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Empreendedorismo quilombola é destaque em cartão-postal carioca

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Bruno de Freitas Moura – Repórter da Agência Brasil

Ao lado dos Arcos da Lapa, cartão-postal que atrai turistas para o centro do Rio de Janeiro, Marta da Costa organiza a barraquinha que expõe dezenas de bonecas de tecido feitas a mão pela comunidade dela. Um detalhe: todas são pretas. Marta é uma das representantes do Quilombo da Rasa, em Armação dos Búzios, cidade da Região dos Lagos fluminense, e participa da Feira Aquilombar, neste fim de semana.

“A gente está aqui participando desse evento, divulgando nossa arte, nosso potencial”, diz ela à Agência Brasil, tendo nas mãos uma das bonecas, chamadas de jongueiras. “Ela representa nosso grupo de jongo”, completa. Ela explica que a produção artesanal das bonecas é uma tradição que passa de geração em geração.

Além de ser uma forma de vender os produtos e adquirir renda, Marta destaca que a feira de empreendedores quilombolas é uma oportunidade para atrair visitantes para outra atividade da comunidade tradicional.

“Também estamos na pegada do turismo de base comunitária, recebendo as pessoas e contando a nossa história, porque temos locais que consideramos sagrados da nossa existência. A Ponta do Pai Vitório, Mangue de Pedra, Praia da Gorda. São locais lindos.”

Paulo César dos Anjos é um dos mais de mil visitantes que passaram pela feira neste sábado (30). Ele diz que a diversidade cultural foi um dos pontos que mais chamaram a atenção dele no local que reúne 30 barraquinhas expositoras, espaço para gastronomia típica, música e dança.

“É importante para reforçar, reafirmar a identidade, se aproximar mais com a cultura ancestral. Acho que há uma um encontro não só com a questão histórica do Rio de Janeiro, mas com a própria história do negro”, disse. 

 


Rio de Janeiro (RJ) 30/11/2024 - Empreendedores quilombolas
Foto: Marcelo Curia/ICCE
Rio de Janeiro (RJ) 30/11/2024 - Empreendedores quilombolas
Foto: Marcelo Curia/ICCE

Paulo César dos Anjos (de preto) visitou a Feira Aquilombar neste sábado – Marcelo Curia/ICCE

A Feira Aquilombar, que une cultura afro-brasileira e empreendedorismo, é promovida pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Estado do Rio de Janeiro (Sebrae Rio), em parceria com a Associação das Comunidades Quilombolas do Estado do Rio de Janeiro (Acquilerj). A Empresa Brasil de Comunicação (EBC), da qual faz parte a Agência Brasil, é uma das apoiadoras da iniciativa.

O visitante que passeia entre as barraquinhas de produtos típicos, como bijuterias, adereços e trajes, tem a oportunidade de, seja por folhetos informativos, cartazes ou em conversas com os expositores, conhecer mais das respectivas comunidades quilombolas – reminiscências da resistência de negros à escravidão, que durou até o século 19. A feira fecha o chamado Novembro Negro, mês que traz reflexão sobre consciência negra.

Resistência

A presidente da Acquilerj, Bia Nunes, acredita que a realização da feira é uma forma de colocar em pauta um termo que ela considera não ser muito difundido. “Você não escuta falar no empreendedorismo quilombola”, aponta.

“A população não conhece as nossas comunidades, poucos já visitaram as nossas comunidades. Então estamos trazendo aqui para um ponto turístico da capital do Rio de Janeiro, as comunidades de Cabo Frio, Paraty, Angra dos Reis…”, diz ela, citando municípios fluminenses.

Ao lado de uma barraquinha que vendia itens como um doce de ameixa com bacon, Bia convidou a sociedade a conhecer “o que o quilombo produz”.

“Não adianta só falar que nós somos guardiões da floresta. Somos guardiões da floresta, mas nós produzimos. Aqui a população vai ver um pouco dessa gastronomia maravilhosa, da beleza, de tudo que essa população produz dentro da sua comunidade”, enfatiza a presidente da associação. “Quilombo existe e resiste”, conclui Bia Nunes.

 


Rio de Janeiro (RJ) 30/11/2024 - Empreendedores quilombolas
Foto: Anderson Astor/ICCE
Rio de Janeiro (RJ) 30/11/2024 - Empreendedores quilombolas
Foto: Anderson Astor/ICCE

Empreendedores quilombolas participam da Feira Aquilombar, neste fim de semana – Anderson Astor/ICCE

Realidade quilombola

O Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que o Brasil tem 1,3 milhão de quilombolas espalhados em quase 7,7 mil comunidades. No estado do Rio de Janeiro, são 73 comunidades onde vivem 20,4 mil quilombolas.

