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POLÍTICA

Enquanto anistia é discutida, Poderes temem novos…

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Marcela Mattos

O Congresso vai eleger em fevereiro os próximos presidentes da Câmara e do Senado sob uma forte pressão da oposição para que os novos comandantes deem andamento a um projeto de anistia aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023.

Os prováveis presidentes, o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) e o senador Davi Alcolumbre (União-AP), não compareceram à cerimônia que marcou os dois anos do atentado na capital. As ausências foram vistas por um grupo de parlamentares como uma maneira de se descolar do tema. Até hoje, tanto Motta quanto Alcolumbre evitam se posicionar sobre a anistia, demanda que foi colocada na mesa de negociação pelos oposicionistas para apoiarem a eleição da dupla.

Se aprovada, a proposta vai permitir uma absolvição completa aos vândalos que invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, protagonizando o mais repugnante atentado à democracia desde o fim do regime militar. Alguns deles já foram condenados a 17 anos de prisão.

Enquanto se discute uma saída para os envolvidos no 8 janeiro, os ataques até hoje reverberam na capital. Após os atos, as sedes do Legislativo, do Executivo e do Judiciário passaram por reformulações em seus esquemas de segurança e estudam mais medidas para reforçar a proteção.

Monitoramento, armamentos e efetivo policial

VEJA perguntou para os alvos dos ataques do 8 de janeiro quais soluções foram implementadas após os ataques para robustecer o esquema de segurança.

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O Supremo Tribunal Federal, o prédio mais vandalizado, informou que ampliou o efetivo de policiais judiciais e da segurança privada que atuam na proteção dos ministros, na área da Corte e em endereços institucionais. Também houve nova capacitação a esses agentes, além da aquisição de uma “grande variedade” de equipamentos não letais e de um circuito de monitoramento com o uso de inteligência artificial, visão noturna e barreiras virtuais de intrusão.

O Senado instalou películas antivandalismo – mais difíceis de serem quebradas e que mantêm os estilhaços – nos principais acessos ao prédio; adquiriu munições e granadas de gás lacrimogêneo e efeito moral, além de escudos, capacetes e espingardas com munição não letal; capacitou seus agentes em formação de operadores químicos e condução de cães farejadores; admitiu 114 novos policias legislativos e ainda determinou a inspeção obrigatória de todos os colaboradores e visitantes.

Já o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), responsável pela proteção do Palácio do Planalto, informou que ampliou o monitoramento do local, chegando a 700 câmeras instaladas, e também passou a ter acesso a 154 câmeras da Esplanada dos Ministérios.

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Também houve a formação de 642 agentes de segurança, a aquisição de equipamentos, munições e até armas antidrone, e a criação de uma coordenação específica para avaliação de risco e apoio policial e de um grupo de pronta-resposta contra eventuais tentativas de invasão. Está em fase de instalação uma nova e mais robusta guarita no Palácio do Planalto.

Tanto no Supremo quanto no Planalto havia a expectativa de blindagem dos vidros. No caso do STF, a adaptação ainda não foi feita porque foi constatado que a estrutura do prédio não suportaria o peso. Já na sede presidencial, a instalação foi validada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e, agora, será realizada a fase licitatória.

Presidida por Arthur Lira (PP-AL), que prometeu dar uma solução sobre a anistia, a Câmara dos Deputados não quis detalhar a reformulação de sua segurança alegando sigilo das informações.



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OPINIÃO

Opinião: A ciranda troca de partidos e a busca por cargos públicos

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Foto de capa [arquivo pessoal]
Os parlamentares que mudam de partido – como macacos puladores de galho – ou se candidatam a outros cargos no Legislativo e no Executivo apenas para preservar privilégios demonstram desrespeito à República e deveriam sentir vergonha de tal conduta. Essa prática evidencia a ausência de compromisso ideológico e a busca incessante por posições de poder, transmitindo à sociedade a imagem de oportunistas movidos por conveniências pessoais. A política deveria ser encarada como missão cívica, exercício de cidadania e serviço transitório à nação. Encerrado o mandato, o retorno às profissões de origem seria saudável para a oxigenação da vida pública.  
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Infelizmente, o sistema político brasileiro está povoado por aqueles que veem na política não um espaço de serviço público, mas um negócio lucrativo. Como já destacou o jornal El País, ser político no Brasil é um grande negócio, dadas as vantagens conferidas e auferidas — e a constante movimentação de troca de partidos confirma essa percepção.  
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A cada eleição, o jogo se repete: alianças improváveis, trocas de legenda na janela partidária e negociações de bastidores que pouco têm a ver com as necessidades reais da população. Em vez de missão cívica, vemos aventureiros transformando a política em palco de interesses pessoais e cabide de empregos. A busca incessante pela reeleição e por cargos demonstra que, para muitos, a política deixou de ser a casa do povo e tornou-se um negócio.  
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Convém lembrar aos que se consideram úteis  e insubstituíveis à política que o cemitério guarda uma legião de ex-políticos esquecidos, cuja ausência jamais fez falta ao país.  
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As próximas eleições são a oportunidade para os eleitores moralizarem o Legislativo, elegendo apenas candidatos novos, sem os vícios da velha política, que tenham conduta ilibada e boa formação cultural. Por outro lado, diga não à reeleição política, aos trocadores de partidos, aos que interromperam o mandato para exercer cargos nos governos, e àqueles que já sofreram condenação na Justiça ou punição no Conselho de Ética do Legislativo. 
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Júlio César Cardoso
Servidor federal aposentado
Balneário Camboriú-SC

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“Estou muito envergonhado! Isto é uma indignidade inexplicável!” (Ciro Gomes, ex-ministro da Fazenda, usando as redes sociais para reclamar da troca de Carlos Lupi por Wolney Queiroz, seu desafeto no PDT, no comando do Ministério da Previdência Social) 


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