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Estudos alertam para impactos ambientais da energia eólica – 29/12/2024 – Ambiente
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1 ano atrásem
Guilherme Pavarin
Em 2023, o Brasil foi pelo segundo ano consecutivo o terceiro país que mais instalou estruturas eólicas no mundo, atrás apenas de China e Estados Unidos. O que seria motivo para celebrar, porém, vem sendo também um fator de preocupação para muitos pesquisadores nacionais.
Segundo estes estudiosos, a instalação das turbinas tem acompanhado diversos tipos de danos ambientais em estados do Nordeste, região que representa 92% da fonte eólica no país.
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Professora do departamento de Geografia e coordenadora do Laboratório de Geoprocessamento e Cartografia Social (Labocart) da Universidade Federal do Ceará, a pesquisadora Adryane Gorayeb defende que os parques eólicos estão causando alterações significativas na paisagem e na vegetação de regiões litorâneas do Ceará, o quinto estado que mais produz energia eólica no país.
Ela realizou estudos de campo em lugares como a praia de Xavier, em Camocim, e também em comunidades como a do Cumbe, em Aracati.
“Notamos um impacto na alteração de fluxo de sedimentos, o que ocasionou em mudanças morfodinâmicas das praias e das dunas, e também nos lençóis freáticos, chegando até mesmo a extinguir lagoas perenes que eram usadas na agricultura, pesca e lazer”, diz Gorayeb.
Segundo a pesquisadora, quando barreiras artificiais impedem o movimento das areias, como acontece com a instalação de torres eólicas, a alteração do fluxo pode criar áreas rebaixadas ou elevadas e intensificar processos erosivos. As consequências disso, notadas em suas pesquisas na costa cearense, são a redução de vegetação e o aumento da temperatura local, além da modificação dos habitat de animais e da flora, causando prejuízo à biodiversidade.
Fenômenos parecidos ocorrem em várias outras localidades vizinhas. Enrico Bernard, professor Associado ao Departamento de Zoologia da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) em Recife, onde coordena o Laboratório de Ciência Aplicada à Conservação da Biodiversidade, alerta sobre as mudanças significativas no comportamento dos animais ao redor dos parques.
As principais vítimas, afirma, são morcegos, aves (principalmente de rapina) e insetos, que colidem com as turbinas de alta velocidade. Estima-se, com base em um estudo de sua orientanda de doutorado Marília Abero Sá de Barros, que um parque com mil turbinas possa gerar mais de 4.000 mortes de morcegos ao ano.
A probabilidade maior de colisão, no entanto, não é o único fator que altera a vida animal em torno dos parques. No ano passado, o Rio Grande do Norte recebeu, de acordo com a Abeeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica), 58 novos empreendimentos em 2023, maior índice do país.
A potência de geração de energia eólica no estado se tornou tanta que Bernard, ao viajar para lá em janeiro deste ano, se impressionou com o barulho que ressoava dentro das cavernas.
“A sensação era que eu estava num pátio de manobras de aviões”, diz. “Para a fauna, essa poluição sonora influencia na percepção do ambiente, na maneira de se comunicar com o outro e até no modo de achar as presas.”
Segundo Bernard, além do barulho das turbinas, as sombras projetadas pelas hélices afugentam e estressam muitos animais da região. “Você pode matar um animal sem lugar de forrageio, de abrigo, mexendo nas condições de microclima e afetando a biodiversidade”, diz.
Estudos dão conta que, além dos animais voadores, bichos terrestres também tiveram seus comportamentos alterados nos entornos de parques eólicos. Em artigo publicado no Biotropica, um periódico científico especializado em biologia tropical, pesquisadores brasileiros atestam que as onças-pintadas da Caatinga evitam áreas próximas dos parques eólicos devido ao ruído e aos microtremores.
Modos de mitigar os danos
A energia eólica representa, de acordo com dados de 2023 da Abeeólica, 15,2% da matriz elétrica brasileira. No ranking global de capacidade eólica acumulada, o Brasil ocupa o sexto lugar. Perde apenas para China, Estados Unidos, Alemanha, Índia e Espanha.
