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Emissões da China estão transformando a política climática – 21/11/2024 – Ambiente
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Brad Plumer, Mira Rojanasakul
Por muitos anos, lugares ricos como os Estados Unidos e a Europa tiveram a maior responsabilidade histórica pelo aquecimento global e foram encarregados de liderar os esforços para detê-lo.
A ascensão surpreendente da China está mudando essa dinâmica.
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Nas últimas três décadas, a China construiu mais de 1.000 usinas a carvão enquanto sua economia cresceu mais de 40 vezes. O país se tornou, de longe, o maior emissor anual de gases de efeito estufa do mundo.
Os Estados Unidos ainda lançaram mais poluição total que aquece o planeta na atmosfera desde o século 19, em parte porque o país queima carvão, petróleo e gás natural há mais tempo. Mas a China está rapidamente alcançando.
No ano passado, pela primeira vez, a China ultrapassou a Europa como o segundo maior emissor histórico, de acordo com uma análise publicada na terça-feira (19) pelo Carbon Brief, um site de pesquisa climática.
Quando os humanos queimam combustíveis fósseis ou desmatam florestas, o dióxido de carbono resultante geralmente permanece na atmosfera por centenas de anos, aquecendo o planeta durante todo esse tempo. É por isso que as emissões históricas são frequentemente usadas como um indicador de responsabilidade pelo aquecimento global.
A China, por sua vez, prometeu que suas emissões atingirão o pico nesta década e depois começarão a cair. O país está instalando mais turbinas eólicas e painéis solares do que todas as outras nações juntas e lidera o mundo em vendas de veículos elétricos. Mas mesmo com a mudança da China para energia de baixo carbono, a análise do Carbon Brief descobriu que as emissões históricas da nação estão projetadas para se aproximar das dos Estados Unidos nos próximos anos.
UMA QUESTÃO DE DINHEIRO
A responsabilidade histórica da China pelas mudanças climáticas tornou-se um ponto de grande controvérsia na política climática global.
Nesta semana, diplomatas e líderes de quase 200 países se reuniram na cúpula climática das Nações Unidas em Baku, Azerbaijão, para discutir como arrecadar os trilhões de dólares que as nações vulneráveis precisarão para mudar para energia limpa e lidar com secas, ondas de calor, inundações e outros perigos de um planeta em aquecimento. Uma grande questão é de onde esse dinheiro deve vir.
Tradicionalmente, a resposta tem sido que países ricos e industrializados —como os Estados Unidos, Japão, Canadá, Austrália e a maior parte da Europa Ocidental— devem pagar.
Sob a Convenção-Quadro das Nações Unidas originalmente escrita em 1992, no Rio de Janeiro, esses países desenvolvidos foram chamados a fornecer ajuda financeira. Países como China, Índia e Arábia Saudita, assim como todas as nações da África, são classificados como em desenvolvimento por esse quadro e não foram obrigados a contribuir.
Hoje, no entanto, muitas nações ricas dizem que essa distinção não faz mais sentido. Líderes dos Estados Unidos e da União Europeia pediram à China que contribua mais com financiamento climático para países mais pobres como parte de um acordo final em Baku.
“Uma base de doadores expandida já era necessária há muito tempo”, disse John Podesta, conselheiro climático internacional do presidente Joe Biden, na semana passada. “Não estamos em 1992 em termos da estrutura econômica do mundo.”
A China, por sua vez, argumentou que já forneceu cerca de US$ 24,5 bilhões (cerca de R$ 140 bilhões) em financiamento climático para outros países em desenvolvimento desde 2016. Mas autoridades europeias disseram que a China não está sujeita aos mesmos requisitos de transparência e instaram o país a formalizar a ajuda que fornece sob acordos da ONU. Até agora, a China tem se mostrado relutante em fazer isso.
Em um discurso na semana passada, Ding Xuexiang, vice-primeiro-ministro da China, disse que os países ricos liderarem na oferta de ajuda financeira era uma “pedra angular” dos acordos climáticos globais.
