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Especialistas alertam sobre riscos à saúde mental após aumento no uso de cogumelos mágicos | Ciência

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Rachel Hall

MA popularidade dos cogumelos mágicos está a crescer rapidamente, desencadeando um “renascimento psicadélico” à medida que as pessoas se tornam mais interessadas nos seus benefícios para a saúde mental. Mas os especialistas alertaram que usá-los para fins recreativos corre o risco de causar mais danos do que benefícios.

Os ensaios que exploram a psilocibina como um tratamento inovador para problemas de saúde mental geraram uma proliferação de empresas e retiros psicadélicos em países onde são legais, enquanto mais pessoas compram a droga, que é de classe A no Reino Unido, no mercado oculto.

O mais recente Escritório de Estatísticas Nacionais dados mostra que a psilocibina foi a única droga ilegal que cresceu em popularidade em 2024, aumentando 37,5% para atingir 1,1% dos jovens dos 16 aos 59 anos, representando cerca de 300.000 pessoas e tornando a droga quase tão popular como o ecstasy.

Especialistas disseram que embora os ensaios clínicos mostrassem resultados promissores, evidências emergentes sugerem que as pessoas que tomam psilocibina fora desses ambientes podem sofrer danos, incluindo ansiedade, trauma, insônia, distorção visual contínua conhecida como Transtorno de Percepção Persistente de Alucinógenos (HPPD) e sentimentos de despersonalização.

Os médicos de clínica geral, psiquiatras e terapeutas não têm o conhecimento necessário para tratar esta situação e, ocasionalmente, diagnosticam mal pacientes com psicose ou mania, acrescentaram os especialistas.

Jules Evans, diretor do projeto de pesquisa acadêmica Challenging Psychedelic Experience, que visa melhorar o monitoramento de eventos adversos, entrevistou pessoas “em crises terríveis que dizem não ter consciência de que poderiam suportar dificuldades graves por dias, semanas, meses ou anos após ”, incluindo alguns que foram seccionados após discutirem experiências míticas com um psiquiatra.

“Há pessoas que ficam traumatizadas novamente por experiências psicodélicas muito desafiadoras ou ficam traumatizadas por terem viagens realmente ruins em ambientes abaixo do ideal”, disse ele.

A angústia pode ser agravada pelos treinadores de integração psicodélica de quem as pessoas procuram apoio, disse ele. “Eles têm uma certa visão de mundo dogmática onde todos os psicodélicos conhecem inteligências benevolentes que sempre sabem o que é bom para você – ouça os cogumelos, ouça a mamãe ayahuasca.”

Embora seja difícil estabelecer a prevalência de pessoas que enfrentam danos pós-psicodélicos, pesquisa recente descobriram que 8,9% dos entrevistados que usaram psicodélicos regularmente ao longo da vida relataram deficiências que duraram mais de um dia.

Ed Prideaux, que pesquisou os efeitos adversos após sofrer HPPD, disse anos depois que ainda vê um “brilho estranho”, papel de parede derretido e outras ilusões de ótica. Ele disse que “basicamente todo mundo” na comunidade psicodélica teve pelo menos uma experiência semelhante.

Embora circulassem mitos sobre os psicodélicos quando eles se tornaram populares pela última vez, em meados do século 20, Prideaux pensa casos como o piloto norte-americano Joseph Everson, que caiu um avião dois dias depois de ingerir cogumelos mágicos, sugerem que os flashbacks precisam de mais pesquisas.

Existem quatro clínicas na Europa que oferecem ajuda especializada. O mais estabelecido é Ambulanz psychedelische Substanzen, um ambulatório de psicodélicos no Charité, hospital universitário de Berlim, que oferece consultas online para clientes internacionais.

Tomislav Majić, um psiquiatra, criou a clínica em 2018 depois de observar que as pessoas tinham experiências ruins com médicos que não estavam familiarizados com os “efeitos, riscos e complicações específicos dos psicodélicos”. A maioria dos pacientes os utiliza como “automedicação para problemas de saúde mental” e precisa de apoio psicológico, embora alguns precisem de ajuda psiquiátrica, disse ele.

“Tem havido um aumento de problemas relacionados com a psilocibina e outras substâncias psicadélicas clássicas, muito provavelmente devido à popularidade crescente e à representação muitas vezes excessivamente entusiasmada destas substâncias nos meios de comunicação social e, em alguns casos, no discurso científico. Estatisticamente, tem havido um aumento de apresentações relacionadas com substâncias psicadélicas nos departamentos de emergência de alguns países”, disse ele.

A Psychedelic Experience Clinic tornou-se recentemente o primeiro serviço especializado do Reino Unido. O seu fundador, Timmy Davis, diretor de política psicadélica do Center for Evidence Based Drug Policy, observou, enquanto trabalhava em ensaios clínicos, uma falta de “prestação de cuidados pós-ensaio” e que os utilizadores recreativos procuravam apoio não estigmatizante.

“Algumas pessoas veem os psicodélicos como uma forma de lidar com problemas de saúde mental que realmente não entendem. Eles leem coisas como The Body Keeps the Score e aprendem sobre traumas e acabam pensando que a raiz do meu sofrimento é uma experiência traumática da infância. É uma noção bastante ingênua de saúde mental, e eles procuram retiros na Costa Rica ou na Jamaica, onde encontram facilitadores com as mesmas concepções ingênuas”, disse ele.

David Erritzoe, professor associado de pesquisa psicodélica no Imperial College London, disse que um “calcanhar de Aquiles” dos psicodélicos é que as experiências podem ser semelhantes a sonhos e parecerem extremamente reais, em parte porque as drogas aumentam a sugestionabilidade. As pessoas podem acreditar que trouxeram à tona uma “memória oculta” e concluir erroneamente que deveriam usá-la para “compreender a mim mesmo e aos meus relacionamentos e dificuldades”.

“Precisamos de mais estratégias para informar as pessoas sobre estes fenómenos e fornecer apoio quando isso acontece”, disse ele, acrescentando que o facto de o uso recreativo ser agora “extremamente popular” sugere que os profissionais de saúde devem receber orientação.

A psilocibina é relativamente segura do ponto de vista físico, sendo dores de cabeça e náuseas os efeitos colaterais mais comuns, mas acrescentou: “Pode haver muito material psicológico difícil, pode ser relacional, autobiográfico, onírico em formas simbólicas, elementos profundos de a psique – isso pode ser desafiador e, às vezes, até provocar ansiedade ou induzir medo.”

Os principais fatores de risco incluem ser jovem, ter pontuação alta em neuroticismo, estar despreparado e estar em um espaço que parece inseguro, disse ele.

Erritzoe disse que há um “exagero que não ajuda” em torno da psilocibina, incluindo a microdosagem, para a qual não há boas evidências além do efeito placebo. Mas ele está “muito otimista” quanto ao seu potencial terapêutico, com baixo risco de efeitos adversos em ensaios clínicos, porque aqui eles examinam os participantes e tomam muito cuidado com a configuração e a dosagem, enquanto os pesquisadores “tentam continuamente melhorar” os cuidados posteriores.

Mais dados são necessários antes que a psilocibina possa ser licenciada para uso médico, embora se os reguladores estiverem satisfeitos com sua segurança e eficácia, Erritzoe sugeriu que ela poderia se juntar à cetamina como tratamento psicodélico no Reino Unido dentro de três anos.



Leia Mais: The Guardian

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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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