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Em comício final no Michigan, Trump promete ressuscitar a indústria automobilística – 02/11/2024 – Mundo

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Patrícia Campos Mello

Incentivos fiscais para financiamento de carros feitos nos EUA, tarifas de até 200% sobre automóveis fabricados na China ou no México, fim das regras que favorecem veículos elétricos, mais exploração de petróleo para baixar preços dos combustíveis –o republicano Donald Trump fez um discurso sob medida para agradar os eleitores do Michigan nesta sexta-feira (1), em seu último comício em um dos estados-pêndulo mais cobiçados desta eleição.

“Estão dizimando a indústria automobilística de Detroit e do Michigan, sumiram com 40 mil, 50 mil empregos”, disse, referindo-se à crise das montadoras, que já foram o principal motor de desenvolvimento no estado, mas estão em decadência há décadas.

“Kamala acabou com os empregos. Com as minhas políticas, vamos ter um renascimento da indústria no estado. Vamos ter um êxodo maciço de empregos da indústria do México e de Xangai [na China] para Michigan.”

Grande parte da plateia de cerca de 2 mil pessoas do comício em Warren tinha familiares que trabalham ou perderam emprego na indústria e seus fornecedores.

O presidente do sindicato dos operários da indústria automobilística, Shawn Fein, declarou apoio à democrata Kamala Harris em agosto. Uma pesquisa divulgada pelo sindicato mostrou que 57% dos 391 mil membros apoiam a democrata e 32%, o republicano.

Mas Trump levou para o palco de Warren um dissidente –Brian Pannebecker, o fundador do “Operários da Indústria Automobilística em apoio a Trump 2024.”

“Só Trump pode impedir que nossos empregos acabem”, disse. “E ninguém quer esses carros elétricos! A gente não é só operário da indústria automobilística, a gente é consumidor também!” O presidente Joe Biden implementou uma meta de redução de poluentes que exige uma diminuição significativa na fabricação de veículos movidos a combustíveis fósseis até 2032.

“Vamos acabar com essa Picaretagem Verde [como ele se refere às políticas de incentivo a transição energética de Biden] e metas de fabricação de carros elétricos”, disse Trump, alegando ter conseguido impedir que uma empresa chinesa abrisse uma fabrica de automóveis no México que iria sugar todos os empregos americanos.

Joe Shariat, 71, trabalhava na linha de montagem de pintura de uma das fábricas da Ford no estado.

“Depois do Nafta, com [Bill] Clinton, meu emprego foi transferido para o México”, disse. Mas essa não era sua única crítica contra os democratas. “Imagine a Kamala Harris como comandante das Forças Armadas da nação. Uma mulher, e ainda por cima ela? É uma piada”, disse. Shariat também se disse contra o aborto e afirmou que “em Nova York, as mulheres podem esperar duas semanas depois de o bebê nascer para decidir se querem matá-lo” —uma afirmação que não é verdadeira.

Ele aplaudiu entusiasmado a fala de Robert Kennedy Junior, negacionista de vacina que abandonou a disputa e está apoiando Trump. “Eu não tomei nenhuma vacina, você não viu quantas pessoas morreram por causa da vacina?”, indagou. “A Covid foi uma arma biológica desenvolvida pelos chineses e russos. E a Ucrânia tem 32 laboratórios de armas biológicos, por isso a Rússia entrou em guerra com eles. Você não sabia? Por onde você tem andado, querida?”

Kennedy também afirmou, sem provas, que celulares causam câncer. Ele está cotado para ter um papel de destaque nas políticas de saúde de um potencial governo Trump. “RFK vai fazer a América saudável de novo no meu governo”, disse Trump.

Joe Shariat foi acompanhado de seu irmão Rick, 70, que é sósia do lutador profissional Hulk Hogan, figurinha carimbada em comícios do republicano. Rick teve seus cinco minutos de glória, ao ser chamado por Trump: “Nunca vi um sósia do Hulk Hogan tão bom”.

Como tem ocorrido ultimamente, o discurso de Trump rivalizou em duração com as falas intermináveis de ditadores de esquerda latino-americanos como o venezuelano Hugo Chávez e o cubano Fidel Castro. O republicano falou por quase duas horas e as pessoas começaram a sair do local antes de o evento terminar.

Quem saiu perdeu o grand finale, em que Trump dançou animadamente ao som da música YMCA, do grupo Village People. O republicano incorporou os finais dançantes com YMCA após seu desempenho de DJ e dançarino em comício na Pensilvânia em 15 de outubro, após duas pessoas desmaiarem por causa do ambiente abafado.

