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Entes queridos choram por Kelyan Bokassa, o menino de 14 anos morto em um ônibus de Londres. E todos nós temos algo a pensar | Gaby Hinsliff

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Gaby Hinsliff

Ta última vez que Mary Bokassa viu seu filho de 14 anos vivo foi por volta da hora do almoçoem seu primeiro dia de volta às aulas depois do Natal. Ela não tinha como saber que dentro de uma hora e meia seu filho estaria morto, esfaqueado 12 vezes em um ônibus em plena luz do dia em Woolwich, no sul de Londres.

E ainda assim, como sua mãe explicou em um entrevista sombria e assustadorasua morte foi um choque, mas não uma surpresa. Seu filho Kelyan era alvo de membros de gangues que tentavam recrutá-lo desde os seis anos, ela disse à BBC: “Tentei evitar. Eu tentei tantas, tantas vezes. Eu gritei e disse: ‘Meu filho vai ser morto.’” Mas a família, disse ela, não obteve a ajuda de que precisava. Ela lutou por seu filho e perdeu, e há algo na severidade com que ela disse isso que terá paralisado os pais de todo o país.

Kelyan era um menino carinhoso, segundo sua mãe, e seus professores o chamavam de “engraçado, gentil e ambicioso”. Mas ele não era um anjo. Aspirante a rapper, ele foi expulso da escola, passou um tempo sob cuidados e recentemente teve problemas com a lei. Ele estava a caminho de se encontrar com sua assistente social quando morreu e, de acordo com a BBC, ele próprio deveria comparecer ao tribunal em breve, sob a acusação de porte de facão. Mas ele também tinha 14 anos, e todo garoto de 14 anos é filho de alguém; uma criança que deveria estar vindo da escola para assaltar a geladeira e sendo incomodada para fazer o dever de casa, preocupada com o primeiro beijo. Sua mãe usou uma palavra que ouvimos muito nos últimos dias para descrever o que havia de errado com ele. Ele tinha, disse ela, sido preparado.

O facto de gangues criminosas adultas estarem a utilizar tácticas cada vez mais sofisticadas para recrutar crianças em idade escolar não deveria ser novidade para ninguém. Há anos que todos, desde a Agência Nacional do Crime até instituições de caridade para crianças, têm alertado sobre a ameaça que representa para milhares de crianças vulneráveis operações de “linhas de condado”ou redes de crime organizado que se expandem das grandes cidades para os subúrbios e cidades comerciais, à medida que procuram um mercado maior para as drogas. E como a então comissária infantil, Anne (agora Baronesa) Longfield, apontado em um relatório há cinco anosos paralelos com o que aconteceu às raparigas violadas e traficadas por redes organizadas de homens mais velhos em Rochdale ou Rotherham são impressionantes.

Tal como acontece com os gangues de aliciamento, são as crianças que já enfrentam as mãos mais difíceis na vida – aquelas que têm vidas domésticas difíceis, excluídas da escola, que estão sob cuidados – que são cínica e sistematicamente visadas. Os rapazes que acabam de sair da escola primária são atraídos com presentes em dinheiro, telefones e ténis que os seus pais não tinham condições de comprar, e depois são-lhes ditos que agora têm de trabalhar para pagar o que devem – normalmente transportando drogas e dinheiro por todo o país. Se recusarem, seguir-se-ão níveis assustadores de violência e intimidação. É uma forma de tráfico em que gangsters adultos maximizam os seus lucros obrigando as crianças a fazer o trabalho sujo, e Mary Bokassa não é a primeira mãe a afirmar que, quando tentou recuperar o filho, as autoridades a decepcionaram.

