não apenas em uma antipatia compartilhada em relação ao trabalho, mas também em visões semelhantes sobre a inteligibilidade do cosmos e o lugar providencial da humanidade na história.

Portanto, é possível imaginar um cenário, no segundo mandato de Trump e depois dele, em que essas convergências produzam um fusionismo dinamista-populista —um conservadorismo que consiga, ao mesmo tempo, almejar as estrelas, elevar e proteger a classe trabalhadora, em que o crescimento econômico e o progresso tecnológico ajudem a renovar o coração (como as próprias empresas de Musk trouxeram empregos e otimismo para o sul do Texas) e, ao mesmo tempo, preservem nosso pacto social em declínio.

Essa é a síntese potencial de Musk-Vance. Mas as possíveis tensões aqui também são importantes, assim como as maneiras pelas quais a visão de mundo de cada um pode falhar.

O populismo sem um forte compromisso com o dinamismo pode facilmente gerar estagnação: a combinação de tarifas e restrições à imigração e a promessa de Trump-Vance de proteger a Previdência Social e o Medicare ameaçam um certo tipo de esclerose, a menos que sejam acompanhadas por esforços libertários em outras áreas da economia, uma guerra contra a burocracia e os cartéis, a desregulamentação em uma variedade de formas.

E o espírito do populismo, sua psicologia política, precisa de uma dose do impulso libertário, um elemento do empreendedorismo americano, para evitar se tornar uma visão de mundo puramente defensiva e de soma zero.

Mas, da mesma forma, um dinamismo que se imagina capaz de acenar com uma varinha mágica sobre o governo e fazer com que grande parte do estado de bem-estar social desapareça de alguma forma acabará tendo o mesmo destino que o Tea Party e a campanha presidencial de Mitt Romney-Paul Ryan — fraturando a coalizão de Trump e perdendo eleitores indecisos de baixo escalão em nome de um libertarianismo irrealista.

Em algumas das postagens pós-eleitorais de Musk, especialmente, é possível ver insinuações dessa visão de mundo, que oscila entre críticas de centavos sobre o desperdício governamental e uma crítica de raiz a programas como a Previdência Social. Se é para esse lado que o Doge, seu “Departamento de Eficiência Governamental”, tenta levar o Partido Republicano da era Trump —de uma visão limitada, mas positiva, do papel do governo para uma agenda mais ideológica— então o muskismo será um beco sem saída político.

O Musk de que os Estados Unidos precisam é o grande fabricante de foguete e empresário tecnológico, que inclina a política para servir a uma visão futurista. O Vance de que os Estados Unidos precisam é o populista que acredita em um papel construtivo para o governo na construção desse futuro e em garantir que sua sociedade e economia tenham espaço para os trabalhadores comuns.

O grande teste que aguarda o segundo governo Trump é fazer com que essas visões funcionem juntas — quanto mais elas entrarem em conflito, mais provável será o fracasso do Trump 2.0.


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Em reunião, Ufac e UTFPR discutem PPG em governança pública — Universidade Federal do Acre

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A reitora da Ufac, Guida Aquino, recebeu o reitor Everton Lozano e a vice-reitora Vanessa Ishikawa, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), para uma reunião de avaliação e alinhamento das ações desenvolvidas no âmbito do programa de pós-graduação (PPG) em Planejamento e Governança Pública. O encontro ocorreu nessa quinta-feira, 16, no gabinete da Reitoria, campus-sede.

O mestrado é ofertado por meio de uma parceria entre a Ufac, o Instituto Federal do Acre (Ifac) e a UTFPR, com foco na qualificação de servidores e profissionais que atuam nas áreas de planejamento, governança pública e desenvolvimento regional. De terça-feira, 14, até quinta-feira, 16, a Ufac sediou o 12º Seminário de Boas Práticas em Planejamento e Governança Pública. Durante o evento, estudantes, pesquisadores e docentes discutiram experiências, desafios e resultados relacionados às pesquisas desenvolvidas no programa.

Durante a reunião, os representantes das universidades também discutiram o andamento das atividades do programa e perspectivas para novas ações de cooperação acadêmica, incluindo a continuidade das iniciativas voltadas à qualificação de servidores públicos e à expansão da pós-graduação na região amazônica.

Para Everton Lozano, a cooperação entre as instituições fortalece o programa de pós-graduação e amplia sua contribuição para a formação de profissionais na região Norte. Ele informou que já estão em discussão os encaminhamentos para a elaboração de uma proposta de doutorado interinstitucional.