“Vai ser uma lavada para Trump, a não ser que os imigrantes ilegais votem em massa, como em 2020”, disse Jonathan, que produz soja e milho em uma fazenda a uma hora de Warren e veio com a mulher, Beth. Eles se mostraram entusiasmados com a promessa de Trump deportar milhões de imigrantes ilegais. “Ele vai começar mandando embora todos imigrantes criminosos, vai limpar o país”, disse Jon, que não quis dizer seu sobrenome.

Na fila para entrar, um voluntário da campanha passava com o abaixo-assinado patrocinado pelo Super PAC America, do bilionário Elon Musk. As pessoas preenchiam a “petição a favor da liberdade de expressão e do direito a portar armas” com o nome, celular, email e endereço de onde estão registradas para votar. “Vamos assinar a petição do Elon Musk, com sorteio de US$ 1 milhão”, dizia o voluntário. Musk está sorteando US$ 1 milhão para pessoas que assinarem a petição –mas só para aquelas que estão registradas para votar.

Desde a tentativa de assassinato contra Trump em julho, em um comício na Pensilvânia, o serviço secreto intensificou as medidas de segurança. Todos passam por uma triagem com seguranças, detector de metais, revista manual e com cachorros. Não se pode levar bolsa, nem mochila. Armas e explosivos estão, felizmente, vetados.

E não se pode entrar com bandeiras, paus de selfie, cartaz, guarda-chuva, água, isqueiro, apito, balões e nem eletrodomésticos como torradeiras (sim, torradeira está na lista).



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Rede de trabalho franco-brasileira atua em propriedades amazônicas — Universidade Federal do Acre

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Rede de trabalho franco-brasileira atua em propriedades amazônicas — Universidade Federal do Acre

A Ufac integra uma rede de trabalho técnico-científico formada por pesquisadores do Brasil e da França, desenvolvendo trabalhos nas áreas de pecuária sustentável e produção integrada. Também compõem a rede profissionais das Universidades Federais do Paraná e de Viçosa, além do Instituto Agrícola de Dijon (França).

A rede foi construída a partir do projeto “Agropecuária Tropical e Subtropical e Desenvolvimento Regional: Cooperação entre Brasil e França”, aprovado em chamada nacional da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e do Comitê Francês de Avaliação da Cooperação Universitária com o Brasil. Esse programa iniciou na década de 1970 e, pela primeira vez, uma instituição do Acre teve um projeto aprovado.

Atualmente, alunas do doutorado em Agronomia da Ufac, Natalia Torres e Niqueli Sales, realizam parte do curso no Instituto Agrícola de Dijon, na modalidade doutorado sanduíche. Elas fazem estudos sobre sistemas que integram produção de bovinos, agricultura e a ecofisiologia de espécies forrageiras arbustivas/arbóreas.

Além disso, a equipe do projeto realiza entrevistas com criadores de gado (leite e corte), a fim de produzir informações para proposição de melhorias e multiplicação das experiências de sucesso. Há, ainda, um projeto em parceria com a equipe da Cooperativa Reca para fortalecer a pecuária integrada e sustentável. 

Outra ação da rede é a proposta do sistema silvipastoril de alta densidade de plantas, com objetivo de auxiliar agricultores que possuem embargos ambientais na atividade de recomposição de reservas.  No momento, a equipe discute um consórcio de plantas que atende à legislação ambiental. Da Ufac, fazem parte da rede os professores Almecina Balbino Ferreira, Vanderley Borges dos Santos, Eduardo Mitke Brandão Reis e Eduardo Pacca Luna Mattar, que trabalham nos cursos de Agronomia, Medicina Veterinária e Engenharia Florestal.

 



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Professora publica livro sobre sítios naturais sagrados do povo Nukini — Universidade Federal do Acre

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Professora publica livro sobre sítios naturais sagrados do povo Nukini — Universidade Federal do Acre

A professora Renata Duarte de O. Freitas, do curso de Direito do campus Floresta da Ufac, lança o livro “Aldeia Isã Vakevu, do Povo Originário Nukini: Um Sítio Natural Sagrado no Coração do Juruá” (Lumen Juris, 240 p.). O evento ocorre neste sábado, 7, às 19h, no teatro dos Nauas, em Cruzeiro do Sul. Resultado de investigação científica, a obra integra a cosmologia indígena aos marcos regulatórios da justiça ambiental.

A pesquisa é fundamentada na trajetória de resistência do povo Nukini. O livro presta homenagem à memória de Arlete Muniz (Ynesto Kumã), matriarca, parteira e liderança espiritual que preservou os conhecimentos milenares do Povo da Onça frente aos processos de aculturação e violência histórica.