Há um consenso entre os pesquisadores brasileiros de que a energia eólica é uma forma eficiente de geração de energia limpa e pode ser fundamental para auxiliar na queda de emissões de carbono no país. O problema, dizem, é onde e como a implementação está sendo feita.
“A energia eólica é necessária e desejada”, diz Bernard. “Mas é preciso saber, em primeiro lugar, onde ela será implementada. Já sabemos que não se deve colocar parques eólicos em locais sensíveis, onde há alta biodiversidade, com rotas migratórias importantes para as aves, nem em regiões próximas às florestas.”
Bernard acredita que é preciso “subir o sarrafo no licenciamento ambiental”. A percepção dele é que muitos estados facilitam a entrada das empresas de energia eólica sem que haja um plano detalhado que considere os impactos na fauna e na biodiversidade.
Para Gorayeb, os órgãos de licenciamento deveriam exigir relatórios aprofundados sobre estudos ambientais, além de realizarem uma inspeção rigorosa de cada empreendimento. “É preciso haver uma análise aprofundada não só nos impactos ambientais, mas também sociais”, afirma. “Tem de haver um compromisso das empresas em trazer impactos positivos nas comunidades”.
Aldo Ometto, professor da EESC-USP (Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo), também acredita no papel fundamental de políticas públicas para que haja uma transição energética efetiva com menos danos possíveis.
“A transição é sociotecnica e ambiental”, diz. “Ela envolve um alinhamento de outros atores, outras soluções e novas infraestruturas. Para que se mantenha sustentável, é preciso pensá-la como inovação sistêmica. Olhar apenas para a tecnologia, sem o contexto social, não dá conta da complexidade, não se sustenta.”
O projeto Excluídos do Clima é uma parceria com a Fundação Ford.
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VÍDEO: Veja o que disse Ministra em julgamento do ex-governador Gladson Cameli
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16 de abril de 2026No julgamento desta quarta-feira, dia 15/04/2026, a Corte Especial do STJ, por unanimidade, determinou o imediato desentranhamento dos Relatórios de Inteligência Financeira de n°s 50157.2.8600.10853, 50285.2.8600.10853 e 50613.2.8600.10853, a fim de que fosse viabilizada a continuidade do julgamento de mérito da ação penal. A própria Ministra Relatora Nancy Andrighi foi quem suscitou referida questão de ordem, visando regularizar e atualizar o processo.
O jornalista Luis Carlos Moreira Jorge descreveu o contexto com as seguintes palavras:
SITUAÇÃO REAL
Para situar o que está havendo no STJ: o STF não determinou nulidade, suspensão de julgamento e retirada de pauta do processo do governador Gladson. O STF apenas pediu para desentranhar provas que foram consideradas ilegais pela segunda turma da Corte maior. E que não foram usadas nem na denúncia da PGR. O Gladson não foi julgado ontem em razão da extensão da pauta do STJ. O julgamento acontecerá no dia 6 de maio na Corte Especial do STJ, onde pode ser absolvido ou condenado. Este é o quadro real.
A posição descrita acima reflete corretamente o quadro jurídico do momento.
Veja o vídeo:
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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre
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2 semanas atrásem
7 de abril de 2026A Ufac participou do lançamento do projeto Tecendo Teias na Aprendizagem, realizado na reserva extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira (AC). O evento ocorreu em 28 de março e reuniu representantes do poder público, comunidade acadêmica e moradores da reserva.
Com uma área de aproximadamente 750 mil hectares e cerca de 500 famílias, a Resex é território de preservação ambiental e de produção de saberes tradicionais. O projeto visa fortalecer a educação e promover a troca de conhecimentos entre universidade e comunidade.
O presidente da reserva, Nenzinho, destacou que a iniciativa contribui para valorizar a educação não apenas no ensino formal, mas também na qualidade da aprendizagem construída a partir das vivências no território. Segundo ele, a proposta reforça o papel da universidade na escuta e no reconhecimento dos saberes locais.
O coordenador do projeto, Rodrigo Perea, sintetizou a relação entre universidade e comunidade. “A floresta ensina, a comunidade ensina, os professores aprendem e a Ufac aprende junto.”