Análises complementares do Censo apontaram situações desafiadoras. Em julho de 2024, o IBGE revelou que oito em cada dez quilombolas vivem com saneamento básico precário e que o analfabetismo é 2,7 vezes maior que média do país.

Na última sexta-feira (29), o governo federal anunciou um conjunto de ações destinadas à população negra. Entre elas, desapropriação de terras para beneficiar quilombolas. 

Empreendedorismo

A analista técnica Larissa Passos, da gerência de Sustentabilidade, Diversidade e Inclusão do Sebrae Rio explicou à Agência Brasil que os 30 expositores quilombolas passaram por seis meses de capacitação.

“Esse evento, na verdade, é a entrega final do projeto Raízes Empreendedores, que buscou capacitar os expositores. Eles passaram por essa trilha de capacitação, foram acompanhados com oficinas, palestras, consultorias relacionadas a comportamento empreendedor e gestão financeira”, descreve.

Ela enfatiza que o empreendedorismo é um mecanismo de transformação social. “Conseguir montar seu próprio e, a partir disso, gerar renda, ter oportunidade, de fato, de estar à frente do seu negócio, tendo retorno sobre isso é uma das grandes missões do Sebrae. A gente quer transformar os nossos empreendedores nos verdadeiros protagonistas do Brasil”, aponta.

A expectativa dos organizadores é que o público supere o da edição do ano passado, que recebeu 2 mil visitantes em um fim de semana, na Praça Mauá, também região central do Rio.

 


Rio de Janeiro (RJ) 30/11/2024 - Empreendedores quilombolas
Foto: Anderson Astor/ICCE
Rio de Janeiro (RJ) 30/11/2024 - Empreendedores quilombolas
Foto: Anderson Astor/ICCE

Organizadores esperam que público desta edição da Feira Aquilombar supere o do ano passado – Anderson Astor/ICCE

Antirracismo

Além das atividades comerciais e culturais, o evento propõe mesas de debates sobre temas como antirracismo e cultura afro-brasileira. O gerente executivo da regional Rio de Janeiro da EBC, Acácio Jacinto, participou de uma das rodas de discussões.

Ele defende que empresa pública tem responsabilidade que vai além da simples transmissão de conteúdos.

“Nossa missão é ser uma ponte entre diversas culturas e a sociedade brasileira, amplificando vozes que, historicamente, foram silenciadas. Nesse contexto, a cultura quilombola e negra encontra na EBC um espaço de reconhecimento e valorização. Nossa programação busca mostrar que essas histórias e tradições são parte essencial do tecido cultural brasileiro”, afirmou.

“Um dos grandes desafios da mídia é romper com estereótipos que reduzem a cultura negra a visões distorcidas e marginalizadas. A EBC investe em conteúdos que celebram a riqueza das tradições quilombolas e afro-brasileiras, apresentando suas contribuições em todas as esferas: arte, música, culinária, espiritualidade e resistência”, completa.

Serviço

No domingo, a Feira Aquilombar está aberta ao público das 10h às 17h. A entrada é gratuita. Uma das atrações de encerramento será a roda de samba Quilombo do Grotão, a partir das 16h.



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Projeto da Ufac integra exposição sobre memória da covid-19 — Universidade Federal do Acre

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Ministro da Saúde Alexandre Padilha

O projeto de extensão Relatos de Maternidade, da Ufac, desenvolvido entre setembro e dezembro de 2020, compõe a exposição A Infinita Memória da Pandemia: A História da Covid-19, cuja cerimônia de inauguração ocorreu na terça-feira, 26, no shopping Conjunto Nacional, em Brasília, e que também passará por Fortaleza, Manaus, Porto Alegre e São Paulo.

O projeto foi desenvolvido pelas professoras Ana Letícia de Fiori, do curso de Ciências Sociais e do programa de pós-graduação em Artes Cênicas, e Camila Bylaardt Volker, à época do curso de Letras e atualmente servidora do Ministério das Mulheres. Elas e seis estudantes entrevistaram, por WhatsApp, mais de 50 mulheres e mães, coletando relatos sobre suas experiências de maternidade e vida.

O trabalho abordou, ainda, cuidados, trabalho, família, medos, esperanças e projetos afetados pela pandemia da covid-19 no Acre, originando um e-book (162 p.) lançado pela Editora da Ufac (Edufac) em 2025, disponível para leitura online e download gratuito. Além disso, passou a integrar o Memorial Digital da Pandemia de Covid-19, como coleção.