O texto destaca a continuidade desse patrimônio imaterial, transmitido de geração para geração ao seu neto, o líder espiritual Txane Pistyani Nukini (Leonardo Muniz). Atualmente, esse legado sustenta a governança espiritual no Kupixawa Huhu Inesto, onde a aplicação das medicinas da floresta e a proteção territorial dialogam com a escrita acadêmica para materializar a visão de mundo Nukini perante a sociedade global.

Renata Duarte de O. Freitas introduz no cenário jurídico eixos teóricos que propõem um novo paradigma para a conservação ambiental: sítios naturais sagrados, que são locais de identidade cultural e espiritual; direito achado na aldeia, cuja proposta é que o ordenamento jurídico reconheça que a lei também emana da sacralidade desses locais; e direitos bioculturais, que demonstram que a biodiversidade da Serra do Divisor é preservada porque está ligada ao respeito pelos sítios naturais sagrados.

Ao analisar a sobreposição de uma parte do território Nukini com o Parque Nacional da Serra do Divisor, a obra oferece uma solução científica: o reconhecimento de que áreas protegidas pelo Estado devem ser geridas em conjunto com os povos originários, respeitando seus territórios sagrados.

 



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Em caravana, ministro da Educação, Camilo Santana, visita a Ufac — Universidade Federal do Acre

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Em caravana, ministro da Educação, Camilo Santana, visita a Ufac — Universidade Federal do Acre

A Ufac recebeu, nesta quarta-feira, 25, na Reitoria, campus-sede, a visita do ministro da Educação, Camilo Santana, no âmbito da caravana Aqui Tem MEC, iniciativa do Ministério da Educação voltada ao acompanhamento de ações e investimentos nas instituições federais de ensino.

Durante a agenda, o ministro destacou que a caravana tem percorrido instituições federais em diferentes Estados para conhecer a realidade de cada campus, dialogar com gestores e a comunidade acadêmica, além de acompanhar as demandas da educação pública federal.

Ao tratar dos investimentos relacionados à Ufac, a reitora Guida Aquino destacou a obra do campus Fronteira, em Brasileia, que conta com R$ 40 milhões em recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A estrutura terá seis cursos, com salas de aula, laboratórios, restaurante universitário e biblioteca.

Abordando a visita, Guida ressaltou a importância da universidade para o Estado e a missão da educação pública. “A Ufac é a única universidade pública federal de ensino superior do Acre e, por isso, tem papel estratégico na formação e no desenvolvimento regional. A educação é que transforma vidas, transforma o país.”

Outro tema tratado durante a agenda foi a implantação do Hospital Universitário no Acre. Camilo Santana afirmou que o Estado é o único que ainda não conta com essa estrutura e informou que o governo federal dispõe de R$ 50 milhões, por meio do Novo PAC, para viabilizar adequações e a implantação da unidade.

Ele explicou que a prioridade continua sendo a concretização de uma parceria para doação de um hospital, mas afirmou que, se isso não ocorrer, o MEC buscará outra alternativa para garantir a instalação do serviço no Estado. “O importante é que nenhum Estado desse país deixe de ter um hospital universitário”, enfatizou.

Guida reforçou a importância do projeto e disse que o Hospital Universitário já poderia ser celebrado no Acre. Ao defender a iniciativa, contou que a unidade contribuiria para qualificar o atendimento, reduzir filas de tratamento fora de domicílio e atender melhor pacientes do interior, inclusive em casos ligados às doenças tropicais da Amazônia. Em tom crítico, declarou: “O cavalo selado, ele só passa uma vez”, ao se referir à oportunidade de implantação do hospital.

Após coletiva de imprensa, o ministro participou de reunião fechada com pró-reitores, gestores, políticos e parlamentares da bancada federal acreana, entre eles o senador Sérgio Petecão (PSD) e as deputadas Meire Serafim (União) e Socorro Neri (PP).

A comitiva do MEC foi formada pela secretária de Educação Básica, Kátia Schweickardt; pelo secretário de Educação Profissional e Tecnológica, Marcelo Bregagnoli; pelo secretário de Educação Superior, Marcus Vinicius David; e pelo presidente da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, Arthur Chioro.

Laboratório de Paleontologia

Depois de participar de reunião, Camilo Santana visitou o Laboratório de Paleontologia da Ufac. O professor Edson Guilherme, coordenador do espaço, apresentou o acervo científico ao ministro e destacou a importância da estrutura para o avanço das pesquisas no Acre. O laboratório foi reformulado, ampliado e recentemente reinaugurado.

Aberto para visitação de segunda a sexta-feira, em horário de expediente, exceto feriados, o local reúne fósseis originais e réplicas de animais que viveram no período do Mioceno, quando o oeste amazônico era dominado por grandes sistemas de rios e lagos. A entrada é gratuita e a visitação é aberta a estudantes e à comunidade em geral.

 



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