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Encontro com o Ditador, de Rithy Panh, desafia a verdade – 02/01/2025 – Ilustrada
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2 anos atrásem
Sérgio Alpendre
No final de 1978, o regime totalitário do Khmer Vermelho, liderado por Pol Pot, está em declínio por inúmeros motivos, incluindo uma guerra contra o Vietnã. Acentuou-se, durante esse ano, a perseguição a todos aqueles considerados inimigos do povo.
Em “Encontro com o Ditador”, o diretor cambojano Rithy Panh mostra o encontro de três jornalistas franceses, Lise, Alain e Paul, vividos, respectivamente, por Irène Jacob, Grégoire Colin e Cyril Gueï, com Pol Pot, justamente nesse ano turbulento.
Eles respondiam ao convite do Khmer Vermelho, aparentemente para mostrar o regime como um modelo para o ocidente. Alain se correspondia há anos com o ditador e era, inicialmente, entusiasta de suas ideias.
Quando chegam, são instalados em quartos com trancas do lado de fora, como prisioneiros, mas depois iniciam entrevistas com trabalhadores e moradores. É como se tivéssemos, na ficção, a feitura de um documentário. Pol Pot, por outro lado, parece inacessível. E quando finalmente surge, está envolto em sombras.
O material publicitário informa que este é o representante do Camboja por uma indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2025. Não quer dizer muita coisa. Tem cada abacaxi nessa categoria que muitas vezes parece mais um alerta do que outra coisa. Felizmente, o longa de Rithy Panh é instigante, tem força, crítica e inteligência.
Não é o primeiro longa do diretor a tratar diretamente do trauma. Pelo contrário. Em “S21: A Máquina de Matar do Khmer Vermelho“, de 2003, ele procura entender por que houve tanta violência, sendo bastante crítico com o regime. Mas praticamente toda sua carreira reflete de algum modo o período autoritário de seu país.
Uma das maiores contribuições do cinema moderno quando predominante, nos anos 1960, foi a tentativa de rompimento das barreiras entre a ficção e o documentário. Se esse rompimento aconteceu ou não, pode-se discutir, mas talvez seja menos importante do que entender que a busca foi intensa.
Panh quase sempre se moveu entre um e outro, eventualmente alternando os registros num mesmo filme. Geralmente se sai melhor na parte documental.
Seu forte é justamente o documentário transformado pela ficção. Isto acontece em “S21: A Máquina de Matar do Khmer Vermelho” e sobretudo em “A Imagem que Falta“, de 2013. São filmes identificados justamente com o documentário.
Quando faz o contrário, como acontece em “Condenados pela Esperança“, de 1994, seu primeiro filme de destaque internacional, e em “Uma Barragem contra o Pacífico”, de 2008, com Isabelle Huppert, costuma ficar no meio do caminho.
Mais do que um retorno à ditadura de Pol Pot, “Encontro com o Ditador” é uma nova tentativa de fazer uma ficção transformada, ou até transfigurada, pelo documentário. Menos por ser uma ficção baseada num encontro que realmente aconteceu do que pelos mecanismos que o diretor utiliza para apresentar a história ao público.
É uma operação interessante inverter a lógica que predomina no entendimento mais comum ao espectador. Normalmente, o documentário é associado à verdade e a ficção à mentira. Sabemos que não é bem assim, pois há verdade e mentira na ficção, no documentário e nos filmes que procuram abolir os limites entre um e outro.
O que acontece neste filme é que o documentário nos mostra a mentira, a propaganda de um regime vendido como perfeito. E a ficção, ou seja, a interpretação dos atores, suas reações e seus temores, nos dá a verdade, ou melhor, uma certa noção da verdade. E esta, inalcançável, vem sob a forma da crítica, que desmonta a farsa e conserva uma versão para ser contada a posteriori.
Quando Lise faz perguntas mais desafiadoras a uma das revolucionárias, por exemplo, esta a repreende dizendo “você faz muitas perguntas”. O corte nos leva, antes mesmo que a revolucionária termine de falar, aos bonecos que já haviam aparecido antes, herança de filmes passados, notadamente “A Imagem que Falta“. Esses bonecos representam pessoas mortas.
Por causa dessa inteligência na direção e na exploração das possibilidades de montagem, “Encontro com o Ditador” surge como o primeiro lançamento imperdível de 2025.
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Licenciatura Indígena realiza defesa de TCCs em aldeias no Juruá — Universidade Federal do Acre
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3 dias atrásem
23 de outubro de 2026O curso de Licenciatura Indígena, do campus Floresta da Ufac, realizou o 1º Seminário Acadêmico de Apresentação de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs). O evento possibilitou a defesa de 16 trabalhos nas aldeias Barão, da terra indígena Puyanawa, em Mâncio Lima (AC), e Morada Nova, na terra indígena Katukina/Kaxinawá, em Feijó (AC). As atividades ocorreram entre 25 de setembro e 2 de outubro, envolvendo estudantes, professores, egressos do curso, pós-graduandos e as comunidades locais.
Os TCCs defendidos nas aldeias são de autoria de discentes que ingressaram na Ufac em 2023 e deverão colar grau no início de 2027. Os temas das pesquisas contemplaram variados aspectos da vida indígena, abrangendo história, biografia, mitologia, organização política, território, medicina tradicional, grafismos, gênero, terminologias linguísticas, educação especial, atividade cinegética e rituais tradicionais.
A viabilização das defesas nas aldeias ocorreu pela primeira vez em 18 anos de existência da graduação e está de acordo com a pedagogia da alternância, pela qual parte da carga horária do curso é realizada nas comunidades indígenas dos alunos, por meio de pesquisa e extensão. Os recursos para realização do evento foram provenientes de projeto de extensão com o mesmo nome do seminário.
As bancas de avaliação foram compostas por docentes do curso, egressos de outras turmas da Licenciatura Indígena e egressos indígenas de outros cursos da Ufac, inclusive da pós-graduação. Também compuseram algumas bancas pessoas reconhecidas por suas comunidades com “notório saber”, expediente previsto no regulamento de TCC do curso. Além de familiares dos estudantes e moradores das aldeias, indígenas de outras etnias estiverem presentes no seminário.