Ao mesmo tempo, outros líderes mundiais criticaram emissores ricos como os Estados Unidos e a Europa por ficarem atrás nas promessas anteriores de ajuda climática e os instaram a não apontar a China como desculpa para a inação.
“Não podemos continuar a ouvir as mesmas promessas enquanto pequenas ilhas sofrem na ausência de ação real daqueles mais responsáveis pelas mudanças climáticas”, disse o primeiro-ministro Gaston Browne de Antígua e Barbuda.
OUTRA FORMA DE VER AS EMISSÕES
As emissões totais não são o único critério a considerar em questões de justiça. Outro é as emissões por pessoa.
Como a China tem 1,4 bilhão de pessoas, suas emissões históricas per capita ainda são menores do que as dos Estados Unidos, União Europeia, Japão e Canadá.
E enquanto a Índia é hoje um dos maiores consumidores de combustíveis fósseis do mundo, suas emissões históricas por pessoa são relativamente pequenas. A Índia é o país mais populoso do mundo, mas ainda relativamente pobre, com dezenas de milhões de pessoas ainda sem acesso confiável à eletricidade. A Índia diz que deve ser concedido tempo para queimar mais combustíveis fósseis enquanto se desenvolve.
Ao mesmo tempo, algumas nações ricas produtoras de petróleo e gás, como Arábia Saudita e Catar, têm emissões per capita desproporcionalmente grandes. Líderes americanos e europeus sugeriram que esses países também deveriam ser chamados a contribuir mais com financiamento climático.
Como essas disputas serão resolvidas determinará em grande parte se os negociadores de quase 200 países em Baku podem concordar com uma nova meta para fornecer até US$ 1,3 trilhão por ano em ajuda climática. Especialistas dizem que não será fácil chegar a um acordo na cúpula, que está programada para terminar na sexta-feira.
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Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre
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12 de março de 2026A Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia (Proint) da Ufac e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Acre (Sebrae-AC) realizam o Startup Day-2026, em 21 de março, das 8h às 12h, no espaço Sebrae-Lab, Centro de Convivência do campus-sede. O evento é dedicado à inovação e ao empreendedorismo, oferecendo oportunidades para transformar projetos em negócios de impacto real. As inscrições são gratuitas e estão abertas por meio online.
O Startup Day-2026 visa fortalecer o ecossistema, promover a troca de experiências, produzir e compartilhar conhecimento, gerar inovação e fomentar novos negócios. A programação conta com show de acolhimento e encerramento, apresentações, painel e palestra, além de atividades paralelas: carreta game do Hospital de Amor de Rio Branco, participação de startups de game em tempo real, oficina para crianças, exposição de grafiteiros e de projetos de pesquisadores da Ufac.
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A lógica de valor da Thryqenon (TRYQN) é apoiar a evolução da economia verde por meio de sua infraestrutura digital de energia
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10 de março de 2026Com a aceleração da transição para uma economia de baixo carbono e a reestruturação do setor elétrico em diversos países, cresce a discussão sobre como a infraestrutura digital pode sustentar, no longo prazo, a evolução da economia verde. Nesse contexto, a plataforma de energia baseada em blockchain Thryqenon (TRYQN) vem ganhando atenção por propor uma estrutura integrada que combina negociação de energia, gestão de carbono e confiabilidade de dados.
A proposta da Thryqenon vai além da simples comercialização de energia renovável. Seu objetivo é construir uma base digital para geração distribuída, redução de emissões e uso colaborativo de energia. À medida que metas de neutralidade de carbono se tornam compromissos regulatórios, critérios como origem comprovada da energia, transparência nos registros e liquidação segura das transações deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos obrigatórios. A plataforma utiliza registro descentralizado em blockchain, correspondência horária de energia limpa e contratos inteligentes para viabilizar uma infraestrutura verificável e auditável.