Também estiveram presentes no lançamento os professores da Ufac, Alexsande Franco, Anderson Mesquita e Tânia Mara; o senador Sérgio Petecão (PSD-AC); o prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz (PP); e o agente do ICMBio, Aécio Santos.
(Fhagner Silva, estagiário Ascom/Ufac)
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Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre
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2 semanas atrásem
7 de abril de 2026Os professores Jhonatan Gomes Gadelha e Shirley Regina de Almeida Batista, do curso de Educação Física da Ufac, realizaram a mostra de dança NT: Sementes de uma Pioneira, em homenagem à professora aposentada Norma Tinoco, reunindo turmas de bacharelado e licenciatura, escolas de dança e artistas independentes. O evento ocorreu na noite de 25 de março, no Teatro Universitário, campus-sede, visando celebrar a trajetória da homenageada pela inserção e legitimação da dança no curso.
Norma recebeu uma placa comemorativa pelos serviços prestados à universidade. Os alunos do curso, André Albuquerque (bacharelado) e Matheus Cavalcante (licenciatura) fizeram a entrega solene. Segundo os organizadores, os anos de dedicação da professora ao curso e seu pioneirismo jamais serão esquecidos.
“A ideia, que ganhou corpo e emoção ao longo de quatro atos, nasceu do coração de quem viveu de perto a influência da homenageada”, disse Jhonatan Gomes Gadelha, que foi aluno de Norma na graduação. Ele contou que a mostra surgiu de uma entrevista feita com ela por ocasião do trabalho dele de conclusão de curso, em 2015. “As falas, os ensinamentos e as memórias compartilhadas por Norma naquele momento foram resgatadas e transformadas em movimento”, lembrou.
Gadelha explicou que as músicas que embalaram as coreografias autorais foram criadas com o auxílio de inteligência artificial. “Um encontro simbólico entre a tradição plantada pela pioneira e as ferramentas do futuro. O resultado foi uma apresentação carregada de bagagem emocional, autenticidade e reverência à história que se contava no palco.”
Mostra em 4 atos
A professora de Educação Física, Franciely Gomes Gonçalves, também ex-aluna de Norma, foi a mestre de cerimônias e guiou o público por uma narrativa que comparava a trajetória da homenageada ao crescimento de uma árvore: “A Pioneira: A Raiz (ato I), “A Transformadora: O Tronco” (ato II), “O Legado: Os Frutos” (ato III) e “Homenagem Final: O reconhecimento” (ato IV).
O ato I trouxe depoimentos em vídeo e ao vivo, além de coreografias como “Homem com H” (com os 2º períodos de bacharelado e licenciatura) e “K Dance”, que homenageou os anos 1970. O ex-bolsista Kelvin Wesley subiu ao palco para saudar a professora. A escola de dança Adorai também marcou presença com as variações de Letícia e Rayelle Bianca, coreografadas por Caline Teodoro, e o carimbó foi apresentado pelo professor Jhon e pela aluna Kethelen.

O ato II contou com o depoimento ao vivo de Jhon Gomes, ex-aluno que seguiu carreira artística e acadêmica, narrando um momento específico que mudou sua trajetória. Ele também apresentou um solo de dança, seguido por coreografias da turma de licenciatura e uma performance de ginástica acrobática do 4º período.
No ato III foi exibido um vídeo em que os atuais alunos do curso de Educação Física refletiram sobre o que a dança significa em suas formações. As apresentações incluíram o Atelier Escola de Dança com “Entre o que Fica e o que Parte” (Ana Fonseca e Elias Daniel), o Estúdio de Artes Balancé com “Estrelas” (coreografia de Lucas Souza) e a Cia. de Dança Jhon Gomes, com outra versão de “Estrelas”. A escola Adorai retornou com “Sarça Ardente”, coreografada por Lívia Teodoro; os alunos do 2º período de bacharelado encerraram o ato.
No ato IV, após o ministério de dança Plenitude apresentar “Raridade”, música de Anderson Freire, a professora Shirley Regina subiu ao palco para oferecer palavras à homenageada. Em seguida, a mestre de cerimônias convidou Norma Tinoco a entrar em cena. Ao som de “Muda Tudo”, os alunos formaram um círculo ao redor da professora, cantando o refrão em coro.
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