Vanessa Ishikawa ressaltou que o programa amplia as oportunidades de capacitação para técnico-administrativos e profissionais da região, contribuindo para a formação em planejamento, políticas públicas e governança. Ela destacou ainda o envolvimento dos docentes da UTFPR no desenvolvimento do projeto e o trabalho conjunto realizado entre as instituições parceiras.

Para o coordenador da parceria interinstitucional entre UTFPR, Ufac e Ifac, Antonio Gonçalves de Oliveira, a oferta do mestrado representa uma estratégia para ampliar a presença da área de planejamento urbano, regional e demografia na região Norte. 

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)

 



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Ufac entrega equipamentos para curso de Engenharia Civil — Universidade Federal do Acre

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A Ufac realizou solenidade de entrega de novos equipamentos destinados ao curso de Engenharia Civil. O investimento contribuirá para o fortalecimento das atividades de ensino e pesquisa, proporcionando melhores condições para a formação acadêmica dos estudantes. O evento ocorreu nesta quinta-feira, 16, no hall do bloco do curso.

Foram adquiridos 20 conjuntos para desenho técnico, compostos por pranchetas de desenho e banquetas, já instalados no Laboratório de Projetos. Também foram entregues duas estações totais de topografia, destinadas ao Laboratório de Topografia.

“Todo esse investimento é para eles”, disse a reitora Guida Aquino, referindo-se aos alunos. “A universidade não existe sem estudante.” Segundo ela, a instituição deve continuar avançando e modernizando seus laboratórios para acompanhar as necessidades da formação acadêmica.

O pró-reitor de Planejamento, Alexandre Hid, ressaltou que o crescimento da estrutura física e da quantidade de cursos ampliou as demandas da universidade. Para ele, a expansão também representa novos custos para a instituição. “Nós crescemos e atendemos ao plano”, pontuou. “Entretanto, o orçamento não teve o mesmo crescimento.”

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De acordo com o coordenador do curso de Engenharia Civil, Bernardo Antônio Silva Ramos, a aquisição atende a uma demanda antiga do curso. Ele explicou que os equipamentos também poderão ser utilizados por estudantes de outros cursos da instituição, como Engenharia Florestal e Engenharia Agronômica. “Esses equipamentos são muito importantes para nós e serão muito bem utilizados daqui para frente.”

Também participou da solenidade a pró-reitora de Inovação e Tecnologia e vice-reitora eleita, Almecina Balbino.

 



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Seminário em governança pública ocorre na Ufac até 16/08 — Universidade Federal do Acre

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O programa de pós-graduação em Planejamento e Governança Pública, desenvolvido entre a Ufac e a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), realizou a abertura do 21º Seminário de Boas Práticas em Planejamento e Governança Pública. A cerimônia ocorreu nesta terça-feira, 14, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e marcou o início da programação, que segue até 16 de agosto, reunindo estudantes, professores, pesquisadores e profissionais interessados no assunto.

Durante a programação, serão debatidos temas relacionados ao desenvolvimento regional, mobilidade urbana, educação, empreendedorismo e gestão pública. As atividades incluem palestras, mesas de discussão e apresentações acadêmicas voltadas à troca de experiências e à divulgação de pesquisas desenvolvidas no âmbito do programa.

Na abertura do evento, a reitora Guida Aquino destacou a expansão da pós-graduação na universidade e o fortalecimento das parcerias institucionais voltadas à qualificação de servidores e profissionais. Ela também ressaltou a importância da cooperação entre a Ufac e a UTFPR para a oferta do programa de pós-graduação.

O coordenador do programa, Rogério Duenhas, disse que o curso contribui para formação de profissionais e pesquisadores na área de planejamento e governança pública, especialmente na região Norte.

Seminário em governança pública ocorre na Ufac até 16_08-interna-1.jpg

A presidente da comissão organizadora, discente Ana Caroline, destacou que o seminário busca promover discussões sobre desafios estruturais enfrentados pelo Acre e incentivar reflexões sobre políticas públicas e planejamento. Segundo ela, a proposta é ampliar o debate sobre temas que impactam diretamente o desenvolvimento do Estado e das instituições públicas.

Também participaram da mesa de abertura o vice-reitor e reitor eleito, Josimar Batista; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Margarida Lima Carvalho; a pró-reitora de Pesquisa, Inovação e Pós-Graduação, Alana Chocorosqui Fernandes, do Ifac; além de representantes da UTFPR, convidados e integrantes da comunidade acadêmica.

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)

 



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