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Em Marrocos, famílias mais pequenas e mais urbanas, segundo o último censo

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O Marrocos ganhou 25 milhões de habitantes no espaço de sessenta anos. São hoje quase 37 milhões, segundo os resultados (parcialmente comunicados) do último censo decenal, realizado em 1é até 30 de setembro. Se a população francesa tivesse crescido a este ritmo, hoje teria ultrapassado os 140 milhões. Mas por mais espectacular que seja – sem ser excepcional em África – o grande salto demográfico de Marrocos está a viver o seu crepúsculo.

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Esta é uma das principais confirmações do trabalho de contagem realizado pelo Ministério do Interior e pelo Alto Comissariado do Planeamento (HCP): a população do reino continua certamente a aumentar, mas a um ritmo mais lento. A sua taxa de crescimento de dez anos, 30% em média entre 1960 e 2000, desacelerou significativamente. Dividido por dois na década de 2000, estagnou em 9% durante dez anos. A uma taxa anual, o crescimento populacional de Marrocos caiu mesmo abaixo da barreira simbólica de 1%.

Esta desaceleração não é surpreendente. A mortalidade continua a diminuir, assim como a taxa de natalidade. Perto do final da sua transição demográfica, Marrocos deverá atingir “sua população estacionária, estimada em 45 milhões de habitantes, por volta do ano 2050”prevê o HCP. Nesta data, o seu aumento natural será “praticamente insignificante”.

Êxodo rural

Tal como em todo o Norte de África, a população de Marrocos vive mais tempo do que antes – quase 77 anos em média, em comparação com 47 anos em 1960 – e tem menos filhos do que as gerações anteriores. A taxa de fertilidade, que era de 7 filhos por mulher no final da independência, está agora próxima do limiar de renovação, fixado em 2,1. As razões para esta diminuição são inúmeras. Entre eles, a urbanização galopante, a generalização da escolaridade, o emprego das mulheres… Nada que as sociedades ocidentais também não tenham vivido.

Mas as transformações em Marrocos, iniciadas pelas mudanças introduzidas durante o período colonial, são ao mesmo tempo mais notáveis ​​e brutais, espalhadas por um período muito curto. O Instituto Real de Estudos Estratégicos (IRES), que se baseou na documentação do protetorado francês, estima a população do país em 5 milhões em 1900 e 9 milhões em 1950; ou 4 milhões de novos habitantes em meio século, aos quais se somaram outros 4 milhões em apenas doze anos, entre 1952 e 1964.

Como consequência lógica deste boom, Marrocos adoptou desde muito cedo uma política familiar orientada para a redução do seu crescimento demográfico, autorizando a promoção da contracepção em 1967, cuja taxa de prevalência ronda actualmente os 70%. Soma-se a isso o êxodo rural, que nunca foi contido. Com ela, o declínio da agricultura tradicional contribuiu para a desintegração de um sistema familiar até então “baseado na propriedade conjunta e na auto-subsistência”sublinha o HCP. Um terço dos habitantes ainda vive no campo.

Em plena mudança, a instituição familiar não é mais o que era. Os agregados familiares diminuíram: o seu tamanho médio caiu para menos de quatro pessoas pela primeira vez. O modelo de casa que acolhe várias gerações tende a desaparecer. Entre os símbolos desta convulsão, o sociólogo Mehdi Alioua destaca um em particular: a introdução do “quarto dos pais”, sinónimo de intimidade num país onde prevalece há muito tempo a noção de uma família alargada que vive sob o mesmo tecto.

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Esta nuclearização dos agregados familiares é acompanhada pelo aumento da população urbana. Com uma desvantagem nas cidades muito grandes, onde o alto custo de vida e as condições de vida mais difíceis, observam os pesquisadores, levam os moradores a se mudarem para as periferias. A um ritmo mais acelerado, Casablanca e Rabat continuam a perder residentes.

Zona de sombra

É apropriado avaliar os efeitos das respostas institucionais dos últimos anos na demografia de Marrocos. Promulgado em 2004, o código da família, então descrito como “revolucionário” pelos círculos feministas, deveria, segundo o HCP, desempenhar “um papel regulador para organizar o progresso social ilustrado pela dinâmica familiar”.

Sem dúvida que este texto, que deveria consagrar uma maior igualdade entre os sexos, contribuiu para a emancipação das mulheres, mas a sua taxa de actividade caiu de 28% em 2000 para 19% em 2023. melhorar a sua situação económica é claramente um fracasso. “Eles não podem trabalhar a qualquer custo. Alguém tem que cuidar dos filhos, da casa. Mas o Estado não preparou nada para isso. Essas questões deveriam ter sido resolvidas há muito tempo.estima a socioeconomista Samira Mizbar.

Outro fracasso: o enfraquecimento da taxa de natalidade não levou – ou muito pouco – à colheita dos benefícios do dividendo demográfico, que o HCP identificou em 2012 como um “oportunidade” para a economia marroquina. Este fenómeno bem conhecido, que se supõe ocorrer quando aumenta o rácio entre a população activa e o número de dependentes, conduzindo a uma queda nas taxas de dependência, não tem sido apoiado por políticas públicas adequadas. De acordo com o Conselho Económico, Social e Ambiental (CESE), cerca de 4,3 milhões de pessoas entre os 15 e os 35 anos estavam sem educação, emprego ou formação em 2022.

A investigação demográfica em Marrocos é cada vez mais detalhada, os problemas estão documentados, os relatórios detalhados sucedem-se, mas o executivo não parece ter medido a urgência das medidas a tomar, alertam os especialistas.

Os dados sobre a percentagem de estrangeiros que aí residem também mostram que Marrocos já não é apenas um país de trânsito. São quase 150 mil, um aumento de cerca de 70% nos últimos dez anos. Um número provavelmente abaixo da realidade, observam os analistas, que apontam a possível desconfiança suscitada pelo envio de agentes estatais para este censo. No entanto, o reino não é uma terra de imigração. Mas como as condições para chegar à Europa a partir de África se tornaram consideravelmente mais restritas, o país acolhe um número crescente de estudantes subsaarianos. Os reformados e os trabalhadores europeus, atraídos por uma vida quotidiana supostamente mais barata do que em casa, também são mais numerosos lá.

Resta ainda uma zona cinzenta, que informações mais completas (que serão divulgadas em breve) deverão ajudar a esclarecer. Nas suas previsões para 2025, o HCP previa uma população de 39 milhões de habitantes. Para onde foram os 2 milhões desaparecidos? Samira Mizbar pergunta: “Ou a queda da taxa de fertilidade foi maior do que o esperado ou a emigração foi subestimada. »

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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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