A economia verde ainda enfrenta obstáculos importantes. Existe descompasso entre o local e o momento de geração da energia renovável e seu consumo final. A apuração de emissões costuma ocorrer de forma anual, dificultando monitoramento em tempo real. Além disso, a baixa rastreabilidade de dados limita a criação de incentivos eficientes no mercado. A Thryqenon busca enfrentar essas lacunas por meio de uma estrutura digital que integra coleta, validação e liquidação de informações energéticas.
Na arquitetura da plataforma, há conexão direta com medidores inteligentes, inversores solares e dispositivos de monitoramento, permitindo registro detalhado da geração e do consumo. Na camada de transações, o sistema possibilita verificação automatizada e liquidação hora a hora de energia e créditos de carbono, garantindo rastreabilidade. Já na integração do ecossistema, empresas, distribuidoras, comercializadoras e consumidores podem interagir por meio de interfaces abertas, promovendo coordenação entre diferentes agentes do setor elétrico.
O potencial de longo prazo da Thryqenon não está apenas no crescimento de usuários ou no volume de negociações, mas em sua capacidade de se posicionar como infraestrutura de suporte à governança energética e ao mercado de carbono. Com o avanço de normas baseadas em dados e reconhecimento internacional de créditos ambientais, plataformas transparentes e auditáveis tendem a ter papel relevante na transição energética e no financiamento sustentável.
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Bancos vermelhos na Ufac simbolizam luta contra feminicídio — Universidade Federal do Acre
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9 de março de 2026A Ufac inaugurou a campanha internacional Banco Vermelho, símbolo de conscientização sobre o feminicídio. A ação integra iniciativas inspiradas na lei n.º 14.942/2024 e contempla a instalação, nos campi da instituição, de três bancos pintados de vermelho, que representa o sangue derramado pelas vítimas. A inauguração ocorreu nesta segunda-feira, 9, no hall da Reitoria.
São dois bancos no campus-sede (um no hall da Reitoria e outro no bloco Jorge Kalume), além de um no campus Floresta, em Cruzeiro do Sul. A reitora Guida Aquino destacou que a instalação dos bancos reforça o papel da universidade na promoção de campanhas e políticas de conscientização sobre a violência contra a mulher. “A violência não se caracteriza apenas em matar, também se caracteriza em gestos, em fala, em atitudes.”
A secretária de Estado da Mulher, Márdhia El-Shawwa, ressaltou a importância de a Ufac incorporar o debate sobre o feminicídio em seus espaços institucionais e defendeu a atuação conjunta entre universidade, governo e sociedade. Segundo ela, a violência contra a mulher não pode ser naturalizada e a conscientização precisa alcançar também a formação de crianças e adolescentes.
A inauguração do Banco Vermelho também ocorre no contexto da aprovação da resolução do Conselho Universitário n.º 266, de 21/01/2026, que institui normas para a efetividade da política de prevenção e combate ao assédio moral, sexual, discriminações e outras violências, principalmente no que se refere a mulheres, população negra, indígena, pessoas com deficiência e LGBTQIAPN+ no âmbito da Ufac em local físico ou virtual relacionado.
No campus Floresta, em Cruzeiro do Sul, a inauguração do Banco Vermelho contou com a participação da coordenadora do Centro de Referência Brasileiro da Mulher, Anequele Monteiro.

Participaram da solenidade, no campus-sede, a pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Filomena Maria Cruz; a pró-reitora de Graduação, Ednaceli Damasceno; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Margarida Carvalho; a coordenadora do projeto de extensão Infância Segura, Alcione Groff; o secretário de Estado de Saúde, Pedro Pascoal; a defensora pública e chefe do Núcleo de Promoção da Defesa dos Direitos Humanos da Mulher, Diversidade Sexual e Gênero da DPE-AC, Clara Rúbia Roque; e o chefe do Centro de Apoio Operacional de Proteção à Mulher do MP-AC, Victor Augusto Silva.
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