Nessa quarta-feira, 27, as professoras Ana Letícia e Camila participaram, tratando dos relatos de maternidades, de mesa-redonda com os organizadores dos projetos Fala, Parente (PET Indígena, Unifap), a qual contou com depoimentos de indígenas do Amapá, Pará e Guiana Francesa.

A exposição levará a capitais brasileiras parte das coleções do Memorial da Pandemia de Covid-19, sediado no Rio de Janeiro e desenvolvido pela Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana de Saúde, Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde e Centro de Humanidades Digitais da Unicamp.

 



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Projeto de extensão seleciona resumos expandidos para publicação — Universidade Federal do Acre

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Projeto de extensão seleciona resumos expandidos para publicação-interno.jpg

O projeto de extensão ComunicAÇÃO, da Ufac, realiza processo seletivo para submissão de trabalhos extensionistas, na modalidade de resumo expandido. Os selecionados comporão a Coleção de Cadernos de Extensão “Ufac e Comunidade”. As inscrições estão abertas até 30 de junho, por meio de formulário online.

O trabalho inscrito deve estar contemplado em uma das áreas temáticas: comunicação, cultura, direitos humanos e justiça, educação, meio ambiente, saúde, tecnologia e produção, trabalho. Cada resumo deverá estar vinculado a uma ação de extensão (projeto, curso, evento ou programa) institucionalizada na Ufac.

“O resumo expandido deverá evidenciar, de forma clara e consistente, as experiências adquiridas e/ou vivenciadas junto à comunidade externa ao longo do desenvolvimento da ação de extensão, destacando as interações estabelecidas, os impactos gerados, os aprendizados construídos e as contribuições mútuas decorrentes da execução das atividades”, detalha o item 3.1 do edital.

A seleção consiste em avaliação por uma comissão que indicará 50 trabalhos aptos para publicação na 1ª Edição da Coleção de Cadernos de Extensão, considerando a formatação e os aspectos científicos, além do envolvimento da comunidade externa, dos resultados obtidos e da efetividade da metodologia proposta. O resultado final do processo seletivo está previsto para 21 de agosto.

Para mais informações sobre o certame, leia o edital Proex n.º 9.1/2026.

 



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Reitora da Ufac participa de fórum Brasil-África em Brasília — Universidade Federal do Acre

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Reitora da Ufac participa de fórum de reitores em Brasília-lula.jpg

A reitora da Ufac, Guida Aquino, participou, nessa segunda-feira, 25, em Brasília, do 1º Fórum de Reitores Brasil-África. A convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do Ministério da Educação (MEC), ela representou a Ufac no encontro, acompanhada da pró-reitora de Inovação e Tecnologia, Almecina Balbino Ferreira. O evento segue até quarta-feira, 27, e tem como foco o fortalecimento da cooperação internacional em educação superior entre universidades brasileiras e instituições africanas.

Guida destacou a importância da presença da Ufac em um espaço voltado ao diálogo internacional e à construção de parcerias acadêmicas. Segundo a reitora, a aproximação entre Brasil e África por meio da educação, da pesquisa, da inovação e da troca de experiências permite avançar em soluções conjuntas para desafios comuns. “Temos histórias, identidades e desafios que nos aproximam, e a universidade tem um papel fundamental nessa conexão”, afirmou.

O fórum é uma iniciativa liderada pelo MEC, pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior. A programação reúne reitores, pró-reitores e assessores de cooperação internacional de universidades federais, estaduais e privadas do Brasil, além de representantes de universidades africanas mobilizadas pela Associação de Universidades Africanas.

Reitora da Ufac participa de fórum de reitores em Brasília-vice.jpg

A proposta do encontro é ampliar as relações acadêmicas entre Brasil e África, com a construção de novos acordos institucionais, programas de mobilidade estudantil, intercâmbio científico e cooperação em áreas estratégicas como agricultura, energias renováveis, mineração, petróleo e gás, setor aeroespacial, inteligência artificial e ciências humanas.

A programação inclui painéis temáticos, reuniões bilaterais, workshops e sessões voltadas à construção de novas parcerias universitárias. Ao final do evento, os resultados e compromissos construídos serão formalizados na Carta de Brasília do 1º Fórum de Reitores Brasil-África, documento que deve orientar os próximos passos da cooperação entre universidades brasileiras e africanas.

 



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