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Estudo com camundongos reverte envelhecimento celular – 01/02/2025 – Ciência
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Ana Bottallo
Uma nova pesquisa conseguiu reverter o envelhecimento celular em camundongos utilizando um tratamento com fragmentos de material genético regenerativos. O trabalho saiu no último dia 15 na revista especializada Cell.
O estudo envolveu pesquisadores de instituições na China. Eles são da Academia Nacional de Ciências, em Zhengzhou, do Instituto de Biofísica da Academia de Ciências de Pequim, do Instituto Biomédico de Taisheng e do Hospital Internacional da Universidade de Medicina Tradicional Chinesa, em Xangai.
No experimento, os cientistas extraíram exossomos (pequenas vesículas que transportam substâncias entre as células) de embriões humanos contendo fragmentos de RNA conhecidos como miR-302b e injetaram em 30 camundongos adultos. Outros 30 receberam exossomos humanos normais; uma parte também ganhou apenas soro para controle.
Esses fragmentos, chamados de microRNAs, ligam-se ao DNA intracelular dos roedores e bloqueiam a expressão de genes associados à morte celular (Cdkn1a Ccng2). Ao mesmo tempo, aumentam a expressão de outros genes envolvidos na divisão celular.
Como resultado, os cientistas conseguiram parar o processo de envelhecimento celular, ao que deram o nome de senoreversão.
O envelhecimento em todos os organismos vivos ocorre principalmente por um processo conhecido como senescência celular, que define o tempo de vida das células. Células senescentes (ou “envelhecidas”), por diversos fatores, não conseguem mais completar os processos de divisão celular e morrem. Ao longo dos anos, a morte celular pode, por exemplo, causar o envelhecimento de tecidos e o surgimento de fios de cabelo brancos.
Já era sabido que um dos motivos que levam à senescência é o acúmulo de proteínas envolvidas na inflamação celular, como as citocinas. Quanto maior o acúmulo dessas substâncias, mais rápida será a morte celular. Porém, até então, não foi possível retardar esse processo sem ter efeitos colaterais também para o organismo, como risco aumentado de câncer —já que essas proteínas também atuam no controle de células tumorais.
A grande sacada dos pesquisadores chineses foi utilizar os exossomos com miR-302b, que desempenham um papel essencial na reprogramação celular, na diminuição da inflamação e na proliferação celular. Além disso, em longo prazo, o tratamento prolongou a vida útil de camundongos, fez crescer pelos onde já havia falhas na pelagem, aumentou a capacidade cognitiva e retardou o processo de envelhecimento dos roedores.
O professor do laboratório nacional de biomacromoléculas do Instituto de Biofísica e autor sênior do estudo, Guangju Ji, disse à reportagem que o miR-302b oferece uma vantagem frente a estratégias tradicionais que eliminam células senescentes (senolíticos) ou suprimem a ação de secreção destas (senomórficos).
“Ao contrário dos senolíticos, que podem causar danos teciduais, a nossa molécula restaura a capacidade proliferativa celular, promovendo a regeneração tecidual. Já comparado aos senomórficos, que apenas reduzem efeitos inflamatórios, o miR-302b reverte diretamente a senescência ao nível molecular ao direcionar Cdkn1a Ccng2, rejvenescendo as células e melhorando a saúde sistêmica”, afirmou.
O estudo abre portas para pesquisas sobre doenças ligadas ao envelhecimento e à degradação de tecidos, como Alzheimer e doenças cardiovasculares. “A capacidade do miR-302b de reverter a senescência celular e restaurar a capacidade proliferativa o torna altamente aplicável a doenças relacionadas à idade, incluindo distúrbios neurodegenerativos e doenças cardiovasculares, áreas que já temos pesquisas em andamento.”
Em termos de efeitos colaterais, não foi verificado um aumento no risco de aparecimento de tumores nos camundongos tratados com os microRNAs em comparação ao grupo que não recebeu a substância. Os animais foram analisados por um período de dois anos e meio.
Os autores afirmam que a técnica de senoreversão pode ser uma boa estratégia de rejuvenescimento celular sem efeitos cancerígenos a longo prazo observáveis em células embrionárias in vitro e em modelos de animais em laboratório.
“Os resultados sugerem que o miR-302b poderia ser uma estratégia transformadora para o envelhecimento humano e a longevidade ao reverter a senescência celular, um fator chave do declínio relacionado à idade”, disse Ji.
Segundo o pesquisador, os próximos passos do estudo se concentram em levar a molécula para a aplicação clínica, com estudos em primatas não humanos já em andamento para avaliar efeitos em doenças degenerativas.
“Além disso, estamos planejando um ensaio iniciado por investigadores (IIT) em humanos, visando uma condição específica relacionada ao envelhecimento como a primeira aplicação terapêutica do miR-302b”, afirmou.
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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre
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19 de maio de 2026O Projeto Legal (Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal) da Ufac realizou, na última sexta-feira, 15, no Centro de Educação Permanente (Cedup) de Brasiléia, o seminário “Agroextrativismo e Cooperativismo no Alto Acre: Desafios e Perspectivas”. A programação reuniu representantes de cooperativas, instituições públicas das esferas federal, estadual e municipal, pesquisadores, produtores rurais da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes e lideranças comunitárias para discutir estratégias e soluções voltadas ao fortalecimento da economia local e da produção sustentável na região.
A iniciativa atua na criação de espaços de diálogo entre o poder público e as organizações comunitárias, com foco no desenvolvimento sustentável e no fortalecimento da agricultura familiar. Ao longo do encontro, os participantes debateram os principais desafios enfrentados pelas famílias e cooperados que atuam nas cadeias do agroextrativismo, com ênfase em eixos fundamentais como acesso a financiamento, logística, assistência técnica, processamento, comercialização, gestão e organização social das cooperativas.
Coordenado pela professora Luci Teston, o seminário foi promovido pela Ufac em parceria com o Sistema OCB/Sescoop-AC. Os organizadores e parceiros destacaram a relevância do cooperativismo como instrumento de transformação social e econômica para o Alto Acre, ressaltando a importância de pactuar soluções concretas que unam a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida das famílias extrativistas à preservação florestal. Ao final, foram definidos encaminhamentos estratégicos para valorizar o potencial produtivo da região por meio da cooperação.
O evento contou com a presença de mais de 30 representantes de diversos segmentos, incluindo o subcoordenador do projeto no Acre, professor Orlando Sabino da Costa; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), Ronald Polanco; o secretário municipal de Agricultura de Brasiléia, Gesiel Moreira Lopes; e o presidente da Coopercentral Cooperacre, José Rodrigues de Araújo.
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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.
Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).
O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.
Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.
Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.
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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.
Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.
Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.
O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.
“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.
A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.
“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.
Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.
A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.
Fhagner Soares – Estagiário
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