Organização
A atividade no município de Mâncio Lima, que é vizinho ao campus Floresta, em Cruzeiro do Sul (AC), ocorreu num só dia, em 25 de setembro, com a defesa de dois TCCs. Já para o evento em Feijó foi necessário um deslocamento de ônibus, com duração de quase seis horas, em 30 de setembro, até o porto da cidade. E, à noite, uma embarcação levou cerca de 20 pessoas até a aldeia Morada Nova, onde houve uma recepção musical para o grupo. Na manhã do dia seguinte começaram as defesas, que prosseguiram até 2 de outubro.

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Herbário da Ufac participa do 76º Congresso Nacional de Botânica — Universidade Federal do Acre
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22 de outubro de 2026A servidora Júlia Gomes da Silva, curadora do Herbário da Ufac, vinculado ao Parque Zoobotânico (PZ), representou a instituição no 76º Congresso Nacional de Botânica e 15º Encontro de Botânicos do Centro-Oeste, eventos ocorridos de 11 a 16 de outubro, em Campo Grande. Ela participou de mesa-redonda com apresentação das coleções dos herbários da região Norte.
Na ocasião, os curadores discutiram avanços, desafios estruturais e o futuro das coleções científicas do país. Durante sua exposição, Júlia conduziu o público por uma linha do tempo que remonta a 22 de outubro de 1979, data da primeira coleta registrada no campus-sede da Ufac: uma ‘Vismia’ (gênero científico de planta) coletada por L. Coêlho. Em razão desse registro, o herbário da Ufac comemora 47 anos nesta quinta-feira, 22.
Júlia destacou perspectivas importantes para o cenário científico acreano. Entre os projetos de destaque estão investimentos viabilizados via Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), incluindo a projeção de um novo prédio de cerca de 600 metros quadrados e a aquisição de armários compactadores modernos para garantir a preservação do acervo em longo prazo.
Também representaram a Ufac estudantes do campus Floresta, em Cruzeiro do Sul (AC), e a professora Simone Reis. A universidade enviou 11 resumos, dos quais oito foram apresentados. O evento possibilitou a troca de experiência com botânicos do país e conversas sobre parcerias de trabalho, incluindo a realização de expedições para grupos de plantas pouco estudados no Acre.
Herbário
O Herbário da Ufac tem uma equipe técnica composta por Júlia Gomes da Silva, Izailene Saar e colaboradores, como a ex-curadora e atual vice-reitora Almecina Balbino, o técnico Davi Borges e estagiários. O acervo abriga preciosidades da flora amazônica e sul-americana, registrando a superação de gargalos históricos de digitalização e integrando atualmente plataformas globais de dados de biodiversidade, como o SpeciesLink e o Global Biodiversity Information Facility.
Entre os marcos recentes destacados está o avanço na informatização de milhares de registros e a aposta em inovações, como a participação na Rede de Herbários Espectrais da Amazônia, que utiliza a espectroscopia no infravermelho próximo (tecnologia NIR portátil) para otimizar a identificação de espécies diante da escassez de taxonomistas na região.
A informatização completa do acervo ainda está em processo e figura como um dos principais objetivos da equipe, que agradeceu à direção do PZ e à Ufac pelo apoio contínuo aos servidores e à coleção, além de exaltar o esforço coletivo dos bolsistas, voluntários e parceiros que documentam, protegem e estudam a flora e funga brasileira.
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Ufac retoma Semana Acadêmica de Física após 6 anos, com planetário — Universidade Federal do Acre
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21 de outubro de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac) realiza até esta sexta-feira, 23, a 3ª Semana Acadêmica de Física, no prédio do curso, no campus-sede, em Rio Branco. Iniciado nessa segunda-feira, 19, o evento retoma as atividades presenciais da semana acadêmica após seis anos de interrupção, causada pela pandemia de covid-19 e pela reorganização do calendário universitário.
A programação tem atrações abertas ao público, como oficinas de astronomia, observação do Sol com telescópio e um planetário móvel, instalado no segundo andar do prédio de Física. Há ainda palestras, apresentações de pesquisas de estudantes e minicursos práticos de elaboração de material didático, física experimental, criação de mapas, processamento de dados e sismologia.
Organizada em três eixos temáticos, a semana é voltada aos estudantes da licenciatura e do bacharelado em Física e do curso de Física Aplicada às Ciências da Terra. Os primeiros dias tiveram debates e palestras sobre o ensino de física e a formação docente. Em seguida, a programação trata de física pura, como mecânica quântica, relatividade e física de partículas, e termina com geofísica, astronomia e fenômenos naturais.
Segundo o coordenador do evento e professor do curso de Física, Victor Carreira, a retomada presencial reaproxima o curso da comunidade externa e das escolas de educação básica. Turmas do Instituto Federal do Acre visitaram a semana, e escolas da rede pública foram convidadas.

“A semana acadêmica é muito importante tanto para os nossos alunos quanto para a comunidade em geral de Rio Branco”, disse Carreira. “É uma oportunidade para jovens do ensino médio conhecerem a universidade e vivenciarem a ciência na prática.”
A cerimônia de encerramento ocorre nesta sexta-feira, 23, à tarde.
(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)
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