Após o assassinato de 2017 Corey Junior Davis, de 14 anosconhecido por sua família como CJ, uma revisão oficial descobriu que assistentes sociais em Newham, leste de Londres, haviam reprovado CJ quando ele confessou que estava sendo coagido por membros de gangues em vender drogas. Um menino inteligente que lutava contra um grave transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), CJ também foi expulso da escola e enviado para uma unidade de referência de alunos usada por membros de gangues como campo de recrutamento. Embora ele estivesse tão assustado que comprou um colete à prova de balas e uma faca estilo Rambo para proteção, o inquérito descobriu que ele havia sido tratado como um criminoso em vez de os assistentes sociais o verem como ele realmente era: uma criança em risco de exploração.

Rapazes como este, argumentou Longfield, não estão a escolher livremente uma vida de crime, tal como os jovens de 13 anos de Rochdale não escolheram (como alguns agentes da polícia concluíram erradamente há duas décadas) tornarem-se trabalhadores do sexo, e em ambos os casos o que eles precisam é de proteção rápida contra adultos predadores. Mas pode ser difícil ver essa vulnerabilidade oculta sob a superfície dos adolescentes, que irradiam bravatas, preparados para se tornarem perpetradores e também vítimas de violência.

Só quando estão sangrando na calçada, chorando pelas mães enquanto algum estranho que passa segura suas mãos, é que de repente o mundo começa a vê-los como as crianças que ainda são. Acredita-se que Kelyan tenha colocado flores algumas semanas antes de morrer por Daejaun Campbellque foi esfaqueado não muito longe, em Woolwich, em setembro passado. A morte de Daejaun ganhou as manchetes em parte porque uma mulher que tentou salvar sua vida lembrou-se dele chorando: “Tenho 15 anos, não me deixe morrer”.

Não há aqui respostas fáceis para um governo eleito com a promessa de reduzir para metade os crimes violentos no prazo de uma década. Mas a Escócia fez exactamente isso no passado, graças a uma abordagem liderada pela saúde pública focado nas causas profundas do comportamento violento na infância. Agora, a ministra do Interior, Yvette Cooper, lidera uma campanha intergovernamental unidade de “futuros jovens” concebido para reunir os fios de tudo o que está a acontecer na vida dos jovens, desde uma crise de saúde mental que pode estar a agravar as taxas de criminalidade até à perda de serviços especializados para jovens. (Uma análise recente do Instituto de Estudos Fiscais calculou que os adolescentes em bairros onde todos os clubes juvenis próximos tinham fechado – como fizeram 30% dos clubes juvenis em Londres entre 2010 e 2019, principalmente graças a cortes orçamentais – eram 14% mais probabilidade do que seus pares para ter uma condenação criminal.) Com base no trabalho de Longfield, Cooper prevê um serviço do tipo Sure Start para adolescentes, onde os pais poderiam obter ajuda antes que os filhos comecem a sair dos trilhos.

É um começo promissor, mas o orçamento que Cooper conseguiu reunir, pois ainda não parece corresponder ao âmbito das ambições do governo, e até agora há pouco clamor público para que se torne uma prioridade. Mas isso, por sua vez, depende de todos nós vermos as crianças em risco de exploração por gangues como elas realmente são. Caso contrário, haverá mais mães que reconhecem com muita clareza o caminho que os seus filhos estão trilhando, mas não sabem como impedi-lo; e mais crianças morrendo, em plena luz do dia, diante de adultos horrorizados, desejando apenas agora que houvesse algo mais que pudessem ter feito para ajudar.



Leia Mais: The Guardian

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Consu aprova comissão para destinar cotas a pessoas transgênero — Universidade Federal do Acre

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2026.09.30 Reunião Consu-Ufac (2).JPG

O Conselho Universitário (Consu) da Ufac aprovou a criação de uma comissão para elaborar a proposta de cotas de acesso à graduação para pessoas transgênero, que é uma pauta da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe), recentemente criada com o objetivo de expandir políticas de inclusão na universidade. A aprovação ocorreu nessa quarta-feira, 30, na 5ª Reunião Ordinária do Consu, realizada no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, campus-sede.

A Ufac já possui regulamentação que garante o acesso por cotas à comunidade transgênero na pós-graduação desde 2023. A proposta aprovada pelo Consu busca ampliar esse direito para a graduação, assegurando não apenas a entrada, mas também o acompanhamento para permanência de estudantes até a conclusão dos cursos.

A comissão terá prazo de 90 dias para realizar os estudos e apresentar a minuta final do projeto. O grupo terá formação intersetorial, reunindo representantes das três categorias acadêmicas: docentes, técnico-administrativos e discentes, além de representantes de entidades e movimentos sociais da sociedade civil voltados aos direitos da população transgênero no Acre.

“Reafirmamos nosso compromisso ao instituir a comissão que vai deliberar sobre as cotas trans”, disser o reitor Josimar Ferreira. “Trata-se de uma ação demandada pela sociedade para incluir populações historicamente invisibilizadas, garantindo que as ações afirmativas façam parte da história do nosso conselho.”

Segundo a pró-reitora de Ações Afirmativas e Equidade, Letícia Mamed, a política visa transformar a realidade de um dos grupos mais marginalizados socialmente. “Precisamos atentar para a garantia de acesso, permanência e dignidade para que essa comunidade possa construir seus projetos de vida com mais oportunidades”, comentou. “No Brasil, cerca de 30 universidades já adotam políticas semelhantes, e a Ufac dá um passo essencial para consolidar essa transformação.”

Integrante do Consu, a professora Raquel Ishii ressaltou que a comissão foi criada para ir além da gestão superior da universidade. “Considero essa aprovação uma grande vitória para a sociedade civil e para a universidade. A comissão amplia o debate da pós-graduação para a graduação. Trata-se de um grupo bem amplo, constituído não só pela gestão, mas com convites abertos ao Diretório Central dos Estudantes e a movimentos sociais externos à universidade.”

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



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SAE-CZS — Universidade Federal do Acre

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SAE-CZS — Universidade Federal do Acre

A Diretoria Geral do Campus Floresta (DG-Camp), por meio do Setor de Assistência Estudantil (SAE-CZS), comunica a suspensão do Restaurante Universitário nesta segunda-feira, 28, para o Campus Floresta, em decorrência do ponto facultativo decretado pela Reitoria por meio da Portaria n.º 3.914, de 24/09/2026, em virtude da celebração do Aniversário do município de Cruzeiro do Sul (AC).
Contamos com a compreensão de toda a comunidade acadêmica.

 



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Gestão da Ufac realiza visita ao laboratório Charles Mérieux — Universidade Federal do Acre

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2026.09.24 Visita ao laboratório Charles Mérieux (2).jpg

A Ufac realizou uma visita institucional ao Centro de Infectologia Charles Mérieux (CICM). A agenda reuniu a gestão superior da universidade, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e representantes do centro para alinhar propostas de cooperação que permitam o desenvolvimento de pesquisas avançadas e projetos de inovação em saúde pública nas instalações do laboratório. O encontro ocorreu nessa quinta-feira, 24.

O coordenador de Gestão e Infraestrutura do CICM, George Dobré, apresentou as propostas operacionais para viabilizar o uso da infraestrutura laboratorial por equipes de pesquisadores e estudantes da Ufac. A iniciativa visa unificar o potencial de pesquisa acadêmica da universidade com a capacidade tecnológica e de vigilância do centro.

A reunião contou com a presença do reitor Josimar Ferreira; do pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Dionatas Meneguetti; do diretor de Pesquisa da Ufac, Thiago Augusto da Cunha; do diretor-geral da Fiocruz-RO, Jansen Medeiros; e dos pesquisadores da Fiocruz, Gabriel Melim e Deusilene Vieira, que também atua como coordenadora de Pesquisa, Vigilância e Educação do CICM.

(Camila Barbosa, estagiária Ascom/Ufac)



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